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4. P ROBLÉMATIQUE ET MÉTHODE D ’ ANALYSE

2.2. M ÉTHODE PRÉCONISÉE PAR B ERMAN ET SON APPLICATION À A C LOCKWORK O RANGE

2.2.2 Les lectures de l’original

 

Os  modelos  de  modernidade  anteriormente  apresentados  –  são  eles,  o  Art  Déco  e  o  modernista – possuem o desejo de mudança e de rompimento com o contexto arquitetônico do  período. Ambos, de alguma maneira, apropriam‐se de estratégias e formas surgidas a partir das  vanguardas, mas com uma diferença: no caso do Art Déco a apropriação é formal e estética e a  transformação, epidérmica, já a modernista busca viabilizar a proposta de transformar a cidade,  cuja  execução  não  foi  possível  pelos  vanguardistas.  Como  abordado  na  seção  1.2.1,  nas  primeiras  décadas  do  século  XX,  a  possibilidade  de  viabilizar  as  propostas  urbanísticas  modernistas  esbarra  em  barreiras  que  a  inabilitam,  sendo  que  o  “modelo  progressista  (os  CIAM´s,  Le  Corbusier)”  (CHOAY,  1996,  p.10)  só  consegue  ser  efetivamente  aplicado  após  a  Segunda  Guerra  Mundial,  já  o  “modelo  culturalista  (a  cidade  jardim  de  Howard)”  é  de  maior  aceitação por ter características mais “compactas e multifuncionais” (ibidem, p.10).  

 

[...]  O  modelo  progressista  (os  CIAM´s,  Le  Corbusier)  propõe  um  objeto  urbano  fracionado, cujos componentes estandardizados são repartidos no espaço segundo  uma  ordem  funcional  e  geométrica.  O  modelo  culturalista  (a  cidade‐jardim  de  Howard)  é,  ao  contrário,  compacto  e  multifuncional.  O  modelo  progressista  dominou a cena europeia desde os anos 20, mas só recebeu aplicação significativa  após a Segunda Guerra Mundial e a reconstrução. (Choay, 1996, p.10) 

FIGURA 34: Apartamentos na Rua Franklin, Paris/  França (1902‐03), projeto de Auguste Perret  FIGURA 35: Edifício na Rua Vavin, 26, Paris/França (1910),  projeto de Henri Sauvage     Fonte: <http://www.greatbuildings.com/ buildings/Rue_Franklin_Apartments.html>,   acesso em Jul. 2011  Fonte: <http://www.art‐nouveau.wikibis.com/ henri_sauvage.php>, acesso em Jul. 2011    FIGURA 36: Implantação do edifício de Apartamentos na Rua Franklin (1902‐03) de Auguste Perret     Fonte: Própria autora, 2011, sobre base <http://www.greatbuildings.com/buildings/  Rue_Franklin_Apartments.html>, acesso em Abr. 2011   

As  tentativas  de  mudança  do  espaço  urbano  através  da  arquitetura  podem  ser  identificadas já nas décadas iniciais do século XX, como no caso do Edifício de Apartamentos na 

1912.  Em  ambos,  a  verticalização  já  é  um  signo  de  modernidade,  assim  como  o  emprego  de  novas  tecnologias  de  forma  inovadora  (caso  do  uso  do  concreto  sem  remeter  a  formas  pretéritas),  mas  a  relação  do  edifício  com  o  lote  é  o  item  mais  inovador.  Nos  dois  casos,  os  edifícios implantam‐se junto aos alinhamentos determinados pelos lotes, mas, à medida que os  pavimentos se somam uns sobre os outros, a fachada se recua, criando uma nova possibilidade  de interação dos diferentes pisos com o espaço público. (figura 34 e 35) 

