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Este ponto é dedicado aos procedimentos metodológicos que orientaram este estudo exploratório, tendo em conta os objetivos definidos. Assim, em primeiro lugar faz-se uma descrição do grupo de participantes, segue-se a descrição dos instrumentos e técnicas para a recolha de dados e termina com o resumo das atividades desenvolvidas ao longo da intervenção.

A disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) do 8.º ano de escolaridade assume-se como sendo de caráter eminentemente prático. Os professores devem criar situações de promoção da autonomia dos alunos, em que estes assumem o papel de exploradores, orientados pelo professor (MC), com o intuito de desenvolver as capacidades analíticas dos alunos, através da exploração de ambientes computacionais apropriados às suas idades e proporcionando a abordagem de tecnologias emergentes. Subjazendo não uma lógica restrita de conteúdos instrumentais ou de aquisição de conceitos, mas sobretudo o desenvolvimento de competências capazes de preparar os jovens para as exigências do século XXI (PA).

As estratégias adotadas pelo professor devem visar a motivação dos alunos para que estes se envolvam no processo de ensino e aprendizagem, promovendo assim a criatividade e a iniciativa dos mesmos.

Este estudo decorreu no âmbito do paradigma misto.

Segundo Coutinho (2006, p. 3), o paradigma qualitativo “interessa-se por compreender”, ou seja, o “objetivo é compreender os fenómenos educativos pela busca de significações pessoais e interações entre pessoas e contextos, assim como formas de pensar, atitudes e perceções dos participantes no processo de ensino e aprendizagem” (Coutinho, 2006, p. 3) porque, ainda segundo Coutinho (2006) a:

investigação qualitativa associa-se a métodos que conduzem à obtenção de dados de tipo narrativo em que o investigador é via de regra o principal “instrumento de medida” do estudo e em que o objetivo da pesquisa é o de conseguir uma visão holística do fenómeno em estudo (Coutinho, 2006, p. 5).

6.1. Participantes

Este estudo inseriu-se no âmbito da PES do qual fez parte uma turma do 8.º ano de escolaridade do terceiro ciclo do Ensino Básico da Escola André de Resende.

A turma era constituída por quatro alunos do sexo masculino e dezasseis do sexo feminino, num total de vinte alunos. A média de idades dos alunos da turma era de 13,29 anos, com idades compreendidas entre os doze e os quinze anos, sendo que, cinquenta e dois por cento dos alunos tinham treze anos, vinte e quatro por cento tinha catorze anos, catorze por cento tinha doze anos e dez por cento tinha quinze anos.

126 | P á g i n a Teve como âmbito de aplicação a temática P8.2 – exploração de ambientes computacionais: criar um produto original de forma colaborativa e com uma temática definida, com recurso a ferramentas e ambientes computacionais apropriados à idade e ao estádio de desenvolvimento cognitivo dos alunos, instalados localmente ou disponíveis na Internet, que desenvolvam um modo de pensamento computacional, centrado na descrição e resolução de problemas e na organização das ideias. Os conteúdos abordados foram: ambientes de programação/ construção de um produto multimédia com recurso a software online; fases de elaboração de um produto multimédia para publicação na Web.

A população alvo do estudo, ou amostra, teve por base uma escolha de conveniência, uma vez que os elementos constituintes da amostra, neste caso a turma do oitavo ano, foram selecionados porque estavam acessíveis e disponíveis para a realização do estudo, ao invés de serem selecionados recorrendo a um qualquer critério estatístico.

No entanto, esta opção tem como consequência a não generalização dos resultados obtidos para além do grupo alvo do estudo, ou seja, não se pode generalizar com rigor estatístico para a população em geral, pois segundo Vaz (2011, p. 40, citando Hill e Hill, 2008) é um método cuja vantagem é a de ser de fácil utilização e rápido, no entanto tem a desvantagem de os resultados e conclusões apenas se aplicarem à amostra, ou população em estudo, não podendo ser generalizados, mas em todo o caso, e com as devidas adaptações, pode servir de base para futuras investigações.

6.2. Técnicas e instrumentos de recolha de dados

A recolha de dados visou a acumulação da maior quantidade de informação possível tendo em vista a análise necessária e a possibilidade de abarcar todos os diversos aspetos em estudo. A investigação pressupõe querer saber algo de novo, pelo que, no decorrer do processo a observação dos elementos que participam do estudo é fundamental. Para tal, foram elaboradas grelhas de observação (Anexo XIII), adaptadas da literatura sobre a temática, de acordo com as informações necessárias ao estudo em causa e tendo em conta os objetivos definidos para responder à questão em estudo.

A investigação recorreu assim a técnicas e procedimentos de recolha de dados que tiveram por base:

➢ a observação, segundo Bell (citado em Santos, 1999) a:

observação direta pode ser mais fiável, em muitos casos, do que o que as pessoas dizem. Pode ser particularmente útil descobrir se as pessoas fazem o que dizem fazer, ou se se comportam da forma como acham comportar-se. Quer a observação seja estruturada ou não, participante ou não, o seu papel consiste em observar e registar da forma mais objetiva possível e depois interpretar os dados recolhidos.

