CHAPITRE II: MATERIAUX ET METHODES
II- 5.3 Mesures thermiques
Tendo em conta os objectivos que nos propusemos alcançar, foi nossa pretensão identificar as atitudes dos reclusos lusos e ciganos relativamente ao ensino recorrente na prisão. Para tal recorreu-se a catorze itens, podemos verificar, no quadro 6 que, de um modo geral, os reclusos lusos e ciganos têm uma atitude positiva em relação a esta.
Quadro 6 – A relação entre a etnia dos reclusos e as atitudes destes relativamente à escola Etnia Ciganos Lusos Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão
Os meus companheiros são bons estudantes. 2,55 1,28 3,19 1,09
A maior parte dos meus companheiros estão a
planear continuar a estudar. 2,28 1,26 2,86 1,14
Os meus companheiros estudam muito na prisão. 2,33 1,23 2,97 1,04
Os meus companheiros levam a escola a sério na
prisão. 2,65 1,31 3,14 1,05
Os meus companheiros conseguem bons
resultados na escola na prisão. 2,68 1,31 3,40 1,03
Tenho sucesso. 4,03 1,17 4,56 0,70
Trabalho bem na escola, dentro da prisão. 3,43 1,38 4,19 0,92
Aprendo novas matérias rapidamente. 3,38 1,41 3,99 1,07
Estou confiante que sou capaz de ter sucesso na
escola, na prisão. 3,98 1,35 4,68 0,57
Estou confiante das minhas capacidades escolares. 2,93 1,25 3,73 1,01
Os meus professores (as) fazem com que a
aprendizagem seja interessante. 3,20 1,30 4,03 1,00
Na prisão, a escola é interessante. 3,10 1,24 3,60 1,09
Gosto da escola, na prisão. 3,10 1,43 3,89 1,04
Gosto dos meus professores (as). 3,35 1,29 4,32 0,77
Os reclusos lusos apresentam médias mais elevadas em todos os itens, referentes às atitudes em relação à escola, também nós pelas nossas observações e entrevistas realizadas aos reclusos, concluímos que os reclusos de etnia cigana desvalorizam mais o ensino do que os lusos. Nas palavras de um participante no estudo de etnia cigana “a escola é
importante só para os rapazes e homens”66 uma vez que, pode proporcionar uma vida melhor, em contrapartida, para as raparigas, ou mulheres a escola não as beneficia “podem-se perder e temos medo do falatório”, ou seja, dependendo do género, assim, atribuem mais ou menos importância à escola.
A média mais elevada para os reclusos lusos é (4,68) “Estou confiante que sou capaz de ter sucesso na escola na prisão” e “Tenho sucesso” (4,56), o que significa que se sentem auto-confiantes relativamente às percepções académicas. Pelo contrário as médias mais baixas verificam-se “A maior parte dos meus companheiros estão a planear continuar a estudar” (2,86) e “Os meus companheiros estudam muito na prisão” (2,97).
Os reclusos ciganos apresentam médias mais elevadas no item “Tenho sucesso” (4,03) seguindo-se “Estou confiante que sou capaz de ter sucesso na escola na prisão” (3,98). As médias mais baixas verificam-se nos mesmos itens que os lusos, ou seja, “A maior parte dos meus companheiros estão a planear continuar a estudar” (2,28) e “Os meus companheiros estudam muito na prisão” (2,33).
Com este estudo pretendemos analisar as atitudes dos reclusos lusos e ciganos. Assim, o conjunto inicial de atitudes destes em relação à escola, composto por 14 itens foi sujeito a uma análise factorial. Emergiram 3 factores, atendendo a que o item 13 “Estou contente por frequentar a escola, na prisão” tinha saturações elevadas (superiores a 0,40) nos factores 1 e 3, por esse motivo este item foi eliminado. Deste modo, o factor 1 é composto por 5 itens, o factor 2 por 5 itens e o factor 3 por 4 itens. Estes 3 factores explicam 70,08% da variância total.
A finalidade essencial da análise factorial é minimizar o número de variáveis para interpretar o fenómeno de interesse e levantar hipóteses que reúnem as variáveis como princípio usual de variação, isto é, que descrevem e interpretam as especificidades fundamentais de uma área de conhecimento.
