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Nombre d'onde (cm*')

3.3 Irradiation électronique du Fe(C0)5/Au(l 11)

3.3.1.3 Modèle mathématique

1

Este trabalho identificou que a microbacia hidrográfica do Ceveiro (MHC) possui 2

sérios problemas quando ao uso agrícola, estando em risco de degradação das terras. Em 3

síntese, a alta taxa de ocupação por cana-de-açúcar na MHC constitui o principal 4

potencializador da suscetibilidade à degradação das terras da área, em função da mecanização 5

intensiva requerida, com emprego de máquinas agrícolas grandes e pesadas, resultando em 6

inevitáveis alterações na estrutura e propriedades físicas do solo (Cherubin et al., 2016), além 7

do esgotamento de reservas de carbono do solo (Franco et al., 2015), compactação devido ao 8

aumento da densidade do solo e consequente redução na macroporosidade (CASTRO et al., 9

2013; SOUZA et al., 2014 ). 10

No capítulo 3 foi diagnosticado que mais da metade da MHC está coberta por 11

usos mais intensivos do que sua capacidade de suporte ou aptidão agrícola das suas terras, 12

estando sobreutilizadas. A principal causa da sobreutilização das terras é a cultura da cana-de- 13

açúcar, que se estende por mais de dois terços da área e ocupa porções de terra recomendadas 14

para o estabelecimento de pastagens (adequadamente manejadas, em bases conservacionistas) 15

ou com restrições legais (Áreas de Preservação Permanente – APP) visando à preservação da 16

vegetação nativa para proteção dos recursos hídricos. 17

No capítulo 4, a modelagem da variação contínua dos atributos do solo (areia, 18

silte, argila, densidade do solo, carbono orgânico do solo, porosidade total, macro e micro) em 19

profundidade foi efetuada com e acurácia empregando a função Spline quadrática de igual 20

área. Foram alcançados altíssimos coeficientes de correlação, o que permitiu posteriormente a 21

predição espacial destes atributos nas camadas superficial (0 a 30 cm) e subsuperficial (30 a 22

100 cm) do solo. 23

Diagnosticou-se que a profundidade média dos solos na MHC é de 90 cm e o 24

horizonte textural (Bt) nos Argissolos e Luvissolos se inicia em média a 43 cm da superfície 25

do solo. Contudo, pode-se levantar que mais de um terço (38%) da MHC tem limitações por 26

solos rasos (profundidade efetiva < 50 cm e/ou diagnosticados com topo do horizonte Bt a 27

menos de 50 cm da superfície), com o agravante de que a maior parte (74%) destas áreas 28

estão cultivadas com cana-de-açúcar. 29

Levantou-se ainda que os teores de COS na MHC em superfície e em 30

subsuperfície são inferiores a 10 g kg-1, constituindo limitação severa ao uso sustentável das 31

terras. 32

No capítulo 5 foi diagnosticado que os fatores mais restritivos quanto à 1

suscetibilidade à degradação das terras (SDT) na MHC são a profundidade de ocorrência do 2

topo do horizonte B textural (Bt), o baixo teor de carbono orgânico do solo, a limitante 3

macroporosidade do solo e a declividade das terras. Contudo, mapeou-se que as zonas 4

homogêneas de “muito alta suscetibilidade à degradação das terras” distribuem-se por mais da 5

metade da MHC, ocupando 56% da sua área total, seguida por 28% de ZHSDT de “alta 6

suscetibilidade à degradação”, 12% de ZHSDT de “média suscetibilidade à degradação” e 7

apenas 4% de ZHSDT de “baixa suscetibilidade à degradação”. Por fim, levantou-se que mais 8

de dois terços das zonas homogêneas de “suscetibilidade à degradação das terras alta (75%) e 9

muito alta (69%) estão cultivadas com cana-de-açúcar. 10

Cherubin et al. (2017) defendem que os campos de cana-de-açúcar sejam 11

monitorados para evitar limitações físicas do solo que possam afetar negativamente o 12