As vantagens desta técnica, segundo Ludke e André (citado em Santos, 1999), são “o facto de a observação permitir chegar mais perto da 'perspetiva dos sujeitos' e a experiência direta ser melhor para

127 | P á g i n a verificar as ocorrências”; Lakatos e Marconi (citado em Santos, 1999) apontam “como vantagens o facto da observação permitir a evidência de dados que não vêm em entrevista e questionário”.

Ainda segundo Weick (citado em Pinto, 2010, p. 47), a observação “consiste em selecionar, provocar, registar o conjunto dos comportamentos e dos ambientes que se aplicam aos organismos in

situ e que estão ligados aos objetivos da observação no terreno”. Ainda segundo Pinto (2010, p. 47) a

“seleção, nesta perspetiva, significa que o investigador orienta a sua observação de forma deliberada”. Na realização deste estudo, o papel que assumimos foi o de observador participante, uma vez que o objetivo deste estudo foi o de avaliar o impacto da metodologia ABRP na aprendizagem dos alunos recorrendo ao software Scratch, e no qual desempenhamos um papel ativo, através da observação e registo das atitudes dos alunos.

➢ o inquérito por questionário (Anexo XIV), sendo que os inquéritos por questionários apresentam vantagens como:

economia de tempo, permitindo a obtenção de grande número de dados; abrange simultaneamente um maior número de pessoas; permite obter respostas mais precisas e mais rápidas; existe uma maior liberdade nas respostas dado o anonimato em relação ao sujeito inquirido; existe um menor risco de distorção pois há pouca influência do investigador; permite uma maior uniformidade na avaliação devido à natureza impessoal do instrumento. (Lakatos & Marconi citado em Santos, 1999).

Segundo Carmo e Ferreira (2008, p. 141), a distinção entre inquérito por entrevista e inquérito por questionário está no facto de que é a ausência ou presença do investigador no ato de recolha dos dados que é determinante no que diz respeito aos procedimentos técnicos de administração e conceção dos inquéritos.

No que concerne às questões, ainda segundo Carmo e Ferreira (2008, p. 157), estas devem ser tanto quanto possível fechadas, sendo esta uma forma de objetivar as respostas, não permitindo a sua ambiguidade, através da apresentação de um número limitado de opções que o respondente pode selecionar, porque para Carmo e Ferreira (2008, p. 156) as questões objetivas são mais fiáveis do que as questões subjetivas.

O recurso a questões fechadas é uma vantagem no que à análise dos resultados diz respeito, uma vez que permite efetuar apenas o registo de todas as respostas e depois compará-las.

Relativamente ao questionário aplicado, este foi adaptado de um estudo anterior efetuado por Batista (2010).

No que diz respeito às questões de ética, privacidade, à segurança, à proteção e à confidencialidade dos dados pessoais e ao seu tratamento foram observados todos os requisitos e procedimentos legais. Os dados foram recolhidos de forma anónima e assegurada a confidencialidade dos mesmos e o seu tratamento foi realizado de forma agregada.

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6.3. Procedimentos

A operacionalização do trabalho foi feita do seguinte modo: foi feita uma pequena introdução do trabalho que iria ser realizado nas aulas e solicitado aos alunos que definissem os grupos de trabalho, ou seja, foi dada total liberdade de escolha na definição dos dez grupos de trabalho, dois alunos por grupo, tendo ficado decidido manter os grupos existentes, que já estavam definidos desde o período anterior.

De seguida, com o intuito de esclarecer os alunos sobre a metodologia de trabalho, foi apresentado o método de resolução de problemas, recorrendo a um exemplo (Anexo XI), onde estavam descritas as diferentes etapas que têm que ser percorridas para conseguir levar a bom porto a resolução de um problema.

Os alunos foram também informados sobre as diferentes fontes de informação que poderiam consultar, nomeadamente o manual da disciplina, a Internet e a plataforma Edmodo onde constava informação em forma de vídeos e documentos sobre a temática a ser explorada.

Como já foi referido, este estudo desenvolveu-se na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), numa turma do oitavo ano do terceiro ciclo do Ensino Básico, tendo decorrido ao longo de seis tempos de 50 minutos cada, durante o terceiro período, e teve como âmbito de aplicação a temática P8.2 – exploração de ambientes computacionais.

Na última aula os alunos preencheram um questionário de autoavaliação e um questionário de avaliação sobre a forma como as aulas foram lecionadas.

As estratégias de ensino que foram implementadas passaram pela exposição do problema aos alunos, relacionado com a temática em estudo, e solicitando-se a sua leitura em voz alta; pela promoção do diálogo e do debate de ideias; pelo incentivo ao trabalho autónomo; pelo incentivo à utilização da plataforma Edmodo; pela promoção da criatividade, da responsabilidade e do trabalho de grupo.

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