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5.1.2 « Plus on est formé, plus on se forme »

9.3 Les mesures

A prestação de cuidados de saúde de qualidade tem-se constituído um importante objecto de estudo nas Instituições de saúde. No que diz respeito à Enfermagem, tem-se verificado desde a década de 90 o intuito da OE em introduzir estratégias que reforcem e assegurem o desen- volvimento profissional e a qualidade do exercício profissional, nomeadamente com a criação do Modelo de Desenvolvimento Profissional (MDP). Um dos requisitos à operacionalização do MDP é a Acreditação da Idoneidade Formativa dos CPCE para que as Unidades de Saúde onde os Enfermeiros desenvolvem o seu trabalho possam ser palco para Estudantes e Enfermeiros realizem o Exercício Profissional Tutelado e o Desenvolvimento Profissional Tutelado. Neste contexto, a implementação do Processo de Supervisão Clínica em Enfermagem na prá- tica clínica e análise do seu impacto na qualidade dos cuidados assume-se como uma questão de interesse internacional, mas também, como um grande desafio para o processo de melho- ria dos cuidados e para o desenvolvimento profissional dos enfermeiros em cada contexto de trabalho.

Quando se fala em Idoneidade Formativa dos CPCE apela-se às características que os contex- tos têm ou deverão ter para que se possam prestar cuidados de enfermagem de qualidade e desta forma socializar os enfermeiros em contextos de prática adequados e numa cultura de prestação de cuidados e de desenvolvimento profissional compatível com os referenciais da profissão (Ordem dos Enfermeiros, 2010a).

O referencial proposto para avaliação da Idoneidade Formativa dos CPCE assenta nos Enun- ciados Descritivos dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, sendo o enun- ciado relativo à organização dos cuidados de Enfermagem o eixo organizador das diferentes dimensões a considerar na Acreditação da Idoneidade Formativa dos CPCE (Ordem dos En- fermeiros, 2011). A Idoneidade Formativa dos CPCE constitui-se por isso como um critério proporcionador de ambientes favoráveis à qualidade e à segurança dos cuidados de Enferma- gem, assim como à Supervisão Clínica.

Cabe então às Instituições de saúde adequar os seus recursos e criar condições de idoneidade formativa para efeitos de reconhecimento e acreditação pela OE, que, por sua vez, é respon- sável pelo reconhecimento da idoneidade formativa dos CPCE e competências do Supervisor Clínico com base num referencial de acreditação, que engloba várias dimensões organizadas

em diferentes critérios monitorizados através de indicadores obrigatórios e/ou de excelência. É a partir do referido referencial que se desenvolverá a avaliação diagnóstica de dois CPCE pertencentes à mesma Instituição de saúde. Com base nos resultados obtidos, poderão ser desenvolvidas estratégias no sentido de potenciar os contextos analisados a constituírem-se ambientes favoráveis à aprendizagem e desenvolvimento profissional dos enfermeiros, assim como, a elevar a qualidade dos cuidados de enfermagem e garantir a segurança dos mesmos. Com a presente comunicação pretende-se proporcionar um momento de reflexão e debate entre os participantes, partindo da análise dos contextos de prática clínica à luz do referencial desenvolvido pela OE. A partir do debate pretende-se estimular os Enfermeiros a realizarem a análise diagnóstica dos seus contextos de prática clínica e assim dinamizar a implementa- ção do MDP e a Acreditação da Idoneidade Formativa dos CPCE.

Metodologia

Participantes

Para realização do diagnóstico de situação consideraram-se como participantes do estudo os informadores chave, os quais são elementos fundamentais, não só para esta etapa em con- creto, mas também para a implementação e desenvolvimento de estratégias que visem a promoção da idoneidade formativa dos contextos de prática clínica em causa. Assim consti- tuíram-se como informadores chave duas Enfermeiras Coordenadoras de Departamentos, as Enfermeiras Chefes e as Enfermeiras responsáveis pela coordenação da formação em serviço dos contextos de prática clínica analisados.

