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: modalités particulières d’application des principes

Dans le document REGLEMENT ANC N° 2014-03 (Page 43-0)

Era preciso adentrar ao contexto das crianças, representado especificamente pela sala em que passam a maior parte do tempo: a Turma Vermelha51. Como me

aproximar? Considerando que, no início do ano letivo, as duas turmas de berçário da escola propuseram às famílias que construíssem um livro contando a história dos bebês até o momento em que chegaram à escola e que esses livros estavam à disposição das crianças para que pudessem manusear, pensei em construir um livro com a minha historia e disponibilizá-lo às crianças. O livro foi construído com fotos da minha vida e dobraduras, no intuito de ser uma proposta interativa para os bebês. Segue o enredo da história e, a partir dele, as Figuras de 1 a 4 com imagens do livro disponibilizado aos bebês.

Olá! Eu sou a Daliana e vou contar a vocês algumas coisas que eu gosto de fazer. Desde pequena eu gostava muito de brincar. Eu brincava na terra e na areia, gostava de fazer comidinhas. E adorava brincar de casinha com a minha irmã e minhas amigas. Na praia gostava de fazer castelos de areia e pular ondas. Esta é a minha família: a vó Alvina, mãe do meu pai, a Vó Hildegard, mãe da minha mãe, meu pai Eno, minha mãe Rosane e minha irmã Lariana. Quando eu fiquei grande eu morei um tempo só com a minha

51 Lembrando que além das crianças, compunham essa turma, uma Educadora Infantil com formação

em Pedagogia e duas alunas do curso de Pedagogia/UFSM, que atuavam como bolsistas. A Educadora, era uma profissional contratada por uma empresa terceirizada e na época o contrato as denominava de “Educadoras Infantis”.

irmã. Nós fazíamos muitas cosias juntas: assistir filmes, fazer comidas e passear. Este é o Marcelo, agora ele mora comigo e a minha irmã mora em outra casa. O Marcelo e eu gostamos de conversar, cozinhar, passear e tomar chimarrão juntos. Eu também gosto muito de conhecer coisas novas e para isso é preciso estudar e pesquisar. Gosto de conhecer as crianças e as coisas que elas fazem na escola, por isso estou aqui na Turma Vermelha. Essa é a professora Ana, que está me ajudando a fazer uma pesquisa com as crianças da Turma Vermelha. Essas são outras professoras que também estão me ajudando a fazer a pesquisa com as crianças da Turma Vermelha, a Rachel, a Leni e a Gina. Também tem a Márcia e a Catarina, mas elas não estavam no dia que tiramos essa foto, por isso, não aparecem aqui.

Figura 1 - Capa do livro Fonte: Acervo pessoal.

Figura 2 – Página do livro com brincadeiras Fonte: Acervo pessoal.

Figura 3 - Páginas do livro com a família Fonte: Acervo pessoal.

Figura 4 – Páginas do livro com as professoras Fonte: Acervo pessoal.

Na conversa que tive com a equipe da Turma Vermelha, essa proposta foi aceita e, no primeiro dia de observação, entreguei o meu livro à educadora da turma, que o dispôs junto a um cesto com outros livros. Depois que iniciei as observações, percebi que esta foi uma boa estratégia, pois muitas vezes durante as observações as crianças direcionavam-se aos espaços dos livros, fosse para virar as páginas e

olhar as imagens ou para levá-los até uma adulta que pudesse realizar a leitura da história. Além disso, houve uma outra ação, mas, desta vez, por parte da professora do turno da tarde, no intuito de me colocar como parte daquele grupo:

Quando cheguei na escola as crianças estavam entrando para as salas. Na Turma

vermelha, Leonardo, Helena e Daniel estavam empolgados em frente do espelho. Haviam algumas imagens para as quais eles apontavam, pulavam

e davam alguns

“gritinhos”

