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Chapitre 4 : Simulation d’impacts sur un merlon de protection pare-blocs

IV. Simulations d’impact sur structure de protection

IV.1. Mise en place du modèle

Mas o que levou estes professores, que trabalhavam na área de educação a imigrar para um novo país?

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Este assunto sera aprofundado no Capítulo 6 - A descoberta de um outro sistema de ensino – Comparações entre o lá e o cá.

61 Neste momento, irei apresentar as motivações destes professores-imigrantes, ancorada nos estudos sobre imigração, acerca de seus deslocamentos para outros países, ou seja, na condição de imigrantes.

Os processos migratórios não são uma novidade, durante toda a história humana, por diversos motivos, viajamos pelo mundo. Os fatores impulsionadores destes deslocamentos são dos mais variados: a busca por novos territórios a serem colonizados, catástrofes naturais, guerras, fome, trabalho, estudos, diversão, entre outros.

Nas últimas décadas, devido ao aumento populacional e das discrepâncias sócio-económicas, intensificou-se a migração de pessoas dos países menos desenvolvidos para países mais desenvolvidos, em busca de melhores condições de vida (Sam & Berry, 2006).

A análise dos dados biográficos permite-nos afirmar que a opção dos sujeitos participantes neste trabalho em imigrarem para Portugal nunca passou exclusivamente pela questão financeira, fator comum nos estudos sobre imigração. O fator dinheiro foi citado apenas por Aurea ao destacar que sua vinda para Portugal possibilitaria um aumento substancial de salário:

E o salário ... aquilo é muito difícil para ganhar dinheiro ... então achamos que, como eu tinha feito o curso em Portugal, eu teria mais facilidade para conseguir trabalho em Portugal … ia ganhar mais e tudo...(Aurea).

Para Aurea, professora santomense, além da questão financeira, a opção por Portugal também passou pela proximidade geográfica, pela facilidade da língua e por ter uma rede pré-estabelecida em Portugal, que facilitaria este processo migratório:

Pensei, pra onde vou? Não sei falar outra língua... Então ser um país que falasse português era importante (...) O Brasil era muito longe e eu não conhecia ninguém, nem tinha dinheiro pra ir ... então foi Portugal! (...) E para além de tudo tinha cá uns irmãos e primos perdidos! Sabe como é ... em São Tomé o que não nos falta é parente! (risos) Então minha mãe

62 também ficou mais sossegada em eu vir pra um lugar que já tivesse pessoas conhecidas ... que seriam uma base, né? (Aurea).

A motivação vinda numa perspectiva profissional também é apontada por Jacques, que não destaca a questão financeira, mas sim a oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento profissional num contexto sócio-político de grandes transformações no campo educativo que ocorria em Portugal, no período pós revolução do 25 de abril de 1974. Como Jacques salienta, nas falas registadas abaixo, neste contexto geral, destacava-se a pujança do Movimento da Escola Moderna em Portugal, taõ caro a este professor:

Isto lá, isto na altura que a gente decidiu, estavamos numa fase em que parecia que na Bélgica, as coisas na educação estavam periclitantes, que era muito complicado de começar e continuar a fazer experiências interessantes, porque não se sabia muito bem se aquela rede ia continuar ou não... porque dependia de mudança de ministro... Enquanto aqui em Portugal, estamos a falar agora de 82/83... havia muita coisa que se podia fazer... O currículo português era de uma abertura muito grande para poder fazer experiências e depois havia outra coisa que enquanto nós na Flandres tinhamos a Pedagogia Institucional num grupo muito pequeno, éramos na altura, éramos umas 20/25 pessoas... aqui havia na altura, um movimento que agregava algumas centenas de pessoas... Portanto, em termos de poder aprender, havia uma possibilidade muito grande! (Jacques).

Enquanto Jacques destaca motivos ligados aos contrastes entre as políticas educativas no seu país de origem, a Bélgica, e do país de acolhimento (Portugal), Apostol sublinha na sua decisão de imigrar a conjuntura política geral do seu país, na época, como revela sua fala:

Porque em 89 caiu, na Bulgária, o regime socialista e a vida se tornou bastante complicada. Aqui foi uma questão...

Apesar das motivações de ordem política e econômica parecerem muito relevantes na decisão destes três professores, o casamento é uma motivação

63 comum entre os sujeitos, motivação esta que é citada antes de qualquer outra, embora pareça que para algumas das professoras tenha sido a única razão da sua decisão de imigrar (exceção de Aurea), enquanto para os professores homens é uma das razões, entre outras.

