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1. IOPR: PROCEDURE;
CIÊNCIAS
O
desenvolvimento motor, utilizando
BIOLOGICAS jogos, brincadeiras, atividades competitivas. CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO CONHECIMENTO SOBRE A CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS, FILOSOFIA, etc... Conhecimento sobre jogos, esportes, danças, lutas, ginástica, entre outros.
Na primeira concepção “atividade física”, a função social da Educação Física se relaciona diretamente a aptidão física ou treinamento físico, não só no campo do desempenho motor, do mais ágil, mais resistente, mais rápido e mais forte, geralmente em busca de medalhas, mas, também, no que tange aos aspectos da prevenção de problemas de agravo da saúde: promoção, proteção e reabilitação da saúde. Portanto, o conhecimento necessário à sua fundamentação será encontrado no campo das ciências biológicas, como os conhecimentos relacionados a anatomia humana, fisiologia humana e do esforço, bioquímica, nutrição, etc.. Nesta concepção a prática pedagógica está associada ao treino físico, isto é, a aula é uma sessão de treinamento.
A concepção seguinte, “movimento humano”, segundo Bracht, (1999) “não marca uma mudança de paradigma”, há um processo de incorporação pela Educação Física “do discurso da aprendizagem motora, do desenvolvimento motor, da psicomotricidade” (BRACHT, 1999, p. 44) A função social da Educação Física está centrada no desenvolvimento da criança em seus domínios cognitivo, afetivo e motor. Trata-se da educação “do” e “pelo” movimento. A idéia é de que as práticas corporais desenvolvidas pela Educação Física estejam relacionadas às fases biológicas do desenvolvimento das crianças e que esta possa aprender os movimentos, numa referência clara ao desempenho, educação do movimento.
De outro lado os aspectos motores ensinados/treinados poderão apoiar o desenvolvimento cognitivo e afetivo na medida em que as noções de esquerda e direita, lateralidade, coordenações óculo-manual e óculo-pedal, etc., são importantes para aprendizagem de outros conteúdos em outras disciplinas: educação pelo
movimento. O conhecimento que fundamenta esta concepção está centrado na psicologia do desenvolvimento, associado, também, aos aspectos biológicos do desenvolvimento humano.
A terceira concepção, cultura corporal, define a Educação Física como prática pedagógica que tematiza a cultura corporal de movimento.
“o movimentar-se é entendido como forma de comunicação com o mundo que é constituinte e construtora de cultura, mas, também possibilitada por ela. É uma linguagem, com especificidade, é claro, mas que, enquanto cultura habita o mundo do simbólico. (...) Ora, o que qualifica o movimento enquanto humano é o sentido/significado do mover-se, sentido/significado mediado simbolicamente e que o coloca no plano da cultura”. (BRACHT, 1999, p.45)
Isto quer dizer que a ginástica, as danças o esporte, etc., enquanto elementos da cultura corporal de movimento, tratados pedagogicamente pela Educação Física na escola, são conteúdos desta prática pedagógica, e devem ser apreendidos em todas as suas dimensões históricas, políticas, econômicas, midiáticas, comportamentais, dos hábitos, valores, etc. E devo destacar a dimensão da prática para enfatizar que em certo momento confundimos o sentido de acrescentar as demais dimensões a serem apreendidas sobre os elementos da cultura corporal, entendendo que aprender “sobre”, significava não fazer, não jogar, não correr, não brincar... estirpando, para nós, o que há de mais rico nas aulas de Educação Física que é a possibilidade de ter a vivência, a prática como uma das dimensões do conteúdo.
É importante salientar que as duas primeiras perspectivas apresentadas remetem a uma concepção de Educação Física que não:
“(...) permite ver o objeto como construção social e histórica e, sim como elemento natural e universal, portanto, não histórico, neutro política e ideologicamente, características que marcam, também, a concepção de ciência que vão sustentar as suas propostas”. (BRACHT, 1999, p.45),
Isto é, há uma naturalização do movimento como se este não fosse também produção humana do campo da cultura.
Retomando os estudos da professora Nereide Saviani (2003) sobre o campo da história do currículo, perceberemos que uma das generalizações apontadas indica que a elaboração do currículo “consiste numa seleção de elementos da cultura, passíveis (e desejáveis) de serem ensinados/aprendidos na formação”.(SAVIANI, 2003, p.33) O que significa dizer que as disciplinas escolares se constituem em uma seleção de elementos da cultura. Na verdade um conjunto de ênfases e omissões, de decisões que consideram o interesse da formação pretendida naquela circunstância particular (histórica, econômica, social, política, etc) em que são decididas.
