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Mod` ele A variable en 3D

Simulations num´ eriques (Comsol)

7.4 Mod` ele A variable en 3D

A contagem com recurso a suportes físicos como, por exemplo, a pedras ou marcas em bastões, é uma atividade humana que, tanto quanto se julga saber, remonta aos primórdios da humanidade e que se imagina associada à necessidade de registar quantidades quer de objetos quer de animais. Muito tempo depois, surgiu o sistema de numeração indo-árabe e consequentemente apareceu o ábaco que também veio facilitar ao Homem a representação dos números (Botas, 2008; Caldeira, 2009). À semelhança de Botas (2008), Santos (2005) menciona que os recursos didáticos são usados há muito tempo na história da Humanidade, tendo tido uma presença marcante no período da Revolução Industrial (século XVIII), e no período de desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial, trazendo consequências ao nível económico e social.

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O mesmo autor menciona que estes também tiveram impacto na educação, porque se começou a questionar sobre as práticas educativas, dando origem no século XIX, ao movimento da Escola Nova ou Renovada. Este movimento teve um contributo importante de John Dewey e Anísio Teixeira, e a ideia central era “aprender a aprender” (p. 52). A partir do início do século XX, houve um desenvolvimento tecnológico e científico que veio trazer aos professores e educadores outros meios capazes de contribuir para aprendizagens mais ativas (Santos, 2005).

Os meios de comunicação e informação, como a televisão, a internet e o computador, têm influenciado não só o modo de vida dos indivíduos, mas também a interação com os outros. Deste modo, os meios “têm permitido ao homem ‘dominar’ o tempo e o espaço, possibilitando o surgimento de uma cultura de massa (“indústria cultural”)” (Santos, 2005, p. 60), uma vez que todos os indivíduos estão expostos aos mesmos estímulos. Assim sendo, a escola depara-se com uma sociedade bastante evoluída e, por isso, tem de encontrar outras práticas de ensino para chamar atenção e motivar os alunos (Santos, 2005). Para isso, o professor deveria utilizar outros recursos didáticos para além daqueles que já usava anteriormente, como o quadro de giz, o giz e o manual escolar.

Com o passar do tempo, os recursos didáticos sofreram transformações como, por exemplo, do quadro e do giz passaram a utilizar a tela e o computador e, de dia para dia vão surgindo mais recursos didáticos inovadores. Contudo, um dos primeiros recursos didáticos a ser utilizado e que ainda o é atualmente, especialmente nas escolas com menos poder económico, são os quadros de giz (Camargos, Lima, Souza, & Simonini, s/d).

O ensino dos diferentes conteúdos requer, por parte dos professores, a possibilidade de proporcionar experiências variadas, em diversos contextos e com a utilização de vários recursos, de modo a oferecer ambientes educativos favoráveis à aprendizagem dos alunos. Para que isto aconteça, o recurso didático deve: i) “ter qualidade de conteúdo técnico e social” (Constâncio, 2013, p. 10); ii) ser selecionado de acordo com a informação que se pretende passar aos alunos e a organização da aula; iii) apresentar de forma correta os conteúdos e os acontecimentos; iv) proporcionar a interação entre os alunos e o professor; v) ser acessível, claro e direto, de modo a que não haja interpretações erradas; vi) ter um aspeto apropriado para uma melhor compreensão dos alunos; vii) facilitar o processo de memorização através da imagem do conteúdo em questão; viii) desenvolver a observação e a experiência e ix) enriquecer

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o processo de aprendizagem apoiado num ensino mais próximo da realidade e menos abstrato e desenvolver competências ao nível do espírito crítico (Constâncio, 2013).

Ponte e Serrazina (2000) e Santos (2005), entre outros, consideram que a manipulação e exploração dos diferentes recursos ajudam na evolução e na formação de capacidades e aptidões nos alunos. A utilização destes recursos na sala de aula pode proporcionar aprendizagens mais significativas. No entanto, a sua presença só por si não assegura aprendizagem, é necessário que estes proporcionem experiências significativas aos alunos, tendo o professor um papel fundamental na preparação e organização na aula (Botas & Moreira, 2013; Januario & Tinti, 2008; Rocha, 2014; Rodrigues & Gazire, 2012; Souza, 2007). Por isso, Marques (2013) menciona que é necessário deixar, inicialmente, os alunos manipularem e explorarem os recursos didáticos sozinhos e só depois haver uma exploração mais detalhada dos mesmos.

