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Dans le document 1. Introduction to the MultiTitan (Page 119-123)

Após a escolha da abordagem da pesquisa qualitativa, foi escolhida a estratégia de pesquisa que consiste em um plano de como um pesquisador irá responder a sua pergunta de pesquisa. Também pode ser definida como o elo metodológico entre a filosofia e a subsequente escolha de métodos para coletar e analisar dados (Denzin & Lincoln, 2018). Dentre as estratégias qualitativas, têm-se um amplo número de estratégias formalmente organizadas, tais como: a teoria fundamentada, etnografia, estudo de caso, pesquisa ação, narrativa, etnometodologia, pesquisa feminista, história de vida, estudo de observador participante e estudo fenomenológico (Sampieri, Collado, & Lucio, 2013; Yin, 2016).

Nessa pesquisa, foi utilizada a estratégia de investigação do estudo de caso que é uma estratégia de pesquisa focado no entendimento da dinâmica presente em configurações únicas (Eisenhardt, 1989). É caracterizado pela exploração, por parte do investigador, de um sistema delimitado da vida real, que pode ser um caso ou vários casos, ao longo do tempo por meio da coleta de dados em profundidade envolvendo múltiplas fontes de informação (Creswell, 2014).

Yin (2015, p.17) considera o estudo de caso como uma investigação empírica que analisa um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de mundo real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. O estudo de caso enfrenta a situação tecnicamente diferenciada em que existem muito mais variáveis de interesse que pontos de dados; conta com múltiplas fontes de evidência, com a triangulação de dados e, como resultado, beneficia-se do desenvolvimento anterior das proposições teóricas para orientar a coleta e análise dos dados.

O caso escolhido é o desenvolvimento do módulo Mesa Virtual integrado aos sistemas SIGs da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A questão de pesquisa “Como os stakeholders podem atuar no processo de cocriação de um sistema de informação? favorece o uso do estudo de caso, uma vez que as questões “como” e “por que” são mais explicativas. Além disso, o estudo de caso é utilizado para analisar eventos contemporâneos quando o pesquisador tem pouco ou nenhum controle sobre o evento o que remete ao fenômeno estudado (Yin, 2015).

Esse estudo de caso único é do tipo integrado em que envolve unidades de análise em mais de um nível. Isso ocorre quando, em um caso único, a atenção também é dirigida a uma

subunidade ou mais. Nesse caso único, cada stakeholder analisado constitui uma unidade de análise (Yin, 2015).

Foi escolhido o caso do desenvolvimento dos sistemas SIGs da UFRN por dois motivos. Em primeiro lugar, o estudo do caso único selecionado justifica-se pela sua relevância para o contexto em que foi concebido. Os sistemas SIGs foram desenvolvidos internamente, em um contexto regional e são disseminados e usados em outras instituições em nível nacional. Esses sistemas auxiliam na gestão e na rotina de organizações de todo o país por meio do projeto de cooperação técnica, que permite a transferência de tecnologia e conhecimento entre a UFRN e outras instituições e órgãos da administração pública. A cooperação é realizada a partir da assinatura de termos de cooperação técnica ou do licenciamento de empresas da área de tecnologia, habilitadas pela UFRN para dar apoio ao processo de implantação e manutenção dos sistemas (SINFO, n.d.)

Trata-se de um caso de sucesso não só na gestão da UFRN mas também de outros órgãos. Os sistemas SIGs possuem uma ampla e complexa base de stakeholders. O sistema tem mais de 50 mil usuários e cerca de 23 instituições e órgãos federais utilizando o sistema, tais como, Institutos Federais, Universidades Federais, Polícia Federal, INSS, ANAC. No site da Universidade Federal de Goiás (UFG)5 encontra-se um trecho que ressalta a importância e relevância desses sistemas.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tem se destacado no cenário nacional por ter desenvolvido um projeto de sistemas integrados de gestão, chamados sistemas SIG UFRN, que tem evoluído há mais de 10 (dez) anos, com todo o processo de concepção, análise, projeto, desenvolvimento e implantação desenvolvido por especialistas na gestão universitária, o que garante a sua adequabilidade ao mundo acadêmico. Neste sentido, é consenso entre a maioria dos gestores de IFES que os sistemas SIG UFRN são, nos dias atuais, a melhor solução de software para gestão universitária, motivo pelo qual a UFG decidiu pela contratação dos serviços de implantação desses sistemas para os próximos 4 (quatro) anos (UFG, 2015).

