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La mission nationale de veille et d’information

Segundo VAL (1994:4-5), pode-se definir o texto “como ocorrência falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal”. Sabemos que, dependendo da perspectiva teórica adotada, um mesmo objeto de estudo pode ser visto de várias formas. Sendo nosso objetivo estudar o texto como uma unidade lingüística em uso, que cumpre uma função social na comunicação, vamos tentar defini-lo sob um ponto de vista dialógico da linguagem, conforme as teorias mais recentes, em oposição ao monológico, que vê esta mesma linguagem ou como representação do pensamento, ou como instrumento de comunicação, com o intuito de delinear suas diferenças. De acordo com a primeira teoria, qual seja, a dialógica, o texto será bem compreendido quando avaliado, segundo Val, sob três aspectos:

a) O pragmático: que tem a ver com seu funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa;

b) o semântico-conceitual, de que depende a sua coerência; isto é, a sua macroestrutura; c) o formal, que diz respeito à coesão, isto é, a microestrutura.

Esta noção de texto segue os pressupostos teóricos da Lingüística Textual, para a qual a linguagem é uma forma de interação social, e é através desta que o sentido se constrói. Até mesmo para a Lingüística Textual o conceito de texto vem se modificando desde o seu surgimento na década de 60. O texto já foi definido como unidade lingüística superior à frase; como uma combinação de frases; como uma cadeia de pronominalizações ininterruptas;

como uma cadeia de isotopias (unidades semânticas que permitem apreender um discurso como um todo significativo); e como um complexo de proposições semânticas. Hoje, de acordo com as mais modernas correntes que estudam o texto, pode-se vê-lo como:

[...] uma seqüência verbal escrita coerente formando um todo acabado, definitivo e publicado: onde publicado não quer dizer “lançado por uma editora”, mas simplesmente dado a público, isto é, cumprindo sua finalidade de ser lido, o que demanda o outro; a destinação de um texto é sua leitura pelo outro, imaginário ou real; a publicação de um texto poderia ser considerada acessória, entendendo-se que um texto não publicado não deixa de ser um texto.No entanto, o sentido que se quer dar aqui a publicado é o sentido de destinação a, já que um autor isolado, para quem o outro inexista, não produz textos. (GERALDI, 1995:100)

Segundo Beaugrande-Dressler (apud KOCH, 1998) são sete os fatores que garantem a textualidade: a coesão e a coerência, centradas no produtor, a informatividade, a situacionalidade, intertextualidade, intencionalidade, aceitabilidade, centradas no usuário, no ouvinte. Para um maior aprofundamento a respeito dos fatores pragmáticos, remetemos o leitor ao livro Texto e Coerência, de Kock e Travaglia (1999), capítulo 4.

A coesão é a microestrutura textual, isto é, “ela diz respeito a todos os processos de seqüencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação lingüística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual”. (KOCH, 1994:19). Ainda para a autora, “a coesão, por estabelecer relações de sentido,8 diz respeito ao conjunto de

recursos semânticos por meio dos quais uma sentença se liga com a que veio antes [...}”. (KOCH,1994:17). De outro modo, a coesão são os elementos lingüísticos (preposições, conjunções, advérbios, pronomes que estão na superfície do texto). Os demais fatores pragmáticos, no caso da produção escrita, centrados no leitor, quais sejam, a situacionalidade, a intertextualidade, a informatividade, a intencionalidade e aceitabilidade, dizem respeito a uma situação comunicativa instaurada no texto em relação ao emissor/receptor.

Já a coerência é a macroestrutura do texto ou a estrutura semântica dele, é a

responsável pela “garantia” de sentido no texto, pela unidade, pela lógica do texto

.

A coerência pode ser definida como uma unidade significativa geral do texto. É o que se pode depreender dele. É um elemento fundamental para construir a textura do texto. É a responsável pela conversão de uma mensagem qualquer em texto. Para tanto, quatro fatores são considerados para a consecução da coerência: Continuidade, Progressão, Não-contradição e a Articulação. A base da coerência textual é a continuidade de sentidos entre os conhecimentos ativados pelas expressões lingüísticas do texto que devem ser percebidas tanto na produção quanto na compreensão dele.

2.1.1 Fatores responsáveis pela coerência do texto: repetição, progressão, não-

contradição e articulação

.

