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Lois d’´echelle en fonction de l’´epaisseur de la lame d’eau

3.2 Cisaillement cr´e´e par l’impact d’une goutte

3.2.3 Lois d’´echelle en fonction de l’´epaisseur de la lame d’eau

Muito se tem dito e demonstrado sobre o uso da Internet na educação e na difusão de informação. É também verdade que a viabilidade do desenvolvimento da Internet nos países menos desenvolvidos e/ou regiões periféricas/rurais de certos países do globo tem sido motivo de preocupação. Tem-se verificado um forte crescimento relacionado com as tecnologias da Internet mas esse crescimento tem contribuído para acentuar as desigualdades no acesso às tecnologias de informação entre o Norte e o Sul. Ora, essas tecnologias são consideradas recursos críticos para o desenvolvimento e crescimento da sociedade.

Os países em desenvolvimento que até então não estavam ligados à Internet fizeram-no em 1998 (Kibati, 1999, citado em Chong, 2001). No entanto, o acesso à Internet nestes países está ainda concentrado, principalmente, nas suas capitais e em alguns centros urbanos. Ora, cerca de 70% a 80% da população mundial vive em zonas rurais e, frequentemente, em áreas isoladas, com falta de infra-estruturas básicas, como sendo estradas, serviço telefónico, electricidade e água potável. Isto é, com reduzidas oportunidades de acesso à Internet.

De facto, o acesso à Internet é um problema global. As lacunas em termos de acessibilidade persistem também nos países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos da América, de acordo com o relatório "Digital Divide" realizado pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos da América, em Julho de 1999 (Chong, 2001).

As barreiras ao aumento da acessibilidade da Internet, face ao desenvolvimento das nações, podem ser atribuídas a vários factores, designadamente:

- deficiência ou inexistência de infra-estruturas, o que leva o utente a aguardar por muito tempo uma linha telefónica (Kahle, 1997, citado em Chong, 2001);

- custos elevados das telecomunicações, causados, frequentemente, pelo controlo de monopólio de entidades públicas ou fornecedores dos serviços de Internet localizados no estrangeiro; os utentes dos países em desenvolvimento pagam muito mais do que os dos países industrializados por serviços de qualidade mais baixa (NUA Internet

Surveys, 1999, citado em Chong, 2001); a liberalização e o fomento da competição dos mercados pode ajudar na redução dos custos dos serviços de informação e comunicação mas, por outro lado, esta tendência para a privatização das telecomunicações pode gerar desinteresse pelo desenvolvimento e expansão do serviço em regiões rurais, dada a habitual dispersão dos utilizadores (Garriot, 1997, citado em Chong, 2001);

- número baixo de computadores por pessoa;

- baixo nível de consciência dos decisores e dos responsáveis pelo desenvolvimento; - baixo nível de conhecimentos de informática;

- barreiras linguísticas e culturais;

- receio de que a Internet seja um veículo de mudança de comportamentos, pondo em risco valores, segurança nacional ou mesmo o próprio regime político;

- custo elevado do crédito, que retarda o crescimento das empresas tecnológicas do tipo start-up e

- restrições à exportação de tecnologias, mesmo por parte dos EUA, nomeadamente, na transferência de equipamentos e no acesso à Internet via satélite, para países em desenvolvimento, como a China e a ex-União Soviética.

Estas barreiras têm raízes na mentalidade de alguns dirigentes, na atitude da sociedade face à Internet, na escassez de recursos humanos e financeiros, na deficiência das infra-estruturas de telecomunicações e no fraco nível de suporte local e de entidades internacionais. Aos constrangimentos técnicos referidos, somam-se as políticas governamentais, enquanto factores limitativos.

Não obstante, a Internet parece ter conseguido marcar o seu lugar na sociedade de informação e na nova economia. Reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento e crescimento da sociedade, muitos dirigentes em todo o mundo estão a tomar medidas no sentido de alterar as suas políticas, visando acelerar a sua difusão nos respectivos países.

A Internet e em particular a Web, têm o potencial de aumentar, grandemente, o acesso ao conhecimento e de destruir modalidades de ensino pobres e obsoletas. No entanto, elas podem acentuar a desigualdade social ou de acessibilidade aos recursos ricos da Web. Por um lado, uma aposta forte na implementação de tecnologias pode reduzir o fosso de desigualdade no acesso à informação entre o norte e o sul. No entanto, a tecnologia, por si só, não é suficiente para resolver o problema de acesso à informação. As tecnologias devem ser disponibilizadas, mas vários aspectos devem ser considerados, ao nível de acesso básico, como a flexibilidade na

regulação de políticas e preços. Por outro lado, é imperativo o desenvolvimento e a melhoria das competências básicas em infra-estruturas de informação. O acesso é importante, mas pouco se pode fazer, se a capacidade de seleccionar e de utilizar a informação for desenvolvida de forma deficiente.

