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LISTE DES COMPTES

Dans le document REPUBLIQUE DEMOCRATIQUE DU CONGO (Page 124-161)

Classe 8 : Comptes de solde de gestion

13. LISTE DES COMPTES

Na terceira parte da obra O declínio do homem público: as tiranias da intimidade, Sennett (1988) aponta para um retraimento da vida pública em prol de uma individualidade personalizada, cujo desenvolvimento ganha espaço no século XIX. As questões que o autor trata nesta parte são basilares em sua teoria. A reflexão é desenvolvida em quatro partes fundamentais.

Na primeira parte focaliza “a relação entre as condições materiais e a vida pública, da população em geral, da ecologia e a economia das capitais do século XIX, particularmente uma nova forma de economia pública na cidade” (SENNETT, 1988, p. 161). Trata-se dos efeitos dessas condições materiais na personalidade individual19 da vida das pessoas desse período. A análise sennettiana das condições materiais e da vida pública das cidades do século XIX explicitam as mudanças no contexto da urbanização e do capital industrial, do espetáculo e do espectador, momento esse que vai “definindo” não só a sociedade da época, como também, o que temos e somos na atualidade. É um contexto onde temos um grande número de (i)migrantes que engrossam desordenadamente as cidades e, posteriormente, tomam uma forma ordenada, porém, excludente. Uma organização em bairros, cujas definições geográficas são um tanto desordenadas no interior das cidades (as cidades citadas pelo autor são: Paris e Londres). Na medida em que a população aumentava na cidade, “as pessoas foram perdendo cada vez mais o contato funcional umas com as outras nas ruas. Havia mais

19Na compreensão de Nader (1989, p. 168), “a instância pública original aviltou-se e perverteu-se, gerando o predomínio da vida privada. Este é o resultado de um longo processo histórico, um processo em que os próprios termos da natureza humana foram transformados num fenômeno individual, instável e autoabsorvido, que chamamos personalidade”. Na conclusão da obra O declínio do homem público: as tiranias da intimida, ao descrever sobre “as tiranias da intimidade”, Sennett trata dessa questão.

estranhos, e eles estavam mais isolados. O problema da praça fora ampliado para o problema dos quartiers e da vizinhança” (SENNETT, 1988, p. 172).

Tal experiência no período com:

Os aumentos da população, as mudanças na ecologia, as flutuações da nova ordem industrial eram tão grandes que se tornaram traumáticas. A cidade deve ter sido a imagem que cada homem fazia de uma vida a ser evitada: multidões de pessoas desamparadas, desenraizadas e ameaçadoras, sendo a manutenção de uma vida decente uma questão de sorte mais do que de vontade (SENNETT, 1988, p. 178).

Essa realidade, um tanto caótica, causou certo medo de definir os novos “forasteiros/estrangeiros”, começando, assim, um retraimento da vida pública para a esfera privada, que era uma maneira de se defender do público. Para Sennett (1988, p. 179), “este é o grande paradoxo do final do século XIX: enquanto as condições materiais iam se tornando mais conhecidas e regulares, o mundo público ia se tornando cada vez menos estável”. Segundo Nader (1989, p. 166), “a regra básica de conduta no espaço público segundo a civilidade moderna: manter relações que consideram, sobretudo, a distância que a pessoa deve ter com os estranhos”. Era uma maneira de se distanciar não só do mundo público, como também das pessoas que eram consideradas estranhas.

Outro fator socioeconômico, importante neste período de “urbanização” e do “capitalismo industrial”, foi o fortalecimento da classe burguesa, mais precisamente a média burguesia que tomava uma dimensão de desenvolvimento individual, mas não enquanto por organização de classes. “A burguesia cosmopolita tomou, no século XIX, características de uma classe internacional” (SENNETT, 1988, p. 175). O que tem favorecido essa “transformação” fora as novas formas de comércio, proporcionando uma mudança de mentalidade como comércio capitalista. As experiências do comércio varejista das capitais se fortaleceram pelo viés do “fetichismo das mercadorias” (expressão usada por Marx) e das novas “lojas de departamentos” (SENNETT, 1988, p. 181). Essa potencialização do comércio gerou uma multidão de compradores e de consumidores. Essas relações no comércio geram uma espécie de mistificação nas pessoas, nos detalhes da vida das pessoas, mais precisamente nas aparências pessoais do que nas falas, discursos e/ou conflitos. É uma tendência de priorizar a personalidade individual nas relações socioeconômicas neste período. Em direção a essa questão Sennett (1988, p. 186) afirma:

