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IPC Datagram Format An IPC datagram has two parts:

5.S. Using The Mailbox Helper

Chapter 6 Sending Datagrams

6.3. IPC Datagram Format An IPC datagram has two parts:

Quando os doentes apresentam dificuldade de deglutição e deixam de ser capazes de se alimentar de forma “natural” há a necessidade de utilização de uma sonda de alimentação. De igual forma, esta sonda é um tubo que é inserido através do nariz e tem como destino o estômago. Para além da alimentação e da hidratação do indivíduo, esta sonda permite de igual forma a administração de medicamentos [51,52,53].

Esta solução configura riscos especiais nas administrações de medicamentos: o perfil farmacocinético do fármaco pode estar alterado, aumenta o risco de potenciais interações clínicas significativas, pode haver alteração da eficácia do fármaco, entre outras [53,54].

Desta forma, a administração de medicamentos por esta via é um caso particular e que necessita de um reforço de cuidados a ter no uso dos medicamentos, de forma a prevenir complicações na saúde do paciente.

De forma a reforçar a parceria da FNA com os lares e o papel dos farmacêuticos na mesma, desenvolvi uma pesquisa para elaborar uma apresentação a ser realizada aos enfermeiros que trabalham nas instituições (anexo IX), de forma a relembrar a correta utilização dos medicamentos em doentes que utilizam sonda nasogástrica.

2. Introdução

2.1. Recomendações gerais

Há algumas recomendações gerais na administração de um fármaco por sonda que devem ser seguidas minimizando os problemas supracitados: o doente deve estar sentado ou pelo menos com levantado (ângulo entre os 30 e 90º); deve-se ter em atenção se o doente se trata de um doente com restrição hídrica; sempre que for possível deve-se usar uma formulação líquida, sendo diluída com maior viscosidade ou osmolaridade, deve-se agitar bem as suspensões antes de as administrar; os

24 medicamentos devem ser administrados lentamente e logo após a sua manipulação; no caso de polimedicação deve haver uma lavagem da sonda entre fármacos, com pelo menos 5 mL de água tépida [53].

2.2. Interações entre alimentação entérica e fármacos

Dada a escassez de informação entre as interações e incompatibilidades existentes entre medicamentos e alimentos esta muitas vezes torna-se complexa de avaliar [52,53]. Deste modo são preferíveis sondas com dois orifícios de entrada exteriores e antes e depois da administração do medicamento deve haver uma lavagem da sonda com 10-15 mL de água tépida [53].

Se a nutrição entérica é administrada de forma intermitente, os medicamentos devem ser administrados nos intervalos das administrações (preferencialmente 1 hora antes ou 2 horas após) [53]. Se a nutrição é contínua deve haver um estudo mais exaustivo das possíveis interações com alimentos. Caso haja necessidade deve-se ajustar o ritmo de perfusão da alimentação, de forma a garantir as necessidades nutricionais ajustadas ao paciente [53].

• No caso de o medicamento não possuir interações clinicamente relevantes deve a nutrição ser interrompida 30 minutos antes da administração do medicamento e retomada 30 minutos depois [53].

• Quando o medicamento possuir relações clinicamente relevantes deve-se usar uma via alternativa de administração do fármaco. No caso de tal não ser possível a alimentação entérica tem que ser interrompida 1 hora antes e retomada 2 horas após a administração do fármaco [53].

2.3. Seleção da forma farmacêutica para administração do

medicamento por sonda.

Quando disponível a formulação líquida de um medicamento, esta é a que se deve utilizar [2,3,4]. Apesar disso devemos ter em atenção antes de administrar uma formulação líquida alguns parâmetros como a viscosidade, o teor de sorbitol e a osmolaridade [53,54].

Para se evitar problemas na administração de formulações líquidas com alta osmolaridade, podemos recorrer a diluir a solução com uma quantidade adequada de água [54]. Quando as informações sobre osmolaridade não estão disponíveis é aconselhável a diluição com pelo menos 15 a 30 mL de água [53,54].

Quando se tem que recorrer a formulas farmacêuticas sólidas estas necessitam de manipulação [53,54]. Assim, deve haver diferentes cuidados para os diferentes tipos de formulações:

• Os comprimidos de libertação imediata e os comprimidos revestidos (com exceção dos de libertação modificada) devem ser triturados num almofariz até obter um pó fino. Deve, no entanto, haver sempre a verificação que a pulverização não está contraindicada [53,54];

25 • Os comprimidos efervescentes devem ser dissolvidos em água e a sua administração deve ser

realizada após cessar a efervescência do mesmo [53,54];

• As formas farmacêuticas com revestimento entérico, têm como objetivo evitar a degradação do princípio ativo no meio ácido do estômago, prevenir a irritação gástrica ou atrasar o início da ação do fármaco. A sua destruição pode levar à inativação do fármaco, à irritação da mucosa ou favorecer o aparecimento de efeitos secundários. Assim, estes comprimidos não devem ser triturados [53,54].

