A análise e avaliação do ensino, conjuntamente com a sua planificação e realização são, segundo Bento (2003), as principais tarefas da atuação do professor, e se este pretende assumir corretamente as suas funções, nenhuma destas três atividades pode ser dispensável.
Para o mesmo autor, o delicado processo de avaliação é certamente o mais complexo de todas as dimensões pedagógicas. Portanto, coloca-se então a questão - o que é a avaliação? Trata-se de um elemento balizador do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho, 1994), que fornece informação aos alunos sobre o seu progresso e ao professor sobre o resultado das metodologias utilizadas (Rink, 1993). É pois necessário que a avaliação seja entendida e percebida como essencial no processo de ensino e aprendizagem, isto porque permite verificar a evolução dos alunos ao longo do tempo e dar ao professor a possibilidade de perceber o que tem que modificar na sua ação pedagógica (Siedentop & Tannehill, 2000).
Na minha opinião, avaliar não foi, efetivamente, uma tarefa simples. Eis a confirmação nos seguintes trechos: “Reconheço que continuo a ter dificuldades na avaliação dos alunos, questionando-me muitas vezes se aquilo que observei, se a minha visão crítica foi ou não a mais acertada” (Reflexão da aula nº 61); “…tal como inicialmente previa, senti também algumas dificuldades, sobretudo em efetuar uma análise pormenorizada de uma determinada situação e quantificar num número a globalidade do desempenho dos alunos” (Reflexão final do 1º período).
E nem vale a pena contornar o evidente, pois sem dúvida que as matérias mais complicadas de avaliar foram os desportos coletivos, já que a falta de conhecimento refletia-se, novamente, nas minhas funções. Deste modo, aquando o planeamento da aula procurava “que a mesma fosse simples, isto é, com poucas preocupações ao nível da organização e transição entre as tarefas, ficando, assim, mais disponível para a observação dos alunos” (Reflexão da aula nº 61). No entanto, além de saber que no momento de avaliação é fundamental ter em mente as habilidades que queremos observar em cada tarefa (e isto deve ser preparado aquando o planeamento da nossa
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aula), queria acreditar que todas estas dificuldades também se deviam à pouca experiência que tinha em realizar este tipo de tarefas.
Acresce referir que no final do segundo período já conseguia ter uma perceção mais aprimorada dos acontecimentos. Para tanto, “muito contribuiu o facto de entender os meus próprios erros, assim como a reflexão constante sobre o meu desempenho nas aulas” (Reflexão da aula nº 64), pois “sem um trabalho de reflexão suficientemente aprofundado não é possível a avaliação dos alunos…” (Bento, 2003, p. 175).
Durante o processo de ensino, recorri a diferentes momentos de avaliação contínua: avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. Relativamente às aulas de avaliação diagnóstica, além de ficar a conhecer o nível inicial da turma, procurei implementar algumas rotinas de organização, e recolher dados sobre a dinâmica dos grupos de trabalho. Já no que diz respeito à avaliação formativa, esta também foi tida em conta, mas de uma forma informal, tendo sido mencionada ao nível das reflexões e críticas das aulas, sempre com o propósito de tentar perceber a evolução dos meus alunos, as dificuldades sentidas e fazer, se necessário, alguma alteração no processo de ensino. No entanto, importa referir que tal forma só foi possível porque unicamente lecionava uma turma. Claro que numa situação dita normal, ou seja, quando lecionar várias turmas este procedimento será inviável. Neste caso, a avaliação formativa terá que aparecer no planeamento com momentos específicos para a recolha de informação. Inversamente, a avaliação sumativa assumiu um carácter mais pontual, e através desta pude verificar o nível atingido pelos meus alunos e também a eficácia das estratégias implementadas. Acresce referir, que no momento da avaliação sumativa, procurei também respeitar e garantir a mesma organização das aulas de toda a UD, potenciando as oportunidades de prática e, consequentemente conseguir uma avaliação mais consistente. Quero com isto dizer que uma aula de avaliação é uma aula como outra qualquer e, portanto, deverá ser pensada com as mesmas preocupações de organização e instrução.
Contando com a heterogeneidade de competências motoras existente na turma, optei por realizar as avaliações recorrendo não só a situações com
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interferências contextuais reais, mas também a situações mais analíticas e fechadas, à exceção das matérias de ginástica e atletismo. E uma vez ciente da falta de espírito de sacrifício da grande maioria dos alunos, foi curioso ver a modificação do comportamento da turma nas aulas de avaliação.
Sempre que possível procurei dar a conhecer aos alunos as suas principais dificuldades e capacidades, para que estes se inteirassem do nível em que estavam. Ademais, e no final de cada período, criei um momento para que os alunos realizassem a sua autoavaliação. Alguns deles perceberam que muitas das vezes o não cumprimento de alguns objetivos não está no desconhecimento sobre a forma de realizar as habilidades, mas sim no empenho, interesse e comportamento nas aulas.
Lembro-me das dificuldades que tive aquando a junção de todos os domínios e parâmetros de avaliação no final do primeiro período. Mas com a ajuda do Professor Cooperante e alguma ponderação dos critérios e métodos de avaliação, fui sentindo um maior conforto na forma e no rigor dos procedimentos a adotar.
Sou da opinião que classificar um aluno com base numa escala quantitativa é um trabalho sempre complexo e, também, nunca definitivo. Mas apesar disso, será sempre uma parte muito importante no processo de ensino e aprendizagem.