crescimento e a produção de cana-de-açúcar. Neste trabalho foi reforçada a importância deste 13

monitoramento também para prevenção da degradação das terras, além do planejamento do 14

uso para a ocupação sustentável dos agroecossistemas. 15

Neste contexto, considera-se necessária e urgente a conversão do uso agrícola na 16

microbacia hidrográfica do Ceveiro para usos menos intensivos e mais conservacionistas, 17

onde sejam respeitadas a aptidão agrícola e a suscetibilidade à degradação das terras 18

levantadas nesta pesquisa. Na tabela 31 é apresentada a distribuição dos usos recomendados 19

pela aptidão agrícola em cada ZHSDT. 20

As áreas diagnosticadas com suscetibilidade à degradação das terras muito alta 21

possuem uso recomendado pela aptidão agrícola principalmente para pastagem (465,68 ha - 22

42,2%), preservação da fauna e flora (350,2 ha - 31,8%) e culturas agrícolas (264,28 ha – 23

24%). Já nas ZHSDT de alta suscetibilidade à degradação a aptidão agrícola apontou o uso 24

recomendado principalmente para culturas agrícolas (247,76 ha - 45,3%), pastagem (138,48 25

ha - 25,3%) e preservação da fauna e flora (138,16 ha - 25,3%). Embora haja aptidão para uso 26

com culturas agrícolas, dada a elevada suscetibilidade do solo à degradação, o manejo 27

agrícola nestas áreas (ZHSDT de muito alta e alta suscetibilidade à degradação) deverá 28

compensar e neutralizar os riscos, adotando-se sistemas conservacionistas, a exemplo do 29

sistema de plantio direto. 30

Igualmente, áreas de pastagem recomendadas para o uso em ZHSDT de alta e 31

muito alta suscetibilidade à degradação deverão ser manejadas seguindo preceitos 32

conservacionistas, como a implantação de sistemas de pastejo rotativo, silvipastoril e outras 1

práticas de conservação de solo e água. 2

Tabela 31. Ocorrência do uso recomendado das terras (aptidão agrícola) nas zonas

3

homogêneas quanto à suscetibilidade à degradação das terras (ZHSDT) na microbacia 4

hidrográfica do Ceveiro (MHC). 5

6

ZHSDT Uso Recomendado (Aptidão Agrícola) Área

ha %

Muito Alta suscetibilidade

à degradação

Pastagem 465,68 42,2

Preservação da Fauna e Flora 350,2 31,8 Culturas Agrícolas 264,28 24,0 Silvicultura 10,08 0,9 Área Urbana 8,44 0,8 Mineração 3,6 0,3 Represas e Lagos 0,56 0,1 Subtotal 1102,84 100 Alta suscetibilidade à degradação Culturas Agrícolas 247,76 45,3 Pastagem 138,48 25,3

Preservação da Fauna e Flora 138,16 25,3

Área Urbana 11,28 2,1 Silvicultura 8,84 1,6 Mineração 1,16 0,2 Represas e Lagos 0,84 0,2 Subtotal 546,52 100 Moderada suscetibilidade à degradação Culturas Agrícolas 87,56 36,6 Preservação da Fauna e Flora 76 31,8

Pastagem 58,8 24,6 Área Urbana 10,96 4,6 Silvicultura 4,52 1,9 Represas e Lagos 1,2 0,5 Subtotal 239,04 100 Baixa suscetibilidade à degradação

Preservação da Fauna e Flora 31,88 48,2

Pastagem 15,12 22,9 Culturas Agrícolas 10,28 15,5 Represas e Lagos 4,88 7,4 Área Urbana 3,2 4,8 Silvicultura 0,76 1,1 Subtotal 66,12 100 Muito Baixa suscetibilidade à degradação