• Os comprimidos de libertação modificada também não devem ser triturados. A sua trituração leva ao aumento da toxicidade por alteração da farmacocinética do medicamento [53,54]. • É de evitar a administração de comprimidos para administração sublingual uma vez que a

eficácia do princípio ativo está diminuída, sendo que a dose é geralmente inferior à utilizada quando é administrada através do trato digestivo [53,54].

• As cápsulas podem ser abertas e pode-se dissolver/suspender o pó nelas contido em água. No entanto, não se pode fazer este procedimento quando as substâncias ativas são instáveis ou irritantes. De igual forma ao anteriormente referido, também as cápsulas que contêm grânulos não devem ser trituradas para não alterar a cinética do medicamento. Deve também ser verificado o tamanho dos grânulos, já que estes podem obstruir o lúmen da sonda [53,54]. • Nas cápsulas moles, nomeadamente cápsulas gelatinosas contendo líquidos, deve-se extrair o

conteúdo com uma seringa (caso o conteúdo seja estável e não irritante), sendo depois diluído e administrado. Apesar disto, este método não é muito adequado, uma vez que há muito desperdício de medicamento [53,54].

2.4. Caso prático

Uma utente de um lar para o qual a FNA colabora é alimentada com recurso a sonda nasogástrica. Na tabela 4 está descrita a medicação que a utente tem adquirido na FNA desde que utiliza a sonda e os cuidados a ter com a mesma. Desta forma pretende-se alertar exemplificar o descrito em cima, alertando para as particularidades a ter em conta em cada medicamento.

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Tabela 4 – Medicamentos dispensados à utente que utiliza sonda nasogástrica

Nome

comercial

Designação

por DCI Dosagem Cuidados a ter Fontes

Modina® Nimodipina 30 mg

Os comprimidos devem ser triturados e o pó disperso em água.

Está disponível a via parentérica para o mesmo fármaco, podendo ser uma alternativa a usar.

[53,54]

Irbesartan 300 mg Os comprimidos devem ser triturados e o pó disperso

em água. [53]

Amizal® Idebenona 45 mg

Trata-se de um medicamento revestido, mas onde não há libertação modificada.

Deve ser triturado de forma delicada e o pó disperso em água.

[55]

Risedronato de

sódio 35 mg

Deve-se ter cuidado, pois os bifosfonatos tem a sua biodisponibilidade reduzida com alimentos. Deve ser administrado em jejum e permanecer sem

ingerir alimentos pelo menos mais 30 minutos.

[53,56]

Lioresal® Baclofeno 10 mg

Os comprimidos são triturados no almofariz e pó disperso em água.

Deve-se administrar preferencialmente com alimentos, já que diminui os efeitos secundários

(náuseas e vómitos). [53] Calcitab D® (comprimidos mastigáveis) Carbonato de cálcio + vitamina D3 1500 mg + 400 UI

Os comprimidos são dispersos em água. Deve-se monitorizar a perda de eficácia e dos efeitos

adversos inerentes.

[53]

Lasix® Furosemida 40 mg

Os comprimidos devem ser dispersos em água. Como os alimentos reduzem a biodisponibilidade deve ser administrado preferencialmente em jejum.

[52,53,54]

Donepezilo 5 mg

Como são comprimidos revestidos o comprimido deve ser triturado delicadamente em almofariz e o pó

disperso em água.

[52,53] Fluimucil® Acetilcisteína 600 mg Os comprimidos devem ser diluídos em água e

administrar no final da efervescência. [53,54] Eliquis® Apixabano 5 mg

Como são comprimidos revestidos o comprimido deve ser triturado delicadamente em almofariz e o pó

disperso em água.

[57]

Alprazolam 1 mg

Como se trata de um comprimido de libertação modificada não pode ser triturado. Deve ser administrado um comprimido de libertação imediata.

Deverá ser necessário um ajuste de dose. Os alimentos alteram a absorção do comprimido,

pelo que deve-se administrar na ausência de alimentos.

[53]

3. Balanço da atividade

Com o objetivo de fortalecer a parceria da FNA com um dos lares com que colabora, foi apresentado um pequeno power point sobre a administração de medicamentos com sonda nasogástrica aos enfermeiros que trabalham nas instituições.

Os enfermeiros mostraram-se interessados, colocaram questões e tornaram o momento uma partilha de ideias, conhecimentos e experiências. Foram identificados alguns erros, principalmente quando se tratam de formulações com libertação modificada.

27 Com este trabalho pode-se concluir que as parcerias existentes entre as farmácias e os lares ou outro tipo de instituições não pode ser meramente comercial. Tem que ser fortalecido o diálogo entre farmacêuticos, médicos e enfermeiros que colaboram com a instituição. Essa forma cooperativa de trabalhar permitiria prestar um melhor serviço aos utentes, melhorar os resultados em saúde, evitar problemas relacionados com os medicamentos e aumentar o conhecimento dos próprios profissionais de saúde.

Projeto IV: Aplicação da diretiva dos medicamentos falsificados.