No  caso  dos  Apartamentos  na  Rua  Franklin  de  autoria  de  Perret,  o  arqueamento  dos  pisos acima do térreo, cria um terraço e planos como aberturas não paralelos a via (figura 36), já  Sauvage, no Edifício da Rua Vavin, propõe o escalonamento dos pisos, criando diversos terraços  e uma dinâmica em relação aos demais planos alinhados à via pública.  FIGURA 37: Vista geral de Chicago atual em trecho reconstruído pós incêndio de 1871 e da 16th North State  Street  Fonte: Própria autora, 2011, sobre base Google Earth e Google Street View <www.googleearth.com>, acesso  em Abr. 2011    Quase ao mesmo tempo em que Perret e Sauvage projetam e constroem suas obras, os  edifícios  de  reconstrução  da  cidade  de  Chicago  nos  Estados  Unidos  (pós‐grande  incêndio  em  1871) apresentam aspectos formais inovadores – possibilitados pelas novas tecnologias como o  elevador e a construção em aço – mas não se observa o desejo de rompimento com a relação  entre  forma  do  lote  e  arquitetura,  como  se  o  primeiro  já  pré‐determinasse  a  forma  da  edificação. Em Chicago, apesar dos novos modelos urbanísticos para o crescimento da cidade, os  edifícios ainda definem o limite entre o espaço público e o privado ao implantarem‐se junto aos 

alinhamentos (figura 37). As ousadias frente a estes limites são lícitas através de projeções sobre  os  passeios,  ou  seja,  sempre  externas  aos  limites  pré‐definidos  pelas  divisões  em  quadras  e  lotes.  O  Edifício  Carson  Pirie  Scott  Store  (1899‐1904),  de  autoria  de  Louis  Sullivan,  é  exemplar  desta  situação  (figura  38),  apesar  das  linhas  arrojadas,  possibilitadas  pelo  uso  do  aço  como  sistema  estrutural  e  largo  emprego  do  vidro  para  o  fechamento  dos  vãos,  a  situação  urbana  apresenta‐se de modo convencional onde os edifícios vizinhos formam um corredor contínuo de  edificações estabelecendo o limite entre o espaço público e o privado. (figuras 37 e 38) 

FIGURA 38: Implantação do edifício Carson Pirie Scott Store (1899‐1904) de Louis  Sullivan 

Fonte: Própria autora, 2011,  sobre base < http://www.greatbuildings.com/ buildings/Carson_Scott_Pirie.html>, acesso em Abr. 2011 

 

Quase  trinta  anos  depois  das  propostas  inovadoras  de  Perret  e  Sauvage  na  Europa  quanto  à  relação  com  o  espaço  público,  se  observado  o  Edifício  Crysler  (1928‐30)  –  um  dos  principais exemplares da arquitetura déco norte‐americana – percebe‐se que a situação urbana  não  é  diversa  da  encontrada  em  Chicago,  pois  o  arranha‐céu  (e  grande  parte  das  demais  edificações  deste  período  em  Nova  Iorque)  assenta‐se  junto  às  divisas.  Apesar  do  progressivo  escalonamento  dos  pavimentos  superiores  ser  obrigatório  pela  legislação  da  época  devido  à 

relação entre a altura da torre e dimensão do calado da via, o paralelismo aos limites do lote e a  repetição serial das aberturas do Edifício Crysler, apresenta muito mais o desejo de minimizar a  diferenciação gradual da dimensão dos blocos do que de tirar partido dele. (figura 39)  FIGURA 39: Inserção urbana do Edifício Crysler Building em Nova Iorque/ EUA Fonte: Própria autora, 2011, sobre base Google Earth e Google Street View <www.googleearth.com>, acesso  em Jul. 2011    Nos Estados Unidos, a implantação tradicional é dominante nos arranha‐céus da primeira  metade do século XX. Apesar do novo modelo verticalizado para os edifícios, o conjunto destes 

ainda configuram ruas‐corredor com implantações limítrofes às calçadas. A diferença é apenas  que agora a massa edificada possui maior altura. Giedion (2004), ao analisar o contexto norte‐ americano,  destaca  o  Rockefeller  Center  –  construído  entre  1931‐39  –  como  um  marco  para  a  arquitetura  daquele  país  e  da  adoção  de  uma  nova  forma  de  relação  com  o  espaço  livre.  O  conjunto é composto de 14 edificações laminares que, apesar de segregadas cada qual em sua  quadra,  estabelece  uma  unidade  visual  identificável  pela  relação  dos  edifícios  com  o  espaço  público  onde  recuos  laterais  e  frontais  individualizam  cada  um.  No  Rockefeller  Center  é  a  primeira vez que se consegue executar tal disposição nestas proporções e em área densamente  ocupada: 

