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Memory Control

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2.3 Memory Control

O método primário de coleta de dados utilizado nesse estudo foram as entrevistas semiestruturadas empregando protocolos de pesquisas. A entrevista qualitativa é definida como uma reunião para troca de informações entre uma pessoa (o entrevistador) e outra(s) (entrevistado(s)). Ela pode ser do tipo semiestruturada em que baseia-se em um roteiro de assuntos ou perguntas mas deixa o entrevistador livre para fazer outras perguntas a fim de

precisar conceitos ou obter mais informação sobre os temas desejados (Sampieri et al., 2013). O entrevistador pode usar todas as perguntas contidas no roteiro mas também pode alterá-las e adicionar novas questões dependendo da direção que a entrevista tomar (Gray, 2012).

As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas para a realização da análise. Foram utilizadas as regras para a transcrição propostas por Flick (2009). Além disso, no decorrer das entrevistas foi utilizado um diário de campo em que a pesquisadora fez anotações e incluiu reflexões ao longo de cada entrevista. Cumprindo os preceitos éticos da resolução no 510/2016 do conselho nacional de saúde, foi solicitado aos entrevistados a gravação dos dados, explicada a natureza da pesquisa e o uso dos dados exclusivo para fins acadêmicos. As gravações foram guardadas em local seguro e estão sob a responsabilidade da pesquisadora. No início da entrevista, foram apresentados o termo de confidencialidade (apêndice IV) o qual mostra que a pesquisadora manterá as informações em total anonimato e um termo de consentimento esclarecido (apêndice V) que demonstra a concordância dos entrevistados para realização da pesquisa e gravação da entrevista.

Além disso, buscando realizar entrevistas que tenham credibilidade foram adotadas algumas posturas por parte da pesquisadora. Em relação à validade, foi dado espaço aos informantes para que se expressem; foram usados estímulos para que eles ilustrem e aprofundem suas respostas e o conteúdo das perguntas se concentrou diretamente nos objetivos de pesquisa. Com vistas à validade externa, a amostra foi diversificada e composta por sujeitos que participam do fenômeno sob várias perspectivas, assim foram incluídos gradualmente até que não surgiram mais pontos de vistas novos dos dados. As transcrições foram enviadas para cada entrevistado com objetivo de obter a validação deles. Quanto à confiabilidade, foi evitado o viés do entrevistador com o uso do protocolo de entrevistas, impedindo o uso de jargões, de estímulos de forma descuidada e buscando a neutralidade (Gray, 2012).

As perguntas das entrevistas foram formuladas para evitar a ambiguidade com o objetivo de obter respostas sobre o tema na linguagem e na perspectiva do entrevistado. Para a construção do roteiro, foi seguida a lógica de iniciar com perguntas abrangentes e fáceis e, posteriormente, incluir perguntas complexas, perguntas sensíveis e perguntas finais. As perguntas incluídas são abertas e neutras para que motivem o entrevistado a se expressar de maneira extensa e detalhada (Sampieri et al., 2013).

Foi elaborado um roteiro de pesquisa composto por poucas perguntas, tendo uma média de oito questionamentos o que permite o aprofundamento das questões e a obtenção de relatos densos e ricos. Inicialmente, foram feitas perguntas introdutórias as quais podem

proporcionar descrições espontâneas sobre o tema do fenômeno. Essas perguntas são consideradas “quebra-gelo” e têm um papel fundamental na introdução dos outros questionamentos da entrevista (Kvale, 2011).

Após a pergunta introdutória, foram feitas perguntas gerais as quais partem de formulações globais para chegar ao tema que interesse ao entrevistador. Posteriormente, foram feitas perguntas de exemplificação as quais servem como deflagradores de explorações mais profundas, nas quais se pede ao entrevistado que dê um exemplo de um evento, um acontecimento ou uma categoria (Sampieri et al., 2013). O roteiro também contém perguntas de especificação que podem aprofundar questões mais operacionais, buscando encontrar descrições mais precisas e perguntas diretas em que o entrevistador introduz diretamente temas e dimensões, as quais são preferíveis aos aspectos mais posteriores da entrevista depois que os sujeitos tenham dado suas descrições espontâneas (Kvale, 2011).

No decorrer da entrevista, foram feitas perguntas de interpretação para tentar um esclarecimento adicional ou confirmação sobre um tema, por exemplo, “Você quer dizer

então que?”, “É correto dizer que?”. Também foram usadas questões de sondagem,

principalmente quando era solicitado algum relato de situação. Ao fazer essas perguntas, a entrevistadora seguiu pista das respostas, sondando seu conteúdo mas sem afirmar que dimensões eram levadas em consideração. Para ilustrar, a pesquisadora pôde perguntar: “Você tem mais exemplos disso?”, “Você poderia falar mais sobre isso?”, “Poderia fornecer

uma descrição mais detalhada do que aconteceu?” (Kvale, 2011).