Um dos maiores efeitos do capitalismo sobre a vida pública era o de mistificar os fenômenos públicos; mas a mistificação só poderia ser bem-sucedida se as pessoas estivessem dispostas a acreditar que os objetos estavam investidos com atributos da

personalidade humana. Para entendermos essa crença, precisamos entender uma nova ideia do próprio caráter, que estava em formação.

Esse já é um sintoma psíquico que aparece uma compreensão nova de vida pública no imaginário, diferente da que era no antigo regime, cuja visão era compreendida de forma separada no mundo público e no privado. Agora a privacidade afetou o domínio do público, sinais que encontramos também no “comércio da cidade, nas mudanças que ocorreram nas pequenas lojas e mercados20, que a loja de departamentos havia desafiado” (SENNETT, 1988, p. 186). O privado era o local onde as pessoas podiam se expressar, se inteirar, “mas que precisava ser secreto. No final do século XIX, Engels falava da família privada como expressão de um ethos capitalista” (SENNETT, 1988, p. 187). Essa prática aos poucos gera transformações mais amplas. “Em público, a pessoa observava, expressava-se em termos daquilo que ela queria comprar, pensar, aprovar, como resultado de uma interação contínua, mas após um período de atenção passiva, silenciosa e concentrada” (SENNETT, 1988, p. 187). É de certa forma uma contradição entre o público e o privado, mas que nas relações socioeconômicas do comércio capitalista vai “moldando” uma personalidade como “categoria social” (SENNETT, 1988, p. 188); sinais em evidência da vida moderna que cimentam o novo imaginário na vida das pessoas.

Na segunda parte, Sennett (1988, p. 161) descreve a respeito do “advento da personalidade individual como categoria social”, a partir da interpretação de Balzac e explora “o efeito da personalidade sobre o âmbito público, em termos de vestuário das ruas e dos palcos, nos anos de 1840; no final desta parte o autor encerra contrastando uma revolta contra o imaginário corporal do antigo regime”. É uma nova compreensão que se molda a partir dos efeitos do capitalismo industrial. Essa concepção de personalidade individual como categoria social vai adentrando no domínio público. Uma espécie de crença em si como “transcendência” e como “significado imanente do mundo” (SENNETT, 1988, p. 190). Uma crença na personalidade individualizada no qual se fortalece no privado.

O advento do secularismo, que traz novas impressões do mundo das pessoas, causadas por personalidades individuais e como crença em si, substituiu a transcendência religiosa como representação de uma mística da crença em si como o novo credo, capaz de ler o caráter das pessoas, conforme seus signos representativos. É um processo que intensifica a

20Na ideia habermasiana, “a autonomia dos proprietários no mercado corresponde uma representação pessoal na família aparentemente dissociada da coesão social, é o carimbo autenticador de uma autonomia privada exercida na concorrência” (HABERMAS, 2003, p. 63). Uma autonomia que confere uma consciência de si mesma enquanto família burguesa ao qual acredita no mercado de forma independente.

personalidade como um princípio social, na medida em que as pessoas concebiam como uma representação legítima do eu. Essa caracterização é entendida pela sociedade como uma espécie de coleção de personalidades. Para Sennett (1988, p. 193):

A personalidade criada pelas aparências, controlada, quando for o caso, por autoconsciência de seu próprio passado, espontânea somente por anormalidade, essas novas caracterizações da personalidade começaram a ser usada no século passado para se entender a própria sociedade como uma coleção de personalidades.

