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Introduction

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Chapitre V : Plateforme SiGe à forte concentration en Ge pour le moyen infrarouge

1. Introduction

Neste item, buscar-se-á apresentar, primeiramente, o conteúdo verbal das entrevistas de Luiz acerca dos elementos constitutivos do segundo eixo da Análise Psicodinâmica do Trabalho. Destaca-se que tal

eixo corresponde à mobilização subjetiva, cujos elementos constitutivos são: Inteligência prática; Espaço público de discussão; Cooperação; e Reconhecimento. Posteriormente, identificar-se-á as circunstâncias as quais Luiz relaciona às vivências de prazer no trabalho em seu trabalho.

Enquanto ator de teatro, Luiz afirma que aprendeu frases como: “o ator deve resolver qualquer problema”, e “o show não pode parar. ” Tais frases são utilizadas pelo artista para exemplificar a presença marcante de circunstâncias imprevistas no trabalho, em que o ator de teatro necessita recorrer à inteligência prática, no sentido de lidar com tais circunstâncias. Seguem alguns exemplos de situações imprevistas no trabalho do ator de teatro, relatados por Luiz:

(...) grupo que tem trabalho de rua, e estar na rua é não saber o que vai acontecer. Histórias não faltam de pessoas entrando em cena. (...) teve uma que eu não vi, mas o pessoal conta de um pai que queria bater a foto de um filho e daí jogava o balão do filho para dentro da cena para o filho correr atrás do balão. (...) uma vez eu estava no trabalho e um moço bêbado veio andando. Era um trabalho com perna de pau então tinha as meninas em cena e não tava em cena eu tava atrás para entrar depois. As meninas de perna de pau andando na rua, o terreno todo cheio de paralelepípedo e o cara entrou, e ficou ali, não saía ali. Nesse meio tempo, entrou o diretor correndo pegou ele e saiu com ele de cena. (...). Tem uma apresentação que a gente fez em Concórdia, um espetáculo que a gente tava estreando, nossa eu tenho até pesadelos com essa apresentação, que não foi bacana. Porque a gente precisava entrar e sair de cena no escuro, montar o cenário no escuro e sair, só que quando apagava as luzes, ficava escuro mesmo, não dava para ver nada. Geralmente tem umas luzinhas na coxia, dessa vez não dava pra ver nada. Então, a gente colocava lá e achava que tava pronto e saia andando, a gente tava de branco e o público conseguia ver isso. Era horrível, e quando as luzes acendiam, as coisas tavam fora da luz, aí tinha que jogar ela durante a cena, indo pra luz. Bem difícil, mas nada que não se resolva (Luiz). Apesar da ocorrência de situações imprevistas como a interferência do público, esquecimento de fala, e localização errada de cenário serem frequentes, Luiz refere que lidar com essas situações, de

modo a minimizar ou evitar a percepção de algo diferente do esperado e/ou de erros por parte do público, exige preparo e amadurecimento profissional.

Em relação ao espaço público de discussão, para Luiz, não há na região da Grande Florianópolis, a manutenção de um espaço de discussão e deliberação, e de cooperação entre grupos de teatros diferentes. Nas palavras do artista:

(...) a gente tem uma parceria com alguns artistas que são amigos, parceiros, que já apresentaram aqui algumas vezes e que a gente pode contar. Mas a gente sabe que tem outras pessoas que não fazem questão de vir aqui. (....) As pessoas que estão há mais tempo assim conseguem ver mais certa competitividade. Eu vejo desunião, até um pouco da nossa parte. (...) e existem esses grupinhos, eu considero isso ruim. Porque querendo ou não, a gente já viu alguns exemplos no Estado de coletivos que se reuniram e conseguiram se fortalecer no local. Eu sei que chegou até mim sobre pessoal de Itajaí, Joinville e Concórdia. Eles se juntaram então fazendo acontecer lá. Aqui é difícil, aqui não acontece, não acontece mesmo. Aqui tem duas universidades que têm grupos dos cursos de teatro, de artes cênicas. Temos duas universidades e todo ano surgem novos profissionais no mercado. Aí criam mais grupos com seus amigos da universidade. Não vejo a possibilidade de haver uma grande união no momento (Luiz).