Instrumentos

O instrumento de análise utilizado no estudo foi uma tabela de monitorização construída pelas Enfermeiras a partir do referencial desenvolvido pela OE para Avaliação da Idonei- dade Formativa dos CPCE (Ordem dos Enfermeiros, 2010b). Este instrumento tem por base os enunciados descritivos dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, onde o enunciado relativo à “organização dos cuidados de enfermagem” é o eixo organizador das diferentes dimensões, as quais são consideradas no processo de acreditação da idoneidade formativa dos CPCE.

As dimensões constantes no referencial de avaliação preconizado pela OE e considerados no instrumento são: “quadro de referência para o exercício profissional de enfermagem”, “siste- ma de melhoria contínua da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros”, “sistemas de informação e registos de enfermagem, organizado em torno da sistematização do processo de tomada de decisão”, “satisfação profissional dos enfermeiros”, “dotações seguras em enfer- magem”, “política de formação contínua de enfermeiros” e “metodologias de organização de cuidados de enfermagem”. Cada categoria considerada organiza-se em critérios, que são sub- divididos em indicadores obrigatórios e de excelência a cumprir no 1º triénio de implemen- tação do processo de acreditação definido pela OE (Abril 2011 a Abril 2014), sendo que, foi a partir destes últimos que se realizou a avaliação dos contextos de prática clínica considerados.

Procedimentos

O instrumento referido anteriormente foi aplicado aos dois contextos de prática clínica em análise através de entrevistas informais aos informadores-chave.

Durante o estudo foram sempre garantidas a confidencialidade e anonimato das unidades prestadoras de cuidados, assim como dos participantes do estudo.

Análise dos resultados

Após a aplicação do instrumento de monitorização nos dois CPCE verificam-se resultados iguais, pelo que os valores constantes na tabela 1 não apresentam distinção por CPCE.

Tabela 1 – Monitorização de 2 Contextos de Prática Clínica em Enfermagem Dimensão 1 – Quadro de referência para o exercício profissional de enfermagem

N.º Critérios N.º Indicadores obrigatórios Cumpre Não cumpre N.º Indicadores de excelência Cumpre Não cumpre

2 3 2 1 2 1 1

Dimensão 2 – Sistema de melhoria contínua da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros N.º Critérios N.º Indicadores

obrigatórios Cumpre Não cumpre

N.º Indicadores de

excelência Cumpre Não cumpre

4 3 2 1 6 4 2

Dimensão 3 – Sistemas de informação em enfermagem, organizado em torno da sistematização do processo de tomada de decisão N.º Critérios N.º Indicadores obrigatórios Cumpre Não cumpre N.º Indicadores de excelência Cumpre Não cumpre

2 1 1 0 2 2 0

Dimensão 4 – Satisfação profissional dos enfermeiros N.º Critérios N.º Indicadores

obrigatórios Cumpre Não cumpre

N.º Indicadores de

excelência Cumpre Não cumpre

1 1 0 1 1 0 1

Dimensão 5 – Dotações seguras em enfermagem

N.º Critérios N.º Indicadores obrigatórios Cumpre Não cumpre N.º Indicadores de excelência Cumpre Não cumpre

3 4 2 2 1 0 1

Dimensão 6 – Política de Formação Contínua de Enfermeiros N.º Critérios N.º Indicadores

obrigatórios Cumpre Não cumpre

N.º Indicadores de

excelência Cumpre Não cumpre

2 4 4 0 2 1 1

Dimensão 7 – Metodologias de organização de cuidados de enfermagem

N.º Critérios N.º Indicadores obrigatórios Cumpre Não cumpre N.º Indicadores de excelência Cumpre Não cumpre

1 2 2 0 2 1 1

Total

N.º Critérios N.º Indicadores obrigatórios Cumpre Não cumpre N.º Indicadores de excelência Cumpre Não cumpre

15 18 13 5 16 9 7

Ao analisar a tabela 1 constata-se uma elevada percentagem de indicadores que estão de acordo com o que é pretendido pela OE, tanto dos indicadores obrigatórios (72,2%) como dos indicadores de excelência (56,25%). No entanto, se para a Acreditação da Idoneidade Forma- tiva dos CPCE analisados for exigido o cumprimento de 100% dos indicadores obrigatórios, ambas os CPCE não teriam acreditação.

Face a isto, importa perceber quais os indicadores obrigatórios que não foram cumpridos (tabela 2).

