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L’autorité imposée et la discipline sont-elles mauvaises pour l’enfant ?

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4. Point de vue de différents auteurs à propos de la philosophie de Neill

4.2 L’autorité imposée et la discipline sont-elles mauvaises pour l’enfant ?

A maior parte dos pescadores entrevistados exerce a profissão há muitos anos, nascidos em sua maioria no próprio município de entrevista, e pescam nas mesmas localidades, como apontado anteriormente. No decorrer dessa experiência profissional foram perguntados se perceberam alguma mudança seja em aumento ou diminuição da quantidade pescada, ao longo de sua vida como pescador. A resposta foi sim entre 335 pescadores, representando mais de 90% dos entrevistados. Os demais alegaram que não houve variação significativa, ou alguma variação perceptível entre os anos para a quantidade pescada, embora tenham afirmado haver mudanças ao longo do ano eles alegaram que são pequenas mudanças sazonais e que sempre ocorreram.

Segundo os pescadores que afirmaram perceber alguma mudança na quantidade, apenas 4,6% dos entrevistados responderam que as mudanças percebidas foram qualificadas como "aumento na produção pesqueira", enquanto os

86,6% afirmaram que houve uma "diminuição na quantidade" que anteriormente pescavam.

Quanto aos motivos elencados pelos pescadores sobre o que teria causado a mudança na produção pesqueira, a maioria apontou o aumento na quantidade de pescadores, ou seja, um aumento no esforço pesqueiro - causa que pode ser incluída aos métodos e artes de pesca predatórios, dos quais 11% dos entrevistados disse que seria o motivo da diminuição da produção pesqueira.

Explicam que a diminuição do pescado está alinhada a um aumento no número de horas para a pesca, ou seja, um aumento do esforço pesqueiro - atualmente para conseguirem a mesma quantidade antes pescada, necessitam de mais horas de pesca. O que corresponde também a maior gasto com combustível, com alimento, impulsiona os pescadores a utilizarem petrechos menos seletivos. A diminuição nas malhas das redes de pesca, ocasionando a pesca de animais menores, muitas vezes com a captura de pescados jovens, que ainda não reproduziram. A principal consequência dessa pesca predatória e a diminuição do estoque de pescado para as pescas futuras, além do aumento de desperdício e desequilíbrio ambiental.

Outras causas apontadas foram a pesca industrial ou a pesca com redes de arrasto e as sondagens de petróleo, representando 20,9% das causas. Conforme os pescadores, ambas desequilibram o ambiente, pois na pesca industrial há uma grande quantidade de recursos pescados ao mesmo tempo em que há um grande desperdício.

Salienta-se que a frota industrial paraense é descrita como obsoleta, formada desde a década de 70, tem em sua maioria por barcos de aço com tamanho médio de 22m. Com petrecho de pesca principal a rede arrasto, na estratégia parelha com rede de fundo, sendo um tipo de pescaria extremamente insustentável, pois há a rede destrói as formações sedimentares, como os corais, além de descartarem grande quantidade de pescado, já que usem um petrecho de baixa seletividade (DIAS-NETO et al, 1985; FURTADO-JÚNIOR et al, 2002).

Além dos abalos ambientais provocados pelas sondas frequentes na costa, em especial próximo a Curuçá. Os motivos ligados diretamente a mudanças ambientais e climáticas corresponderam a 11,3% das respostas (Figura 10)

Figura 10 – Respostas a "Porque você acha que houve essa mudança na pesca?" pelos pescadores de Colares e Curuçá, ano 2016.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

Nota: 335 entrevistados afirmam ter percebido mudança.