No entanto, Luiz refere que em seu trabalho, tanto no centro cultural quanto no grupo de teatro, há abertura para discussões relativas ao trabalho a ser desempenhado, planejamentos a serem desenvolvidos, e tomada de decisão.

Enquanto grupo a gente tem essa questão cada um pode colocar a sua visão, a sua opinião e a gente tem que se entender chegar num consenso. Mas eu acredito que essa liberdade tem seus limites, porque de repente a gente vai poder ensaiar em um determinado horário, a gente tem um número x de ensaios que a gente vai ter que fazer, porque que tem outras coisas para fazer, outros compromissos. Eu quero dizer que não é tão aberto assim, mas de qualquer maneira é bastante diferente do que eu tinha antes. A gente tem mais flexibilidade de

horários. A questão do que vai ser feito, do que vai estudar, de como a gente vai trabalhar, é tudo decidido coletivamente, cada um coloca a sua opinião (Luiz).

No entanto, mesmo havendo abertura para discussões relativas à atividade desempenhada, não foi observado a existência de um espaço público de discussão enquanto espaço de deliberação ou espaço político de organização coletiva. Em outras palavras, com base no conteúdo verbal expresso por Luiz, pode-se observar que apesar de existir um espaço para discussões pertinentes à maneira de executar as atividades de trabalho, não foi possível perceber a existência de um espaço onde o trabalhador possa repensar seu trabalho ao falar sobre ele, interpretá-lo e modificá-lo na busca da ressignificação de situações sofríveis.

As relações de cooperação no trabalho de Luiz são observadas através da admiração mútua entre os integrantes do centro cultural e do grupo de teatro, ao se reconhecerem como profissionais competentes na área artística. Além do reconhecimento existente entre tais artistas, foi possível observar a existência de uma intensa troca de saberes durante o processo de trabalho e na trajetória de Luiz, na esfera artística. No trabalho de Luiz, além da troca mútua de saberes, os artistas ajudam uns aos outros e conversam sobre a melhor maneira de executar seu trabalho. Desse modo, pode-se perceber a presença de relações de cooperação entre Luiz e seus colegas de trabalho.

Segundo o artista, seu trabalho tende a ser reconhecido, com mais intensidade, por colegas do centro cultural e do grupo de teatro, e por artistas próximos a ele.

Eu não tenho a menor dúvida de que aqui dentro, o meu trabalho é reconhecido dentro do grupo, e das pessoas com quem eu trabalho. (...) tem diversos profissionais da área aqui na cidade, que eu conheci nos últimos anos, que me relacionei e que trabalhamos juntos e que eu vejo respeito a ali nessas relações. (...) então eu acho que sim eu me sinto reconhecido principalmente numa esfera mais próxima (Luiz).

No que concerne ao reconhecimento ao trabalho desenvolvido, Luiz elucida que o mesmo pode ter três origens distintas, o público, colegas de trabalho e atores próximos, e atores os quais Luiz não possui contato. Segundo o artista, o reconhecimento do público em relação ao seu trabalho tende a variar conforme as apresentações, mas de maneira geral, tende a haver um retorno positivo do público que assiste suas apresentações. “(...) em relação ao público tem reconhecimento, mas eu

diria que é muito pontual. De maneira geral, quando a gente faz uma apresentação o público daquela apresentação, costuma apresentar resultados positivos, e eu fico feliz por isso. ”

Apesar de Luiz referir que o público e outros artistas de sua área que não possuem proximidade com ele nem sempre reconhecem seu trabalho, percebe-se que o artista atribui grande relevância ao reconhecimento do trabalho por ele desenvolvido, quando proveniente dos demais integrantes do centro cultural e do grupo de teatro, e de artistas mais próximos. Salienta-se ainda, que o ator relaciona o reconhecimento do trabalho por ele desenvolvido à possibilidade de vivenciar prazer em seu trabalho.