A Educação Física, como as demais disciplinas ensinam elementos da cultura tratados pedagogicamente na escola. Trata-se, portanto, de identificar a necessidade de tomarmos o tradicional conhecimento a cerca da cultura corporal de movimento e tratá-lo pedagogicamente na escola em todas as suas dimensões no sentido de experimentá-los e compreende-los.
Quando focamos sua função social e os conhecimentos que a fundamentam as duas primeiras concepções do objeto que trata a Educação Física identificamos a perda da possibilidade de compreensão destes elementos da cultura por nossos alunos na medida em que a prática pedagógica se resume ao ensino da dimensão da prática, do como fazer. No entanto, o próprio Bracht (1992), chama a atenção para o fato de que não “basta pensar/trabalhar a Educação Física no campo da cultura para identificá-la com uma concepção progressista/crítica, pois, existem, também, conceitos que operacionalizam e definem cultura em campos conservadores”. Sugere que a cultura e nela o corpo e, também, “o movimentar-se precisam ser estudados e entendidos como estruturas sociais de sentido e significado complexos, em contextos e processos sócio- históricos específicos”. (BRACHT, 1999, 46)
Podemos agora retomar a questão posta para esta mesa: É possível a Educação Física ter um “papel” no currículo do IFBA? Em outros termos: considerando o papel social que atribuímos à Educação Física e os princípios estabelecidos no PPI é possível dar sentido ao ensino da Educação Física no IFBA?
O primeiro desafio que apontamos para a área da Educação Física desta Instituição é de tomar a decisão sobre qual a função social deste componente curricular na escola. Se considerarmos que a prática pedagógica possível e desejável é aquela relacionada exclusivamente a prática das atividades físicas e ao desenvolvimento das habilidades motoras no sentido do treino ou da promoção da saúde, teremos algumas dificuldades: 1) em avançar sobre as demais dimensões dos seus conteúdos; 2) retomar os princípios do PPI na formação: a igualdade, a solidariedade, a inclusão, a sustentabilidade e a democracia; 3) utilizar uma pedagogia do campo crítico no processo de formação do cidadão histórico-crítico.
Ao tomarmos a função social do treinamento físico/esportivo como função social da Educação Física devemos atentar para as características desta prática: 1) a regularidade: os estudos tem mostrado que o treino se torna eficaz se for executado pelo menos três vezes por semana; 2) a duração: os estudos mais recentes indicam que as sessões diárias devem ser compostas de um mínimo de trinta minutos, ininterruptos ou em sessões mínimas de dez minutos; 3) a intensidade: é preciso manter a atividade pelo menos em intensidade moderada para que haja resposta do organismo em relação a condição física; e 4) tempo necessário ao treino das habilidades motoras (técnicas e táticas) necessárias há modalidade. Neste caso a disciplina não tratará dos conhecimentos da cultura corporal de movimento com os estudantes, mas, aplicará sobre eles alguns princípios, também produzidos historicamente pela humanidade, para garantir os objetivos de melhorar a condição física ou a qualidade de movimentos técnicos/táticos já elaborados.
A questão que se levanta é: esta forma de tratamento do conhecimento nas aulas de Educação Física sustenta a presença da Educação Física na Instituição? Como tratar a igualdade, a solidariedade, a sustentabilidade e a inclusão se o objetivo final é a melhor performance física? Como formar o cidadão histórico-crítico, democrático se não há tempo/espaço nas aulas para a produção da crítica?
Se entendermos, no entanto, que a função social da Educação Física é o ensino dos conhecimentos relativos à cultura corporal de movimento, então podemos, ao incorporar de forma crítica as demais dimensões destes conteúdos, atender ao
compromisso assumido pelo PPI do IFBA de que a “prática educativa deve promover o desenvolvimento do senso crítico em relação ao mundo, sendo este desenvolvimento pautado nos princípios de igualdade, solidariedade e sustentabilidade.” (BRASIL/IFBA, 2008, p. 32)
4 A repercussão dos fundamentos do PPP do IFBA no que concerne à especificidade do trato do conhecimento da Educação Física
As exigências da formação em Instituições como o IFBA sempre foram de um ensino centrado no conhecimento técnico com alto grau de exigências dos estudantes e pouca preocupação com a formação humana. No entanto, o PPI aponta para um projeto educativo que:
[...] deve estabelecer as relações entre o conhecimento e a prática do trabalho,preparando os indivíduos para a inserção na vida social com uma visão global, no sentido de garantir a toda a população o acesso crítico aos conhecimentos e ao desenvolvimento da cidadania para que possam enfrentar os desafios da sociedade contemporânea com perspectiva de futuro, e iniciativa para transformá-la qualitativamente.
