32 Salientamos que, neste bloco, a ordem de apresentação, não segue a forma em que o questionário foi construído a fim de facilitar a aglutinação temática dos dados.
Durante os momentos presenciais do Curso, perguntamos ao educando sobre a atuação do Coordenador de Núcleo, se foi solicitado ao grupo o estabelecimento de regras e normas para atingir os objetivos. Esta questão possibilitou resposta “fixa” (sim ou não) com respostas abertas não diretivas para a justificativa.
Como resposta às perguntas “fixas”, tivemos que a maioria afirma haver a solicitação de regras e normas por parte deste líder (12 respostas), contra três participantes que afirmam que não houve esta solicitação, e um participante que preferiu não declarar ou não soube responder.
Assim sendo, como justificativa para tais respostas, tivemos as seguintes noções
subsunçoras abaixo apresentadas:
Coordenador conduziu o estabelecimento de regras, nas reuniões, com a discussão de todos para o cumprimento dos prazos na realização das tarefas do Curso (a participação no AVA, a criação dos protocolos e para com o acolhimento pedagógico);
O grupo conseguiu assumir os acordos e compromissos para atingir os seus objetivos, mas nem todas as regras/normas foram cumpridas e a gestão municipal não cumpriu o seu papel.
As regras de convivência nos presenciais envolviam: horários, uso do celular, respeito ao tempo das falas, a voz dos outros e opiniões contrárias, bem como os prazos nos trabalhos realizados por cada participante.
Diante do exposto, podemos concluir que, em geral, o grupo foi solicitado pelo Coordenador para o estabelecimento de regras e normas, com vistas a atingir seus objetivos a partir da discussão com todos, com a justificativa de cumprir os prazos em todas as tarefas do Curso (seja no momento EAD, seja presencial), o exercício do papel de cada um e, assim, atingir as suas metas, mesmo que nem todas as regras/normas tenham sido cumpridas, fazendo ressalva, ainda, para o não cumprimento do papel da gestão municipal no Curso.
Dentre as regras de convivência nos presenciais, o Coordenador buscou pontuar regras básicas como: os horários, o uso do celular, o respeito ao tempo das falas, a voz dos outros e opiniões contrárias, bem como os prazos nos trabalhos realizados por cada um.
Luft (1970) afirma que as regras e normas têm o poder de guiar e constranger o indivíduo. O líder, ciente do significado das normas para a vida de um grupo, está apto a
165
compreender as pressões que são exercidas para a conformidade, além das reações de hostilidade ou de submissão por parte dos educandos em sala de aula, conforme também comprovado no experimento de Lewin, White e Lippitt.
Luft (1970) denuncia, ainda, o efeito corrosivo nas relações humanas causados pelo comportamento do líder no estabelecimento de regras e normas abusivas, tais como: insistência contínua em aumentar a quantidade e os pormenores dos regulamentos, importância demasiada aos meios convencionais e a conformidade e tendência a evitar os riscos de uma mudança.
Complementando a colocação de Luft (1970), encontramos em Lewin (1948) que os efeitos citados pelo exemplo do autor condizem com o comportamento de uma liderança autocrática que, em geral, tende a um domínio maior por parte do líder, reduzindo o movimento livre dos membros e enfraquecendo seus campos de força. Por isso, a agressividade ou a submissão costumam serem reações mais frequentes neste tipo de atmosfera social de grupo, ocorrendo efetivamente o contrário em uma liderança com postura democrática.
No caso do facilitador aqui analisado, o educando coordenador de núcleo, de acordo com os dados apresentados, houve uma relação amistosa da sua parte na condução do estabelecimento de regras, promovendo a discussão de todos para o cumprimento dos prazos na realização das tarefas e no alcance dos objetivos. Tal postura assemelha-se à de uma liderança democrática.
Salientamos, por fim, que as tarefas e normas não cumpridas, em especial por parte da gestão municipal, adentram numa discussão de comprometimento político entre órgãos envolvidos que não cabe no nosso estudo, neste momento.
Quanto aos mecanismos de comunicação utilizados pelo grupo para a realização das atividades do curso e propostos pelo coordenador de núcleo da microrregional, por tratar-se de questão aberta, obtivemos respostas abertas que elencamos nas seguintes
noções subsunçoras, fazendo ressalva para uma delas, conforme segue:
Contatos EAD (através da internet, intranet, celulares, telefones fixos e fax) (seis respostas)
Encontros presenciais (reuniões, visitas técnicas e rodas de conversas) (quatro respostas)
Encontros presenciais e contatos EAD (duas respostas)
Recurso paradidático (uma resposta) – Salientamos, porém que este item não se enquadra como mecanismo de comunicação;
Não houve entendimento por parte dos educandos quanto à pergunta realizada (duas respostas).
Com isso, podemos concluir que os mecanismos de comunicação adotados pelo grupo e propostos pelo Coordenador de Núcleo foram, em maioria, os contatos à distância (através de internet, intranet, celulares, telefones fixos e fax), seguidos dos encontros presenciais (com reuniões, visitas técnicas e rodas de conversas). A conjugação entre ambos ocorreu mais em virtude da iniciativa própria dos educandos, sem interferência do Coordenador de Núcleo, conforme comentário de um dos educandos:
Normalmente o coordenador não propunha. Os educandos se articulavam. Na gestão, o meu caso, normalmente nós da DIRES estávamos sempre em busca dos colegas dos municípios. S13
Mailhiot (1977) destaca que a comunicação humana não pode se estabelecer enquanto subsistirem distâncias psicológicas, que se colocam entre aqueles que querem entrar em comunicação. O consenso entre os envolvidos é o primeiro passo, pois todos que querem se comunicar devem “assinalar e identificar as vias de acesso ao outro (ou canais de comunicação), aceitá-las e nelas se engajar” (MAILHIOT, 1977, p. 74).
Noutro aspecto desta mesma situação, Mailhiot (1977) ressalta que “não é suficiente saber como ter acesso ao outro, mas também quando ele pode ser ou tornar-se receptivo as mensagens que lhe são dirigidas”. Com isso, conclui que “perceber objetivamente os momentos psicológicos e as ocasiões de receptividade do outro é uma arte que poucos seres humanos conseguem dominar”, pois exige a condição de empatia excepcional, tal como também sugere Rogers (1969, 1961, 1951) (IDEM, p. 74).
Retomando o conjunto dos dados exposto, conclui-se que os contatos à distância (formais ou informais) adotados pelos Coordenadores de núcleo foram os meios de comunicação mais frequentes na realização das atividades dos grupos, sendo os encontros presenciais (também formais e informais), uma medida até mesmo complementar do primeiro.
Num estudo realizado por Oliveira (2007), tomando os conceitos de alteridade e epifania de Bakthin e Emanuel Lévinas, conclui-se a importância pelo ato em si do encontro presencial, colocando as pessoas “face a face”, “frente a frente”, interagindo
167
com seus rostos e com toda a carga afetiva e simbólica, o que possibilita mais percepções e revelações que não ocorreriam naturalmente sem este tal encontro. Ela conclui que as expectativas para esse encontro concentram-se na possibilidade de interação, no reforço para o sentimento de pertença, enfraquecida de alguma maneira pelo espaço virtual.
6.3.2. O clima social predominante no grupo e sua relação com a atuação do