Neste contexto, mais amplo que “a personalidade adentrou o domínio público das capitais”, no interior destas cidades. Configurou-se na personalidade uma característica pessoal, seus sentimentos, sua predisposição moral, os códigos pessoais passaram a ser vistos como símbolos psicológicos. Confundem-se as aparências do indivíduo com o próprio indivíduo. “[...] As aparências já não eram mais um distanciamento do eu, mas antes pistas para o sentimento privado” (SENNETT, 1988, p. 194). Uma espécie de crença na personalidade. “Uma fé na aparência imediata como guia para o sentimento interior – e a economia do capitalismo industrial que empurrou a personalidade enquanto uma categoria social para dentro do domínio público” (SENNETT, 1988, p. 194). Essa concepção, além de se tornar uma expressão social, configura uma nova mentalidade, mudanças de estrutura do pensamento, causada pelo secularismo ao qual privilegia o imediato, o real e o ato concreto, aquilo que está ligado ao eu, ao “em si”. Esse pensamento adentra nas relações interpessoais. O eu privado, a personalidade individualizada parece se estabelecer como princípio social. Na leitura de Silva (2018, p. 1):

Para Sennett, a moralidade se desloca do interior do eu em sua relação com o nós, para o interior do eu em relação para a aparência corporal e seus sentimentos pessoais. A tese de Sennett é distinta da tese de Todorov, na qual o espírito das luzes significa o descentramento do eu. Sennett, assim como, Habermas, e mesmo Adorno, pensam que a modernidade não saiu do solipsismo do sujeito. Eagleton que o projeto de transcendência, marcado pelo cunho religioso, como uma forma de aposta, como uma forma que nosso destino estava inscrito em algo fora do mundo agora se desloca para o interior do eu. O fundamento moderno, no qual orbitam as relações estão envoltas por uma subjetividade radical. Para alguns autores isto é a força dos ideais democráticos modernos. O liberalismo significa o reconhecimento da liberdade do indivíduo e de seu valor no mundo. Eagleton pensa que este é um valor importante. Bauman, de certo modo, não deixa de reconhecer este sentido de liberdade dos modernos. Sennett, de outra parte, parece destacar analisando a vida social, que este eu não vem como forma de participação na vida pública com um sentido de nós, mas sim com um sentido do eu privado. Me parece que este diagnóstico está nos liberais modernos.

Essa característica da personalidade como princípio social21 e como caráter de aparência se expressa nas vestes, nas roupas, nas “novas imagens do corpo” (SENNETT, 1988, p. 203). São práticas visualizadas nas roupas e nos costumes em várias décadas da metade do século XIX. Na compreensão de Sennett (1988, p. 203), “são décadas absolutamente importantes. Nelas, a personalidade adentrou o domínio público de um modo estruturado, entrelaçando-se com as forças da produção industrial, através do medium das roupas. As pessoas levavam seriamente em conta as aparências umas das outras nas ruas”. As aparências no mundo cosmopolita era uma maneira de passar sem dar-se conta da realidade vivida no mundo urbano. Neste sentido, pode ser dito que cimenta uma expressão de alienação das pessoas em sociedade.

Esse modo de conceber a personalidade como expressão social pelas aparências, os sentimentos das pessoas poderiam ser lidos pelos detalhes e uma maneira de suprimir esses sentimentos da vida pública era refugiar-se na privacidade, na instituição família, assim, em público não apareceria a definição verdadeira da personalidade. Segundo Sennett (1988, p. 222), a família, em meados do século XIX se tornou “como a antítese da vida pública de seus dissabores: a estável família burguesa”. Para Habermas (2003, p. 63), a ideia de que “a esfera íntima da família tem de si mesma, colide, no entanto, com as reais funções assumidas pela família burguesa e isso inclusive na consciência do próprio burguês”. A família, assim, desempenha um papel importante no processo de valorização do capital na sociedade.

Torna-se importante salientar neste aspecto que via relações na família burguesa, cimenta-se uma concepção narcisista de pessoa, alimentando a imoralidade do espaço público e o temor dos estranhos. É um tanto paradoxal essa prática centrada na família. Mas, no entanto, um efeito contrário a um mundo que prometia e esperava algo mais do mundo público.