A escola que havia, em certo tempo, delegado às pressões externas a determinação de seu plano de formação humana, pois vinculou o projeto formativo institucional às exigências mercadológicas, apontou, no momento da formulação do PPI, para uma nova perspectiva muito mais ampla de formação humana. Esse fato coloca uma questão para as disciplinas que não compõe àquelas relacionadas diretamente à formação profissional, mas estão no campo das linguagens, como as Artes plásticas, a Música, a Educação Física, etc. Os conhecimentos específicos da área devem procurar aproximações com o conteúdo técnico relativo aos processos produtivos? Moraes, (2012), ao considerar que o papel destas disciplinas, ao longo do desenvolvimento da escola moderna, sempre foi o de distinguir os integrantes das classes sociais mais abastadas, assim se posiciona:
A resposta é direta: não. O papel dessas disciplinas nos dias de hoje, na escola pública, deixou de ser distinção de classe e passou a ser ato de rebeldia. Ou se rebelam em
nome do direito de todo estudante a acessar a produção humana no campo da cultura em seu mais amplo espectro, inclusive o corporal, ou caminhamos para o ostracismo, para a monotonia, para a desvalorização, para o descrédito. Mas colocar tais disciplinas a serviço do sistema produtivo é perder tempo, esforço físico e emocional e retirar do estudante o direito de conhecer outras formas de aprendizagens que o mundo oferece. (MORAES et al., 2012, p. X)
Se de um lado a ideia de distinção de classe pelas práticas corporais e domínio da cultura e das artes não tem mais sentido na escola, de outro, aproximá-las dos conhecimentos relativos aos processos produtivos seria colocar-lhes “camisa-de-força”, uma tarefa instrumental e utilitarista das aulas de Educação Física.
A relação da Educação Física com o mundo do trabalho (entendido no PPI [p.5] como a relação de poder que se estabelecem entre o capital e o trabalho) deve ser construída a partir da sua especificidade, isto é do seu conteúdo próprio, tratado de forma crítica e criativa. Isso significa que a cultura corporal de movimento deve ser compreendida como uma linguagem, isto é, como uma chave de leitura do mundo. A Educação Física, como componente curricular obrigatório em todas as fazes da Educação Básica, deve ensinar os conhecimentos da cultura corporal de movimento como uma linguagem que permite à juventude compreender as relações entre o movimentar-se e o mundo que a cerca. Deriva daí a compreensão que só é possível estabelecer estas relações se os elementos da cultura corporal, escolhidos para serem tematizados na escola, forem tratados em todas, ou no maior número possível de dimensões (histórica, social, econômica, conceitual, procedimental, atitudinal, etc...).
Considerando esta perspectiva para o trato do conhecimento nas aulas de Educação Física é possível resgatar os princípios apresentados no PPI do IFBA para afirmar que o nosso planejamento deve incorporar jovens de ambos os sexos em nossas aulas; deve incorporar os menos hábeis e os portadores de necessidades educativas especiais em todas das atividades; deve incorporar conteúdos diferentes a cada ano/trimestre/bimestre e para cada turma no sentido de aumentar o conhecimento e repertório de nossos alunos, sobre a cultura corporal. Não há sentido em aulas livres ou alunos que optam por atividades que desenvolverão durante o ano todo com a
“supervisão” do professor. Não há sentido em procurarmos o atleta olímpico em nossas aulas.
5 Referências
BRACHT, Valter. As ciências do esporte no Brasil: uma avaliação crítica. In FERREIRA, Amarílio. As ciências do esporte no Brasil. Campinas: Autores Associados, 1995. BRACHT, Valter. Educação Física & ciência: cenas de um casamento (in)feliz. 2.ed. Ijuí: UNIJUÍ, 2003
BRASIL. Lei n° 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional. Diário Oficial da União. Brasília, 23 dez.1996. Disponível em: <http://legislacao.planalto.gov.br/legislacao>. Acesso em: 13 jul. 2006.
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SAVIANI, Nereide. Saber escolar, currículo e didática: problemas da unidade conteúdo, método no processo pedagógico. 4 ed. São Paulo:Autores Associados, 2003.
Prof. Dr. Luiz Alexandre Oxley da Rocha Universidade Federal do Espírito Santo Centro de Educação Física e Desportos Av. Fernando Ferrari, 514 Goiabeiras Vitória - ES - CEP 29075-91