Existe, entretanto, um conjunto de pré-requisitos financeiros e técnicos, a fim de que a Internet atravesse regiões e países. Os países e os segmentos sociais mais pobres têm, geralmente, pouco ou nenhum acesso à Internet, computadores e formação dos professores e os alunos de camadas sócio-económicas mais desfavorecidas são detentores de uma educação básica inadequada, incluindo competências deficientes no uso das TIC.

Embora, actualmente, muitos sistemas sejam capazes de promover a aprendizagem interactiva, subsistem ainda muitos constrangimentos de ordem técnica, como largura de banda e de ordem individual e social, como resistência à utilização de novas tecnologias de informação e comunicação, por parte do corpo docente e da instituição (Tschang, 2001).

Uma das dificuldades básicas é resolver os problemas de ordem técnica. Estes exigem recursos financeiros, infra-estruturas e conteúdos. Aparte os recursos financeiros, é necessário criatividade, no sentido de promover práticas e recursos de ensino, nomeadamente, na aquisição de computadores mais baratos, ligações à Internet, acesso a software de domínio público e redes de voluntários. Um exemplo é o caso da African Virtual University (AVU), também conhecida como Universidade Virtual Africana (UVA), em que o Banco Mundial utilizou ajuda multilateral para implementar infra-estruturas e transferir conhecimento, através da ligação das instituições africanas a programas oferecidos por instituições estrangeiras, tornando-se depois essas instituições auto-sustentadas.

À luz destes perigos, há necessidade de uma análise sistémica da forma como a educação virtual pode proporcionar oportunidades educativas para pessoas de todos os estratos sócio- económicos.

A globalização dos mercados e a Internet estão a permitir a criação de universidades virtuais, principalmente em países desenvolvidos, disponibilizando, dessa forma, novas oportunidades de aprendizagem.

Para países ou instituições com fraca capacidade para acederem à Internet e com recursos financeiros limitados, a ajuda técnica e o conhecimento podem ser também disponibilizados através da Internet, incluindo recursos isentos de taxa de utilização, como software de domínio público, dados, documentos e bibliotecas digitais, que fornecem informações sobre investigação e experiências práticas.

No entanto, ter acesso aos cursos e ao software da Web não resolve o problema dos alunos nos países em desenvolvimento. Aliás, pode até agravá-los. Os sistemas desenvolvidos em países ou regiões industrializados nem sempre são adequados à tradição cultural, económica e outras condições dos países em desenvolvimento. Mais ainda, apesar de frequentemente se assumir que as TIC e outras tecnologias não têm contexto cultural, muitas tecnologias e os seus usos têm efeitos desumanizantes ou desestabilizantes nas culturas tradicionais.

Um constrangimento grave que pode limitar a acessibilidade à informação é o problema da língua. Apesar dos avanços ao nível de tecnologias de tradução, está-se ainda longe de ter um tradutor que possa traduzir várias línguas em muitas outras ou atravesse múltiplos contextos. O acesso é também uma questão do projecto e os sistemas podem ser desenhados para tornarem mais amplo o acesso. Um aspecto que merece ser realçado é a necessidade de a interface de utilizador ter que ser acessível a um conjunto de utilizadores, incluindo os de diferentes culturas, línguas e níveis de formação.

Na tentativa de acederem a conhecimento significativo e economicamente viável, as instituições e os alunos têm-se confrontado com novas questões. Uma delas é a proliferação de informação na Internet e a consequente necessidade de filtragem destas informações, em termos de pertinência e fiabilidade. Ora, este aumento dos recursos de informação sem controlo na Internet não corrobora com os objectivos da educação. Uma outra questão é a produção e partilha de conhecimento que seja pertinente, local e globalmente. O conhecimento local pode ser menos valorizado do que o global, mas o desenvolvimento de conteúdos e de indústrias de software ao nível local é importante, visto que contribui para o bem-estar social. O conhecimento local, bem como o conhecimento da história humana são insubstituíveis e, por isso, necessitam ser preservados e tornados acessíveis.

Um outro aspecto que inibe o acesso amplo ao conhecimento está relacionado com as leis de propriedade intelectual e outras formas de restrição à circulação de informação e conhecimento. A tecnologia tem o poder de transformar, potencialmente, todo o conhecimento local em potencialmente global e vice-versa, mas, ao constituir-se instrumento de interesses privados de propriedade intelectual ou vantagens de certos grupos, contribuiu para a balcanização do conhecimento, ou seja, o encerramento deste em redes de acessibilidade privada. O crescimento rápido de intranets é a prova disso. Neste aspecto, é importante o apoio da comunidade internacional, no sentido de se criarem políticas que permitam o acesso ao conhecimento básico à maioria das pessoas, sem descurar as políticas de privacidade e confidencialidade.