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Couplage entre la région active et les guides passifs

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Chapitre IV : Modulateur Mach Zehnder utilisant l’électroréfraction par ESCQ dans les

1. Conception du modulateur Mach Zehnder

1.3. Couplage entre la région active et les guides passifs

Para Lakatos e Marconi (2003), os procedimentos metodológicos dizem respeito ao conjunto de atividades racionais e sistemáticas que permitem alcançar com maior segurança o objetivo almejado. Assim, a delimitação desta pesquisa será considerada a partir de duas perspectivas, uma metodológica e uma teórico-epistemológica. Da perspectiva metodológica, realizou-se uma pesquisa qualitativa, de corte temporal transversal.

Segundo Creswell (1998, p.15), a pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como “um processo de investigação e entendimento baseado em tradições de investigação metodológicas que exploram o problema humano e social”. No qual, ” o pesquisador constrói um quadro complexo e holístico, analisa palavras, reporta detalhadamente as visões de informantes e conduz o estudo em um campo natural”.

Denzin e Lincoln (2006) vislumbram que a pesquisa qualitativa é, um campo de investigação, que envolve a coleta de uma variedade de materiais empíricos e que dessa maneira tende a não privilegiar uma única prática metodológica em relação a outra. Para as autoras “a pesquisa qualitativa é uma atividade situada que localiza o observador no mundo” (DENZIN e LINCOLN, 2006, p. 17).

Ressalta-se que em relação a amostragem, a pesquisa qualitativa não se baseia em critérios numéricos para garantir sua representatividade (MINAYO, 2001). Fraser e Gondim (2004, p.147) elucidam que “o critério mais importante a ser considerado neste processo de escolha não

é numérico, já que a finalidade não é apenas quantificar opiniões e sim explorar e compreender os diferentes pontos de vista que se encontram demarcados em um contexto”. Ao deixar de lado a representatividade baseada em critérios numéricos, a pesquisa qualitativa busca um aprofundamento, também subjetivo (DEMO, 2001).

Para Dejours et al. (2014, p.22),

não é possível quantificar uma vivência, que é em primeiro lugar e antes de tudo qualitativa. O prazer, a satisfação, a frustração, a agressividade, dificilmente se deixam dominar por números. Da mesma forma pode falar-se de uma armadilha quando se quer dar conta em termos objetivos de uma vivência individual ou coletiva que é, por definição, subjetiva.

Cabe destacar que apesar do privilegiamento a pesquisa qualitativa em psicodinâmica, não se faz uma oposição ao uso de técnicas quantitativas (MERLO; MENDES, 2009), que podem ser pertinentes a pesquisas associadas ao posicionamento interpretativista (LÓPEZ; SCANDROGLIO, 2007). Desse modo, neste estudo foram mencionados aspectos quantitativos relacionados ao contexto de trabalho artístico no Brasil, embora os aspectos qualitativos sejam o foco deste estudo.

Na abordagem qualitativa existem diferentes maneiras de ordenar o conhecimento científico. Com o intuito de tornar mais claras as opções metodológicas e suas correspondentes bases epistemológicas, López e Scandroglio (2007) trazem à luz cinco paradigmas: positivismo, empirismo lógico, pós positivismo, interpretativismo e o construcionismo. O presente estudo orienta-se a partir do paradigma interpretativista, buscando a compreensão dos atores a respeito dos fenômenos sociais, sem exclusão radical de métodos quantitativos (LÓPEZ; SCANDROGLIO, 2007).

Ainda em relação à perspectiva metodológica do presente trabalho, ressalta-se que o corte temporal realizado foi o transversal, pois abordar-se-á o universo de pesquisa em um determinado contexto sócio histórico em um período de tempo específico (RICHARDSON, 1999).

