5.4 Fonctions de force gamma
5.4.2 Modèles de fonction de force gamma
Questionário proposto
Temas a abordar Temática
Em termos cronológicos qual a sua opinião sobre a evolução da infra-estrutura hidrográfica tendo em conta a evolução/desenvolvimentos populacional, ou seja, o crescimento e o avanço das zonas habitadas ou edificadas, tendo como horizontes temporais os acontecimentos das duas últimas décadas (29/10/1993 e 20/02/2010).
Prevenção, Preparação e Planeamento
Segundo alguns teóricos a prevenção é a fase da gestão de crises e dos desastres mais desvalorizada ou secundarizada, já que muitas vezes a abordagem preventiva acontece na ausência de ameaças, e até conforme alguns decisores preferem referir, acabam por ter efeitos, especialmente psicológicos, nefastos sobre as pessoas e o seu bem-estar. De que forma poderá ser possível consciencializar as pessoas para certas mentalidades, actividades e práticas pró-preventivas sem criar ou evitando alarmismos excessivos?
Prevenção
Seria demasiado apoiar (financeiramente) actividades de limpeza e manutenção das nossas serras (e cursos de água mais a montante)
Tendo em conta que grande parte da (nossa) vulnerabilidade é de origem não natural (artificial, ou resultante da acção humana) e em primeira mão como consequência da nossa existência (ou da presunção de que tudo é pertença do ser humano), que política considera mais adequada em termos de prevenção/protecção das zonas de risco mais elevado:
- Será preferível uma política de investimento reactivo, tendo em conta que alguns investimento serão incomportáveis, ou
- Investimento preventivo porventura naquelas zonas onde o mesmo tivesse que necessitar de valores consideráveis (tendo também em conta que o risco proporcionou-se devido à falta de zelo por parte das autoridades, em alguns casos).
Prevenção
A percepção (publica não vivenciada) de acontecimentos adversos como os desastres é um dos factores mais importantes para a formação da noção da dimensão e extensão do mesmo. Sendo esta proveniente essencialmente da comunicação, considera que apesar de nem tudo poder ser relatado/retratado ou exposto publicamente, a informação passada para a opinião pública deverá ser a mais verdadeira ou realista possível. Não será assim?
Comunicação
A postura das pessoas e até organizações perante os comentários do Dr. antes e depois dos acontecimentos são bastante díspares ou mesmo opostas.
Uma das fases importantes da gestão de desastres é a recuperação, pelas actividades que poderão estar envolvidas e pela sua frequente morosidade, podendo levar vários anos até ao restabelecimento ou eventualmente melhoria do estado pré-desastre. É reconhecido por todos o trabalho feito após os acontecimentos de 20/02/2010. Considera que poderia ter sido
Recuperação e Resposta
feito ainda mais e melhor.
E no caso dos incêndios do mesmo ano, a resposta esteve à altura dos acontecimentos, apesar das dificuldades inerentes a estes eventos. No pós-incêndio a situação foi bem acompanhada e gerida (recordando a reflorestação).
(Será mais fácil desvalorizar os incêndios em relação a outros acontecimentos em especial os que envolvem a perda de vidas humanas, mas em termos de turismo segundo alguns especialistas os efeitos dos incêndios serão dos mais adversos.)
Comparemos a rapidez com que foi reposta a situação anterior ao desastre em alguns locais, com a impossibilidade de o fazer no caso dos incêndios nomeadamente com alguma da flora perdida.
6- O Dr. Raimundo Quintal é conhecido não só mas também por ser um mobilizador, qual o papel das comunidades em especial na fase de recuperação (por exemplo em eventos como os incêndios de 2010)
Recuperação
Transcrição
Segundo um especialista na problemática ligada às inundações, mas não só, o Doutor Raimundo Quintal, a evolução da infra-estrutura hidráulica de resposta a situações de elevada precipitação não deixou de se verificar, reconhecendo que os responsáveis foram conscientes quanto a algumas necessidades e alterações de redução/mitigação dos efeitos resultantes de eventos, como aqueles observados nas inundações de 29/10/1993, e diferente não seria de esperar, acompanhada igualmente por uma maior informação e atenção por parte das pessoas em geral, em especial no que toca aos fenómenos de precipitação extrema. Porém tal acontece de certa forma à medida dos acontecimentos, e apesar dos alertas, alguns erros acabaram por surgir em resultado de situações reincidentes, referindo casos como as construções em leito de cheias, condenando particularmente a permissão de edificação de plataformas industriais nestas zonas, chamando ainda a atenção para outro dos grandes erros cometidos ter sido a cobertura das ribeiras nos troços mais a jusante. Constatou ainda exemplos de estrangulamento ou redução pontual da secção de alguns cursos também aqui em zonas mais próximas do mar onde o menor declive destes elementos já por si desfavorece o escoamento.
Considera até que nem na sequência da catástrofe mais recente, a aprendizagem foi suficiente para que os decisores reduzissem ao máximo as possibilidades deste tipo de acontecimentos naturais causarem danos sobre pessoas e bens, recorrendo a exemplos tais como as últimas decisões tomadas pelas autoridades nos casos da construção de mais um cais no porto do Funchal que resultará numa alteração ainda maior (já observada com o recente aterro) das correntes na baía, com o consequente aumento de depósitos no leito da mesma, e da junção da ribeira de João Gomes e da ribeira de Santa Luzia junto à foz, na mesma cidade, segundo o qual não existe qualquer sustentação científica ou consideração técnica que corrobore ambas as decisões, condenando ainda a falta de discussão especializada nestes e noutros casos.
