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1.1 Principes fondateurs

1.1.3 Manipuler l’´ etat d’un syst` eme quantique

Os mecanismos patogênicos da infecção pelo HIV são extremamente complexos e multifatoriais. O curso da doença está diretamente relacionado à capacidade do vírus em destruir o sistema imunológico do hospedeiro e à incapacidade da resposta imune do indivíduo infectado em erradicar a infecção (ABBAS; LICHTMAN, 2005; FAUCI, 2003).

A infecção pelo HIV resulta na perda progressiva da função imune marcada pela depleção de linfócitos T CD4+, dentre outras alterações, deixando o indivíduo propenso a infecções oportunistas, reativação de infecções crônicas e neoplasias características da fase mais avançada da doença – a aids. A progressão da doença depende de fatores inerentes ao vírus, como a virulência da cepa, e também ao hospedeiro, como a idade, características genéticas e co-infecção com outros patógenos, sendo que, no geral, a média de tempo do início da infecção até o desenvolvimento da aids entre pacientes não tratados tem variado entre 7 e 12 anos (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; NIH, 2004; MORGADO et al, 2000; VERGIS; MELLORS, 2000).

O estágio clínico da infecção pelo HIV, bem como o risco relativo de desenvolver infecções oportunistas, está relacionado com a contagem de linfócitos T CD4+, que tem sido utilizada como parâmetro para o acompanhamento da evolução clínica do paciente, juntamente com a quantificação da carga viral (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000; VERGIS; MELLORS, 2000).

A depleção de linfócitos T CD4+ em indivíduos infectados pelo HIV tem como uma importante causa o efeito citopático direto do vírus sobre estas células, com indução de apoptose ou de lise osmótica celular. Além do efeito citopático, a presença do vírus interfere na função normal dos linfócitos T CD4+, levando a falhas da reposta imunológica do hospedeiro frente a outras infecções (ABBAS; LICHTMAN, 2005; ALÒS et al., 2005; NIH, 2004). Contudo, apenas de 2 a 5% dos linfócitos do organismo estão presentes no sangue periférico, encontrando-se a maioria deles nos órgão linfóides que são, portanto, drasticamente afetados pela infecção, desempenhando um importante papel na gênese da imunodeficiência (ALÒS et al., 2005; GUADALUPE et al., 2003). A constante ativação e destruição dos linfócitos T e a secreção de citocinas inflamatórias acabam por destruir o tecido linfóide, que é substituído por tecido cicatricial, resultando em perda de função (NIH, 2004).

Um indivíduo adulto sadio apresenta de 800 a 1.200 linfócitos T CD4+/mm3 de sangue. Durante a infecção pelo HIV, a quantidade destas células no portador do vírus

diminui progressivamente (NIH, 2004). De acordo com critérios do CDC (“Centers for Disease Control and Prevention” dos EUA), os pacientes infectados pelo HIV podem ser enquadrados em uma das categorias a seguir, segundo a contagem de linfócitos T CD4+: categoria 1 − CD4+ ≥ 500 células/mm3, geralmente assintomáticos; categoria 2 – CD4+ entre 200-499 células/mm3, podendo ocorrer alguma sintomatologia incipiente; e categoria 3 − CD4+ < 200 células/mm3, momento em que o indivíduo encontra-se particularmente vulnerável às infecções oportunistas e neoplasias, caracterizando a aids (CDC, 1992; NIH, 2004).

Os critérios de definição de aids devem se adequar às condições diagnósticas laboratoriais e ao perfil de morbidade do país. Desta forma, dentre os critérios adotados atualmente pelo Brasil, tem-se a definição de casos de aids adaptada da classificação do CDC, segundo a qual, em adultos (indivíduos com 13 anos de idade ou mais), além da evidência laboratorial da infecção pelo HIV, faz-se necessária uma contagem de linfócitos T CD4+ < 350 células/mm3 e/ou o diagnóstico de pelo menos uma das doenças indicativas de aids, dentre as 17 listadas pelo CDC e adotadas pelo Ministério da Saúde, para que o portador seja considerado como tendo a síndrome (BRASIL, 2004).

