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2. LE TEST DE JUGEMENT SITUATIONNEL

2.2 LE DEVELOPPEMENT D’UN TEST DE JUGEMENT SITUATIONNEL

Em relação aos impactes ambientais devido às situações de seca, pode desde logo salientar-se a diminuição da recarga dos aquíferos, o que leva a uma redução da água subterrânea (quando estes se localizam em zonas costeiras pode ocorrer a intrusão de água salgada), bem como, a diminuição dos níveis de água nos rios, lagos e albufeiras. Isto traz várias consequências como a redução da profundidade do escoamento no rio, provocando a perda de conectividade entre as margens do rio e este e uma redução da quantidade de matéria orgânica que entra no rio. Assim, em consequência, ocorre uma

2. O fenómeno da seca

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perda de habitat por parte das comunidades biológicas aquáticas e da vegetação ribeirinha. Desta forma, pode acontecer uma redução da sombra provocada pelas plantas no rio o que conduz a um aumento da temperatura da água. Por sua vez, tal pode induzir uma redução na diversidade da comunidade de macroinvertebrados (que contribuem para manter a qualidade da água devido ao processamento da matéria orgânica), bem como das comunidades piscícolas que se alimentam destes. O aumento da temperatura que pode ocorrer nos recursos hídricos pode levar a uma diminuição da concentração de saturação de oxigénio na água, havendo assim menos oxigénio dissolvido. Pode também existir a proliferação de algas (eutrofização), o que acarreta modificações na cadeia alimentar existente e diminui a qualidade da água. Os valores de caudal mais baixos também poderão conduzir a uma diminuição da qualidade da água, devido a um abaixamento na diluição de contaminantes (provocando o aumento da sua concentração nos recursos hídricos) e também podem ocorrer modificações devido à deposição e acumulação das partículas finas nos leitos (essencialmente devido à diminuição dos caudais existentes). Deste modo, o transporte de sedimentos também vai trazer implicações às comunidades biológicas (especialmente às piscícolas, devido entre outros factores à acumulação de sedimentos nas brânquias).

Com a progressão do fenómeno da seca pode, inclusivamente, ocorrer uma anulação da corrente de escoamento. Geralmente neste estado, os riffles (zonas pouco profundas com fluxo geralmente turbulento, que se caracterizam por possuir água com bastante oxigénio dissolvido quando existe corrente) secam. Assim, os peixes e os invertebrados tendem a agregar-se em pools ou “poças”, existentes em zonas mais profundas do canal do rio. Deste modo, como não existe caudal para fazer a ligação entre elas, o transporte normal de nutrientes, seres vivo e matéria orgânica, é interrompido, podendo o rio passar a ser um curso de água estagnado. Isto provoca stress nas plantas e nos animais existentes, adaptados a viver em cursos de água com corrente, podendo mesmo ocorrer o desaparecimento de organismos, tais como invertebrados (Bond et al, 2008; Cunha, 2008; eWater CRC, 2009; NDMC, 2006h; Olsson et al, 2009).

Também se pode salientar como impacte ambiental o aumento da quantidade de incêndios, bem como da sua intensidade (Bond et al, 2008; Cunha, 2008; eWater CRC, 2009; NDMC, 2006h; Olsson et al, 2009).

No caso de Portugal Continental, podem destacar-se como impactes ambientais ocorridos no período de 2004/2006 (período em que se verificou uma seca significativa): a grande diminuição dos níveis de água existentes nas albufeiras (p.e., na

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zona Sul do Algarve toda a água existente nas albufeiras do Funcho e do Arade secou) e a diminuição dos caudais nos rios. Esse fenómeno pode levar ao aumento da migração de espécies, existentes nestes rios, para jusante (DG Env EC, 2007).

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3. C

ARACTERIZAÇÃO GERAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO

L

IMA

3.1 I

NTRODUÇÃO

No presente trabalho, tal como referido anteriormente, optou-se por estudar a parte portuguesa da bacia hidrográfica do rio Lima tornando-se assim necessário aprofundar o seu conhecimento. Para tal, em primeiro lugar faz-se um enquadramento territorial da referida bacia, ou seja, refere-se a sua localização, área e os concelhos que abrange. Também se salientam as características do rio Lima, como o local onde nasce, onde desagua, bem como, a sua extensão e os seus afluentes. Posteriormente, faz-se uma caracterização geomorfológica, climática e mencionam-se quais os principais recursos biológicos existentes no rio Lima. Na caracterização geomorfológica refere-se o relevo, o perfil longitudinal do rio, o tipo de solo e as suas principais ocupações. Por sua vez, na caracterização climática apresentam-se os valores médios de precipitação, evapotranspiração e outras variáveis climáticas importantes para a região em estudo, assim como os valores existentes nas outras bacias de Portugal Continental para efeitos de comparação. Convém salientar que, o conhecimento destas características é importante para o presente estudo, uma vez que a sua interacção vai influenciar o comportamento do ecossistema.

Deve ainda realçar-se o facto de esta bacia ser a que possui maiores valores de precipitação em Portugal Continental, sendo por isso interessante analisar os períodos de seca que aqui se verificam, uma vez que os efeitos resultantes deverão ser mais marcantes. Um exemplo que se pode salientar é o testemunho dado pelo presidente da Associação de Agricultores do Vale do Lima, em 2005 (período marcado pela ocorrência de uma seca de grande intensidade) referindo que “O drama da seca é muito maior na nossa região do que, por exemplo, no Alentejo, já que a agricultura deles é de sequeiro e a nossa de regadio, ou seja, ressente-se muito mais a falta de água” (RTP - Notícias, 2005).

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3.2 E

NQUADRAMENTO TERRITORIAL

A bacia do rio Lima é uma bacia internacional, partilhada por Portugal e Espanha, tendo uma área de aproximadamente 2480 km2. Esta pode ser observada na figura 6, onde estão representadas as bacias luso-espanholas (INAG, 2001).

Figura 6 – Bacias luso-espanholas (CADC, 2007).

O rio Lima (em galego Limia) é um rio internacional que nasce em Espanha, mais especificamente na Serra de S. Mamede (e cerca dos 950 metros de altitude). Após o seu percurso em Espanha (aproximadamente 41 km) entra em Portugal, próximo do Lindoso, no vale criado pela Serra do Gerês e da Peneda, desaguando no Oceano Atlântico junto a Viana do Castelo. O seu percurso desde a fronteira até a foz é de aproximadamente 67 km, o que faz com que a sua extensão ronde os 108 km. Em território português tem como principais afluentes na margem direita os rios Vez, Labruja e Estorãos e na margem esquerda os rios Vade e Trovela. Em território