Da perspectiva teórico-epistemológica, a abordagem segue pressupostos baseados na psicodinâmica do trabalho. A metodologia da pesquisa em psicodinâmica do trabalho foi construída inicialmente com base em pressupostos da psicopatologia do trabalho e com certa influência da ergonomia (DEJOURS et al., 2014). Em 1990, Dejours introduziu a clínica do trabalho como intimamente relacionada à pesquisa em psicodinâmica do trabalho (MENDES, 2007c; MENDES; ARAÚJO,

2012). A clínica do trabalho é uma maneira de colocar o trabalho em análise,

é um processo de revelação e tradução dos seus aspectos visíveis e invisíveis, que expressam uma dinâmica particular, inserida numa intersubjetividade própria a cada contexto, e que permite o acesso aos modos de subjetivação, às vivências de prazer-sofrimento, às mediações e ao processo saúde-adoecimento (MENDES, 2007c, p.65).

Do ponto de vista epistemológico, a psicodinâmica do trabalho é uma teoria de natureza crítica do trabalho (MENDES, 2007a; MERLO E MENDES, 2009), que compreende dimensões da construção- reconstrução das relações existentes entre sujeitos-trabalhadores e a realidade concreta de trabalho. Vislumbra articular a emancipação do sujeito do trabalho. Tece críticas ao trabalho prescrito, desestabiliza o que já está posto, e acaba por traduzir o trabalho a partir dos processos de subjetivação e vice-versa (MENDES, 2007a).

As especificidades da clínica psicodinâmica exigem uma qualificação teórico-metodológica, que seja capaz de articular a teoria social e do sujeito, a uma condução centrada na escuta do outro. O processo de fala-escuta implica em algo que vai além do falar-ouvir, requerendo, assim, que o pesquisador escute o não dito, o silenciado, o oculto (MENDES; ARAÚJO, 2012). Por intermédio desse processo, pode-se buscar, junto ao coletivo de trabalho revelar o que não é visível e construir estratégias que permitam a ressignificação do sofrimento, um novo sentido ao trabalho e espaço para ações na organização do trabalho (MENDES, 2007c; MENDES; ARAÚJO, 2012).

A clínica do trabalho parte de algumas questões centrais. Importa para a clínica do trabalho o acesso ao invisível, apreender a prática do trabalho, o trabalho vivo, a mobilização para o fazer, o engajamento da inteligência, do saber fazer e da subjetividade (MENDES, 2007c). Na clínica do trabalho há o privilegiamento da fala, principalmente, a fala coletiva (MENDES, 2007c). Dessa forma, o método desenvolvido por Dejours, ocorre por intermédio de sessões coletivas (MENDES, 2007c; DEJOURS et al., 2014), e é composto por três etapas distintas (MENDES; ARAÚJO, 2012; DEJOURS et al., 2014). A primeira etapa é denominada de pré-pesquisa, podendo ser caracterizada pela análise da demanda. Já a segunda etapa, trata da pesquisa propriamente dita, ou seja, o momento em que são discutidas coletivamente as relações existentes entre a organização do trabalho e as vivências de prazer-sofrimento no trabalho.

A terceira etapa consiste na validação dos resultados (MENDES; ARAÚJO, 2012; DEJOURS et al., 2014).

Ressalta-se que apesar da psicodinâmica do trabalho privilegiar o método desenvolvido por Dejours, ela não permanece restrita a ele (MENDES, 2007c; MENDES; ARAÚJO, 2012). Algumas adaptações à proposta inicial devem ser efetuadas “para atender às especificidades das demandas do contexto sócio histórico e cultural” do país de realização da pesquisa (MENDES; ARAÚJO, 2012, p.43).

