Fonte: Mapa: Prefeitura Municipal de Joaçaba. Alterações do autor.
A primeira prefeitura municipal construída por volta de 1928 (Figura 10) e incendiada em setembro de 1943 foi substituída pelo atual paço municipal inaugurado em 1953. A nova prefeitura localizou-se na Avenida XV de Novembro, a principal avenida do centro atual, na praça Adolfo Konder criada no ano de 1958 e que tem seu nome em homenagem ao ex-governador que foi o primeiro a visitar o município de Joaçaba. (JORNAL CRUZEIRO DO SUL, 1994). (Figura 11).
FIGURA 10 - A antiga prefeitura de Joaçaba.
Fonte: arquivos da Biblioteca Pública e Municipal de Joaçaba.
FIGURA 11 - Praça Adolfo Konder e Prefeitura Municipal na Avenida XV de Novembro com Igreja Matriz ao fundo - 1960
Fonte: arquivos da Biblioteca Pública e Municipal de Joaçaba.
Na década de 1940, Joaçaba mantinha uma liderança industrial e comercial em todo o oeste catarinense. (DALL’IGNA e HEINSFELD, 2001). Transformou-se rapidamente em município polarizador de sua micro-região devido à maioria dos municípios integrantes da AMMOC (Associação dos Municípios do Meio Oeste Catarinense) apresentarem economias baseadas nas atividades primárias (agricultura e pecuária) e infra-estrutura econômica e social deficiente, bem como economias urbanas (indústria, comércio e prestação de serviços) pouco
diversificadas. Ou seja, as empresas industriais que inicialmente se inseriram nos municípios da micro-região, eram em sua maioria, tradicionalmente extrativistas – madeira e erva-mate -, enquanto que as atividades do terciário limitavam-se ao atendimento das necessidades básicas da população.
Contando com um contingente populacional bastante elevado – 48.299 habitantes em 1950 (IBGE, 1959) - Joaçaba era formada por um conjunto de oito vilas que posteriormente desmembraram-se e conquistaram sua emancipação político-administrativa. Na época em que foi realizado o censo demográfico, a população urbana era de 9.211 habitantes distribuídos nas nove aglomerações urbanas que formavam o município. A de Joaçaba correspondia a 6.750 habitantes, ou seja, mais de 70% do total, e o restante era referente à população urbana das vilas de Água Doce, Catanduvas, Herciliópolis, Ibicaré, Irani, Jaborá, Luzerna e Ponte Serrada.
Atuando como centro de sua micro-região e apresentando os setores econômicos mais desenvolvidos que o restante dos municípios, Joaçaba atraiu e centralizou as principais atividades realizadas em nível regional recebendo todos os dias um número elevado de pessoas das aglomerações e cidade vizinhas que necessitavam utilizar os serviços nela oferecidos. Desta maneira, a cidade foi adquirindo uma vida urbana bastante complexa, principalmente a partir da década de 1940. No esporte foi criado o Cruzeiro Atlético Clube em 1941. A primeira rádio surgiu em 1945. Foi criado o Hospital Santa Terezinha, em 1946, o Aeroclube em 1949, o Rotary Clube em 1951, a Sociedade Cultural Scajho em 1953, o Lions Clube em 1959, e muitos outros equipamentos que intensificaram a maneira dos habitantes de vivenciar sua cidade.
Na década de 1950 a base econômica do município era constituída pela agricultura. Em 1957 a produção agrícola atingiu a cifra de Cr$ 292.072.330,00, muito acima da industrial que correspondeu a Cr$ 101.145.815,00 dois anos antes. No que se refere a produtos transformados ou não de origem animal, a produção atingiu em 1956 o valor de Cr$ 38.398.546,00, sendo os principais produtos, banha, ovos e leite. (IBGE, 1959). A produção de banha no estado no ano de 1950 chegou a 4.672 toneladas e Joaçaba foi responsável por 237 toneladas, ou seja, 5% do total.
A Zona de Joaçaba11, classificação do IBGE na época do Recenseamento Geral de 1950, foi a maior produtora de banha com 1.054 toneladas, correspondendo a 22,50% do total do estado de Santa Catarina. (IBGE, 1956). Neste aspecto, ressalta- se a importância das atividades primárias na economia do município.