O quadro 7 apresenta as contribuições superiores a 0,50 para os 3 factores mencionados.
No factor 1 surgem 5 itens que evidenciam algumas atitudes que os
reclusos têm relativamente aos seus companheiros, como por exemplo, a
ideia acerca das suas qualidades de estudantes (0,83), sobre a intenção de prolongarem os seus estudos (0,81), além disso, mencionam que os seus companheiros estudam muito na prisão (0,78).
Também no factor 2 irrompem 5 itens, no entanto, estes factores estão relacionados com as percepções académicas dos reclusos lusos e ciganos como, por exemplo, a sensação do sucesso escolar (0,81), a opinião de que trabalham bem na escola dentro da prisão (0,80) e da facilidade de aquisição de novas matérias (0,78).
O factor 3 é constituído por 4 itens que revelam algumas atitudes
em relação à escola como, por exemplo, o facto dos reclusos
reconhecerem que os professores contribuem para que a aprendizagem seja interessante (0,83), e reconhecerem ainda que a escola é interessante (0,73), afirmando mesmo que gostam da escola (0,73).
Quadro 7 – Contribuição factorial dos itens das atitudes dos reclusos em relação à escola
Atitudes em relação aos companheiros Factor 1
Os meus companheiros são bons estudantes. 0,83
A maior parte dos meus companheiros estão a planear continuar a estudar. 0,81
Os meus companheiros estudam muito na prisão. 0,78
Os meus companheiros levam a escola a sério na prisão. 0,77
Os meus companheiros conseguem bons resultados na escola na prisão. 0,74
Percepções académicas Factor 2
Tenho sucesso. 0,81
Trabalho bem na escola, dentro da prisão. 0,80
Aprendo novas matérias rapidamente. 0,78
Estou confiante que sou capaz de ter sucesso na escola, na prisão. 0,78
Estou confiante das minhas capacidades escolares. 0,70
Atitudes em relação à escola Factor 3
Os meus professores (as) fazem com que a aprendizagem seja
interessante. 0,83
Na prisão, a escola é interessante. 0,73
Gosto da escola, na prisão. 0,73
Gosto dos meus professores (as). 0,70
% Variância 25,72 25,22 19,13
% Variância acumulada 25,72 50,95 70,08
Através do teste Alpha Cronbach, avaliámos a consistência interna destes três factores, cujos valores são, para o factor 1 α=0,90, para o factor 2 α=0,90, para o factor 3 α=0,83. Atendendo ao número restrito de itens em cada um destes factores, podemos considerar estes valores muito satisfatórios.
Depois de agrupar as atitudes dos reclusos em relação à escola em 3 factores, constataremos a seguir de que modo se diferenciam conforme a etnia.
Quadro 8 – As atitudes dos reclusos relativamente à escola consoante a etnia
Etnia Ciganos Lusos Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão
Atitudes em relação aos companheiros 12,48 5,41 15,56 4,43
Percepções académicas 14,80 4,18 17,41 2,65
Atitudes em relação à escola 15,68 5,63 19,57 3,96
Ao analisarmos o quadro 8 podemos verificar que, no que se refere às atitudes em relação aos companheiros ocorrem diferenças estatisticamente significativas segundo a etnia, F (1, 155) = 12,83, p<0,05. O valor médio das atitudes em relação aos companheiros é mais elevado nos lusos (M= 15,56) que nos ciganos (M= 12,48).
No que se refere às percepções académicas, uma vez mais, verificamos que o efeito da etnia é significativo, F (1, 155) =21,01, p<0,05. Relativamente às percepções académicas podemos constatar que os reclusos com mais auto-confiança na sua vida académica são os lusos (M= 17,41) em relação aos ciganos (M= 14,80).
Quanto ao facto das atitudes que o recluso tem em relação à escola, o efeito de etnia é novamente significativo estatisticamente, F (1, 155) =22,99, p<0,05. Face às atitudes em relação à escola, o valor médio é uma vez mais, elevado nos lusos (M= 19,57), que nos ciganos (M= 15,68).