A estratégia de fotoelicitação foi associada às entrevistas para estimular a memória dos entrevistados e possibilitar que o informante seja capaz de explicar e identificar o conteúdo daquela fotografia, demonstrando ao entrevistador o seu conhecimento sobre o objeto pesquisado (Merriam, 2009). Foram selecionadas imagens no Google que representam stakeholders envolvidos no desenvolvimento de software. Foi feita uma associação com a lista dos principais stakeholders do desenvolvimento de software apresentada por Rozanski e Woods (2005). Essas figuras, que podem ser visualizadas no apêndice (VI), foram apresentadas a cada stakeholder e, em seguida, direcionados questionamentos a cada uma delas conforme consta no roteiro de pesquisa (apêndice VII)

Esse roteiro de entrevista semiestruturada com fotoelicitação passou por validação de análise com três pesquisadores integrantes do grupo de pesquisa GESTI, além das recomendações recebidas da orientadora. Os pesquisadores analisaram o roteiro, responderam aos questionamentos e sugeriram modificações e melhorias. Essas análises auxiliaram no

aperfeiçoamento da clareza, concisão e encadeamento de ideias das perguntas do roteiro. Ao final da análise dos pesquisadores, foi utilizado o esquema de perguntas (figura 40) proposto por Sampieri (2013) para avaliar as entrevistas-piloto e direcionar melhorias no roteiro de perguntas. Após as análises feitas pelos pesquisadores, a literatura foi novamente consultada para refletir sobre as sugestões apresentadas e as perguntas relacionadas aos construtos da saliência foram reformuladas.

Posteriormente, foi feita uma entrevista-piloto com um gestor de um projeto de desenvolvimento de sistema de uma unidade da UFRN. A entrevista foi realizada no dia 19 de Março de 2019, na sala do gestor e durou 36 minutos e 14 segundos. Essa entrevista foi transcrita em 12 páginas. Em seguida, foi feita a análise dessa entrevista com o objetivo de simular o roteiro e estabelecer uma estrutura de codificação que seria utilizada nas entrevistas da pesquisa propriamente dita. Após a entrevista piloto, o roteiro de pesquisa também foi modificado e foi inserida uma coluna com os aspectos teóricos vinculados a cada questionamento para facilitar a análise. Essa entrevista foi analisada no software Atlas.ti® seguindo os preceitos da análise temática que será apresentada no tópico a seguir, e gerou 70 códigos que foram organizados em uma estrutura inicial de codificação.

Figura 40. Avaliação das entrevistas piloto Nota. Fonte. Elaboração própria, 2019

Após esta fase de pré-texto e entrevista-piloto, foram realizadas entrevistas da pesquisa as quais aconteceram no período de março a maio de 2019. A estratégia utilizada para selecionar esses sujeitos foi a bola de neve, que é uma abordagem para identificar casos de interesse de uma amostra de pessoas que conhecem outras pessoas que têm informações

Avaliação da entrevista piloto

1 - O ambiente físico da entrevista foi adequado (silencioso, confortável, sem perturbações)? 2- A entrevista foi interrompida? Com que frequência? As interrupções afetaram o andamento da entrevista, a profundidade e a possibilidade de fazer todas as perguntas?

3- O ritmo da entrevista foi adequado?

4- O roteiro de entrevista funcionou? As perguntas foram feitas? Os dados necessários foram obtidos? O que pode ser melhorado?

5- Quais dados não vistos originalmente surgiram com a entrevista? 6- O entrevistado foi honesto e aberto em suas respostas?

7- A entrevista toda foi gravada?

8- Evitou influenciar nas respostas do entrevistado? Conseguiu? Foram introduzidos vieses? 9- As últimas perguntas foram respondidas com a mesma profundidade que as primeiras? 10 - Seu comportamento com o entrevistado foi cortês?

11- O entrevistado se chateou, irritou-se ou teve alguma reação emocional significativa? Qual? Isso afetou a entrevista?

12- Você foi um entrevistador ativo?

ricas e podem trazer boas contribuições sobre o caso estudado (Patton, 2002). Inicialmente, foi feito o contato com dois stakeholders, sendo eles um gestor e um analista de requisitos. Após isso, foi utilizada a estratégia de bola de neve para chegar aos demais stakeholders do sistema. No decorrer da primeira entrevista, foram citados três stakeholders determinantes na construção do sistema. Com base nessas citações, foi feita a seleção e obtido o contato com esses stakeholders. Essa foi a principal estratégia para selecionar os stakeholders internos. Para selecionar os stakeholders externos, além da bola de neve que emergiu na fala do analista de requisitos que citou as instituições cooperadas que mais utilizam o sistema, a pesquisa obteve o auxílio do setor de cooperação da SINFO que forneceu o contato de um usuário e um gestor externo que mais demandam solicitações de melhorias para o sistema.

