• Aucun résultat trouvé

Jugement de grammaticalité

Dans le document en fr (Page 166-169)

Acquisition et traitement de la morphosyntaxe en L2

5.4 Questions de recherche

6.2.3 Jugement de grammaticalité

Você está ali, você está junto com todo mundo, está no mesmo barco, na mesma condição independente de você ter mais experiência ou não,

e isso é que é um fator muito importante.

(Bonina – Reunião de 11/09/06)

Como um rebento da solidariedade, metaforicamente nascida de sua costela, a coesão facilmente poderia ser confundida como um de seus sinônimos. No entanto, embora tenha, por esse mesmo motivo, qualidades intimamente semelhantes às da solidariedade, a coesão possui algumas características que lhe são próprias, peculiares, o que nos fez optar por tratá-la como um indicador diferenciado. Desse modo, interpretamos “como medidas de coesão: a freqüência com que os membros dizem ‘nós’, comparada com ‘eu’. A coesão é considerada como proporcionadora da união entre os membros, do prestígio grupal e do interesse pela atividade” (OLMSTED, 1970, p. 138, destaques do autor).

Ao sair dessa escola, o ônibus solicitado pela coordenação do grupo já nos aguardava na porta. Durante o percurso feito dentro do ônibus a Violeta conversou comigo sobre um fato

que ela achou muito interessante: eu e a Vitória-Régia, embora também sejamos

participantes da Mostra Visualidades III, ainda não havíamos montado a nossa própria exposição e, ao invés de ficarmos nas nossas escolas fazendo isso, preferimos visitar a exposição das colegas. Esse fato lhe chamou a atenção, justamente pelo nosso interesse maior em estarmos juntas com todo o grupo na visita à Mostra (para prestigiar o trabalho dos amigos), ao invés de nos preocuparmos primeiramente conosco mesmas.

(Nota de Campo 17, de 02/10/06)

A realização de um é a realização do grupo!

(Pink – Entrevista coletiva de 11/04/07)

Domenico De Masi (1999) organizou uma publicação acerca de treze grupos historicamente famosos por sua genialidade criativa, apresentando detalhadamente as principais características organizativas de cada um deles e ressaltando as mais relevantes, ou

seja, aquelas responsáveis pelo sucesso e pelo bom desenvolvimento de cada um. Dentre estas, é bastante perceptível a coesão como uma forte motivação dos participantes de determinados grupos, onde as relações sociais se mostram auto-reguladas pela ética e pela capacidade de conciliar os objetivos produtivos da organização social com os objetivos individuais de seus integrantes. Na mesma publicação, acerca do Instituto Pasteur de Paris, Cinti & Lupi (1999, p. 125) afirmam que é possível definir um grupo bem sucedido como “uma cooperativa [...] na qual cada um, no pleno respeito da própria liberdade de ação e da sua especificidade disciplinar, coopera com os outros para a obtenção de um objetivo comum”.

A coesão tem sido reconhecidamente um aspecto muito positivo no grupo por nós pesquisado, um amálgama de grande efeito no seu posicionamento político, na defesa da qualidade do Ensino de Arte no município e, conseqüentemente, na formação continuada de seus professores.

O que nós vamos fazer no próximo ano? Ah, então vamos decidir isso lá dentro do CEMEPE, mas decidir isso coletivamente, embasado sempre pela teoria, embasado sempre pelas pesquisas.

(Sépia – Reunião de 11/09/06)

A coordenadora passa algumas folhas para fazermos uma avaliação sobre o grupo no ano de 2005 e faz a apresentação de seu trabalho. Rosa lê seu texto, bem elaborado, bem escrito,

fundamentado teoricamente com a sua comunicação acerca do saber, da relação “eu - nós”, do encontro com o outro.

(Nota de Campo 07, de 08/12/05)

Deu pra perceber que o Ensino de Arte no município avançou em função da união e da garra, que eu chamo, desse grupo.

(Bonina – Reunião de 11/09/06)

O nosso estudo nos tem dado mostras de que a formação continuada dos professores de Arte no grupo do CEMEPE tem constantemente buscado um aprofundamento teórico- metodológico que visa favorecer a criação, pelos seus integrantes, de novas relações entre teoria e prática, procurando valorizar a experiência de cada professor e possibilitar a ampliação do conhecimento através do estudo e da reflexão, na busca coletiva de novos fundamentos para a prática. Tal busca tem alcançado maiores êxitos principalmente por acontecer coletivamente e por possuir a coesão como liame e sustentação. De acordo com Gatti,

Mentores e implementadores de programas ou cursos de formação continuada, que visam a mudanças em cognições e práticas, têm a concepção de que, oferecendo conteúdos e trabalhando a racionalidade dos profissionais, produzirão a partir do domínio de novos conhecimentos mudanças em posturas e formas de agir. Essa concepção é muito limitada e não corresponde ao que ocorre nesses processos formativos. [...] Os conhecimentos adquirem sentido ou não, são aceitos ou não, são incorporados ou não, em função de complexos processos não apenas cognitivos, mas, socioafetivos e culturais (GATTI, 2003, p. 191-192).

Assim, mais do que conservar os laços socioafetivos e nutrir a convivência solidária entre os seus componentes, o grupo pesquisado tem alimentado a coesão como um dos principais fatores para o seu desenvolvimento e a sua organização.

Encontrar soluções coletivas para os problemas só me fez confirmar a hipótese de que os saberes individuais ao serem apresentados coletivamente se enriquecem e retornam mais ampliados para o indivíduo e, concomitantemente, dão sustentação e fortalecem o grupo, contribuindo para o seu desenvolvimento.

(Nota de Campo 02, de 09/06/05)

A Rosa também levanta algumas questões para uma reflexão conjunta: “– Somos uns 150

professores de Arte nas Escolas Municipais, e o que nós estamos fazendo na sala de aula?” A partir desse questionamento discutimos o quanto temos que ter consciência do nosso trabalho para lutarmos juntos contra algumas correntes que se mostram contrárias a um Ensino de Arte de qualidade.

(Nota de Campo 14, de 07/08/06)

Em Olmsted (1970) vimos algumas atitudes que contribuem para que haja um maior grau de coesão dentro de um grupo, tais como: um destaque relevante na cooperação mais do que na competição; uma atmosfera comumente democrática, distinguindo-se de um ambiente autoritário; a existência de uma associação animada e contente, dentre outros. Assim, ressaltamos que não foi uma grande surpresa percebermos que estas mesmas características têm sua gênese principalmente nos indicadores produzidos por nós até então, nascendo respectivamente da solidariedade, da amizade/acolhimento e da alegria. Conforme afirma este autor, temos igualmente percebido que “membros de grupos coesos tendem a ser mais atenciosos entre si, mais abertos à mudança e à influência, e mais capazes de assimilar as normas do grupo” (OLMSTED, 1970, p. 139).

A coesão também produz seus próprios frutos, originando determinadas qualidades muito necessárias para que um grupo venha a ser bem-sucedido. “Grupos coesos são mais amigáveis e tendem a vencer melhor quando sob frustração. A coesão é um dos fatores propícios à uniformidade de atitudes e comportamento dos membros do grupo” (OLMSTED,

1970, p. 139), aumentando desse modo a possibilidade de haver sucesso nos empreendimentos.

É nesse sentido que apresentamos mais um indicador para o nosso estudo, destacando o comprometimento dos professores de Arte no intuito de ampliar a nossa compreensão acerca do grupo pesquisado.

Dans le document en fr (Page 166-169)