Pegando na questão da discussão pública, o especialista fez notar a falta de interesse e preocupação por parte da população, comprovando um certo alheamento, uma cultura de participação muito reduzida e uma cidadania muito pouco activa por parte da sociedade civil, confrontada com determinados temas, sobretudo com aqueles que claramente merecem ser abordados e discutidos.
O especialista constata também com pesar um certo laxismo ou preguiça muito próprias da nossa população no momento de pensar e ainda mais no momento de agir, particularmente em questões que tenham a ver com prevenção, preparação ou planeamento, considerando-os temas pouco despertados e relevantes entre a população.
Os políticos e decisores estão de certa forma por sua conta e risco, já que a informação sobre decisões ou possíveis decisões, passada para a opinião pública, poucas vezes é discutida ou rebatida, retirando legitimidade às reivindicações no caso de as posições e decisões tomarem resultados pouco abonatórios. Deste modo, segundo o Doutor Raimundo Quintal é errado adoptar sempre uma postura passiva, em especial no que toca à prevenção, e esperar que sejam as autoridades a suportarem sempre e exclusivamente o ónus de tomada de decisão quando os principais interessados e beneficiários somos nós.
Considera ainda, que os decisores serão certamente mais competentes e decidirão também melhor, se seguirmos uma linha oposta à vigente, porem a disposição para contribuir, por parte de todos aqueles verdadeiramente interessados em fazê-lo, deverá ser mais activa e concreta. Sendo que, quantos mais adoptarem esta postura maior será o sucesso alcançado, contribuindo decerto para uma sociedade mais evoluída.
Por outro lado esta postura passiva ou mesmo inactiva (destacando novamente o papel da prevenção, do planeamento e da preparação), será tanto mais grave se os decisores encarregues dos respectivos cargos não tiverem à altura dos mesmos, algo que infelizmente acontece.
Ainda sobre as intervenções nas infra-estruturas o perito refere que eventuais acções a jusante estão na verdade muito limitadas devido à densidade e ao património edificado em especial nos principais aglomerados populacionais, portanto quaisquer operações estarão sempre significativamente condicionadas nas zonas de cota mais baixa e de maior índice construtivo. As intervenções mais importantes poderão e deverão ser desenvolvidas nas zonas intermédias dos cursos de água. Um dos exemplos são os açudes ou represas de retenção de materiais, ou seja, tratam-se de estruturas que têm como funções, travar a velocidade de escoamento daquele fluxo e impedir tanto quanto possível que os materiais mais pesados e de maior volume sigam o curso livremente. Finalizando este tema foi mencionado que estará já prevista a implantação destes dispositivos nas três ribeiras que desaguam na baía do Funchal.
Fortemente ligado à biogeografia da região, nomeadamente no que toca ao património e à riqueza da flora da ilha, questionado sobre o outro grande flagelo que fustiga a região nas épocas quentes do ano, os incêndios, porventura com níveis de afectação sobre o turismo tão ou mais graves que as inundações, nota que os incêndios de grandes proporções como os que se verificaram em Agosto de 2010, provocam danos por vezes irremediáveis e expõem-nos perante perigos que poderão resultar em eventos ainda mais dramáticos do que os observados precisamente nas inundações de Fevereiro de 2010.
O especialista enumera que os incêndios em virtude da diminuição da quantidade de vegetação, originam uma série de condições adversas, nomeadamente perante níveis elevados de precipitação:
Com a diminuição do volume de vegetação aumenta a velocidade de escoamento das águas superficiais,
Torna os solos mais soltos e desagregáveis, devido à diminuição das raízes, Originando solos mais erodíveis,
Causa igualmente uma maior exposição das rochas aos raios solares, provocando maior fracturação das mesmas,
Outros materiais em especial orgânicos (ramos, troncos, árvores, etc) serão igualmente mais expostos ao avanço das águas.
Este conjunto de resultados reunidos serão responsáveis pelo aumento da dimensão e da quantidade dos materiais de arrastamento induzidos por chuvas intensas, podendo originar eventos ainda mais catastróficos do que os verificados até a dada. Urge então impedir este conjunto de fenómenos, e portanto a prevenção e protecção do nosso ecossistema é crucial, bem como uma resposta eficaz em situações de incêndio florestal deverá estar perfeitamente acautelada, bem como a sua reposição/reflorestação (ainda que limitada pelo tempo) deverá estar no topo das prioridades, lembrando ainda que um dos principais se não o principal património presente na ilha da Madeira é precisamente a riqueza da nossa fauna e flora, logo importantíssimo para nós, e fortemente valorizado como é sabido, também por quem nos visita.
Sendo reconhecidamente também como um comunicador respeitado, outro dos temas importantes mormente para a discussão presente no trabalho e abordada com o Doutor Raimundo Quintal foi o da comunicação. Questionado sobre a intensidade da realidade ou verdade da informação a passar às comunidades via comunicação social, e se deverá haver uma linha ideal entre a verdade dos factos e a postura menos verdadeira com o propósito de evitar alarmismos excessivos, o mesmo recordou que a verdade implica linearmente uma maior preparação por parte das pessoas: as pessoas deverão estar preparadas e tanto maior será essa preparação quanto mais fiel for a informação.
Finalizou a discussão deste tema e da sua inestimável colaboração com alguns exemplos de abordagens comunicacionais menos ou até pouco verdadeiras, nos quais o especialista considera que o "marketing [proveniente de alguns decisores] está desencontrado da realidade". Para além disso é um facto que as pessoas vão estando cada vez mais conscientes da realidade e a noção de credibilidade na composição da verdade é cada vez mais valorizada, portanto aqueles decisores deverão ser mais cientes da crescente preparação por parte do público. A verdade nunca deve ser escondida.