A repetição é a constante retomada de elementos no interior do texto. É a

unidade textual que está em jogo, uma vez que uma seqüência em que cada parágrafo trate de um assunto diferente, provavelmente, será um não-texto. É um critério que deve permear todo o texto. É condição necessária, ainda que não suficiente, para que um texto tenha coerência. Segundo CHAROLLES (1997:49), para que o texto seja coerente microestrutura e macroestruturalmente, “é preciso que contenha, no seu desenvolvimento linear, elementos de recorrência estrita”. Ainda para o autor (1997:50), o texto deve apresentar “seu caráter seqüencial, seu desenvolvimento homogêneo e contínuo, sua ausência de ruptura (sem alhos com bugalhos)”. Para garantir tal repetição a língua dispõe de mecanismos como as pronominalizações, definitivações, substituições lexicais, etc. Tais mecanismos favorecem a permanência da unidade temática e, assim, um fio condutor fica estabelecido. É a constante

retomada de elementos e de idéias que garante ao texto a unidade. Para ilustrar, trazemos um exemplo extraído de Charolles (1997): “Uma velhinha9 foi assassinada na semana passada em Campinas. Ela foi encontrada estrangulada na banheira”. Aqui, a manutenção temática foi obtida pela retomada, através da pronominalização, do referente “Uma velhinha”.

A Progressão consiste no acréscimo de idéias novas às que vinham sendo exploradas. Recorremos novamente a CHAROLLES (1997:58), quando diz que “é preciso que haja no seu desenvolvimento uma contribuição semântica constantemente renovada”. Este fator é suplementar ao primeiro, já que num texto não basta haver recorrência do assunto, mas, como em qualquer situação discursiva, pressupõe-se “alguma coisa nova a dizer”. Para CHAROLLES (1997:58), “a progressão é uma das exigências das mais elementares, à medida que o próprio ato de comunicar supõe algo a dizer”. Desse modo, o texto não deve ser a mera repetição de partes idênticas ou parafraseadas, porém a combinação de partes diferentes. De outra maneira, a progressão é obtida pelo acréscimo de idéias diferentes e que tenham relações referentes ao que já vinha sendo tratado, isto é, à sua macroestrutura. Entretanto, é preciso ressaltar que uma seqüência lingüística que só veicule informações novas será, provavelmente, incoerente. O oposto também pode se dar, ou seja, o texto que não acrescenta nada ou quase nada ao já dito tornar-se-á redundante, tautológico.

O texto literário, em algumas circunstâncias, trabalha com a repetição; no entanto, a repetição, neste caso, cumpre uma outra função, que é a de enfatizar a idéia que se quer ver repetida ou outro objetivo qualquer.

A não-contradição, outro fator que garante a coerência, deve ser observada

“dentro e fora” do mundo textual. Para ser percebida, é necessário respeitar os princípios da Lógica, isto é, não se pode dizer que fulano havia saído e dizer que o mesmo não havia saído, que é melhor discutir educação e, posteriormente, afirmar não ser melhor discuti-la sem

nenhum esclarecimento preliminar. Além disso, o texto deve ser compatível com o mundo que representa. Para CHAROLLES (1997:61),

Para que um texto seja microestrutura ou macroestruturalmente coerente, é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga um conteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou deduzível desta por inferência.

Isto significa que no mundo textual é improvável um fato ser verdadeiro e não-verdadeiro, ou falso e não-falso simultaneamente10

Articulação11, também denominada de relação, será eficaz quando for percebida a associação de uma idéia à outra e a que tipo de relação específica se estabelece. Essa articulação pode ser depreendida apenas no plano lógico-semântico ou pode estar lingüisticamente marcada. No plano lógico-semântico a articulação pode ser averiguada quando os argumentos de um texto argumentativo-dissertativo, por exemplo, são congruentes, ocupam os devidos lugares num texto. Por exemplo, se um parágrafo é conseqüência do anterior ou condição para que tal fato aconteça, afirmamos que estão, coerentemente, interligados pelo sentido. Está lingüisticamente marcada quando os conectivos expressam, explicitamente, as idéias que devem estar congruentes entre os parágrafos (causa, condição, conseqüência, etc). CHAROLLES (1997:74) constata que “para que uma seqüência ou um texto sejam coerentes, é preciso que os fatos que se denotam no mundo representado estejam relacionados”.12

Comumente, ouve-se a respeito da implicação da coesão para estabelecer a coerência do texto. Entretanto, atualmente, tornou-se senso comum que os elementos

10- Nas redações do corpus, os casos de não-contradição (externa e interna) foram tomados como fatores de transgressão à coerência dos textos.

11- Val adota, em seu trabalho, o termo articulação; Charolles, para o mesmo fato, denomina relação. Neste trabalho, chamamo -lo de congruência.

lingüísticos podem ajudar a tornar o texto coerente; no entanto, não são nem suficientes nem necessários para garanti-lo. Assim, é perfeitamente possível termos textos coerentes destituídos de elementos coesivos.

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