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La prise de notes, une activité d’apprentissage à l’interface de la compréhension et de la production de textes

Chapitre 12. La prise de notes, une activité à l’interface de la compréhension et la production de textes et la production de textes

12.1. Les processus qui interviennent dans l’activité de prise de notes

12.1.2.1. Les méthodes de prise de notes (PDN)

Este estudo sugere que os expatriados portugueses em meio urbano em Angola e Moçambique (maioritariamente Luanda e Maputo) tem bom estado geral de saúde e bem estar psicológico. Este resultado vai de encontro ao fato de os expatriados serem considerados

à partida uma população presumivelmente saudável. No entanto, é provável a ocorrência de problemas de saúde, relacionados ou não com os riscos para a saúde associados ao destino, e, a doença crónica é cada vez menos um obstáculo à expatriação.

Num período de 3 meses, 1 em cada 5 indivíduos referiu novos problemas de saúde e necessidade de assistência médica, sendo cerca de 5% hospitalizados. Para além disso, cerca de 1 em cada 3 indivíduos tinha provavelmente doença psiquiátrica não psicótica (ex. ansiedade e depressão) e 1 em cada 4 indivíduos tinha doença crónica, mais frequentemente hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus, reconhecidos fatores de risco cardiovascular, que surgem frequentemente em combinação.

Trata-se de um estudo, baseado numa amostra de conveniência, em que a distribuição do tempo de expatriação está desviado no sentido de expatriações prolongadas (mediana 3 anos, média 5 anos). Apenas 15% da amostra se encontrava no primeiro ano de expatriação, sendo critério de seleção ter pelo menos 6 meses de expatriação (definição de expatriado). Isto pode significar auto-seleção no sentido de indivíduos já adaptados e completamente integrados no país de expatriação, não capturando aqueles que regressaram antecipadamente ao país de origem por problemas de saúde ou dificuldades de adaptação, mas, mostrando o estado geral de saúde dos que permanecem expatriados. Por outro lado, apesar de tempos de expatriação mais curtos se associarem a maior ocorrência referida de sintomas psicológicos, a frequência de morbilidade psiquiátrica não psicótica e a ocorrência de novos problemas de saúde não foram influenciadas pelo tempo de expatriação. Está também implícito um viés de seleção inerente a uma estratégia de recrutamento através da internet, em bola de neve por mailing

lists e em redes sociais, limitando a população alvo aos utilizadores de internet e não sendo

possível a quantificação da população alvo. No entanto, o acesso a internet está relativamente vulgarizada nesta população. A análise da ocorrência de problemas de saúde pode incluir viés de recordação, sobretudo quando aplicada a todo o tempo de expatriação, razão pela qual houve o cuidado de tentar traçar limites temporais definidos (atualmente, nas últimas 2-4 semanas para o GHQ-12, nos últimos 3 meses, desde o início da expatriação).

Ser expatriado significa estar destacado, de forma temporária, num país ou cultura distinta do país em que foi educado, predominantemente por motivos profissionais, trabalhando em entidades/organizações governamentais, não-governamentais ou privadas, sediadas ou não no país de origem, regressando à pátria quando completada a sua tarefa profissional [105]. Implica permanência prolongada no destino, recurso a infraestruturas locais, integração na comunidade e adaptação à língua e cultura locais. Estão cumulativamente expostos aos diversos riscos para a saúde associados ao destino, passam pelo processo ajustamento pessoal e sociocultural (às condições de vida e ambientais do país anfitrião, ao meio e atividade profissional, às relações sociais e pessoais) inerente à expatriação, a somar às habituais e/ou eventuais necessidades em saúde associadas ao género, idade e comorbilidades. Mantém elos sociais, familiares e económicos com o país de origem que incluem viagens regulares entre o país de origem e o país hospedeiro. Estes aspetos devem ser tidos em conta na preparação do indivíduo para a sua expatriação e no providenciar nomeadamente os recursos que podem ser necessários tanto no país de origem como no país hospedeiro, contribuindo assim para o sucesso da expatriação.

A saúde do expatriado é uma área que envolve o sistema de saúde no país de origem e no país hospedeiro, implicando a preparação e mesmo articulação de ambos na prevenção, promoção e intervenção em saúde, o que pode ser um desafio quando se consideram os contrastes em saúde em países desenvolvidos e em desenvolvimento. A entidade empregadora deve estar comprometida na promoção de saúde do expatriado, acautelando a devida preparação e garantido uma rede de suporte que garanta acessibilidade eficiente e sem constrangimentos técnicos ou logísticos a cuidados de saúde de qualidade no país de destino e no país de origem, salvaguardando evacuação/repatriamento e contemplando cuidados de saúde primários, cuidados de saúde secundários e saúde ocupacional.