As dificuldades na pesca artesanal enumeradas pelos pescadores apontaram problemas enfrentados quanto aos recursos pesqueiros (estoques para a pesca) e com a comercialização do pescado. O "pescado escasso" foi a dificuldade mais representativa, com cerca de 60%; repercutindo a descrição anteriormente quanto as mudanças percebidas pelos pescadores com relação a quantidade de pescado. A outra dificuldade "comercialização do pescado" por quase 12% dos pescadores está alinhada ao baixo preço do pescado, o que está relacionado a dependência dos pescadores com os atravessadores. A "ausência de uma embarcação pesqueira ou petrechos adequados" representaram 10%. Outros motivos foram apontados, como: a "ausência de segurança pelos pescadores", "conflitos com a pesca industrial" e a "ausência de defeso" aos pescadores de Colares e Curuçá (Tabela 8).

123; 36,7% 70; 20,9% 38; 11,3% 37; 11,0% 20; 6% 0% 10% 20% 30% 40%

Aumento de esforço pesqueiro Pesca industrial (ou de arrasto) e

sondagem de petróleo Mudanças naturais e/ou ligadas ao clima

Métodos e petrechos de pesca predatórios

Poluição ambiental

Tabela 8 – Dificuldades apontadas na atividade pesqueira segundo os pescadores entrevistados nos municípios de Colares e Curuçá, no estado do Pará, ano 2016.

Dificuldades na atividade pesqueira Total geral

Qnt. %

Pescado escasso 195 54,47

Comercialização do pescado 42 11,73

Embarcação e/ou petrecho de pesca inadequada 36 10,06

Pescado escasso e dificuldade de comercializar o pescado 16 4,47

Pirataria 15 4,19

Divergência com a pesca industrial e/ou de arrasto 11 3,07 Ausência de Seguro Defeso e/ou de subsídios ou apoio governamental 9 2,51 Pescado escasso e não possuir embarcação pesqueira adequada 7 1,96

Outros 27 7,56

Total Geral 358 100,00

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

Nota: Qnt: quantidade de pescadores entrevistados.

Dos entrevistados apenas 5,18% indicaram que havia algum tipo de conflito22 na comunidade pesqueira. O principal motivo foi com relação à pesca industrial e/ou de arrasto, seguido por pescadores de outros municípios (Tabela 9). Esse tipo de conflito, também foi encontrado entre pescadores artesanais costeiros no Rio de Janeiro com a pesca industrial (JOVENTINO, 2013).

Com relação, a pescadores de outros municípios o conflito é devido a pescadores que durante o defeso vem a Curuçá e Colares pescar. Os conflitos são comumente registrados onde há esse compartilhamento de áreas de pesca seja na pesca costeira (JOVENTINO, 2013), como em pesca em áreas fluviais (LIMA et al, 2012). Novamente, é apontada a questão do Seguro-Defeso, os entrevistados apontam essa situação, e não entendem o porque de não terem direito a esse seguro defeso em seus municípios, embora em Abaetetuba, município vizinho, os pescadores recebam.

22

Conceito de Conflito, segundo Acselrad (2004, p. 26), trata-se do envolvimento entre: "[...] grupos sociais com modos diferenciados de apropriação, uso e significação do território, tendo origem quando pelo menos um dos grupos tem a continuidade das formas sociais de apropriação do meio que desenvolvem ameaçada por impactos indesejáveis - transmitidos pelo solo, água, ar ou sistemas vivos - decorrentes do exercício das práticas de outros grupos".

Tabela 9 – Descrição dos conflitos entre pescadores na comunidade pesqueira, segundo os pescadores nos municípios de Colares e Curuçá, no estado do Pará, ano 2016.

Conflitos entre os pescadores Total geral

Qnt. %

Pesca industrial e/ou arrasto 8 38,10

Pescadores de outros municípios 5 23,81

Poluição ambiental 2 9,52

Atravessador 1 4,76

Caranguejeros 1 4,76

Com a pesca esportiva 1 4,76

Donos de currais, caranguejeros e arrasto 1 4,76

Pelo estrago do pescado 1 4,76

Pirataria 1 4,76

Total Geral 21 100,00

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

Nota: Qnt: quantidade de pescadores entrevistados.

Dans le document Summerhill : une école libre ? (Page 42-48)