A aprendizagem tem de ser significativa e os alunos devem relacionar os novos conhecimentos com o saber que têm. Para isso, o professor dispõe de um grande leque de recursos didáticos que são considerados mediadores e facilitadores da aprendizagem, de modo a proporcionar experiências mais favoráveis para a aprendizagem dos alunos. (Caldeira, 2009; Cuicui, 2012; Silva, Giordani, & Menotti, s/d). Na perspetiva de Souza (2007), estes recursos têm a função de estimular, os alunos, para a procura e pesquisa de novos saberes, de modo a prepará-los para conseguirem enfrentar e ultrapassar as dificuldades do mundo através das suas ações na sociedade, sendo que a interação entre o professor/aluno/conhecimento é o mais importante nos processos de ensino e aprendizagem.

Os alunos quando estão em contacto e quando exploram os recursos constroem conhecimento, uma vez que se debruçam sobre as suas ações, levando-os a compreender determinados conceitos. A utilização dos recursos possibilita a experiência, o erro e o sucesso, que são fundamentais para a aprendizagem significativa, mas também ajudam na comunicação e no relacionamento tanto com os educadores/professores como com os próprios colegas (Canavarro, 2003, citado por Caldeira, 2009).

Na esteira de Martins (2016), quando os recursos didáticos são utilizados nos processos de ensino e aprendizagem é essencial levar os alunos a descobrirem e a contactarem os conceitos abstratos através da exploração dos diferentes recursos, tornando-os mais concretos e de fácil entendimento. Ribeiro (1995) menciona que estes recursos surgem como objetos concretos que, muitas das vezes, integram noções

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abstratas, recorrendo aos diversos sentidos, podendo ser tocados, deslocados e manuseados pelas crianças.

Nérici (1973, citado por Santos, 2005) refere que uma das principais finalidades dos recursos didáticos é o facto de auxiliar os professores na sua prática educativa e ao mesmo tempo ajudar os alunos a compreenderem os conceitos envolvidos. Sendo assim, a utilização dos recursos torna-se importante para o processo educativo e por isso o professor deve tirar vantagens dos mesmos. Também apresenta outras finalidades, como:

1- Aproximar os alunos da realidade, expondo conceitos precisos dos fenómenos apresentados;

2- Incentivar os trabalhos, de modo a tornar a aprendizagem mais significativa; 3- Ajudar, os alunos, no entendimento dos fenómenos e conceitos envolvidos;

4- Executar e ilustrar a informação que está a ser exposta verbalmente pelo professor; 5- Poupar esforços no entendimento dos fenómenos e conceitos;

6- Facilitar a memorização, uma vez que chama a atenção e motiva os alunos para a aprendizagem;

7- Criar momentos de demostração de competências e progresso de capacidades específicas com a utilização de equipamentos, e construção de materiais de instrução pelos alunos;

8- Motivar e chamar a atenção dos alunos; 9- Ajudar a reter e a criar uma imagem;

10- Promover uma educação apoiada na observação e experimentação; 11- Auxiliar a compreensão de um conteúdo, de forma sugestiva e ativa;

12- Favorece a criação de imagens corretas, visto que cada aluno pode entender o que é dito ou escrito de acordo com as suas experiências e também irá depender na sua capacidade de compreensão e do seu discernimento;

13- Facilitar a compreensão das relações entre os vários conteúdos;

14- Apoiar a formação de noções precisas, nomeadamente conceitos de difícil observação;

15- Proporcionar uma instrução mais dinâmica e real;

16- Permitir uma melhor análise e interpretação dos conteúdos, de modo a desenvolver o espírito crítico;

17- Desenvolver a criatividade nos alunos;

18- Incentivar os alunos a observar, analisar e a refletir os conceitos.

À semelhança do que os outros autores mencionam relativamente às funções dos recursos didáticos, Marquès (s/d) identificou as seguintes: i) fornecer informações (ex.