Para Luiz, o prazer no trabalho, além de ser vivenciado por intermédio do reconhecimento ao trabalho desenvolvido, pode ser relacionado: ao fato de exercer a profissão de livre escolha; liberdade e autonomia para realização de suas atividades de trabalho; aos momentos pré, durante e pós apresentação; processo de criação de apresentações; liberdade para criar – incluindo-se: realização de diferentes tipos de apresentações (contação de histórias, monólogos, peças teatrais, e etc.) em locais variados (teatros, praças, estradas, e etc.); presença de roteiros previamente elaborados, ou não; utilização de iluminação cênica artificial ou natural; escolha de músicas, temas, figurinos e cenários distintos.– ; e experiências exitosas diante de circunstâncias imprevistas.

Após trabalhar na sua área de formação por dois anos como estagiário, um ano como assistente de atendimento, e três anos como freelance, Luiz afirma sentir-se mais realizado, com o trabalho na área artística.

Eu não fui simplesmente conduzido ou arrastado, (...) eu estive em outras áreas e entrei nessa consciente de que eu estava fazendo o que eu queria. (...). Nesses últimos anos eu me sinto muito mais realizado. (...) a área artística é uma área que proporciona a expressão, seja individual ou em grupo. É uma área onde pessoas estão ali se expressando através da arte da maneira delas, independente da linguagem escolhida, seja teatro, dança ou escultura, ela se expressa como quiser. Eu gosto muito disso, (...). Essa liberdade de expressão me faz gostar muito de trabalhar aqui. (...). (...) esse é o emprego que eu quero ter, eu tô no emprego dos meus sonhos (Luiz).

Para o artista, a possibilidade de trabalhar na profissão que ele escolheu livremente e que lhe proporciona, em inúmeros momentos,

liberdade de expressão, é considerada como uma das fontes de prazer em seu trabalho. Outra possibilidade de vivenciar prazer no trabalho, apontada por Luiz, é a existência de liberdade e autonomia para o desenvolvimento de atividades de trabalho. No entanto, o artista ressalta que apesar de possuir mais liberdade e autonomia do que quando trabalhou com contrato formal de trabalho, na área de publicidade e propaganda, a liberdade e autonomia para o desenvolvimento de suas atividades de trabalho na esfera artística são limitadas.

Conforme Luiz, a existência de compromissos com prazos e horários, bem como a discussão coletiva da maior parte das decisões acabam provocando certa limitação na liberdade e autonomia que cada integrante do centro cultural possui para desenvolver suas atividades. Salienta-se que para Luiz, da mesma maneira que discutir coletivamente, questões pertinentes ao trabalho, oportuniza que todos os integrantes participem das decisões, tenham conhecimento do que está ocorrendo em seu local de trabalho, planejem juntos estratégias para o alcance de objetivos e responsabilizem-se juntos pela tomada de decisão, tal fato tende a limitar a liberdade e autonomia de cada trabalhador no desenvolvimento de suas atividades.

Para Luiz, outra possibilidade de vivenciar prazer em trabalho pode ser relacionada aos momentos pré, durante e pós apresentação. Nas palavras do artista:

Eu tenho muito prazer em apresentar. Eu gosto muito do pré trabalho, do pós, mas a apresentação é o que me pega. Assim, eu gosto muito do nervoso que dá antes e durante. Eu tenho muito prazer em conhecer novos teatros e entrar em novos espaços. Eu entro e fico feliz. (...) eu gosto de chegar no lugar de apresentação do momento de apresentar. Aquele espaço de tempo, ele é muito prazeroso para mim (Luiz).

O artista relata ainda, que o processo de criação de apresentações para ele é muito prazeroso. Tal processo, segundo Luiz, envolve as pesquisas voltadas ao desenvolvimento de conhecimentos e habilidades cênicas, e aos ensaios. Conforme anteriormente destacado, no ano de 2016, o grupo de teatro realizou mais apresentações de monólogos do que de peças teatrais, devido à saída de dois integrantes. De tal forma, não foi possível realizar os encontros semanais voltados aos ensaios de peças teatrais, e de pesquisas voltadas ao desenvolvimento de conhecimentos e habilidades cênicas.