A presença do HIV no organismo e sua constante replicação desempenham importante papel no estado crônico de ativação imunológica observada entre os infectados. A infecção por outros patógenos promove a ativação das células do sistema imune, como os linfócitos T CD 4+, e acaba por estimular ainda mais a replicação viral, contribuindo para a progressão da doença (NIH, 2004).

1.5.1 O comprometimento intestinal na infecção pelo HIV

A mucosa intestinal normal constitui uma importante barreira natural contra infecções, tanto por patógenos extracelulares, como os helmintos e algumas espécies de protozoários, quanto pelos intracelulares (BOTERO et al., 2003). O declínio progressivo dos mecanismos imunológicos humoral e celular de defesa da mucosa intestinal torna o intestino um órgão particularmente susceptível a infecções por patógenos entéricos, dentre os quais podemos citar os parasitos Cryptosporidium sp., Cyclospora cayetanensis, Isospora belli e microsporídios (BOTERO et al., 2003; KAMINSKI et al., 1998; NANNINI; OKHUYSEN, 2002).

O tecido linfóide associado à mucosa intestinal (“gut-associated lymphoid tissue” − GALT) abriga uma população mista de células que inclui linfócitos T (CD4+ e CD8+), linfócitos B, plasmócitos ativados, macrófagos, células dendríticas, eosinófilos e mastócitos, tendo sido incriminado como persistente reservatório do HIV, bem como importante sítio de interação entre o vírus e o hospedeiro, pois vários destes tipos celulares (linfócitos T CD4+, macrófagos, monócitos e células dendríticas) podem ser infectados pelo vírus (BATMAN et al., 1989; CASTELLO-BRANCO et al., 1996; GUADALUPE et al., 2003; KAMINSKI et al., 1998; SMITH et al., 1999). Deste modo, o trato gastrointestinal desempenha importante papel na patogenia da infecção pelo HIV, desde a introdução do vírus no organismo e manutenção da infecção até os estágios mais avançados da doença (SMITH et al., 2003).

Lima et al. (1997) demonstraram em pacientes da cidade de Fortaleza, Ceará, que a infecção pelo HIV está associada com alterações e disfunções intestinais mesmo em pacientes que não apresentam quadros diarréicos. As alterações entéricas causadas pelo próprio HIV, que incluem a atrofia das vilosidades intestinais, podem desencadear a ocorrência de diarréia, má absorção de nutrientes, esteatorréia e diminuição do peso corporal, comumente observados em pacientes infectados pelo vírus, sem que haja a identificação de patógenos associados, ou seja, antes mesmo que o paciente seja acometido por alguma infecção oportunista, o que é definido como “enteropatia da aids” (BRANTLEY et al., 2003; CASTELLO-BRANCO et al., 1996; CLAYTON et al., 2001; HEISE et al., 1991; KELLY et al., 1997; KOTLER et al., 1984; NANNINI; OKHUYSEN, 2002). Porém, a presença de enteropatógenos em portadores de HIV/aids com diarréia, agrava as alterações na mucosa do intestino, interferindo na avaliação do comprometimento intestinal pelo vírus e contribuindo de forma significativa para as disfunções nutricionais, a perda de peso e a redução da sobrevida destes pacientes (BATMAN et al., 1998; KELLY et al., 1997; NANNINI; OKHUYSEN, 2002).

Nos estágios iniciais da infecção pelo HIV, os pacientes infectados são vulneráveis aos mesmos patógenos entéricos que causam diarréia entre indivíduos imunocompetentes, porém, com a progressão da doença, tornam-se susceptíveis a outras tantas desordens oportunistas, principalmente quando a contagem de linfócitos T CD4+ encontra-se abaixo de 100 células/mm3. A reconstituição do sistema imunológico pela terapia anti-retroviral utilizada nos dias atuais, que inclui o uso de inibidores de protease, tem levado a uma modificação na incidência de diarréia entre os portadores de HIV. Paradoxalmente, alguns destes medicamentos utilizados para o controle da infecção pelo HIV podem desencadear alterações gastrointestinais nos pacientes em tratamento, tendo como

conseqüência a ocorrência de episódios diarréicos moderados a severos, sendo necessária a distinção da etiologia da diarréia nestes indivíduos (GASPARINI; PORTELLA, 2004; HAMMER et al., 2002; MONKEMULLER; WILCOX, 2000).