Sennett (1988) sublinha já uma “nova” estrutura familiar, mais nuclear, família pequena. A família nuclear se torna a nova forma de entender essa instituição, não mais a família extensiva. A família nuclear assume uma nova função. A família era o lugar das

21Acreditamos que o princípio não aparece explícito por ter como pano de fundo a “falsificação”, a falta de “autenticidade” nas relações do indivíduo com os outros, na maneira de se portar na “convivência” com as pessoas de maneira diversa. Segundo Sennett (1988, p. 47), tal autenticidade predomina em tempos diferentes polida como máscara nas relações sociais. É um paradoxo mascarado com a hipocrisia no mundo moderno como descaso com o mundo público, com uma postura política que a fortalece. Tal prática é consequência da crença no intimismo moderno. A rejeição da autenticidade, como expressão real da vida das pessoas, Sennett (1988), tece essa crítica ao mundo moderno em seu livro O declínio do homem público: as tiranias da intimidade, quando afirma: “as modalidades da autenticidade apagam as distinções entre o público e o privado. As ideias de que a humanidade poderia consistir em manter sentimentos ofensivos para com outra pessoa, de que disfarce e autorrepressão podem ser moralmente expressivos, deixam de ter sentido, sob a égide da autenticidade”. Isto soa subjetividade centrada em si mesmo e evidência de narcisismo.

pessoas expressarem sua personalidade individual. A vida das pessoas distancia-se da semelhança com a vida dos homens com o palco e, consequentemente que, os atores se tornaram “menos expressivos dos seus antepassados” (SENNETT, 1988, p. 241). Assim, “as raízes da personalidade estavam em um novo tipo de crença secular; a natureza transcendente havia sido substituída pela sensação imanente e pelo fato imediato, na qualidade de cerne da realidade” (SENNETT, 1988, p. 241).

No terceiro ponto, segundo Sennett (1988), há uma “nova” imagem de identidade pública das pessoas. O sociólogo “mostra o quanto essa personalização do domínio público criou um novo âmbito de discurso e de silêncio e como, dentro desse âmbito, apenas um tipo especial de gente poderia continuar sendo ator em público” (SENNETT, 1988, p. 161). O refúgio na vida privada toma diferentes dimensões ou se tem uma total reclusa da vida privada ou se assume uma visão de personalidade no domínio público, de maneira mais específica na política. A esse respeito, Sennett (1988, p. 164), cita a interpretação de Walter Benjamin, na qual “Paris era tanto a capital do século XIX quanto intratavelmente única. Foi a relação entre política e cultura que fez de Paris a capital do século XIX [...]”.

Para Sennett (1988, p. 243), “quando a personalidade adentrou no domínio público, a identidade do homem público dividiu-se em dois. Poucas pessoas continuaram a se expressar em público de modo ativo, e conservaram o imaginário do homem enquanto ator que orientava o antigo regime”. Porém, em meados do século XIX, paralelamente surge outra identidade: “era a do espectador. E esse espectador não participava tanto da vida pública quanto em se empedernia em observá-la” (SENNETT, 1988, p. 243). Um espectador passivo, estático e em silêncio, mas que enquanto personalidade individual sentia-se “livre”. O que está em jogo não é só a adesão silenciosa e passiva do indivíduo, mas uma compreensão de política, de responsabilidade pública e de educação. A maneira como é organizada a vida pública moderna, com tais características de passividade, pode perpassar uma concepção de educação, de um processo de ensino e aprendizagem em que o currículo, os conteúdos e os estudantes são apenas receptores.

Molda-se uma visão de sociedade, via uma prática social, ligada a papéis individuais, cuja função articula uma linguagem subjetiva e política na direção da passividade. Sennett (1988) descreve o papel do ator, por exemplo. O ator é aquele que fala bem, que se expressa bem, que faz espetáculo. É a virtude do ator. Cria-se, assim, a “cultura do espetáculo”, um visual de personalidade espelhada no ator que se torna o símbolo do espetáculo. A pessoa cidadã, comparada ao espectador, olha, assiste e escuta silenciosamente o espetáculo. O espectador observa o político silenciosamente. Considera essas pessoas que estão à frente com

uma personalidade superior às demais na sociedade. Nesta ótica, olha-se não tanto o conteúdo do discurso, mas os traços pessoais da personalidade ao se apresentar em público. Assim, o político passou a ser julgado crível naquilo que sua personalidade apresentava. Para Sennett (1988, p. 244), “o conteúdo da crença política retrocede enquanto se faça em público: as pessoas estavam mais interessadas no conteúdo da vida do político”.