entusiasmados. As

imagens em questão eram fotografias das próprias

crianças, de corpo inteiro e do rosto das professoras e bolsistas que acompanham a turma, tanto de manhã quanto a tarde. Me aproximei para olhar as fotos e identifiquei que dentre as imagens havia uma foto minha. A educadora aproximou-se do grupo e perguntava “Quem é esse? “Aonde está a Helena?” “E essa, quem é?” Em resposta Daniel apontou em minha direção. As fotos haviam sido coladas ontem à tarde, pela professora da tarde (p. 94). Leonardo olhava as fotos, caminhava de um lado ao outro, da extensão do espelho apoiando seu corpo na barra de ferro. Achei interessante a forma como a professora se sensibilizou em relação a minha presença na turma. Há alguns dias atrás ela veio conversar comigo, durante a tarde sobre a pesquisa, se estava tudo bem, se as crianças haviam gostado do meu livro e eu comentei que havia pedido para a educadora colocá-lo junto com os livros das crianças mas que até então o livro estava sobre a bancada. A professora comentou que a tarde ela tem manuseado o livro com as crianças. Pela manhã, ele sempre está na bancada, não foi disponibilizado para as crianças. Isso tem me preocupado, pois li muito sobre a importância de as crianças saberem da pesquisa, dos meus objetivos, e vejo que a estratégia que eu encontrei para apresentar isso as crianças, parece não ter sido aceito pela educadora. Estou com vontade de eu mesma pegar o livro e colocá-lo junto com os livros infantis, isso por que vejo que as crianças, diariamente e muitas vezes durante o dia direcionam-se para a gaveta ou a prateleira dos livros. As crianças por sua vez sabem da minha presença e percebem que eu faço algo que é diferente do que as professoras fazem, preciso observar mais como elas demonstram isso (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 01.09.2017, p. 96).

Percebi que a presença da foto no espelho, talvez tenha sido mais significativa para as crianças, por dois motivos: o primeiro é que o livro, por mim produzido não estava com frequência à disposição das crianças, como eu imaginava que seria, por muitos dias ele ficou sobre a bancada, até que eu conversei com a educadora, sugerindo que ela o disponibilizasse às crianças e, segundo, em nenhum momento eu vi as crianças manuseando o livro, exceto no primeiro dia, quando ele estava junto à cesta de livros. Concluo, pois, que talvez a minha escolha não tenha sido a melhor, mas isso não impediu que as crianças buscassem uma aproximação comigo e demonstrassem, de diversas formas, a sua compreensão em relação a minha presença na turma.

A Turma Vermelha era composta por 10 bebês, sendo 6 meninos e 4 meninas. Em 1º de agosto de 2017 (data em que iniciei as observações na escola), o bebê mais novo tinha 1 ano e 2 meses e o mais velho tinha 2 anos e 4 meses. A seguir, apresento cada um dos bebês e o modo como cada um deles foi aceitando a minha presença, construindo os seus vínculos comigo e tronando-se parte dessa pesquisa.

Ao pensar de que maneira eu iria apresentar os bebês, pensei em seguir as questões etárias, do mais novo ao mais velho, mas isso iria depor contra o meu posicionamento de que a idade não é um fator determinante na vida das crianças. Minha segunda opção foi seguir por ordem alfabética, mas assim, eu estaria reproduzindo um padrão escolarizante: o da lista de chamada por ordem alfabética, na qual Tatianas, Rodrigos, Vitorias, Tiagos, Sérgios seriam sempre os últimos... Então optei por seguir o que o Diário Descritivo Narrativo me apresentava em relação aos movimentos das crianças para comigo:

Helena tinha 1 ano e 8 meses e estava vivendo o seu segundo ano na escola, ela era uma das primeiras crianças a chegar. Inicialmente, Helena chegava na escola acompanhada de seus familiares e, passado o período de adaptação, após as férias, ela começou a utilizar o transporte escolar, mas eventualmente seus pais a traziam para a escola. As suas chegadas aconteciam de dois modos distintos, de acordo com quem a acompanhava: quando seus pais a traziam, ela resistia um pouco em entrar, desejava muito ficar na companhia deles, já quando ela vinha com o transporte, geralmente chegava dormindo e, quando acordada, entrava caminhando na sala sem muitas resistências. Helena era bastante comunicativa,

estava dando as suas primeiras palavras e foi uma das primeiras crianças a dar indícios de que a minha presença fora aceita naquele espaço.

Helena estava no espaço das panelinhas. Me olhou e mostrou- me um pedaço de papel celofane vermelho. Não falei nada, apenas continuei olhando para ela. Helena veio em minha direção, alcançando o celofane, estiquei a mão, ela me alcançou dizendo: “-Tá” e retornou para a brincadeira. Em seguida, me olhou novamente e mostrou outro pedaço de celofane, novamente Helena veio em minha direção, alcançou o celofane, estiquei a mão, ela me alcançou dizendo: -Tá” e eu agradeci, depois ela retornou para a brincadeira (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 16.08.2017, p. 46).

