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Neste primeiro momento, na questão “fixa” apresentada (com as opções democrática, autocrática, outro com a opção aberta para justificar), por unanimidade (16 respostas), todos os participantes assinalaram que o clima social mais predominante no seu grupo microrregional, nos momentos presenciais do Curso, foi o clima social democrático.

Para a justificativa desta questão, apresentada numa questão aberta não diretiva, elencamos as seguintes noções subsunçoras, conforme seguem:

 Princípios democráticos detectados no comportamento/atitude do líder e sentimento dos educandos para com a sua atuação: Companheirismo, solidariedade; respeito mútuo; consideração às limitações de cada um; discussão/reflexão; compartilhamento das dificuldades, das realidades; decisão coletiva (acordos/pactos); encontro coletivo para as soluções; construção de caminhos; ajuda mútua nas tarefas práxicas; participação de todos; estímulo à expressão e opinião de todos (direito de voz de forma igualitária para gestão estadual, municipal ou trabalhador da assistência); posicionamento democrático na realização das tarefas, mesmo com a existência de conflitos (14 respostas).

 Na forma de avaliação do líder quanto ao grupo: Líder com preparação profissional e pessoal; e grupo muito bom (duas respostas).

Assim sendo, os participantes da pesquisa concordam por unanimidade que, nos momentos presenciais do Curso, predominou o clima social democrático em seu grupo microrregional, com base na justificativa de que existiram sentimentos de companheirismo, solidariedade, respeito mútuo e, especialmente, o respeito às limitações de cada um.

Os educandos perceberam ainda que, pelo comportamento do líder observado, prevalecendo a discussão e a reflexão no compartilhamento das dificuldades, as

decisões eram sempre coletivas (em forma de acordos/pactos) e houve participação de todos no encontro das soluções ou dos caminhos a serem seguidos, além da ajuda mútua na realização das tarefas práxicas.

Destacam que houve, ainda, estímulo à expressão e opinião de todos (direito de voz de forma igualitária, se gestão estadual, municipal ou trabalhador da assistência) e, com isso, o exercício da postura democrática na realização das tarefas, mesmo considerando a existência de conflitos.

A existência de divergências sinaliza para a existência de necessidades individuais não acolhidas por parte do grupo. Pois, segundo Lewin (1948), o grau de participação da pessoa no grupo influi no seu comportamento, sendo diferentes em diferentes grupos aos quais pertença. Porém, se uma pessoa não está certa de sua participação num grupo, se não está bem estabelecida nele, ficará também instável o seu espaço de vida.

No tocante à forma como o líder avaliou o grupo nas atividades, os educandos consideraram que ele tinha preparação profissional e pessoal, auxiliando no desenvolvimento dos trabalhos, além de visão positiva do grupo, conforme depoimentos:

 “nosso coordenador de núcleo, como já disse, é uma pessoa maravilhosa, inspiradora, motivadora e com muito conhecimento em RH, gestão e participativa de todo o processo de construção do SUS” (S7)

 “Apesar de alguns conflitos, tentava-se ter democracia na realização das tarefas” (S9);

 “Éramos um grupo muito bom” (S15).

Complementando a pergunta anterior, buscamos saber dos educandos se, nos momentos presenciais do curso, eles conseguiram perceber se o clima social do seu grupo tinha relação com a atuação do educando coordenador do núcleo de sua microrregião, seguindo o mesmo modelo de opção anterior: com questões “fixas” (sim, não, não sabe/não declarado) e resposta aberta para a justificativa.

Assim, obtivemos como resposta: 15 educandos afirmaram que o clima social predominante (no caso, o democrático) teve relação com a atuação do líder em questão, enquanto apenas um educando discordou desta relação.

Em suma, as noções subsunçoras presentes nas justificativas afirmativas foram:

 A responsabilidade na condução partilhada, compromisso e solidariedade em prol do objetivo do grupo (construir “um SUS melhor”).

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 A postura conciliadora, mediadora, (democrática) e harmoniosa (pacífica), com estímulo à participação coletiva nas discussões do grupo.

 A postura de respeito e responsabilidade.

 A realização das atividades em tempo, com a participação de todos, e onde as decisões eram acordadas (nada era imposto)

 E o perfil democrático (mesmo considerado a ausência de “entusiasmo”) e o conhecimento técnico na condução.

Podemos concluir que o clima social democrático do grupo, encontrado na resposta anterior, teve relação com a atuação do educando coordenador de núcleo, por ele ter adotado postura de respeito e responsabilidade na condução partilhada com demais membros do grupo; pelo compromisso e solidariedade em prol do objetivo do grupo (construir “um SUS melhor”); pela conduta de conciliação, mediação, e harmonia; pelo estímulo à participação coletiva (sem imposições) nas discussões, decisões e realização das tarefas do grupo.

Em suma, a postura democrática (mesmo sob crítica) e o conhecimento técnico na área educativa, assim como a influência da postura democrática do líder exercida no grupo e na sua atmosfera social, no “todo” foram também sinalizadas, conforme destacamos nos seguintes comentários:

 “Se o coordenador é democrático isso se reflete no grupo” (S4)

 “Porque ele mediava ás discussões, trazendo o grupo para o foco. Dava o exemplo ao grupo com sua postura de respeito e compromisso com as atividades. Propiciava discussões dinâmicas e interessantes” (S5)

 “Ele foi o grande responsável por todo este processo” (S11)

Destacamos, ainda, que no comentário de S8 “faltou entusiasmo, eu acho, para fazer as coisas andarem, mas tínhamos um bom relacionamento, era democrático”, supomos que “as coisas andarem” pode ter relação com os objetivos do Curso não cumpridos pelos gestores municipais, ou mudanças no âmbito operacional das práticas de saúde, e que nesta ação não foram exitosas pelo fato de S8 relacioná-las ao baixo comprometimento do líder (“faltou entusiasmo”). No entanto, o depoimento de S8 não deixa de considerar a relação democrática existente com o líder.

De acordo com Lewin, White e Lippitt, numa liderança democrática, em suma, os planos de ação são decisões do grupo, encorajados pelo líder; os conselhos técnicos e orientações sugestivas estão presentes; existe mais liberdade para os subgrupos e para a

divisão de tarefas; o líder é visto como membro do grupo, mesmo que não realize grandes trabalhos, e sempre o elogia e critica objetivamente.

Diante do exposto e de acordo com Rogers (1951, 1961, 1969, 1986), podemos afirmar que as relações foram democráticas, a partir do momento em que foi possível identificar nos dados apresentados a participação igualitária nos processos decisórios; que o educando foi respeitado como centro da aprendizagem, ensino e liderança e que a atuação do líder apresentou-se nos relatos condizente aos interesses do grupo e dos indivíduos, mesmo que as demais características do conceito rogeriano não tenham sido verificadas neste item, em específico.

Portanto, a predominância do clima (ou atmosfera) social democrático nos momentos presenciais (o “todo determinante”) foi devido à existência de qualidades atitudinais do líder para com os membros grupo, mesmo com uma crítica sendo ressaltada.

6.3.3. Considerações acerca da liderança democrática exercida pelo