Então menina ... caindo no estereótipo da brasileira que arranja um marido português pra ter passaporte vermelho ... (risos) Brincadeira! Foi por amor! Meu marido trabalhava, aliás, trabalha, para uma empresa que tem sede também no Brasil... E eu conheci meu marido lá! Ele foi passar uns 2 meses no Brasil e o marido de uma amiga era colega dele de trabalho lá... Aqueles encontros que as amigas fazem querendo casar a gente, né? (risos) As vezes dá certo! Pra mim deu... pra ela não! Acabou por separar do marido! Ela outro dia até brincou, que deve ter conhecido o marido só pra poder me apresentar o meu! (risos) E pronto, olha, no meio desse arranjo de amiga, nos conhecemos, nos gostamos ... e ele não tinha como ir pra lá ... não podíamos continuar à distância ... por isso eu vim! Casamos e eu vim embora! (Luzia).

(risos) É assim ... conheci o meu marido lá na Romênia ... e ele quis vir para Portugal (...) Não, ele nasceu lá. É romeno. Mas o pai dele tinha família cá em Portugal e viveu muito tempo cá. Ele conhecia Portugal e gostou e por isso: “Quer casar comigo, vem comigo para Portugal!”. E foi o que aconteceu! (risos). Larguei tudo e vim pra cá! (Florina)

(...) quando a minha mulher, que é portuguesa, quando a gente se juntou, apareceu a situação de “Onde é que a gente vai trabalhar?”. Na Bélgica ou em Portugal. (Jacques)

Optei por vir pra cá... Casei com uma portuguesa lá (Bulgária)! Casei lá... Casamos lá e voltamos pra cá em 92, viemos pra cá em 92, já com uma filha pequena, com 1 ano. (Apostol)

E depois, o que fiz ... Neste verão, fui de férias, conheci o Paulinho, que é o meu namorado, meu noivo agora ... e pronto ... no ano a seguir vim cá! Tivemos um ano a namorar a distância, depois vim pra cá ... porque como

64 não gostava de Madrid, queria ir para um sítio de praia e quando vi isto [Lisboa]... Ele dizia: “Eu vou para Madrid!” e eu: “Não, não... Eu venho pra cá!” (risos). Então pronto, vim cá... (Elena)

E aí, imagina... depois de ter vivido em Portugal, voltado para São Tomé... Foi lá que conheci meu marido! E voltei! (risos) Ele tinha ido para São Tomé fazer um trabalho... E aquilo em São Tomé, o que não falta são festas! E foi numa festa que tinha no Pestana16 ... vi aquele branco ali parado... (risos) e o chamei pra dançar! (risos). Dançamos, no outro dia fomos a praia... e pronto! Quando vimos, já estávamos apaixonados! E começamos a namorar a distância... até decidirmos que era melhor eu vir para Portugal! (Aurea)

Muitas pesquisas trabalham a perspectiva da imigração motivacionada pelo casamento, mas, em geral, focalizam as questões de género e poder: Piscitelli (2011), Lu (2008), Rosa (2008) e Togni (2008).

Os casamentos transnacionais, como os dos professores deste estudo, não são um fenômeno recente, entretanto, se cada vez mais as pessoas viajam para diferentes países, por diferentes motivos, era de se esperar que estes deslocamentos possibilitassem um crescimento no número de casamentos de pessoas de diferentes culturas. Para Piller (2007), 3 aspectos são fundamentais para este crescimento: “o aumento da mobilidade internacional; o aumento do fluxo de dados internacionais; e um maior intercâmbio cultural internacional” (p. 343)

Piller (2007) constatou em seu estudo, intitulado Cross-cultural communication in intimate relationships, que “a maioria dos casais participantes se conheceram quando um dos parceiros estava no exterior enquanto estudante de intercâmbio. Outros conheceram-se enquanto um ou ambos parceiros estavam trabalhando no exterior.” (p.344)

Ferreira e Ramos (2011), ressaltam a importância dos casamentos transnacionais,

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Em São Tomé a rede de hotel Pestana tem muita influência na economia local e nas atividades sociais.

65 (...) na medida em que: i) representam uma diminuição da distância social entre grupos sociais minoritários e grupos dominantes e ii) porque sendo o casamento um mecanismo para a transmissão de valores e práticas culturais específicas às gerações vindouras, terá efeitos ao nível da definição das fronteiras sociais, constituindo-se como potencial motor de mudanças demográficas e sociais. (p.61)

Não é objetivo deste trabalho, discutir como o matrimónio foi ou não importante na integração destes professores, entretanto, os fatores facilitadores de integração dos sujeitos serão apontados já no próximo capítulo, dentre os quais a família está presente. Porém, o fator casamento apareceu com frequência no discurso destes professores e não poderia deixar de ser citado enquanto grande fator motivacional para estes sujeitos migrarem para Portugal.

Sendo assim, após apresentar as motivações destes professores em migrarem, apresento no capítulo a seguir, as expectativas, as limitações e os facilitadores de integração destes sujeitos em sua chegada em Portugal.

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Capítulo 4 – Das expectativas ao real: chegar a Portugal e se