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3.6.1.4 Autres facteurs influent la dégradation

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CHAPITRE I: ETUDE BIBLIOGRAPHIQUE

I- 3.6.1.4 Autres facteurs influent la dégradation

Ao contrário do que se crê, “ a mulher cigana goza no seio da família, de todo o respeito e admiração que o seu papel de mãe sobretudo lhe outorga” (Heredia, 1974, p. 67).

Os não ciganos permanecem com a ideia que as mulheres ciganas são exploradas pelos seus maridos, mas segundo este autor tal não se verifica e não passa de um estereótipo aplicado ao cigano sem o mínimo dos fundamentos. Os estereótipos estão intimamente ligados a uma ideia fixa, enfática, preconcebida e pejorativa, sobre determinadas ideias, não se apoiando numa observação objectiva da realidade. “Os estereótipos são um conjunto de crenças que se associam a grupos sociais. Estas crenças geralmente são simples, muitas vezes generalizadas de modo excessivo e frequentemente erradas. Contudo, certos especialistas do assunto sublinham que os estereótipos não são necessariamente incorrectos, ilógicos ou rígidos e que não são de modo inerente diferentes de outras generalizações. Por outras palavras, trata-se de generalizações acerca dos

atributos de categorias de pessoas, como por exemplo, grupos étnicos, sexuais e etários” (Neto, 2002, pp. 253-254).

A mulher cigana tem um papel fundamental e primordial a desempenhar que é ser mãe, aos vinte anos já deve estar casada e ter pelo menos dois filhos. Homens e mulheres têm papéis e tarefas bem delimitadas. À mulher cabe desempenhar as funções que normalmente lhe estão associadas.

A mulher obedece e submete-se à vontade do homem. Heredia (1974) ressalva que a obediência não é escravidão e submissão não é anulação absoluta da personalidade.

Heredia citando Mateo Maximoff resume em poucas palavras a vida da mulher “calí”26: “Em pequena obedece ao seu pai; em jovem, obedece ao seu pai e irmão; uma vez esposa, obedece ao seu marido; já velha obedece aos seus filhos” (1974, p. 69).

A mulher cigana é fiel, solidária, companheira. O homem reconhece- o e ela sabe o papel que representa na vida do seu marido e da sua família.

Desde o seu nascimento a mulher cigana já tem marcado o seu destino e o pai cigano tem três objectivos traçados para as suas filhas, que são: a virgindade, o matrimónio e perpetuar a espécie.

A criança do sexo feminino com 7/8 anos cozinha, trata dos irmãos, enquanto a sua mãe se ocupa de outras tarefas.

Após tornarem-se mulheres são: constantemente vigiadas, os seus futuros sogros sabem todos os pormenores acerca delas, vivem com a noção de estarem a ser sempre vigiadas, se forem frequentemente vistas a conversarem com um jovem, são excluídas, do grupo de jovens livres (Heredia 1974).

“A verdade é que a mulher cigana ocupa no seio da família um lugar insubstituível e de reconhecido valor” (Heredia, 1974, p. 67).

2.3. Casamento

Presentemente “o matrimónio entre ciganos é um acto livre, pessoal e de comum aceitação por parte de ambos os contraentes” (Heredia, 1974, pp. 79-80). No entanto, existem excepções segundo o autor “o que apenas existe entre nós são os matrimónios combinados já na infância entre os pais das criaturas e menos se já estão em idade casadoira” (Heredia, 1974, p. 82).

Normalmente, o casamento é celebrado durante a adolescência. O casamento é uma das tradições mais enaltecidas e protegidas entre os ciganos pois permite perpetuarem “(…) a pureza racial através dos matrimónios. Os ciganos, há muitos séculos, procuramos consorte entre os próprios membros da raça.” Algumas das razões apontadas pelo autor são: “o temor não só do possível fracasso do contrato matrimonial, mas também, velando pela continuidade da estirpe” (Heredia, 1974, p. 62).

O pedido da noiva em casamento, acção que é atestada por alguns membros do grupo e que se baseia em o noivo expressar oral e abertamente através dos seus pais o pedido aos pais da noiva. Diante os presentes questionam-se os noivos “se aceitam”, se a resposta for afirmativa combina-se o dia da boda, ao mesmo tempo que se festeja o compromisso selado.

Acordado, o matrimónio, com o consentimento “das famílias de ambos os jovens, o período de noivado entre ciganos costuma ser curto” (Heredia, 1974, p. 82). No decurso do noivado é absolutamente, proibido os noivos estarem ou encontrarem-se sozinhos.

O matrimónio e os convites para essa festividade são transmitidos por via oral, a palavra vai passando, comparecendo na cerimónia ciganos de vários locais do país, inclusivamente, chegam a vir de outros países. Para a boda não são convidados os ciganos que forem “contrários” ou inimigos (caso já tenha acontecido problemas entre famílias “desavenças de sangue”).

O casamento é a maior festividade dos ciganos. Através dele o cigano conquista o papel social de adulto e como consequência resulta um

acordo social entre grupos, aos quais os noivos pertencem (Liégeois, 2001, p. 56).

O casamento cigano, regra geral, tem muitos convidados, usualmente, a festa é feita ao ar livre ou em espaços abertos; os convidados comem o que quiserem e quando quiserem têm a possibilidade de servirem-se ou serem servidos. A festa chega ao seu termo quando termina a comida, as bebidas e quando o último convidado abandona o recinto; o contentamento, a alegria e o entusiasmo são garantidos por grupos e indivíduos oriundos das mais diversas zonas do país, contribuindo para que a boda cigana seja um sucessivo motivo de alegria.

Nesta cerimónia, a ocasião mais importante é o momento da “prova de virgindade”. A comprovação da virgindade da jovem perante o grupo, só pode ser efectuada por uma “ajuntaora”27, uma anciã com prática confirmada nesse campo, porém, tal acção só pode ser assistida pela mãe da noiva, pela sogra e por um pequeno grupo de mulheres casadas que pertençam quer à família do noivo, quer da noiva e que queiram participar nesse ritual. “Só as mulheres casadas podem presenciar a cerimónia, e dessas só as que casaram com o rito da boda cigana” Nunes (1996, p. 225).

Feita a “prova” é selado o matrimónio em rigoroso respeito à “lei cigana”. Logo que, a noiva sai da “prova” volta para junto dos convidados que a aguardam, a cantarem canções em “Romani”, levando a noiva em direcção ao noivo e estes em direcção ao centro do local da festa, e todos juntos, cantam e dançam.

Para chegar a este ponto, onde reina a alegria e o orgulho da família a noiva “(…) dá por muito bem empregues os momentos de solidão e de vigilância a que foi submetida. Ver a expressão de gozo no rosto de seus pais e irmãos, naquele momento crucial, é a maior satisfação que a jovem cigana pode receber porque sabe que foi fiel a um dos mandamentos mais importantes da sua raça” (Heredia, 1974, p. 83).

Caso contrário “uma jovem que não conserve a virgindade, perde toda a possibilidade de casamento e, por isso, o respeito da sua família,

que vê frustrada a esperança de ver engrossar as fileiras do clã; tudo isto sem contar com a vergonha e a afronta que isto representa para a honra e prestígio familiar” (Nunes, 1996, p. 210).

Após o matrimónio o casal passa a residir com os pais do noivo. Até que nasce o primogénito, ocasião em que irão residir na sua própria casa.

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