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livros, alguns programas informáticos, vídeos); ii) orientar a aprendizagem dos alunos, proporcionando a instrução (como o livro-texto); iii) treinar as competências; iv) motivar e despertar, de modo a manter a curiosidade; v) avaliar os conhecimentos e competências (como por exemplo, perguntas de livros e de programas informáticos), sendo que alguns dos erros são detetados pelos próprios alunos; vi) fornecer um ambiente de observação e exploração e vii) proporcionar ambientes de expressão e criação.

Na mesma perspetiva, Batista, Nascimento, Vilar e Alexandre (2013) e Ferreira et al. (s/d) defendem que os recursos didáticos têm a função de desenvolver e aperfeiçoar o conhecimento dos alunos sobre um determinado conteúdo, de forma mais atraente e cativante. Para além disso, permitem que haja “uma interação dinâmica e recíproca nos processos de ensino-aprendizagem” (Batista et al., s.p.) e, despertam e estimulam a criatividades dos alunos, permitindo que estes participem na construção do conhecimento.

Como podemos constatar, os professores podem dar diversas finalidades aos recursos didáticos e a sua utilização pode trazer vantagens ou ter potencialidades para o processo educativo. Piletti (1988, citado por Santos, 2005) enumera-as, como sendo: i) estimular os alunos; ii) proporcionar um ensino mais atrativo; iii) ajudar a entender e reter os conteúdos, por parte dos alunos; iv) desenvolver processos mentais, como por exemplo, a observação, a análise, a síntese e a reflexão; v) proporcionar a experimentação e a exploração; vi) ajudar no progresso do pensamento lógico e vii) incentivar os alunos, até os mais tímidos.

Os benefícios dos recursos didáticos dependem do contexto de utilização. Só podemos comparar as vantagens de um recurso com outro se tivermos em consideração os componentes estruturais: i) o sistema simbólico que recorre para passar a mensagem (texto, voz, imagens). Existem alunos que compreendem melhor a informação através de imagens enquanto outros preferem a transmissão verbal; ii) a forma como o conteúdo é apresentado, será mais proveitoso se as informações forem simples e organizadas; iii) a plataforma tecnológica que suporta o acesso ao material, sendo que os alunos nem sempre têm acesso a esses meios ou as competências necessárias para a sua utilização e iv) o ambiente de comunicação/interação com o aluno (Marquès, s/d).

Uma das preocupações no uso de recursos didáticos apontadas por Alves e Morais (2006) é de identificar a melhor forma de utilização, de modo a favorecer os processos de ensino e aprendizagem. Estes autores referem, ainda, que o recurso deve

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ser entregue aos alunos antes de qualquer explicação, de modo a poderem explorá-lo livremente, brincando e fazendo descobertas. Passado algum tempo, o professor deve questionar os alunos e incentivá-los a darem a sua opinião.

De acordo com Correia (1995), a excessiva aplicação de recursos didáticos e as condições ambientais de sala de aula desadequadas poderão também originar cansaço, desânimo e desinteresse, por parte dos alunos.

Uma das razões que Caldeira (2009) menciona para a dificuldade da utilização destes recursos é que as tarefas exigem mais tempo, uma vez que os alunos têm de fazer um levantamento de hipóteses, experimentar, errar e refletir sobre o erro. Do ponto de vista de Botas e Moreira (2013) e Sarmento (2010), existem outros problemas com a sua utilização, como a inexistência dos recursos pretendidos na escola ou a quantidade necessária, o desconhecimento, por parte dos professores, dos recursos existentes e o modo da utilização dos mesmos. No entanto, um destes autores sugere que uma das formas para ultrapassar a falta destes recursos poderá ser substituí-lo por outro recurso que haja na escola que atenda aos objetivos ou a construção de um novo recurso com material reciclável para ser mais económico (Sarmento, 2010).

Por fim, Silva et al. (s/d), mencionam que os recursos didáticos fazem parte do dia-a-dia do professor mas, muitas das vezes, os instrumentos encontrados nas escolas não coincidem com a realidade dos alunos em questão. Caldeira (2009) acrescenta que o sucesso da utilização dos recursos didáticos depende da forma como são executadas as tarefas pelos professores e como eles veem a disciplina.