Partindo da apresentação do questionário em quatro partes distintas que se interligam, ao optarmos pela análise de conteúdo das mensagens mantivemos a apresentação ordenada e sistematizada de acordo com as especificidades de cada parte, contando com apresentação dos dados de forma quantitativa em alguns casos e predominantemente de forma qualitativa, a fim de dar uma maior visibilidade possível às informações e aos sentidos contidos em cada mensagem.
Assim, a 1ª parte foi composta por dados que configuram o perfil dos participantes da pesquisa, como os referentes à faixa etária, gênero, situação empregatícia, localização geográfica, formação acadêmica e experiência profissional e de docência, e foram usados dados quantitativos com vista a caracterizar a amostra.
As perguntas da 2ª parte buscaram perceber as impressões do participante quanto à atuação do Coordenador de Núcleo como facilitador de processos grupais, e as da 3ª parte abordaram a relação do grupo da microrregional e o clima social predominante durante o Curso. Tais perguntas foram apresentadas com questões de múltipla escolha e com posterior complementação de questões abertas, possibilitando tanto o levantamento estatístico dos dados mais frequentes quanto o método de análise de conteúdo apresentado por Bardin (2010).
Ressaltamos que no bloco de questões de múltipla escolha (2ª. e 3ª. partes), separamos em grupos, em ordem alfabética, elencando os comportamentos equivalentes como: dar ordens, críticas e elogios, dar informações/comunicação, orientações sugestivas, e outros que abarcassem comportamentos típicos de autenticidade, apreço, aceitação, confiança e compreensão empática. Muitos desses encontravam-se repetidos e alternados com a finalidade de captar a percepção dos participantes da pesquisa
125
quanto ao nosso objeto de estudo, o comportamento do líder e a influência no clima social do grupo, e do Curso.
Especificamente nestas questões de múltipla escolha, foi elencado o quantitativo de respostas por grupo e, desta forma, estará disposto ao longo da nossa análise. As questões abertas tiveram, portanto, a finalidade de complementar e reafirmar as respostas predominantes nas questões de múltipla escolha, consolidando o “todo” disposto da pesquisa.
Assim, a 4ª e última parte, apresentada com questões abertas, buscou abordar a efetiva participação dos educandos (voluntários na pesquisa) e sua contribuição no processo de relação grupal da sua microrregional, além de sua perspectiva quanto a seu comportamento como futuro facilitador. O método de análise de conteúdo novamente foi utilizado, uma vez que não consiste em mera classificação de opinião dos informantes, mas sim de “descoberta de seus códigos sociais” (MINAYO, 1993, p. 27).
Na análise do questionário como um todo, em alguns momentos (1ª. parte, especificamente), estaremos fazendo um uso maior de “elaborações quantitativas”, pois concordamos com Macedo (2004) que, no momento de análise e apresentação dos dados:
[...] O tratamento é eminentemente hermenêutico, podendo-se lançar mão de algumas elaborações quantitativas quando se tratar de expressar ‘dados’ objetivos fornecidos pelo respondente, como profissão, salário, número de filhos, número de filhos na escola, etc. Pode-se tomar como recurso, também, a classificação de respostas por categorias ou por respondentes, dependendo das questões e respostas que aparecerem (MACEDO, 2004, p.170).
Ao longo do questionário, nas partes posteriores, estaremos adotando a análise de conteúdo a fim de captar a significação e o conteúdo manifesto e latente das ‘falas’.
Assim, conforme apresenta Franco (2008), a análise de conteúdo focaliza:
[...] o que está escrito, falado, mapeado, figurativamente desenhado, e/ou simbolicamente explicitado será o ponto de partida para a identificação do conteúdo manifesto (seja ele explícito e/ou latente). A análise e a interpretação dos conteúdos obtidos enquadram-se na condição dos passos (ou processos) a serem seguidos. Reiterando, diríamos que para o efetivo ‘caminhar neste processo’, a contextualização deve ser considerada como um dos principais requisitos, e mesmo ‘pano de fundo’, no sentido de garantir a relevância dos resultados a serem divulgados e, de preferência, socializados (FRANCO, 2008, p. 28).
