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3.4 Implications n-aires

3.4.1 Motivations

As relações entre as práticas, os dispositivos e os agentes são apresentadas a seguir. A construção compartilhada permite a participação do agente na concepção do dispositivo, determinando o que é idealizado pelos agentes e o que é de fato incorporado no dispositivo. A incorporação e a não incorporação podem representar um aprimoramento ou uma piora do dispositivo.

Criado o dispositivo, ele deve ser assimilado pelos agentes no trabalho. Essa assimilação do SI se inicia pela imposição do dispositivo ao agente, que é obrigado a utilizar o dispositivo como ferramenta de trabalho. No entanto, o que o agente vai utilizar e como vai utilizar é parcialmente determinado por ele, numa opção voluntária. A assimilação se dá na medida que o agente determina o que no dispositivo ele identifica como benéfico e o que não traz benefícios – que se ele tiver opção ele não irá assimilar. O dispositivo é algo novo dentro do processo produtivo, para o qual será necessária a criação do hábito.

Após a assimilação, quando o dispositivo já integra o processo produtivo, os agentes vislumbram os aprimoramentos que poderiam ser feitos no dispositivo. Mais uma vez, surge uma dicotomia entre o que é idealizado e o que é de fato incorporado no sistema. Entre o idealizado e o incorporado, há o que é transmitido e o que não é transmitido pelo agente. Ele pode idealizar um aprimoramento, sem transmitir sua idéia adiante.

Caso os aprimoramentos sejam transmitidos eles podem ser incorporados no sistema ou podem ser vetados pelo gestor da tecnologia. Se selecionado, o aprimoramento a ser executado pode ser priorizado ou adiado pelo mesmo gestor.

Além dos aprimoramentos que os dispositivos podem sofrer na sua estrutura, que ficarão disponíveis para todos os usuários, há também as edições associadas ao uso específico do dispositivo por um agente. São as edições do sistema por meio das adições e subtrações, obtidas pelas combinações e pelo uso parcial do sistema. Há também usos que adaptam o dispositivo para outros fins, que residem no uso adaptado. Este difere dos usos que seguem os fins propostos ao dispositivo, que constituem o uso padronizado.

As práticas incidentes sobre o trabalho, corporificadas pelo agente, geram diversas modificações.

O primeiro ponto é que o agente passa a ter o controle do seu trabalho exercido de forma massificada, impessoal. O controle personificado, realizado pela observância direta do supervisor sobre a execução da tarefa do subordinado, ganha fluidez e perde freqüência no cotidiano do agente. Nem por isto o agente passa a ser livre na sua produção. Ele continua

93 vigiado, mas esta vigilância se dá por meios automatizados que controlam e delimitam sua produção. Trata-se de um controle ora transparente, quando o agente tem a consciência de que o produto de seu trabalho está aberto para todos, ora velado, quando ele acredita que as amarras do dispositivo dão a instituição segurança sobre o que está sendo feito, e que por isto o controle não é mais necessário.

A autonomia do agente é controlada. Alguns têm sua autonomia reduzida para a ampliação do controle e passam a exercer seus trabalhos de forma normatizada. Outros têm autonomia no exercício de suas atividades, pois a lógica por detrás do sistema já prevê esta liberdade.

Associada ao controle da autonomia está a restrição da responsabilidade imposta aos agentes. Se diferirem seus graus de autonomia, a responsabilidade por suas ações é também afetada. Pessoas que têm sua autonomia reduzida são desobrigadas de determinadas responsabilidades sobre este processo. Por exemplo, os gerentes de agência têm perda de autonomia no processo de concessão de crédito, mas a responsabilidade quanto à formalização da proposta também é restrita, sendo delegada a outros agentes.

O agente tem também sua função enriquecida. Uma parcela do seu trabalho pode ser banalizada pela automação, mas o acréscimo de informações disponíveis para análise e a diversificação de produtos e serviços tornam o trabalho mais interessante. Isto dá também amplitude de atuação ao agente, que antes estava restrito ao conjunto mais limitado de informações com que conseguia lidar, devido à falta de automação para coleta e análise dos dados.

O enriquecimento da tarefa convive com sua programação. Uma parte do trabalho consiste na tarefa programada, onde os agentes cumprem o que as normas para utilização do sistema determinam. A outra parte é variável, está a seu critério.

A automação das tarefas por vezes fica pendente, por causa da limitação do desenvolvimento tecnológico. Isto restringe o dispositivo em relação ao que está disponível para o agente ou continua pendente em desenvolvimento. O aumento das funcionalidades para os agentes pode se dar mediante o aumento da capacidade de desenvolvimento tecnológico não só porque a organização passa a dispor de mais recursos para a atividade de desenvolvimento, como também na medida em que isto estimula, direta ou indiretamente, a participação de grupos mais numerosos no que tange às sugestões de novas funcionalidades.

As relações entre os agentes, os dispositivos e as práticas identificadas estão resumidas na Tabela 9.

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Prática Relação entre elementos

Construção Compartilhada Idealizado x Incorporado

Aprimorado x Piorado

Assimilação do SI Imposto x Voluntário

Benéfico x Não benéfico Habitual x Novo

Concepção de aprimoramentos Idealizado x Incorporado

Transmitido x Não transmitido

Incorporação de aprimoramentos Selecionado x Não selecionado

Incorporado x Vetado Priorizado x Adiado

Edições do sistema Adicionado x Subtraído

Adaptado x Padronizado

Controle massificado Massificado x personificado

Vigiado x Livre Transparente x Velado

Controle da autonomia Autônomo x Normatizado

Restrição da Responsabilidade Obrigado x Desobrigado

Função enriquecida Interessante x Banal

Amplo x Restrito

Tarefa programada Programado x Variável

Limitação do desenvolvimento tecnológico Disponível x Pendente

Tabela 9: As relações entre os elementos