[...]  Todos  os  edifícios  são  organizados  de  uma  maneira,  até  então,  inteiramente  nova.  O  Rockefeller  Center  introduziu  pela  primeira  vez,  numa  cidade  contemporânea, a escala das vias parque e de outras grandes obras de engenharia.  Seus  edifícios  foram  concebidos  como  uma  unidade,  e  foram  responsáveis  pela  introdução de uma série de elementos plásticos novos e originais. (GIEDION, 2004,  p. 867‐869) 

 

Dessa  forma,  identificar  alguma  intenção  arquitetônica  de  rompimento  com  o  lote  e  quadra tradicionais e com a dicotomia entre o que é publico e o que é privado são fatores que  podem  diferenciar  a  modernidade  proposta  pela  arquitetura  déco  ou  por  outras  tendências  modernizantes. No caso da arquitetura de Chicago, apesar da linguagem formal inovadora e da  destinação  dos  pavimentos  térreos  das  torres  a  usos  mais  públicos  (como  bancos  e  lojas),  a  cidade  tradicional  ainda  sobrevive.  Já  a  arquitetura  modernista  assume  definitivamente  a  intenção  de  redesenho  do  espaço  urbano  tradicional  como  parte  de  seu  princípio  (COELHO,  2000; GOULART, 2006).  

Os exemplares citados nesta seção são edificações situadas em áreas consolidadas ou já  pré‐definidas  a  partir  de  um  desenho  tradicional  que  condiciona  e  orienta  a  implantação  desejada  aos  edifícios.  As  áreas  de  expansão  são  os  locais  mais  plausíveis  para  propostas  inovadoras, por estarem livre de pré‐disposições facilitando a ligação arquitetura e urbano, mas 

nem  sempre  isto  se  torna  verdadeiro.  Seja  devido  às  intenções  próprias  do  arquiteto autor  da  proposta,  cujos  comprometimentos  não  estão  calcados  em  ideais  de  radicalizar  com  o  espaço  tradicional da cidade, ou seja, por estar atrelado a legislações e critérios que não autorizam tal  condição, o que se observa é que ser um arquiteto vinculado a alguma das vanguardas e com a  possibilidade de edificar em área de expansão, não se traduz diretamente no rompimento com a  cidade tradicional. Ao compararmos duas propostas contemporâneas, o Bairro Kiefhoek, de J.J.P.  Oud  (figura  40)  e  Quartier  Modernes,  de  Le  Corbusier  (figura  41),  apresentam‐se  duas  concepções vanguardistas, mas diferentes na relação arquitetura e espaço urbano. 

Jacobus Johannes Pieter Oud fez parte do grupo Neoplasticista, mas o abandona em 1918 

devido a desavenças com o grupo. O arquiteto participa da Weissenhof Siedlung em 1927 e é um  importante nome da arquitetura modernista holandesa. O Bairro operário de Kiefhoek, projeto  por  ele  em  1925  em  Roterdã  na  Holanda,  apresenta  uma  implantação  tradicional  que  contém  ruas‐corredores de residências, comércios térreos, além de uma pequena igreja e playgrounds. A  tipologia  dos  edifícios  está  de  acordo  com  princípios  modernistas  (ou  o  que  se  tornam  os  princípios  do  Movimento  Moderno),  tais  como  a  ausência  de  ornamentos,  janelas  em  fita,  coberturas planas e blocos com aparências similares. A planta interna dos apartamentos busca  soluções de existenz‐minimum, dignas para um complexo de habitação social. Apesar do desejo  de  construir  as  edificações  com  o  uso  do  concreto  não  se  viabilizar  na  época  devido  a  fatores  econômicos  –  sendo  então  o  conjunto  edificado  com  tijolos  estruturais  –  o  aspecto  geral  dá  a  impressão  de  austeridade  e  clareza  volumétrica  pretendida15.    Apesar  do  uso  de  linhas  aerodinâmicas em algumas das esquinas, outros intervalos entre edificações são resolvidos com  a simples interrupção do volume construído, criando empenas cegas laterais e tornando latente  quais são as fachadas principais do conjunto.          15 A dificuldade em fazer uso da tecnologia em concreto, aliás, é também encontrada em outras  edificações da época. 