Em segundo lugar, o caso foi escolhido porque oferece a oportunidade de observar e analisar o fenômeno estudado, devido ao acesso aos stakeholders e aos dados que foram coletados junto à SINFO, que é responsável pelo planejamento, desenvolvimento,

documentação e manutenção dos sistemas da UFRN e dos portais da instituição. Vale ressaltar que a pesquisadora é docente da instituição e conhece o contexto de uso e desenvolvimento do sistema.

Esta pesquisa examinou várias subunidades lógicas e grupos de stakeholders dentro da organização, o que envolveu mais de uma unidade de análise, tratando-se de um estudo de caso embutido. As unidades de análise do estudo de caso foram os sujeitos de pesquisa selecionados e analisados. Esses sujeitos representam os principais stakeholders do sistema Mesa Virtual. Foram selecionados stakeholders de diferentes posições organizações, dentre elas têm-se: técnicos administrativos, chefes de unidade, gestores, desenvolvedores, analista de suporte etc. Inicialmente, não foi estabelecido um número de sujeitos a priori, eles foram adicionados à medida em que foram considerados promissores e relevantes para a pesquisa. Essa seleção de entrevistados de diferentes origens e posições, e com diferentes percepções e experiências, aumenta a confiabilidade dos dados e a validade interna dos dados (Yin, 2015).

A figura 38 apresenta o protocolo criado para orientar a pesquisadora durante a realização do estudo, aumentar a confiabilidade e apresentar as práticas adotadas (Yin, 2015).

A) Visão geral do estudo de caso e finalidade do protocolo

1. Missão: Compreender a atuação dos stakeholders na cocriação do Mesa Virtual

2. Proposição: A cocriação do software se dá com a atuação dos stakeholders em diferentes papéis,desenvolvimento de ações e uso de recursos.

3. Estrutura teórica: Modelo de saliência dos Stakeholders (Poder, Legitimidade e Urgência). B) Procedimentos de coleta de dados

1.Acesso ao campo: Contato com diretora da DGI e Analista de requisitos do Mesa Virtual para agendamento das entrevistas e solicitação para permissão de participação das reuniões do comitê.

2. Plano de coleta de Entrevistas: a) Elaboração do roteiro de questões; b) Agendamento das primeiras entrevistas (diretora DGI e analista de requisitos) e identificação dos próximos entrevistados ao final das entrevistas (bola de neve); c) Utilização de gravador de voz e diário de campo.

3. Plano de coleta da Observação: a)Participação das reuniões do comitê; b)Atentar para interações, diálogos e conversas causais sobre as melhorias e solicitações de funcionalidades; c)Utilização de diário de campo

4. Plano de coleta de Documentos: a) Seleção de documento citado nas entrevistas e observação; b) Armazenamento do documento para análise.

C) Questões de estudo de caso 1. Como os stakeholders interagem? 2. Quais canais utilizam para interação?

3. Como é avaliada as sugestões e decidida qual implantar? Existe influência do poder, legitimidade e urgência? 4. Quais as ações e papéis desempenhados pelos stakeholders?

D) Guia para o relatório do estudo de caso

1. Contexto e história do desenvolvimento do Mesa Virtual

2. Exposições a serem desenvolvidas: perfil dos entrevistados; explicação das características da cocriação; elaboração de framework ações, papéis e recursos; aspectos do desenvolvimento do SI; análise do poder dos stakeholders, urgência e legitimidade das solicitações.

Figura 38. Protocolo de estudo de caso Fonte. Adaptado de Yin (2015)

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