Helena se aproximou e mostrou-me um funil. Ela o colocou na minha boca, primeiro de

um lado e depois de outro. Deduzi que eu deveria assoprar ou falar algo, então a chamei pelo nome pausadamente: -“He-le- na...”. Ela sorriu. Depois tentou colocar o funil no meu dedo, porém, meus dedos são maiores do que os seus e ela não conseguiu encaixar.

Então saiu carregando o funil consigo (p. 62) (..) E quando eu estava saindo (...) Helena me atirou beijos e eu os retribui (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 21.08.2017, p. 65).

Helena veio em minha direção pedindo: “-Enha, enha”, pegou a caneta e fez seus desenhos. Enquanto desenhava ela dizia “Mamãe, papai, Bebel”. Estaria me narrando o seu desenho?

(DIÁRIO DESCRITIVO

NARRATIVO, 09.10.2017, p. 175).

Daniel estava iniciando sua vida escolar no mesmo período em que iniciei as observações, pude acompanhar os momentos de choro, chamando pelos seus familiares, os processos de reconhecimento daquele espaço e a construção de vínculos com as pessoas adultas e os novos colegas. Passado esse período de

adaptação, Daniel mostrou-se estar à vontade com a minha presença na escola, até porque eu era mais uma das pessoas adultas as quais ele estava conhecendo, diferente dos outros colegas que haviam iniciado o ano com a equipe da turma e que agora vivenciavam a situação de agregar-me àquele grupo. Daniel utilizava-se de gestos e olhares para direcionar-me a minha presença

Daniel saiu caminhando pela sala e encontrou um urso de pelúcia, o qual me trouxe, eu o peguei e agradeci. Ele saiu (...). Daniel veio em minha direção, pegou minha caneta, retirou a tampa, fez alguns desenhos no caderno, devolveu-me a caneta e saiu. Enquanto ele

desenhava eu comentei: - “Você vai me ajudar a escrever sobre o que vocês estão brincando?”. Daniel me olhava sério e continuava seus registros.

Ao concluir saiu.

(DIÁRIO DESCRITIVO

NARRATIVO, 22.08.2017, p, 67-68).

Depois de um tempo, Daniel parou de chutar a bola, e me viu, veio em minha direção, pegou a caneta e fez os seus registros no meu caderno. Ele não queria me devolver a caneta, comentei que eu precisava dela para escrever sobre as brincadeiras dele e dos colegas. Mostrei no caderno o que eu já havia escrito e perguntei: -“Você gostaria que eu escrevesse sobre você?”. Daniel me devolveu a caneta e pegou minha mão, levando-a até o caderno e depois saiu (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 23.08.2017, p, 73).

Enquanto eu filmava as crianças Caetano e Daniela vieram em direção a câmera. Eles olhavam as imagens e caminhavam para frente da câmera, depois voltavam para olhar novamente. Esse movimento era alternado com momentos em que sentavam-se em meu colo. Daniel, ao visualizar os colegas na câmera apontava e dizia Daniel também pegava a câmera e girava para si, sorria e depois tentava olhar a imagem. Ao fim da gravação da cena que eu desejava registrar, chamei Daniel e lhe mostrei a gravação, quando ele aparecia na imagem, ele dava risadas e alguns pulinhos, acompanhados das

(DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 25.09.2019, p. 131).

Leonardo tinha 2 anos e 1 mês, ele geralmente chegava antes das 8h na escola, ele vinha com a sua mãe e, na maioria das vezes, ainda estava dormindo. Então, Leonardo e sua mãe aguardavam na recepção da escola até o momento de entrar. Leonardo era colocado cuidadosamente na caminha, pois quando acordado ele geralmente chorava bastante para despedir-se de sua mãe, então havia uma preocupação para que ele não acordasse nesse momento. Já quando ele acordava, após ela ter saído, ele geralmente sentava-se na cama, observava tudo o que estava acontecendo, e eventualmente chorava. As pessoas adultas, sempre atentas, logo se aproximavam quando percebiam que ele estava se despertando. Ao longo das observações, foram poucos os momentos em que Leonardo demonstrou algo em relação a minha presença e minhas ações, parecia haver um sentimento de indiferença o que não implicou na compreensão da minha presença naquele espaço.