O setor da indústria que mais se destacou foi o madeireiro com a produção de pinho serrado, pranchas e tábuas num total de 55.480 m3, avaliados em Cr$ 35.241.228,00 no ano de 1955. (IBGE, 1959). No estado de Santa Catarina este valor chegou a 485.121.000,00 no censo de 1950. (IBGE, 1956). Em 1956 o município dispunha de 67 estabelecimentos industriais, um destinado à produção de papel, três de farinha de trigo e 43 serrarias. O município de Joaçaba era, neste período, um dos maiores produtores de pinho da América Latina. (IBGE, 1959). Outros setores da indústria também apresentaram grandes quantidades e valores de produção como a de alimentos a de papel e a mecânica. (Tabela 2).
TABELA 2 - Quantidade e valor da produção industrial de atividade no município de Joaçaba – 1955.
Indústria Quantidade Valor (Cr$)
Indústria de pinho serrado, pranchas, tábuas 55.480 m3 35.241.228,00
Caixas de madeira desarmadas 5.720 m3 16.137.000,00
Farinha de trigo 3.894.442 Kg. 26.552.653,00
Papel para embrulho 1.701.445 Kg. 23.386.043,00
Trilhadeiras 596 unidades 10.326.445,00
Fonte: IBGE – Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1959.
Na tabela 3 tem-se o número total dos estabelecimentos industriais do Estado de Santa Catarina e do município de Joaçaba nos anos de 1950 e 1960, o pessoal ocupado e o valor da produção industrial.
TABELA 3 - Estabelecimentos, pessoal ocupado e valor da produção industrial Catarinense e Joaçabense - 1950 e 1960. 1950 Estabelecimentos Pessoal ocupado Valor da produção (Cr$ 1000) Santa Catarina 5.080 44.526 2.555.824 11
Formavam a Zona de Joaçaba em 1950 os municípios: Caçador, Capinzal, Concórdia, Joaçaba, Piratuba, Tangará e Videira.
Joaçaba 101 1.164 84.632 1960 Estabelecimentos Pessoal ocupado Valor da produção (Cr$ 1000) Santa Catarina 5.914 57.708 13.033.605 Joaçaba 114 1.225 558.742
Fonte: IBGE – Censo Industrial de 1950 e 1960.
Percebe-se que até a década de 1960 um grande número de empresas se instalou no município de Joaçaba. No estado de Santa Catarina a indústria joaçabense manteve nas duas décadas analisadas pouco menos de 2% do total do número de estabelecimentos, mas o valor da produção passou de 3,3% do total estadual em 1950 para 4,2% no ano de 1960.
Na medida em que se inseriam no tecido urbano, as empresas foram promovendo a expansão urbana do município. Até a década de 1960 na área central do município estavam localizadas as empresas mais tradicionais além dos principais estabelecimentos de comércio e serviços. A maioria das empresas do setor metal- mecânico ocupava esta área central assim como empresas dos ramos de alimentos, madeira, editorial e gráfica; sendo que algumas destas apoiavam-se nas características urbanas do centro. A inserção industrial tanto nesta área, hoje central e urbana, certamente foi condicionada pelos aspectos geográficos do município que, por se situar em uma região de fundos de vale apresenta grandes níveis topográficos formando uma paisagem que limita a ocupação urbana. O rio do Peixe e seus afluentes também devem ser citados neste aspecto, tanto para limitar a localização industrial como para direcionar àqueles que necessitavam se instalar próximas aos cursos d’água. A localização das empresas mais afastadas do centro – uma madeireira, uma de couros, e uma mecânica-, pode ser explicada devido às ligações destes ramos industriais com as atividades primárias. (Mapa 4).
No ano de 1967, conforme Queiroz (1967), após cinqüenta anos de sua fundação, a indústria do município de Joaçaba estava representada por fábricas de grandes e pequenos portes, apresentando um parque industrial bastante diversificado. Destacavam-se os ramos de motores (Famobra e RL-Lindner), de máquinas agrícolas e industriais (Lindner, Vencedora e Triton), de turbinas hidráulicas (HISA), pasta mecânica, moinhos de trigo, bronzinas, esquadrias de ferro
e de madeiras, de móveis, bebidas, beneficiamento de erva-mate, arroz e milho, de produtos têxteis e inúmeros outros. (Tabela 4).
MAPA 4 – Localização das principais empresas industriais instaladas na cidade de