LA FRANCE PASSE AU VERT, MAIS L’ÉCONOMIE FRANÇAISE PLONGE DANS LE ROUGE
III. UNE MONDIALISATION QUI REND AUJOURD’HUI DIFFICILE L’ANTICIPATION ET LA GESTION DES CRISES
A transmissão de dados, que não contém nenhuma relação com os conteúdos audiovisuais que estão sendo enviados pela emissora, foi uma das premissas do ISDB-T/Tb. Dados que podem fornecer informações de notícias, previsão do tempo, transito, mercado de ações ou qualquer outro tipo, simultaneamente à programação da emissora, que os telespectadores podem acessar rapidamente, sob demanda.
O televisor pode apresentar o conteúdo destes dados ao comando do controle remoto, podendo suprimir o conteúdo audiovisual ou apresenta-lo em uma pequena janela, do tipo PIP - picture-in-picture. A Figura 3-30 apresenta alguns exemplos de dados que são transmitidos pelas emissoras japonesas.
Figura 3-30 - Exemplo de Transmissão de Dados em Canais Japoneses
Adicionalmente, podem ser transmitidos dados que tenham alguma relação com o programa transmitido, sendo possível enviar a grade de programação, detalhamento das personagens de um filme ou novela, estatísticas de um esporte, etc. Um dos principais dados transmitidos pelas emissoras é a grade de programação. Com estas informações o televisor monta o guia eletrônico de programação - EPG e permite que o telespectador visualize simultaneamente a grade de todos os canais, além de apresentar mediante seleção, a sinopse do programa. A Figura 3-31 mostra um exemplo de EPG.
Figura 3-31 - Exemplo de EPG
3.3.14.1 Interatividade
A interatividade é e possibilidade de interagir com a programação ou com outros dados transmitidos. Anteriormente o telespectador apenas podia receber passivamente ao conteúdo recebido, porém o ISDB-T/Tb permite alguns comandos possam ser acionados pelo telespectador. Logicamente a interatividade na televisão terrestre é essencial para o objetivo de inclusão digital, disseminação educacional e cultural e disponibilização de serviços via televisor. Existem três níveis de interatividade: local, na qual a interação é somente com dados armazenados no televisor; intermitente, com a necessidade de um canal de retorno, onde existe uma conexão temporária para o envio das informações; e permanente, com canal de retorno e envio instantâneo das informações.
O envio de dados, conjuntamente com a interatividade, permite que sejam criados serviços sobre a plataforma da televisão terrestre, tais como t-gov, t-bank, t-com, etc. A Figura 3-32 apresenta algumas possibilidades de interação com os dados, sendo estes relacionados, ou não, com a programação.
Figura 3-32 - Possibilidades de Aplicações Interativas
A grande dificuldade é estabelecer o canal de retorno. Ao longo dos anos foram estudadas diversas alternativas, sendo que a internet se mostrou a mais interessante. Vale lembrar que, para o cidadão que possui um computador e acesso à internet, a TV interativa se torna pouco ou nada necessária. Mas, sem uma conexão de banda larga que possa tornar a TV interativa de verdade, o usuário fica limitado apenas a receber informações, sem poder interagir de fato.
3.3.14.1.1 Ginga
Para que seja possível o processamento dos dados transmitidos pelas emissoras, tornou-se necessária a existência do middleware, que funciona basicamente como um sistema operacional para o televisor. O ISDB-Tb substituiu o middleware Broadcast Markup
Language - BML da ARIB pelo Ginga, que foi desenvolvido no Brasil, sendo a única
tecnologia brasileira incorporada ao padrão japonês de televisão digital.
O middleware Ginga é um programa que tem a função de receber os aplicativos transmitidos pelas emissoras, instalar esses aplicativos no televisor e deixá-los prontos para uso; receber comandos do telespectador sobre como e quando executar os aplicativos; e coordenar o uso dos recursos do televisor para que o aplicativo seja executado com sucesso.
O desenho do Ginga é composto basicamente de um ambiente declarativo, um ambiente procedural e um núcleo comum de controle, como pode ser observado na Figura 3-33.
O ambiente declarativo é uma máquina de execução de aplicativos desenvolvidos com a linguagem NCL (Nested Context Language - Linguagem de Contexto Aninhado) e foi desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) [100]. Apesar de ser um ambiente declarativo, ainda permite executar aplicativos em uma linguagem escritural chamada LUA, também desenvolvida pela PUC-RJ e considerada pelo mercado como uma excelente solução para execução de aplicações multimídia, sendo inclusive utilizada por fabricantes mundiais de jogos devido à sua ótima relação performance x leveza. Esse ambiente é chamado de Ginga-NCL e é obrigatória a sua existência em configurações Ginga em receptores do ISDB-Tb fixos, móveis e portáteis [89].
O ambiente procedural é uma máquina de execução de aplicativos desenvolvidos com a linguagem Java e foi desenvolvido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) [101]. Um ambiente apto a executar código Java é extremamente importante, não só pelo grande poder de desenvolvimento de aplicações complexas que o Java oferece, como também pelo enorme contingente de analistas, técnicos e programadores especializados nessa linguagem, no mundo e especialmente no Brasil. Esse ambiente é chamado de Ginga-J e é obrigatório em configurações Ginga em receptores fixos do ISDB-Tb [89].
O núcleo comum de controle (Ginga-CC) oferece suporte e controle a ambos os ambientes Ginga-NCL e Ginga-J e apresenta inclusive uma “ponte” entre os dois ambientes de forma que uma aplicação possa utilizar o melhor dos dois mundos: declarativo e procedural. Além disso o Ginga-CC executa várias funções de interface com o hardware dos televisores.
Figura 3-33 - Diagrama Funcional do Ginga
Com estas características, o middleware Ginga, presente no padrão ISDB-Tb, é considerado o melhor middleware para televisão digital existente no momento, permitindo o uso de aplicações bastante complexas de interatividade em TV.
3.3.14.2 Acessibilidade
A televisão terrestre deve atender as necessidades dos telespectadores, inclusive dos portadores de necessidades especiais. Soluções como closed captioning, tradução em linguagem de sinais e audiodescrição são possíveis no padrão ISDB-T/Tb.
Com a possibilidade de envio de diversos programas de áudio para o mesmo conteúdo audiovisual, estão disponibilizadas três opções básicas de som. A principal, ao ligar o aparelho, geralmente com a dublagem em português. O áudio original, acionada por meio da tecla SAP, que traz o som original do filme ou série estrangeira, já disponível desde a televisão analógica. A terceira opção é a audiodescrição, tratando-se da técnica de narração que inclui a descrição de ambientes, expressões faciais e outros detalhes visuais indispensáveis para a compreensão da trama, simultaneamente com o áudio principal. É a técnica para acessibilidade de deficientes visuais ao conteúdo.
Para os deficientes auditivos a tecnologia de inclusão exige imagens, demandando muito mais tecnologia, sendo que as legendas do closed caption ainda não são suficientes. A comunicação mais comum entre os deficientes auditivos é por meio da linguagem dos sinais. Desta forma, a janela no formato picture-in-picture, onde aparece o tradutor de libras, vai passar a ser opcional, acionada pelo controle remoto.