Enquanto eu olhava o conjunto de tudo o que acontecia, O Leonardo me abanava e mostrava a sua mamadeira com água. Eu abanei de volta (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 07.08.2017, p. 20).

Ao virar-se para o corredor, Leonardo me percebeu, então me olhou, sorriu e me abanou. Eu disse: -“Tchau! Aonde você vai?” Leonardo apontou para o seu kit de higiene e me respondeu “Tirar o cocô” e saíram. Quando

retornaram, eu estava na janela, Leonardo voltou no colo da bolsista conversando com ela: -“Agora o Leonardo está cheirosinho!” (...)Fiz a volta para observar a turma do Jardim, pela outra janela. Quando cheguei na Janela, Leonardo me olhou, sorriu e me abanou (DIÁRIO DESCRITIVO

NARRATIVO, 14.08.2017).

Leonardo preferiu o espaço aonde estavam os livros, escolheu um, sentou-se no tatame e o observava concentradamente. No livro havia a imagem grande de um prendedor de roupa e Leonardo colocava os dedos, indicador e polegar, sobre a figura e fazia de conta que apertava as extremidades do prendedor. Leonardo mostrou-me essa descoberta e dizia: -“Óh!”, fazia um sinal com a mão como se estivesse me chamando e apontava para o livro52 (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 22.09.2017, p. 125).

Leonardo estava com o óculos que havia escolhido, ele colocava, me olhava e dizia: - “Tira”. Fez isso umas três vezes. Eu não entendia o que ele queria, até que me ocorreu de tirar uma foto. Fotografei e lhe mostrei a foto, quando ele a olhou, sorriu (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 10.10.2017, p. 202).

Marthín tinha 1 ano e 4 meses, ele era carinhosamente chamado de “Tim Tim” pelos seus colegas e pelos demais que o conheciam. Todas as manhãs ele chegava no colo do seu pai, um pouco sonolento, permanecia por alguns minutos no colo da educadora, mas logo se despertava e começava duas interações com os colegas. Marthin estava começando a dar as primeiras palavras, muitas delas antecipadas pela letra “T”: “– Tu té?” para “Tu quer?”, “– Tarinho” para “carrinho”. Ele gostava muito de carrinhos, geralmente eram os brinquedos que ele mais procurava ao longo da manhã. Nos primeiros dias, Marthin fazia algumas ações e me lançava alguns olhares que pareciam desafiar-me.

A educadora convidou as crianças para organizar a sala, pois logo chegaria o almoço. Marthin ajudou a colocar alguns brinquedos na estante, depois pegou o cestinho com as cabaças pequenas e a virou no chão, me olhou e sorriu. Abaixou-se, colocou algumas de volta no cestinho e repetiu a ação (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 15.08.2017, p, 44).

Marthin também chegava perto da câmera e depois vinha em direção a ela, queria pegá-la, apertar os botões. Nesses momentos eu procurava orientar, em função dos cuidados que

52 Nesse momento, percebo o olhar de Leonardo, denunciando o quando a minha postura não estava

deveria ter com o equipamento. Ofereci a outra câmera, menor, que sempre carregava comigo, para esses momentos, mas o outro equipamento não interessou a Marthin, que saiu (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 18.09.2017, p, 119).

Marthin veio ao meu lado, pegou a cesta com as vagens tipo “orelha de macaco”, escolheu algumas e me alcançou

(DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 17.10.2017, p, 206).

Laura tinha 1ano e 2 meses, ela geralmente chegava a partir das 9h e, na maioria das vezes, ela vinha no colo do pai. Eles sempre entravam conversando e eventualmente Laura chegava choramingando. Laura possuía uma questão de saúde que demandava o uso de medicamentos que a deixavam desconfortável ao longo da manhã, por isso, segundo a equipe da escola, ela chorava bastante e buscava a presença constante das pessoas adultas, decorrente disso, suas brincadeiras aconteciam mais com as pessoas adultas ou individualmente. Laura alternava as suas demonstrações de aceitação, ou não, da minha presença.

Laura veio em minha direção e alcançou-me uma régua musical, a segurei e ela apertava os botões, me olhava séria. Eu, não sabia ao certo o que ela queria, então movimentei o corpo como se estivesse dançando. Ela me encarou e saiu (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 22.08.2017, p, 71).