Tabela 2 – Indicadores obrigatórios não cumpridos Dimensão Indicadores obrigatórios não cumpridos

1 Participação informal dos Enf. do contexto da prática clínica na elaboração do plano de actividades 2 Formação realizada a pelo menos 10% dos Enf., relativa aos PQCE

4 Estabelecida forma de avaliação da satisfação dos Enfermeiros 5 Ter pelo menos 2 supervisores clínicos certificados pela OE

Discussão dos resultados

Quando analisados os dois contextos constata-se que a maioria dos critérios do referencial pre- vistos pela OE para a Idoneidade Formativa dos CPCE estão em conformidade. Verificou-se que em ambos os contextos existem conformidades e não conformidades nos mesmos indicadores de avaliação. Este facto deve-se a serem duas unidades de prática clínica de Enfermagem da mesma Instituição em que muitos dos indicadores que se pretendem ver cumpridos fazem par- te das directrizes de funcionamento da mesma. Daqui ressalta a importância do envolvimento das Instituições para o desenvolvimento da idoneidade formativa dos contextos e a sua acre- ditação.

Alguns dos critérios verificados e que não estão em conformidade com o referencial considera- do devem-se ao facto de ainda não se verificar a operacionalização do MDP, nomeadamente, os indicadores “Ter pelo menos 2 supervisores clínicos certificado pela OE”, ou “Respeito pelo rácio supervisando/número de enfermeiros do contexto de Prática Clínica”.

Os resultados encontrados revelam a importância de delinear estratégias que visem a con- cretização dos indicadores que ainda se encontram em não conformidade com o referencial, propondo-se para tal a realização de uma análise SWOT das duas unidades de prestação de cuidados analisadas.

Conclusões

A formação e a supervisão clínica devem ser encaradas como um projecto conjunto incluindo múltiplos actores: supervisados, supervisores clínicos e equipa multidisciplinar, tratando-se de um sistema complexo, envolvendo uma grande diversidade de Instituições e múltiplos intervenientes, assim com as características dos CPCE.

O presente estudo permitiu realizar um diagnóstico de situação, constituindo-se assim como um ponto de partida para a promoção e desenvolvimento da idoneidade formativa dos CPCE, que neste caso concreto são as unidades de prestação de cuidados analisadas.

A partir do diagnóstico elaborado e segundo a análise SWOT dos resultados obtidos de ambos os contextos clínicos conclui-se que, embora se as duas unidades de saúde fossem submeti- das ao processo de acreditação por parte da OE não seriam acreditadas como contextos de idoneidade formativa, existem oportunidades e pontos fortes de ambos os serviços que são grandes potenciadores para se alcançar a idoneidade formativa preconizada pela OE. Nomea- damente, o facto de existirem em ambas as equipas um número considerável de Enfermeiros especialistas e de Enfermeiros com possibilidade de se candidatarem à acreditação pela OE como Supervisores Clínicos, o facto de um dos serviços ter sido criado em 2012 e o outro ter acreditação de qualidade, e serem serviços que no global são constituídos por elementos jo- vens, e por terem na sua coordenação profissionais interessados na acreditação de idoneidade formativa.

Desta forma constitui-se como um grande desafio delinear estratégias que permitam traba- lhar e desenvolver os contextos, envolvendo toda a equipa de enfermagem e aproveitando e recrutando o potencial de cada um dos elementos para que os contextos analisados atinjam características proporcionadoras de aprendizagem e se tornem ambientes favoráveis ao de- senvolvimento de competências por parte dos Enfermeiros, bem como contextos de práticas de cuidados de enfermagem de qualidade e seguros para os clientes.

Referências bibliográficas

Ordem dos Enfermeiros (2010a). Modelo de Desenvolvimento Profissional: Fundamentos, processos e ins- trumentos para operacionalização do Sistema de Certificação de Competências. Lisboa: OE – Conselho de Enfermagem.

Ordem dos Enfermeiros (2010b). Regulamento de idoneidade Formativa dos Contextos de Prática Clínica. Lisboa: OE.

Ordem dos Enfermeiros (2011). Acreditação da Idoneidade Formativa dos Contextos de Prática Clínica: Estru- tura de Idoneidades, concepção, processos, etapas e funcionamento. Lisboa: OE – Conselho de Enfermagem.

Relevância dos indicadores de estratégias de