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1.4 Description du spectre de la surface

1.4.5 La modulation hydrodynamique

Segundo a opinião de autoridades educacionais, deve ser evitada a leitura de narrativas do tipo mais comumente apresentada pelas nossas revistas infantis e juvenis. Isso não implica, porém, a condenação de jornais e revistas infantis e juvenis. Pelo contrário. A verificada alta influência, que revelam, leva a admitir que possam representar útil instrumento auxiliar na educação de crianças e jovens como veículo de boa literatura recreativa.

Nesse caráter, o periódico infantil ou juvenil não deverá ser confundido com o livro escolar pela preocupação de ensinar. Mas sua função não poderá ser a de difundir truculenta e malsã literatura, sem alegria e sem pureza, sem qualquer poesia e graça de imaginação.

Cabe-lhes, especialmente, recrear, servir de entretenimento, mas de entretenimento sadio. Cabe-lhes incutir o gosto pela leitura, pelas manifestações de arte acessíveis a cada idade, pelo curioso e o inventivo, pelos desportos. Tudo isso dentro de uma filosofia de vida equi-

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librada, que contribua para a formação (le personalidades ajustadas ao seu meio. Para atender a êste princípio fundamental, terá que fazer viver, portanto, grande parte da matéria, que publique, ligadas a cenas, às coisas e à vida do próprio pais dos leitores.

Atendida esta orientação, haverá ainda larga margem para as narrativas de ficção, que não são de modo algum prejudiciais a crianças e adolescentes, mas, ao contrário, nutrimento necessário ao seu espírito, desde que condicionadas a convenientes normas.

Quando assim adaptada aos interesses da idade, a literatura de ficção prestasse ao desenvolvimento de tendências e qualidades sentimentais necessárias; representa, por outro lado, pêndulo de equilíbrio aos recalques e limitações da atividade infantil e juvenil, impostos pela vida social. E' êste ponto inteiramente pacifico nos estudos de pscologia infantil.

Mas, por que se há de tomar, como temas de ficção, a elementos malsãos da vida social, a criminosos e degenerados, quando tantas e belas coisas podem comportar o gosto e o interesse infantil e juvenil?... Pois no caso de nosso país, não mais conviria tomar os temas de devassamento dos sertões, da vida amazônica, do indígena, da epopéia dos imigrantes, da conquista das riquezas naturais, de entrechos que, tão lógica e naturalmente, permitem lances de imprevisto, situações dramáticas, representação de audácia e coragem, dirigidos às idéias de progresso, de civilização, ou legítima aplicação social?.. .

Por que, por outro lado, aproveitar episódios da história de outros" países, com exclusão dos fatos de história do Brasil?... Porque desprezar os motivos de nosso riquíssimo folclore ?... Por que deixar de parte a descrição, ou apresentação gráfica das belezas e curiosidades naturais de nosso país, para ocupar espaço corn gravuras, mais ou menos fantásticas, de uma vaga ilha da Oceania, ou de desconhecidas florestas da África?...

A única resposta será a de que tal matéria, tão pouco lembrada pelas nossas publicações infantis e juvenis, não é tratada pelas publicações estrangeiras de onde recebem o texto, clichês, ou matrizes de clichês já preparados.

Não nos faltam, no entanto, escritores e artistas de desenho capazes das realizações que convenha apresentar. A documentação do trabalho dêsses autores, existente, embora em diminuta percentagem, nas coleções de alguns jornais e revistas analisadas nesta investigação, dão idéia do que poderão ser as publicações do gênero, para crianças

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e jovens brasileiros, desde que nova e conveniente orientação nelas se estabeleça.

CONCLUSÕES FINAIS

I. A ampla investigação realizada pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, do Ministério da Educação, sôbre jornais e revistas infantis e juvenis, publicadas no Rio de Janeiro, mostra que a maioria dessas publicações têm apresentação gráfica deficiente, sobretudo no que respeita à impressão; e que mais de metade da matéria, comumente nelas inserta, quer quanto ao texto, quer quanto a ilustrações, deve ser julgada como pouco conveniente ao sadio entretenimento de crianças e jovens.