FIGURA  40:  Vistas  aéreas  e  panorâmicas  do  Bairro  Kiefhoek  de  J.J.P.  Oud  em  Roterdã/  Holanda  projeto  de  1924    Fonte: Própria autora, 2011, sobre base Google Earth e Google Street View <www.googleearth.com>, acesso em Mai. 2011    De certo modo, o Bairro Keifhoek mantém semelhanças com a proposta de Le Corbusier  “Quartier Moderne” (ou também chamado Cidade Jardim de Frugès), em Pessac, de 1924, mas, 

diferente  do  mestre  suíço,  a  ousadia  de  Oud  está  ainda  condicionada  a  uma  forma  de  implantação tradicional, onde a fachada de frente, lateral e de fundo é, cada uma, claramente  definida. Apesar das inovações construtivas e técnicas trazidas por Le Corbusier no “Quartier...”,  o projeto ainda está limitado pela exigência de implantação junto ao alinhamento frontal, mas,  mesmo  assim,  busca‐se  romper  com  a  rua‐corredor  ao  implantar  os  edifícios  espaçados  e  ao  tratar as superfícies laterais dos volumes de modo a aparentarem serem tão importantes quanto  às fachadas voltadas para a rua. Le Corbusier praticamente individualiza cada plano com o uso  de  cores  diferentes.  No  cruzamento  da  Avenida  Henri  Frugès  com  a  Rua  Le  Corbusier,  o  arquiteto não inverte a implantação do volume – o que seria uma solução óbvia se a dicotomia 

entre fachadas fosse desejada – mas sim, volta justamente o que é a lateral, como fachada para  a rua principal (imagem 2 figura 41).  FIGURA 41: Vistas aéreas e panorâmicas do Quartier Moderne ou Cidade Jardim de Frugés de Le Corbusier  em Pessac/ França projeto de 1924/25    Fonte:  Própria autora, 2011, sobre base Google Earth e Google Street View <www.googleearth.com>,  acesso em Mai. 2011   

A  estratégia  adotada  por  Le  Corbusier,  apesar  de  ainda  esbarrar  em  limitações,  busca  meios para reconfigurar o tradicional, tornando‐a uma proposta mais inovadora quanto a este  aspecto se comparada com a de J.J.P. Oud no mesmo período. Talvez a classe social a qual cada  projeto é destinado possa justificar a diferença, mas os projetos alemães para a classe operária,    executados  quase  no  mesmo  período  optam  por  soluções  de  ruptura  com  as  convenções  tradicionais, assim como a proposta do Quartier Moderne, de Le Corbusier. 

Na Alemanha, no período entre guerras, novas soluções para a habitação são almejadas  devido à necessidade de suprir o déficit habitacional operário e as más condições de moradia. A 

formação de grupos como o Der Ring em 1925, que reúne arquitetos como Bruno Taut, Walter  Gropius,  Mies  Van  der  Rohe,  Mendelsohn,  Scharoun,  Häring,  etc.,  conseguem  através  de  articulação  política,  concessões  para  edificar  em  áreas  de  expansão  a  partir  de  princípios  inovadores  (AYMONINO,  1973).  Dessa  forma,  as  propostas  buscam  estabelecer  uma  rede  de  novas soluções habitacionais que, somando‐se, reconfigure a cidade tradicional a qual ainda está  intimamente dependente.  