No que se refere à análise de conteúdo em etnopesquisa, Macedo (2004) defende que consiste num “recurso metodológico interpretacionista” com o objetivo de descobrir
o sentido das mensagens, o conteúdo “manifesto ou latente”, no qual cabe ao pesquisador buscar “além do que é expresso”, descobrir “o sentido velado, das palavras, das frases e das imagens que constituem o material analisado”. Em suma, “o dito e o não dito” devem ser “apreendidos numa gestalt onde figura e fundo devem ter a mesma importância analítica.” (MACEDO, 2004, p. 209)
Em lugar da nomenclatura “categorias”, Macedo (2004) opta por “noções subsunçoras”, também aqui consideradas, que consiste no “denominador comum” do “corpus” do texto analisado e esta fase implica em “alcançar a alma e o corpus” do material comunicativo coletado, com a análise interpretativa dos conteúdos emergentes, e, posteriormente, nas interpretações conclusivas (Cf. MACEDO, 2004, p. 210-211).
E, por fim, no momento posterior buscamos a interpretação dos dados em partes com vistas a uma análise mais profunda e, posteriormente, uma interpretação acerca do “todo determinante” que extrapolam as palavras e as partes, com cada conjunto dos dados. Pois, conforme defendem os gestaltistas, a transcendência do todo em suas partes, também é quem as determinam dinamicamente (Cf. ABBAGNANO, 1999).
De acordo com estudos na área (BARDIN 2010; FRANCO, 2008, MINAYO, 1993; MACEDO, 2004) sobre unidades analíticas, as unidades de registro (“figura”) e as unidades de contexto (“fundo”) adotadas neste estudo ficaram assim discriminadas e foram assim trabalhadas, seguindo o teor das perguntas contidas no questionário online:
QUADRO 2 – Panorama de análise do estudo
Contexto Tipo de perguntas Objetivos Registros/“Noções Subsunçoras”
A caracterização dos educandos do Curso das Linhas do Cuidado
Questões “fixas” com repostas “abertas”
Caracterizar o perfil dos educandos
Registros de dados pessoais, formação, situação no Curso e empregatícia, experiência real
em liderança. A caracterização dos educandos coordenadores de núcleo Pesquisa documental Caracterizar a função de facilitador de processos grupais no Curso
Processo seletivo, formação, funções e atuações esperadas na condução dos grupos nos
momentos presenciais O facilitador de
processos grupais nos momentos presenciais
do Curso
Questões “fixas” (múltipla escolha) com
repostas “abertas” nãodiretivas
Caracterizar o perfil do facilitador e o seu estilo de liderança, segundo os
educandos
Palavras-chave, frases ou expressões que estejam relacionados a estilos de lideranças; ou que tenha relação com a competência e
nível de socialização A relação do facilitador com o grupo microrregional nos momentos presenciais do Curso Questões “fixas” (múltipla escolha) com
repostas “abertas” não diretivas Caracterizar a relação do facilitador com grupo, segundo os educandos Palavras-chave, frases ou expressões que definam o comportamento do líder com o
grupo, suas qualidades atitudinais e sua relação com o
127
grupo A relação do educando
com o grupo nos momentos presenciais e
com o Curso
Questões “fixas” com respostas abertas não
diretivas Descrever como os educandos compreenderam a sua função/atuação no grupo e no curso Palavras-chave, frases ou expressões que definam o comportamento do educando
com o grupo e o curso
Análise conclusiva da
pesquisa Análise interpretativa
Compreender a percepção dos educandos acerca do papel do facilitador de processos grupais exercido pelos Coordenadores de Núcleos Analise do “todo” determinante de acordo com os
dados e análise