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L’approche hybride pour la recherche de voisinage : grille r´eguli`ere

Chapitre II : Les simulations de dynamique

II.1 Les simulations de dynamique brownienne avec un type de particule

II.1.1 L’approche hybride pour la recherche de voisinage : grille r´eguli`ere

Outro factor que o conto de fadas permite à criança é a utilização da metáfora. A pluralidade de significados que cada acção permite atenua os conflitos que a afligem, suavizando o que poderia sentir como uma ameaça inevitável47.

A utilização da metáfora permitirá também trabalhar os conflitos que a afligem, mas sem os mencionar de forma directa. Este modo indirecto de actuar, por projecção a personagens e acções ou enredo do próprio conto de fadas abre a dimensão do simbólico, em que sem sentir qualquer ameaça pode dar forma aos seus medos e angústias mais íntimos. Projectando os seus sentimentos e elaborando respostas, a criança responde à convocação do querer pensar.

Este pensar que a leva de uma realidade onde se sente insaciada ou que se lhe afigura insuficiente, a uma dimensão onde o seu imaginário faz com que tudo possa ser possível e infinito, dá-lhe a certeza que no final (tal como no conto de fadas) a sua demanda terá a recompensa à sua espera48.

“O “imaginário” concita todo um delicado trabalho dos limites e no limite – naquela zona arriscada e quase-crepuscular do “gonzo”, do “meio” e da mediação: entre real e irreal, entre retirada e comprometimento com o acontecer, entre fingimento e feitura, entre o impossível (que como utopia ao longe sempre se adia e escapa) e a possibilidade real (que urge tomar a cargo para praticamente transformar)”49

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É este imaginário (infantil) que responde ao conto de fadas com toda a sua linguagem polissémica, em que as metáforas e as analogias abrem à criança

47

Referimos aqui a fábula que é uma narrativa que não permite qualquer escolha alternativa ou múltipla. Também as identificações aqui são manifestamente redutoras, uma vez que por uma ameaça sempre latente, a criança tenderá a identificar-se unicamente com a personagem que apresenta melhor carácter moral.

48

“Podemos chamar conto maravilhoso, do ponto de vista morfológico, a qualquer desenrolar de acção que parte de uma malfeitoria ou de uma falta, e que passa por funções intermédias para ir acabar em casamento ou em outras funções utilizadas como desfecho. A função-limite pode ser a recompensa, alcançar o objecto da demanda ou, de uma maneira geral, a reparação da malfeitoria, o socorro e a salvação durante a perseguição, etc.”, PROPP, Vladimir, Morfologia do Conto, Lisboa, op. cit., p. 144. 49

BARATA-MOURA, José, “Imaginário Simbólico e Real” in MESQUITA, Armindo (Coord.), Pedagogias do Imaginário, op. cit., p. 24.

possibilidades onde os sentidos são múltiplos, tornando-a não uma espectadora passiva mas sim criadora de todo um novo mundo50.

Pelo mundo do “faz-de-conta” transgride os limites da realidade que lhe é insuficiente enformando um universo que dá as respostas a todos os seus medos e conflitos51. Tornando-se ela mesma mediadora entre uma realidade “real” e uma realidade “necessária”, é pelo seu pensar que este novo universo se estrutura e se desenvolve.

Pelo conto de fadas, ou pela sua imersão no mundo do “faz-de-conta”, a criança exclui-se a um mero reducionismo interpretativo da narração para torná-la uma forma vivenciada, alargando tanto o seu universo real como o seu universo “irreal”. Este “faz- de-conta” vivenciado permite-lhe pelo seu desenvolvimento enriquecedor, entendimentos multíplices o que torna o conto de fadas como o substrato cognitivo que lhe permitirá a tomada (consciente) de decisões perante qualquer problema que lhe venha a surgir52.

Na dimensão do conto de fadas, o mundo do “faz-de-conta” pode ser encarado como uma possibilidade dinâmica que produz conteúdos, em que permitindo um reagrupamento dos que já existem no inconsciente infantil promove um trabalho de relação compensatória e de complemento entre consciente e inconsciente infantil que se revela na sua resposta e decisão.

50

“Ao mesmo tempo que distrai a criança, o conto de fadas elucida-a sobre si própria e promove o desenvolvimento da sua personalidade. Tem tantas significações, em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança por tantas maneiras, que livro algum é capaz de igualar a quantidade e diversidade de contributos que estes contos trazem para a criança”, BETTELHEIM, Bruno, Psicanálise dos Contos de Fadas, op. cit., p. 20.

51

“O conto levanta questões com as quais todo o indivíduo que vive em sociedade se vê confrontado: rivalidade de gerações, integração dos mais novos no mundo adulto, tabu do incesto, antagonismo dos sexos. Lida com aspectos da vida social e do comportamento humano, com etapas fundamentais da vida como o nascimento, o namoro, o casamento, a velhice e a morte, e com episódios característicos da maior parte vida das pessoas. Do campo emocional fazem parte o amor e o ódio, a desconfiança, a alegria, a perseguição, a felicidade, a rivalidade, a amizade, e, muitas vezes, o mesmo conto refere-se a estes fenómenos em pares contrastantes: o bem contra o mal, o êxito contra o fracasso, a benevolência contra a malevolência, a pobreza contra a riqueza, a fortuna contra a desgraça, a vitória contra a derrota, a modéstia contra a vaidade, ou seja, o branco contra o preto ”, TRAÇA, Maria Emília, O Fio da Memória, Do Conto Popular ao Conto para Crianças, op. cit., p.28.

