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Actualité internationale de la laïcité (2014-2015)

O texto expositivo-argumentativo18 têm por objetivo principal analisar e interpretar dados reais por meio de conceitos abstratos; as referências a dados concretos aparecem nesta modalidade de texto tem a intenção de explicar, exemplificar. Desta forma, podemos dizer que a intenção do texto argumentativo, que é de natureza temática, é a interpretação das transformações ocorridas. É evidente que, implícita a tal análise, sua

18- Neste trabalho, as denominações texto dissertativo, texto expositivo-argumentativo, texto dissertativo- argumentativo, apesar das pequenas diferenças entre elas, serão usadas com o mesmo valor.

finalidade é fazer o interlocutor mudar de opinião, de atitudes, de comportamentos, ou, simplesmente, aderir à opinião do locutor. Para Perelman (apud BRETON 1996:19), ao tratar da argumentação, característica do texto expositivo-argumentativo, diz que “...é o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão das pessoas às teses que são apresentadas para seu assentimento”. A argumentação é o meio mais eficaz não só para fazer o outro partilhar uma opinião e, por conseguinte, conduzi-lo a uma ação, mas também significa dar boas razões para que o interlocutor adira a ela.

Entretanto, ao argumentar é preciso que o sujeito (estudante) saiba que está inserido numa situação de comunicação e, obviamente, é preciso definir um interlocutor a quem se vai dizer o que se tem a dizer. Assim, é muito provável que argumente mal, se não souber a quem se argumenta. Para tanto, definimos claramente o interlocutor, nas duas situações de escrita, para que não corrêssemos tal risco. (Na 1ª situação de escrita, alunos entre si e alunos e professor; na 2ª situação, aluno e interlocutor/professor/leitor).

A argumentação é um tema cuja compreensão global ninguém possui. BRETON (1996: 59) afirma que “se um dia argumentar dependesse de um domínio perfeito, nós não seríamos mais completamente humanos”. Então, aproveitamos o ensejo para fazer um alerta ao leitor: dada a raridade deste objeto no programa de ensino escolar e dada a dificuldade do domínio completo deste assunto, que se leve em consideração que os estudantes investigados são alunos na faixa etária entre 14-16 anos e que cursam a 1ª série do Ensino Médio.

Numa sociedade competitiva e altamente excludente saber argumentar não é um luxo, mas uma necessidade. Para o autor, não saber argumentar revela uma dos grandes motivos para a grande desigualdade cultural existente. Para ele, uma sociedade que não coloca todos os meios à disposição para que estes se tornem cidadãos, não pode ser chamada de democrática, já que ela exclui boa parcela da população. Desse modo, ao introduzirmos o

texto dissertativo na sala de aula através de práticas dialógicas, estamos objetivando, conforme o autor, que o estudante institua-se como sujeito e, como cidadão, possa usufruir dos direitos que uma sociedade democrática pode oferecer. Sabemos, entretanto, que somente um exercício de uma argumentatividade cidadã, através da escola, pode transpor o poder que a mídia, massificadamente, incute em todos nós. Ainda para BRETON (1996: 25-6):

Argumentar é, primeiramente, comunicar: nós estamos, então, em uma “situação de comunicação”, que implica, como toda a situação desse tipo, na existência de parceiros e de uma mensagem...” […]. “[...] é raciocinar, propor uma opinião aos outros dando-lhes boas razões para aderir a ela.

Outra característica importante desta modalidade é a sua atemporalidade. Isto é, na dissertação não estão presentes relações de anterioridade e posterioridade, e, mesmo que nele sejam apresentadas algumas mudanças de situação, estas não têm grande relevância. Devido a isso, o presente no seu valor atemporal seja, juntamente com o futuro do pretérito e o pretérito perfeito, os tempos verbais mais freqüentes.

Para MARTINEZ (1988:91), “quando comentamos sobre algo, de alguma maneira estamos fazendo juízos de valor sobre esse algo, e queremos com isso atingir o nosso interlocutor”. Por isso, a construção da linguagem do discurso dissertativo deve ser mais elaborada. Isto quer dizer que a linguagem deve estar a serviço da consecução de um objetivo: conseguir a adesão do interlocutor. Por outro lado, a marca de subjetividade é mais evidente nesta modalidade textual, já que, no dizer de MARTINEZ (1988:91), esta modalidade carrega consigo o valor semântico de “opinião do sujeito que fala”.

Sabemos que a linguagem nada tem de ingênua e, portanto, a argumentatividade lhe é inerente. Em qualquer modalidade de texto (descrição, narração) é possível observar marcas argumentativas. No texto argumentativo, todavia, esta característica fica mais marcante, visto que nele “o usuário reconhece a necessidade de que o seu texto seja

constituído por argumentos e provas19”. Conseqüentemente, o leitor, instigado pelos

argumentos e pelas provas, e, interessado por aqueles, possa ser convencido pelo produtor do texto.

Outra forma de caracterizar o texto expositivo-argumentativo é por sua trama. Esta entendida aqui, conforme Kaufman (1995), como o modo de estruturar os recursos lingüísticos para a veiculação das funções da linguagem. Nossa modalidade de análise possui trama argumentativa; já que comenta, analisa, explica, apresenta, confronta idéias, opiniões, etc.

Quanto à estrutura, o texto expositivo-argumentativo apresenta uma introdução, comumente chamada de tese, onde a apresentação do assunto é feita. À tese, seguem-se os argumentos que darão sustentação à opinião do produtor do texto. Para uma argumentação eficiente, pode o usuário usar de vários recursos como: a exemplificação, a demonstração de fatos, as causas e os efeitos, dados estatísticos, comparações, definições, citações, etc. À argumentação, segue-se a conclusão, que é o arremate do texto. É o momento de retomar o ponto de vista supracitado, propor soluções, apresentar idéias novas que sejam pertinentes ao assunto discutido, ou, simplesmente, afirmar a necessidade de mais estudos sobre a questão. Para SANTAELLA,

[…] quando falamos em dissertação, estamos falando em conceituação, estabelecimento de leis gerais, formulações abstratas. Em suma, estamos no habitat do intelecto. São operações mentais que traduzem em leis e tipos gerais, ou seja, em conceitos as ocorrências que se repetem e que se tornam hábito (1996: 193).

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Ainda para SANTAELLA (1996:205), o texto dissertativo-argumentativo é:

[…] o tipo de texto mais fechado em termos de possibilidades interpretativas, isto é, encaminha à mensagem de modo que seu significado desemboque numa conclusão unicamente definida, mas ao mesmo tempo é uma espécie de organização da

linguagem que exige extrema coesão nas ligações de suas partes, pois só provoca a convicção que pretende provocar se a conclusão, implícita ou explicitamente, decorrer das premissas.

O texto argumentativo terá cumprido sua função se os argumentos arrolados forem pertinentes à questão central e, ao mesmo tempo, forem congruentes, não houver argumentos que se contradigam e se houver a repetição de idéias que lhe dão unidade. Isto é, o autor articula suas idéias para conduzir o leitor a uma conclusão qualquer, que, obviamente, será a conseqüência de todo o pensamento desenvolvido.

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