Percebe-se uma mudança entre o antigo regime em termos do teatro no século XVIII e a sua compreensão no século XIX. A plateia no antigo regime tinha espaço de se inteirar, de debater e de participar na discussão, enquanto no século XIX, a plateia passou a ser a espectadora, silenciosa frente ao espetáculo apresentado pelo ator. A maioria das pessoas ficava calada, pois pensavam que a sua personalidade não possuía tais características, mas que fantasiosamente acreditavam buscar por mais que achavam que não poderiam chegar ao nível do ator. A própria “concepção arquitetônica do teatro estava orientada para um novo tipo de espectador” (SENNETT, 1988, p. 257). A plateia nesta nova visão do teatro fica como alguém que assiste passivamente. Isto significa que “o papel da plateia é o de ver, não o de responder. O seu silêncio e sua serenidade durante as longas horas das óperas eram um sinal de que havia feito contato com a arte” (SENNETT, 1988, p. 259).

A prática do “silêncio passivo em público é um meio de retraimento; na medida em que o silêncio pode ser conseguido, cada pessoa é livre dos próprios laços sociais” (SENNETT, 1988, p. 263). A passividade parece interferir nas relações com os outros no espaço público. Para Leal (2017, p. 149-150), a passividade leva “a dois tipos de dificuldades: na convivência entre estranhos e na participação consciente no jogo político, em todas as esferas que envolvem tomadas de decisões em um sistema institucional democrático”. Atinge a convivência com os estranhos e, também, o problema das desigualdades sociais, o posicionamento político de discriminação das minorias, são problemas que ficam aparentemente escondidos ou não enfatizados na sociedade.

No entender de Sennett (1988), o silêncio também era uma forma de defesa contra a maneira de se encontrar com os estranhos, de ter novas relações sociais e, inclusive, de se manter alheio frente à sociedade. Por mais que as pessoas estavam no meio público, ao mesmo tempo estavam isoladas e/ou sozinhas. Há uma inversão na relação entre o palco e a rua. Nota-se que “[...] para se entender o espectador como uma figura pública, deve-se finalmente entendê-lo fora do teatro, nas ruas” (SENNETT, 1988, p. 263). O silêncio, então, tem como propósito tomar uma proporção mais ampla na cultura moderna. O espectador:

Está aprendendo que os seus códigos para interpretar a expressão emocional são também códigos de isolamento em relação aos outros; aqui, ele está aprendendo uma verdade fundamental da cultura moderna: que a busca pela percepção pessoal e pelos sentimentos pessoais é uma defesa contra a experiência das relações sociais (SENNETT, 1988, p. 263).

Tal comportamento torna-se o ideal do espectador, centrado em si, característica do narcisismo na família e práticas como espectador. Assim, o silêncio se torna sinônimo de submissão, de ordem no sentido de ausência de “interação social” (SENNETT, 1988, p. 266). “A observação silenciosa como princípio da ordem pública” (SENNETT, 1988, p. 161). Uma sociedade com “multidão” de pessoas solitárias, cujo domínio era da liberdade privada. A solidão, característica do mundo moderno, no qual promete o “eu” da política, mas que realiza a solidão e a cultura do espectador. Sennett (1988) não aposta na realização dos ideais modernos do iluminismo como algo realizado. Antes, parece mostrar o que acontece no avanço da cultura burguesa.

No século XIX, Rousseau “aspirava por uma vida social em que as máscaras tivessem se tornado rostos, e as aparências, sinais de caráter” (SENNETT, 1988, p. 269). O resultado disso, nesse século, foi a “erosão da interação social” (SENNETT, 1988, p. 269), uma cultura pública que se esfacelara e, agora, traça o caminho de uma sociedade que centra seu foco na intimidade das pessoas.

Na terceira parte do livro O declínio do homem público: as tiranias da intimidade, ao

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