52

“Pode-se dizer que os contos de fadas devem ser contados às crianças sem qualquer explicação. A criança une-se a si mesma quase naturalmente com o significado íntimo da história. Ela absorve a linguagem da imaginação e sente-se intimamente relacionada com ela. As forças formativas puras da criança, que determinam o desenvolvimento e a saúde do corpo, são alimentadas pelos conto de fadas”:“It goes without saying that fairy tales should be told to children without any explanation. The child unites herself quite naturally with the inner significance of the story. She absorbs the language of the imaginations and feels intimately related to it. The child‟s etheric formative forces, which determine the development and health of the body, are nourished by the fairy-tale (…)”, MEYER, Rudolf, The Wisdom of Fairy Tales, Edinburgh, Floris Books, 2005, p. 17.

Este dinamismo que o conto de fadas apresenta e expõe, faz com que a criança ao sentir a necessidade de se projectar se identifique com o/a (seu/sua) herói/heroína e se envolva em toda a trama que se irá desenrolar no mundo do “faz-de-conta”53. Ora, é este dinamismo que torna o conto de fadas como potencialidade operante para a criança. As imagens que formará, as sequências que imaginará são sem dúvida contaminadas por todas as suas impressões e experiências pessoais que têm para si uma grande importância, e é por causa de cada vida, de cada momento seu, que pelas associações que faz o seu imaginário formará uma resposta singular a cada convocação do conto de fadas. O seu pensar torna-se pelo mundo do “faz-de-conta” genesíaco e o seu mundo simbólico, “material”54

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É por poder inserir-se no mundo do “faz-de-conta” do conto de fadas, que a criança ao desenvolver a sua capacidade imaginativa, acede progressivamente aos sentimentos mais profundos de si mesma. Pouco a pouco este vai revelando significados que favorecerão o desenvolvimento da sua personalidade e consequente capacidade crítica e resposta para uma plena integração social.

A elaboração de um mundo do “faz-de-conta” “particular” revela por esta demonstração de fantasia infantil uma esfera ou universo ontológico singular, pois é pelo entendimento singular que a criança faz do seu mundo “real” e original que cada uma das suas percepções irá determinar o seu mundo imaginário. Poderíamos, neste caso afirmar que a criação e a existência do mundo do “faz-de-conta” se faz de acordo com a sua necessidade o que nos levaria a considerar que a mimese e o produto da imaginação são inseparáveis e equivalentes. No entanto, o mundo do “faz-de-conta” que é criado por si sofre influências diversas e diferentes:

a) Do mundo pessoal e real (físico). b) De sentimentos e emoções reprimidos.

53

“Através da identificação com o herói, a criança percorre sentimentos seus, de ordem múltipla e mesmo contraditória. Entre o desejo e a rejeição, o medo ou o amor, a trama literária tece uma ambivalência de afectos, ao mesmo tempo que oferece à criança a possibilidade de resolver essa ambiguidade, de solucionar a contradição”, MARQUES, Maria Helena Ferreira, “Identidades ficcionais e identidade da criança – sombras brancas em perpétuo recomeço” in MESQUITA, Armindo (Coord.), Pedagogias do Imaginário, op. cit., p. 125.

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“nos conto de fadas, o herói escapa dos clichés cansativos da realidade, entrando num mundo onde a dimensão figurativa ou metafórica da linguagem assume um significado literal. As ideias tornam-se matéria”:“in fairy tales, the hero escapes the tiresome clichés of reality by entering a world where the figurative or metaphorical dimension of language takes on literal meaning. Ideas become matter”, TATAR, Maria, The Hard Facts of Grimms’ Fairy Tales, Princeton, Princeton University Press, Expanded Second Edition, 2003, p. 80.

c) Do mundo do “faz-de-conta” do conto de fadas apresentado. d) Empatia com a situação do herói-personagem.

e) Necessidades a compensar (acções a realizar para obtenção da recompensa desejada).

É portanto o cruzamento de todas estas variáveis que é determinante para a formação da resposta do imaginário da criança. O mundo do “faz-de-conta” que se formou revela a tessitura de todos estes condicionantes onde apenas a variação de importância dada por si a um factor fará oscilar toda a evolução e estruturação deste novo universo.

Este mundo do “faz-de-conta” é pois um universo extremamente frágil mas dinâmico e sempre em mudança pois é determinado, instante a instante, consoante a necessidade psicológica da criança e respectivas respostas a alcançar, o que nos leva a afastar a ideia de que o conto de fadas seja apenas um referencial literário único e estático55.

55

“Só com a repetição frequente do conto, e quando tenha tido tempo suficiente e oportunidade para se debruçar sobre ele, é que a criança pode aproveitar-se plenamente do que a história tem para lhe oferecer no tocante à compreensão de si própria e do mundo. Só então as livres associações da criança derivadas da história produzem o sentido mais pessoal do conto de fadas; só então o conto de fadas a ajuda a resolver os problemas que a oprimem”, BETTELHEIM, Bruno, Psicanálise dos Contos de Fadas, op. cit., p. 77-78.

4.3. Possíveis do “faz-de-conta”: a construção de mundos