Conhecer e monitorizar o estado de saúde geral e psicológico e a morbilidade no expatriado permite antever necessidades em saúde, contribuindo para preparar adequada e fundamentadamente o viajante, assim como para o planeamento no âmbito da prevenção e da gestão e tratamento de doença, garantido acessibilidade eficiente a cuidados de saúde de qualidade no país de destino e no país de origem. Este estudo exploratório foi um ponto de partida, contribuindo para identificar e quantificar morbilidade em expatriados portugueses em Angola e Moçambique. Trata-se de uma população com elevada mobilidade, mal conhecida, mal quantificada e pouco estudada, nomeadamente no âmbito da saúde. O conhecimento e compreensão desta realidade e população torna-se ainda mais importante em face da crescente expatriação civil e popularização de países tropicais e subtropicais como países de expatriação em Portugal, estando Angola e Moçambique entre os principais destinos fora da Europa [11,128]. Para além disso, podem atuar como sentinelas no país de expatriação, podendo fornecer informação para vigilância em saúde.

Na ausência de uma rede de saúde vocacionada para o expatriado e tendo em conta a provável dispersão nos contatos com o sistema de saúde, uma vigilância centrada no expatriado, ainda que baseada na morbilidade referida ou percecionada, permite ganhos em sensibilidade. Recorrer a instrumentos como o GHQ-12 para medir bem estar psicológico, traduzido e validado para a língua portuguesa, confere objetividade, fiabilidade e replicabilidade da informação decorrente de auto-perceção de estado de saúde geral. Este questionário já foi utilizado em diversos contextos e populações, mas não na população expatriada portuguesa, de acordo com a pesquisa bibliográfica efetuada. A utilização de plataformas digitais pode ser uma forma de chegar ao expatriado e obter a sua colaboração, podendo abrir caminho ao desenvolvimento de uma vigilância participativa, como fonte suplementar de informação para estimativas de impacto de doença. A vigilância participativa, independente do contato com o sistema de saúde, pode conduzir a ganhos em sensibilidade, oportunidade, flexibilidade e abrangência, face à vigilância convencional, com menos custos associados [196].

Discussão Final – O viajante na vigilância em Saúde

A Globalização resultou num incremento exponencial nas viagens e no comércio, vulgarizando, massificando e democratizando a circulação internacional de pessoas, animais e bens. Conceptualmente, o mundo tornou-se mais tangível, com distâncias temporalmente mais curtas, com relativização das fronteiras e sociedades interdependentes. No entanto, também facilitou a dispersão e disseminação global de doenças, nomeadamente, com emergência e re- emergência de doenças infeciosas nas mais diversas regiões, independentemente da sua distância geográfica às áreas endémicas. Este contexto reforça a importância de uma vigilância da saúde global e salienta o papel do viajante na vigilância em saúde.

Os viajantes são uma população epidemiologicamente importante devido à sua mobilidade e ao potencial de exposição a doenças e outros riscos para a saúde, com a possibilidade quer de importação de doenças não endémicas no seu país de origem ou de exportação doenças não endémicas para o país de destino. A infeção/doença nos viajantes, assim como a transmissão a outrem, pode ocorrer em qualquer fase da viagem, incluindo na origem, no destino e durante todo o itinerário da viagem.

Assim, o viajante é uma fonte de informação do que se passa no mundo e deve ser encarado como um elemento essencial de vigilância em saúde global. Pode atuar como sentinela, permitindo identificar tendências ou modificações no padrão de doenças infeciosas ou permitir a identificação e deteção precoce de epidemias e de doenças emergentes e re- emergentes. A informação assim obtida tem impacto tanto na área de origem do viajante, como na área onde foi contraída a doença. Se, por um lado, esta informação pode conduzir à emissão de alertas que permitem, a nível mundial e local, uma intervenção precoce e estruturada, que faculte a gestão e a contenção de uma epidemia emergente, por outro lado, e, atendendo a que as manifestações de determinada doença no viajante podem ser diferentes das manifestações no autóctone, esta informação caracteriza riscos para a saúde associados a áreas geográficas específicas, conduzindo assim, à otimização da preparação e aconselhamento ao viajante nas suas diversas vertentes, incluindo na abordagem do viajante com doença após o regresso da viagem.

Perspetivando o viajante e a vigilância em saúde, nesta dissertação de doutoramento, propõe- se uma reflexão não exaustiva nos seguintes pontos e questões, como um contributo para o conhecimento nesta área em Portugal.

1. Repensar e otimizar a vigilância da malária importada em Portugal: