Cahier d’exercices
1.3 Le manuel et ses éléments graphiques
nifesta vantagem de aproveitar determinados técnicos especializados, os quais em regra, nos quadros, não sobejam.
Nesta altura da sua exposição, o Conselho, tendo feito referência leve, como não podia deixar de ser, às questões que directamente respeitam à prática do ensino e da investiga ção na sua e nas demais Escolas Agrícolas, precisa ainda frisar um ponto que, indirecta- mente, aliás, lhes respeita também e a nós ou tros professores do Instituto Superior de Agro nomia, como de resto aos que exercem a agro nomia oficial, muito interessa. Referimo-nos, Sr. Ministro, à inadiável adopção de medidas donde resulte, tão rapidamente quanto possí vel, o fazer-se o inventário rigoroso das condi ções da nossa produção agrícola nosjseus aspec tos múltiplos, a par do da propriedade rural que lhe serve de assento. Inquérito agrícola e cadastro rústico são coisas que na hora presente se impõem como de primeira importância, no estudo dos nossos problemas económico-agrí colas, feito com o são propósito de resolvê-los em benefício da Nação.
Interessa tanto a todos, Sr. Ministro da Agri cultura, a solução dêstes casos que, até como simples portugueses cônscios do seu alcance, nos ficaria bem a nós, Conselho Escolar, o chamar a atenção do Govêrno da República para êles. Mas outro pode ser o nosso ponto de vista, colocando-nos mais a dentro da nossa missão de ensino, e êsse é de que tem além de tudo, Sr. Ministro, um valor especial para nós, professores, a adopção destas medidas, porque só elas podem trazer aos nossos estudos, em que o aspecto económico das questões está, as mais das vezes, presente, a base séria com que possam fundamentar-se, o rumo preciso da nossa argumentação didáctica, e a dentro da nossa Escola como fora dela, a segura orien tação da nossa actividade, que deseja bem servir o país, no exercício da profissão; mas para isso precisa antes de tudo bem conhecer êsse mesmo país no que êle é, no que êle vale, e naquilo de que é capaz.
Estas são, Sr. Ministro, no campo da exposi ção de idéias, as considerações que por agora nos cumpre apresentar a V. Ex.a.
Resta-nos pugnar mais uma vez pelos nos sos direitos a prerogativas, em têrmos ele vados, sem animosidade e sem paixão.
Assiste-se em Portugal, na época que atra vessamos, a um mal estar que de dia para dia se agrava e ora se traduz na luta de classes, ora no menosprêzo, em matéria de compe tência, por aquêle princípio são, que a cada um manda não ultrapassar o nível, que natu ralmente lhe marcaram o seu saber e os seus merecimentos.
Vítima dêste êrro de visão, desta tendência usurpadora, foi o Conselho Escolar e com êle tôda a classe agronómica, quando meses atrás se decretou o título de engenheiros-agrícolas para diplomados de ensino agrícola médio, tí tulo êste de falsa nomenclatura, conduzindo a uma fácil confusão com o de engenheiros- -agrónomos que corresponde ao ensino su perior, e confusão que, a dar-se, não ê com certeza a estes últimos que aproveita. Ficou por então no seu auge a chamada questão uni versitária, e a Federação Académica incluiu no número das suas reclamações, que as Uni versidades apoiaram, a dos estudantes da nossa Escola contra o facto citado. Por sua parte o Conselho Escolar representou ao Par lamento; nas mãos de V. Ex.a depõe êle hoje a cópia da sua representação; a questão está de pé, como na sua essência a questão das Universidades. Possa o Govêrno,de que V. Ex.a faz parte, encontrar para estes casos a solução satisfatória que êles comportam.
Com a recente remodelação dos serviços do Ministério da Agricultura, novos atritos se le vantaram, agora com outra classe; é a questão dos serviços zootécnicos para cujo desempe nho vem a ser negada competência aos agróno mos. Desde muito que, em matéria de ensino, a Zootécnia tem estado de preferência entregue à nossa Escola, sucedendo porém que na exe cução dos serviços, por uma incoerência curio sa, essa preferência tem sido dada a médicos- -veterinários. Pensou-se agora em remediar tal incoerência, em pôr, uma vez ao menos, um pouco de lógica na descriminação das compe tências oficiais. Baldado esfôrço; acumulam- -se os protestos; e a questão vai porventura ter a solução menos inteligente e menos jusía.
Para V. Ex.a, Sr. Ministro, apela o Conselho Escolar nesta conjuntura, fornecendo-lhe sé rios elementos de estudo; a memória que de pomos em suas mãos versa o assunto serena- mente, no campo exclusivo dos princípios; pudessem todos ajuizar dela, como V. Ex.a o
pode, e a vitória seria por nós, seria pela lógica que está connosco.
Outra reclamação de significado semelhan te, carece ainda o Conselho Escolar de trazer aqui, renovando nesta parte, anteriores deli- gências. Erradamente, as disposições legais por que se têm regido os serviços da Instru ção Agrícola, confiam indistintamente a um professor da Escola de Medicina Veterinária ou do Instituto Superior de Agronomia, a che fia dos mesmos serviços; o que permitiu, por exemplo, que no decurso do ano de 1918 esti vesse superintendendo em tôdas as Escolas Agrícolas um professor de Medicina Veteri nária. Tal contrasenso legal exige correcção; fiamos do elevado critério de V. Ex.a a solu ção dêste caso.
Finalmente, Sr. Ministro, se até aqui temos produzido respeitoso protesto contra situa ções que revertem em nosso desprestígio, a verdade é que ainda elas teem sido criadas à sombra de decreto que, se as não justifica perante a razão, ao menos as legitima pe rante a fôrça da lei.
Mas até com a inobservância desta mesma lei, vai V. Ex.a ver que tem a nossa Escola sido alcançada. É facto muito recente: trata-se duma ocupação com todo o aspecto de violên cia, que foi feita de dependencias do Jardim Botânico da Ajuda, anexado legalmente ao Instituto, por parte dum batalhão da guarda republicana aquartelado no Paço Velho. Argu mentou-se com um arrendamento celebrado
com os Próprios Nacionais; mas a verdade é que, em face da lei, as citadas dependências são pertença do Instituto e a ninguém mais era lícito dispor delas.
Factos como êste, Sr. Ministro, não são de molde a tranqtlilizar-nos, nem tão pouco os primeiramente apontados trazem ao nosso es pírito a confiança e a boa disposição, que hajam de proporcionar-nos, na tarefa árdua de dia a dia, concentração, eficiêneia no esfôrço e, em suma, a satisfação moral a que temos direito. O Conselho Escolar vindo junto de V. Ex.a a propor-lhe medidas conducentes ao bom desempenho da missão, que lhe compete, jul ga-se crèdor da consideração de V. Ex.a; mas também crê que em nada pode desmerecer dessa consideração, pelo facto de mostrar de sejos de encontrar-se, através dos seus traba lhos, cercado das mais sólidas garantias; daí a orientação que confiadamente demos, Sr. Mi nistro, à nossa diligência de hoje.
Terminamos, Sr. Ministro da Agricultura, por saudar V. Ex.a com respeito e por afirmar, pondo nesta afirmativa o tom da maior since ridade que está no ânimo de todos nós, o pro pósito da mais ampla cooperação, sentindo-se verdadeiramente feliz o Conselho Escolar do Instituto Superior de Agronomia se, por si ou por alguns dos seus membros, puder nos assuntos da sua competência, coadjuvar com eficácia, nesta conjuntura, a V. Ex.a e ao Go- vêrno a que pertence.
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