II O juizo acima formulado fundamenta-se em cuidadosa análise, realizada mediante critério estatístico, em coleções das referidas publi- cações, fornecidas pelas próprias emprêsas editoras; e, ainda, nos resultados de um inquérito, levantado entre crianças e jovens, mães e professores, tudo confrontado, para válida interpretação, com os princípios que devem reger a produção de boa literatura infantil e juvenil, de que as publicações referidas não representam senão aspecto particular, criado pela indústria jornalística de nosso tempo.

III. São as seguintes, em essência, as contra-indicações encontradas nos jornais e revistas infantis e juvenis publicadas no Rio de Janeiro; a) ausência de programa definido, para cada uma das publicações, tendo em vista as responsabilidade que cada uma deva assumir do ponto de vista educativo; b) utilização muito freqüente, e até exclusiva, nalgumas das publicações, de narrativas ilustradas do gênero policial e de aventuras fantásticas, com apresentação ao vivo, em profusas ilustrações, de cenas de crime, crueldade, situações de desa-justamento social, e personagens colhidas entre tipos que não deveriam de maneira alguma, ser oferecidos à curiosidade natural do espírito infantil e juvenil; c) reprodução, em alta percentagem, senão até exclusiva, (a não ser em duas das publicações), de matéria publicada em jornais ilustrados de outros países, e nesses países de origem condenada por autoridades educacionais e associações que visam à defesa da infância e da juventude; d) em conseqüência, apresentação de matérias em ambiente estranho ao dos leitores, à sua vida natural e normais preocupações, quer pelos tipos sociais, nem sempre recomendáveis, que exibe, quer pelos cenários e situações que descreve; e) lingua-

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gem muitas vezes descuidada, por má tradução, redação obscura, emprego de vocabulário pouco adequado às idades, a que as publicações se destinam; emprego de barbarismos dispensáveis a expressões de plebeismo grosseiro; f) reduzida matéria, senão mesmo ausência total de matéria que tenha por cenário, ou por motivo, a vida brasileira.

IV. A investigação, realizada em franco espírito de colaboração com as emprêsas editoras, e que demandou, como seria natural, largo prazo, não desconhece, antes gostosamente proclama, o esforço de al gumas delas em retificar o programa de suas publicações infantis nos últimos tempos, e, de modo especial, quanto, a uma das publicações; não pode dizer o mesmo, no entanto, quanto às publicações juvenis, que formalmente tem de condenar, pelas razões já apontadas.

V. As publicações infantis e juvenis, que apresentem uma ou mais das contra-indicações expostas no n. III destas conclusões, de verão ser absolutamente regeitadas pelas bibliotecas infantis e juvenis; deverão os diretores de escola e professores orientar os país, e mesmo alunos, segundo a idade, em relação às leituras recreativas, muito es pecialmente no que respeite a publicações periódicas, para que assim se crie uma esclarecida conciência pública em face do problema.

VI. A rejeição do material de leitura, acima referido, e a orien tação e desejar-se, não implica na condenação in limine da literatura de ficção, e, mesmo de narrativas de aventuras, a que naturalmente tende o espírito juvenil, desde que, porém, tais narrativas sejam con cebidas e apresentadas de forma a não prejudicar a formação da mente e do caráter.

VII. O empenho já demonstrado, por algumas emprêsas, em corrigir o material, que editam, para crianças e jovens, pode ser cor- ordenada, em espírito cooperativo, por essas mesmas emprêsas, e com auxílio de pessoas entendidas no assunto: jornalistas, educadores, e escritores, artistas e ilustradores; na falta dessa coordenação impor-se-á a ação dos educadores, associações culturais, e mesmo a do Estado, quer no sentido de estímulo à boa produção, quer no de reprimir a circulação das publicações infantis e juvenis pouco desejáveis.