A criação de apresentações é descrita por Luiz como uma possibilidade de vivenciar prazer em seu trabalho, principalmente, quando se pode criar livremente. Conforme o artista, a arte possibilita uma infinidade de caminhos a serem seguidos, e poder usar de tantas alternativas para a criação de apresentações é algo muito prazeroso. Luiz refere que tais alternativas dizem respeito a situações como: a realização de diferentes tipos de apresentações (contação de histórias, monólogos, peças teatrais, e etc.) em locais variados (teatros, praças, estradas, e etc.); presença de roteiros previamente elaborados, ou não; utilização de iluminação cênica artificial ou natural; escolha de músicas, temas, figurinos e cenários distintos.

Diante de tais possibilidades, Luiz discorre que a principal limitação à criação de apresentações, é relacionada à instabilidade financeira enfrentada pelo grupo de teatro. De acordo com o artista, a falta de recursos financeiros para cobrir custos referentes a eventos maiores, remunerar os atores do grupo e contratar mais atores, em inúmeros momentos inviabilizou a criação de novas apresentações.

Luiz elucida que atualmente, o grupo está procurando alternativas para superar a instabilidade financeira que permeia seu cotidiano.

A gente tá numa fase em que a gente tem pensado mais nisso. Hoje acho que esse pensamento do mercado tá crescendo, por exemplo: a gente tá pensando que os atores têm contações de histórias que são geralmente para crianças. São trabalhos que são menores que duram 20 minutos, 25, meia hora. Por que a gente não pode trabalhar com isso? É uma das vertentes do trabalho do ator, digamos assim. Mas querendo ou não, é um trabalho mais comercial, que pode vender mais para escolas. O próprio Sesc contrata contações histórias. Essas outras questões influenciam no trabalho e ao mesmo tempo nos assuntos escolhidos. (...) a gente tá dando mais uma olhada por esse ponto, acho que principalmente numa possibilidade de entradas financeiras. Isso é uma alternativa. Acho que para mim, pelo menos, uma coisa não elimina a outra. Posso tá fazendo arte, expressando ou estudando o que eu quiser, tendo a minha liberdade aqui dentro e ir para rua, e ir para os palcos e colocar essas apresentações. Não precisa eliminar outro trabalho que envolve fazer artístico, mas que tá relacionado com o comercial.

Acho que se for para produzir alguma coisa e vender, prefiro produzir algo artístico, do que tá produzindo alguma porcaria. Eu posso pegar um assunto que eu acho bacana e que vai ser construtivo para as crianças. Existe algo chamado de teatro empresa, que é quando a empresas contratam apresentações artísticas para falar sobre determinado assunto, sobre a empresa, sobre relacionamento interpessoal ou ecologia. Isso a gente lutou muito contra, eu sei que seria uma maneira mais fácil, assim como as contações de história. Só que a gente tá vendo que a contação de história é mais interessante, ela trabalha com educação e a gente pode se apresentar em biblioteca, em feiras do livro e coisas que mais a ver com que a gente procura, com que a gente busca de influências positivas. Agora com o teatro empresa a gente não se relaciona bem (Luiz). Conforme Luiz, para tentar superar as instabilidades financeiras, o grupo de teatro tem pensado em voltar algumas de suas apresentações, como as contações de histórias, a aspectos mais comerciais. Apesar de tal fato, limitar mais a liberdade de criação de apresentações, o artista acredita que não existirão vivências de sofrimento ao realizar tal feito, desde que a mensagem transmitida durante as apresentações não vá de encontro a seus ideais e que haja outros espaços para que se crie com maior liberdade.

Outra circunstância apontada por Luiz, como possibilidade de vivenciar prazer em seu trabalho, trata-se da existência de experiências exitosas diante de situações imprevistas. Apesar de situações como a interferência do público, esquecimento de fala, e localização errada de cenário, serem frequentes no trabalho do ator de teatro, conforme anteriormente mencionado, lidar com essas situações, de modo a minimizar ou evitar a percepção de algo diferente do esperado e/ou de erros, por parte do público, exige preparo e amadurecimento profissional. Desse modo, ter experiências exitosas frente a tais situações rata-se também de uma maneira de perceber e demonstrar tal amadurecimento, e de vivenciar prazer no trabalho.

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