Laura veio em minha direção, sentando-se em meu colo. Uma das bolsistas e a educadora comentaram algo como: -“Ah! O colo, ela adora”. Perguntei por que, e elas me disseram: - “Ich, essa se puder passa o dia no colo”. Percebi no tom do comentário que a minha atitude não era bem aceita, então fiquei um pouco mais com ela no colo e a convidei para brincar. Lentamente sentei-me com ela no chão, por que eu estava em uma cadeira, e aos poucos fui colocando-a sobre o tatame. Laura então levantou-se e foi em direção a educadora, ela chorava. A educadora apegou pela mão, e levou até o outro lado da sala, mostrando-lhe os brinquedos da prateleira, até que ela se acalmasse. Este foi um momento em que eu fiquei na dúvida entre atender a Laura ou ficar sob o olhar de

desaprovação (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 23.08.2017, p, 75).

Ao longo dessa manhã, Laura veio muitas vezes me trazer uma panelinha acompanhada de uma colher. Eu mexia a colher na panela e a alcançava. Ela pegava a colher e saía. (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 05.09.2017, p. 107).

Depois que teve a sua fralda trocada, Laura brincou com os animais de borracha e veio

caminhando em minha

direção, me alcançava um, depois outro, e mais um. Também pegou um pedaço de madeira e me alcançou. Ela

também pegou as

garrafinhas sensoriais que estava no armário ao lado e

me alcançava, uma a uma. Meu colo já estava pequeno para tanto objetos, mas eu continuava recebendo (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 10.10. 2017, p. 200).

Estava tocando uma música bem animada e Laura dançava ao meu lado (música era uma coisa que ela gostava muito!). Enquanto dançava ela me olhava. Quando tocou a música “Alecrim” ela intensificou os seus movimentos. Depois parou na minha frente, dançava e me olhava. Seria um convite para dançar? Mesmo sentada comecei a movimentar o meu corpo e ela sorriu. Quando direcionei a máquina especificamente para ela, ela me encarou, deu algumas remexidas no corpo e virou- se, ficando de costas para mim, nesse momento parei a filmagem (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 27.10.2017, p. 234).

Isabel, de 1ano e 9 meses, chegava quase no mesmo horário que Laura. Ela vinha para a escola no colo de sua mãe. Os momentos de despedida eram um pouco difíceis, Isabel chorava e sua mãe conversava muito explicando por que ela ficava na escola, o que seria possível fazer naquele espaço e que mais tarde iria buscá-la. Ao longo da pesquisa, Isabel brincava bastante sozinha, explorando os materiais disponíveis, suas ações demonstraram o quanto ela havia compreendido a minha presença na turma.

Isabel entrou na sala no colo da educadora, e carregavam o lanche de Isabel. Lavaram as mãos e Isabel sentou-se à mesa, próxima de onde eu estava. Ela me olhava e dizia: -“Rosca”,

pois o lanche de hoje eram rosquinhas de polvilho. Essa foi a primeira vez que Isabel fez um contato direto comigo (DIÁRIO DESCRITIVO

NARRATIVO, 22.08.2017, p, 68).

Isabel veio até mim com a blusa erguida, apontando

para a barriga e dizendo: -“Bigo, bigo”, mostrando o umbigo. Fiz algumas coceguinhas e ela aproximou-se um pouco mais, pegou minha caneta e fez alguns desenhos no caderno e saiu. (...) Isabel chegou de novo e dessa vez me disse: -“Desenho, desenho” pegou a caneta e desenhou, não satisfeita puxou a folha e disse: -“Oto lado, oto lado”, virei a folha e ela fez outro desenho e saiu. Caetano aproximou-se e ficou observando Isabel (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 29.08.2017, p, 88).

Eu estava filmando as crianças em uma brincadeira e me desloquei para conseguir um foco melhor, desse modo, meu caderno ficou afastado de mim. A cena que eu queria focar era uma em que Leonardo e Helena disputavam um brinquedo e Helena dava algumas olhadas em direção a Vanuza, pedindo ajuda, as quais não eram correspondidas, pois a educadora não havia percebido o movimento de disputa pelo brinquedo dos dois. Isabel então recolheu o caderno e o lápis e veio me trazer, quando o colocou em meu colo eu a agradeci e ela fez alguns desenhos (DIÁRIO DESCRITIVO NARRATIVO, 25.09.2017, p, 130).

Embora tenham sido poucas as manifestações de Isabel em relação a minha presença, logo ela demonstrou que havia compreendido o meu papel naquele

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