Preservação da Fauna e Flora 0,08 66,7

Área Urbana 0,04 33,3

Subtotal 0,120 100

Total 1954,64 -

7

Diante do exposto, foi elaborado um mapa propositivo da adequação do uso das 8

terras (Figura 43) na MHC a partir do uso recomendado pela aptidão agrícola. Foram 9

consideradas como “áreas já preservadas” aquelas ocupadas por mata e vegetação de 1

drenagem (ano base 2015, Figura 9, cap.3, p.39). 2

Há a necessidade de redução das áreas de cana-de-açúcar (culturas agrícolas) para 3

27% da MHC (534 ha), manejadas em bases conservacionistas devido à aptidão restrita para 4

culturas agrícolas. As pastagens devem ser espalhadas por pelo menos 28% da área (546 ha) e 5

o plantio de espécies silvícolas e pastagens naturais devem ocupar 15,8 ha (0,81%) do 6

Ceveiro, conforme pode ser visto na figura 43 e tabela 32. Prepõe-se que estes usos agrícolas 7

reunidos ocupem 56% da microbacia do Ceveiro. 8

9

10

Figura 43. Adequação do uso das terras na microbacia hidrográfica do Ceveiro (MHC)

11

visando à sustentabilidade de uso agrícola. 12

13

Quase metade da microbacia do Ceveiro (41,54%) é destinada a preservação da 14

fauna e flora (Tabela 32, Figura 43), subdivididas em áreas de preservação permanente (APP) 15

já preservadas (188,44 ha - 9,64%) e que deverão ser restauradas para atendimento ao Código 16

Florestal Brasileiro (404,6 ha – 20,70%), além de áreas atualmente ocupadas por mata e 17

vegetação de drenagem fora das APP (designadas aqui como Mata – Reserva Legal) que 1

correspondem a 11,1% da MHC (217 ha). Registraram-se ainda áreas que devem ser 2

destinadas para restauração da vegetação nativa e comporão parte da reversa legal devido a 3

enquadrarem-se como inaptas a produção agrícola, segundo o método da aptidão (1,92 ha – 4

0,1%). 5

6

Tabela 32. Áreas de ocorrência das categorias propostas para a adequação do uso das terras

7

na microbacia hidrográfica do Ceveiro (MHC). 8

9

Proposta de Adequação do Uso das Terras Área

ha %

Culturas Agrícolas 534,16 27,33

Pastagem 546,56 27,96

Silvicultura 15,8 0,81

Preservação da Fauna e Flora

Mata (Reserva Legal) 217 11,10 APP Preservada 188,44 9,64 APP (Restaurar) 404,6 20,70 Inapta (Aptidão Agrícola) 1,92 0,10

Mineração 4,76 0,24 Áreas Urbanas 33,92 1,74 Represas e Lagos 7,48 0,38 Total 1954,64 100,00 10

Destacam-se ainda a ocorrência das áreas de mineração, áreas urbanas e represas e 11

lagos, onde não foram propostas alterações do uso das terras, exceto nos casos de incidência 12

de APP que ocorreram apenas nas áreas urbanas (tabela 32). 13

A adequação do uso das terras proposta, além de atender à avaliação da aptidão 14

agrícola das terras, atendem também aos requisitos do Novo Código Florestal (Lei nº 12.651 15

de 25 de maio de 2012) quanto à destinação das Áreas de Preservação Permanente - APP (Art. 16

4º) e Reserva Legal (Art. 12). A reserva legal de 20% exigida para a região de ocorrência da 17

MHC deverá ser complementada através do cômputo de 8,8% nas APP conforme permite o 18

Art.16 da referida lei. 19

Por fim, recomenda-se que o manejo das áreas agrícolas deve ser planejado para o 20

cultivo mais conservacionista possível, seguindo preceitos de conservação do solo e água para 21

a garantia da prática agrícola sustentável no Ceveiro. 22

1

Figura 44. Detalhamento e distribuição espacial das diferentes categorias de uso que

2

compõem as áreas de preservação da fauna e flora da proposição de adequação do uso das 3

terras na microbacia hidrográfica do Ceveiro (MHC). 4

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