Uma questão importante referente à seleção dos sujeitos é a decisão de quando parar de adicionar casos a pesquisa. Nessa pesquisa, foi seguido o critério de saturação teórica que é utilizado para avaliar o momento mais adequado de interromper a seleção da amostra. Essa saturação teórica ocorre quando o pesquisador não encontra mais informações adicionais e as entrevistas começam a se repetir e a versar sobre as mesmas questões (Flick, 2009). Ao chegar na 11a entrevista, percebeu-se que as falas estavam se repetindo de modo que novos elementos não estavam mais emergindo. Diante disso, foram realizadas mais duas entrevistas que já estavam agendadas. A partir do 13o caso, optou-se pela interrupção da coleta de dados.

A duração das entrevistas variou de 30 a 60 minutos, o que totalizou um áudio de 9 horas e 17 min. Com o consentimento devido, as entrevistas foram gravadas e transcritas. Nesta etapa, a pesquisadora utilizou as regras para a transcrição propostas por Flick (2009), que podem ser visualizadas na figura 41 e concentrou-se na obtenção do máximo de exatidão na classificação e apresentação dos enunciados. Os áudios das entrevistas geraram 156 páginas de transcrição. Essas transcrições foram realizadas por uma profissional, mediante treinamento prévio por parte da pesquisadora.

Layout

Editor de textos Word

Fonte Times New Roman 12

Margem Esquerda: 2, direita: 5

Linhas - espaçamento 1,5

Numeração das páginas No canto superior, à direito

Entrevistador E: Entrevistador

Entrevistado EP: Entrevistado

Transcrição

Ortografia Convencional

Interpontuação Convencional

Pausas

Pausa rápida *; mais de um segundo *n. de segundos*

Transcrição duvidosa (abc)

Em voz alta Com comentário

Em voz baixa Com comentário

Ênfase Com comentário

Palavra interrompida Abc-

Frase interrompida Abc-

Fala simultânea #abc#

Expressões paranlinguísticas Com comentário (por exemplo, suspiros, etc.)

Comentário Com comentário

Citação textual Convencional

Abreviações Convencional

Anonimização Nomes com

Convenções de transcrição

[ Sobreposição de fala

(0.2)

Pausa: dentro e entre os revezamentos dos locutores, em segundos

"Aw::':

Sons ampliados: extensões de som representados por dois pontos, na proporção da duração da extensão

Palavra O sublinhado demonstra o destaque ou a ênfase

"fishi-" Um hífen indica a interrupção da palavra/som ".hhh"

As entradas de ar durante a respiração que sejam audíveis

PALAVRA

O aumento da amplitude é demonstrada por letras maiúsculas

(palavras)

Os parênteses delimitam uma transcrição incerta, contendo "o melhor palpite" do transcritor

Figura 41. Regras para transcrição e convenções Nota. Fonte: Flick (2009)

As transcrições das entrevistas bem como os áudios podem ser acessados pelo link:

http://bit.ly/2IDRVxi. Por razões éticas, a figura 42 mostra o nome fictício dos 13 entrevistados, o cargo na instituição, a data de realização, a duração e a quantidade de páginas transcritas

Nomes Fictícios

Cargo Local de

Realização

Data Duração Quantidade de páginas transcritas Maria Gestora da Diretoria

de Gerenciamento da Informação UFRN 26/03/2019 54:42 14 João Analista de Requisitos - UFRN UFRN 26/03/2019 59:36 14

Lucia Arquivista - UFRN UFRN 28/03/2019 30:19 10

Kátia Técnico-

Administrativa - UFRN

UFRN 28/03/2019 41:20 12

Antônio Secretario Adjunto de Projetos - UFRN UFRN 28/03/2019 51:13 14 José Desenvolvedor - UFRN UFRN 29/03/2019 43:29 11 Raul Assistente Administrativo - UFRN UFRN 04/04/2019 34:08 10 Ângelo Administrador - UFRN UFRN 08/04/2019 30:00 10

Alexandre Analista de Suporte - UFRN

UFRN 08/04/2019 53:15 16

Catarina Diretora de Sistemas UFRN

UFRN 09/04/2019 36:40 11

Anderson Analista de TI UFRN UFRN 23/04/2019 50:38 14

Marcelo Contador- UFGD Skype 02/05/2019 35:25 9

Paulo Diretor de TI - IFC Hangout Google 02/05/2019 37:07 11 Figura 42. Dados das entrevistas

Nota.Fonte. Dados das pesquisa. 2019.

Duas entrevistas foram realizadas à distância pois os entrevistados estão geograficamente distantes e residem em outros Estados. Enquanto que 11 entrevistas foram realizadas presencialmente.

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