FIGURA  42:  Vistas  aéreas  e  panorâmicas  dos  Bairros  Onkel  Toms  Hütte  (1926‐1931)  de  Bruno  Taut  e  Reinickendorf Weisse Stadt 

 

Fonte: Própria autora, 2011, sobre base Google Earth e Google Street View <www.googleearth.com>, acesso  em Jul. 2011 

 

Nos  projetos  habitacionais  alemães  construídos  no  período,  a  busca  pela  melhor  disposição de blocos edificados definem a implantação. Soma‐se a isto, a tentativa de dissolver  os limites entre o público e o privado através da criação de áreas livres no interior das quadras.  Dessa  maneira,  o  resultado  liberta  os  projetos  da  divisão  em  lotes,  e  os  espaços  comunitários  reconfiguram  a  concepção  tradicional  de  quarteirão.  Os  edifícios  surgem  como  emergidos  dentro  de  áreas  livres  e  verdes  e,  apesar  de  alguns  planos  junto  aos  alinhamentos  ainda 

evidenciarem  a  relação  área  pública  e  privada,  o  desejo  de  repropor  esta  disposição  é  latente  quando  a  quadra  se  abre,  e  o  que  seria  fachada  de  fundo  (em  uma  implantação  tradicional)  torna‐se o plano principal de uma nova espacialidade urbana semi‐pública e comunitária. (figura  42) 

Nestas  propostas  alemãs  do  entre  guerras,  chega‐se  perto  (se  não  se  alcança)  os  princípios básicos do redesenho modernista que é consagrado através dos CIAM´s: a negação da  rua‐corredor,  a  dissolução  do  público  e  o  privado,  a  extinção  das  unidades  morfológicas  de  quadras e lotes, ou seja, a morte da cidade tradicional em prol de uma nova arquitetura que dê  as  respostas  a  todos  os  problemas  urbanos  existentes.  Os  ideais  do  Movimento  Moderno  adquirem cada vez mais força a partir do final da década de 1920 e chegando ao seu ápice “após  a Segunda Guerra Mundial e a reconstrução” (CHOAY, 1996, p.10).   Lançadas as bases nas seções até aqui apresentadas, o redesenho em seus aspectos e a  acomodação do mesmo nas cidades existentes, são os temas do próximo capítulo.     

 

2.1 A necessidade de repropor a cidade  

   

Para  Choay  (1996),  a  partir  de  1850  ocorrem  transformações  significativas  nas  cidades  europeias que rompem com a cidade tradicional. Desta data em diante, mudanças no campo da  construção  –  através  do  aperfeiçoamento  de  novos  materiais  para  a  construção,  “cujos  procedimentos  de  utilização  contribuíram  para  a  mudança  do  estatuto  dos  edifícios”  (ibidem,  p.11) – bem como os novos meios de transporte imprimem marcas no modo de se fazer edifícios  e cidades. O advento do trem, do bonde, do automóvel e dos aviões, além da possibilidade de  mais  fácil  comunicação  e  troca  de  informações  através  do  telégrafo,  rádio  e  telefone  faz  a  “sociedade ascender a uma mobilidade de massas sem precedentes” (ibidem, p.11).   

A mobilidade era a chave para o novo tipo de cidade e a circulação teve um grande  impacto na sua forma [...] 

[...] Ela [a ferrovia] cortou a cidade finita em fatias, pôs abaixo as velhas fronteiras  entre  mundos  urbanos  e  rurais,  trouxe  a  escória  das  minas  e  levou  o  lixo  das  fábricas  para  a  periferia.  [...].  A  industrialização  mudou  o  tamanho  ,  a  forma  e  o  relacionamento  entre  edificações  na  paisagem  urbana,  perturbando  convenções  preexistentes  de  representações  e  exacerbando  incertezas  quanto  às  bases  de  estilo[...]. (CURTIS, 2008, p. 34) 

 

A  partir  do  final  do  século  XX,  o  aumento  populacional  nos  centros  urbanos  e  as  más  condições de moradia para a classe operária adquirem proporções fora do controle nas grandes  cidades europeias (caso de Londres, Viena, etc.). Este cenário é ainda mais aprofundado com os  conflitos  mundiais  posteriores.  No  entre  guerras,  a  Revolução  Russa  ocorrida  em  1917  apresenta‐se como uma solução para a reconstrução das cidades a partir de novos pressupostos  sociais, urbanísticos e arquitetônicos.  

[...] Para Karl Marx e Friedrich Engels, a questão de um meio ambiente aprimorado  apenas  poderia  ser  respondida  em  um  estado  pós‐revolucionário;  eles  tendiam  a  considerar  os  planos  para  cidades  alternativas  como  tentativas  inúteis  de