Desse modo, Mendes (2007c) propõe algumas variações e adaptações das técnicas de coleta de dados, que apesar de apresentarem diferenças da proposta inicial de Dejours, mantém os princípios centrais da psicodinâmica. Entre as técnicas de coletas de dados sugeridas por Mendes (2007c) estão: entrevistas semiestruturadas abertas, que podem ser tanto individuais quanto coletivas; sessões coletivas com grupos de trabalhadores. No que tange à análise dos dados, as pesquisas em psicodinâmica possuem uma abordagem predominantemente qualitativa, apoiadas em seu arcabouço teórico (MERLO; MENDES, 2009). 4.2 UNIVERSO DE PESQUISA

Conforme outrora mencionado, inúmeros setores e atividades profissionais possuem dimensão simbólica, mas não necessariamente devem ser consideradas pertencentes ao setor cultural ou conectadas à atividade artística. Como exemplo pode-se salientar a definição de economia criativa, que possui ampla abrangência, compreendendo setores que apesar de possuírem dimensão simbólica, não necessariamente fazem parte do setor cultural (FGV, 2015; MENGER, 2005). De acordo com FGV (2015), o setor correspondente à economia criativa transcende ao setor tipicamente conectado à produção artístico-cultural (música, dança, teatro, artes visuais24, literatura, patrimônio cultural e circo), também reconhecido como campo da economia da cultura, concebendo atividades

24 Conforme o Plano Nacional de Artes Visuais (BRASIL, 2011, p. 20), “integram o círculo das Artes Visuais aquelas formas de expressão artística que, tendo como centro a visualidade, gerem - por quaisquer instrumentos e ou técnicas - imagens, objetos e ações (materiais ou virtuais) apreensíveis, necessariamente, através do sentido da visão, podendo ser ampliado a outros sentidos. (...). É necessário antes de qualquer diagnóstico, redefinir as Artes Visuais como um território que incorpora hoje diversas áreas de expressão, além das Artes Plásticas consideradas convencionais (pintura, escultura, desenho, gravura, objeto)”.

relacionadas à inústria de conteúdos, à arquitetura, ao design. (BRASIL, 2011; FGV, 2015).

Haja vista a complexidade concernente à organização e definição dos setores denominados criativos e culturais, Throsby (2001b), elaborou um modelo que categoriza tais atividades em três círculos concêntricos. No cerne do modelo encontram-se as artes criativas tradicionalmente conhecidas como: artes visuais; literatura; patrimônio cultural; música; dança; artesanato; artes performáticas; e práticas que envolvem o uso de tecnologia (arte multimídia).

Assim, um primeiro critério para a seleção dos artistas abrangidos por este estudo foi relacionado às suas área de atuação. Nesse sentido, objetivou-se selecionar artistas que atuassem em áreas do setor cultural que estivessem em consonância com as áreas abrangidas pela delimitação de economia da cultura, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (2015), e com núcleo do modelo composto de três círculos concêntricos, proposto por Throsby (2001b).

Com base nos critérios anteriormente descritos, optou-se por universo de pesquisa, artistas da grande Florianópolis atuantes nas seguintes áreas:

Figura 5 – Áreas do Setor Cultural Compreendidas pelo Estudo

Fonte – Elaborado pela autora com base em Thorsby (2001b) e FGV (2015) Outro critério para a seleção dos artistas abrangidos por este estudo foi o delineamento de um grupo de artistas a partir da satisfação

Áreas do Setor Cultural

Música Dança Artes Visuais Literatura Teatro Patrimônio Cultural Circo

de alguns pressupostos, pois definir quem é um artista, é uma tarefa árdua, independente da área do setor cultural compreendida (KARTTUNEN, 1998; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009). Tal como o termo cultura, o termo artista é considerado polissêmico e de difícil definição e operacionalização em pesquisas (WASSAIL; ALPER, 1985; JEFFRI; THROSBY, 1994; KARTTUNEN, 1998; THROSBY, 1996, 2001b; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009).

Throsby (2001b) elucida que o profissionalismo nas artes subsiste a um conjunto complexo de atributos, em que nenhum deles por si só pode ser condição suficiente para considerar a alguém um artista, e que nem todos são condições necessárias. Dessa forma, o autor sugere que o delineamento de um grupo de artistas profissionais deve depender da aplicação de um conjunto de critérios que podem exigir que o sujeito satisfaça dois ou mais dos seguintes pressupostos:

• Demonstrar evidência de aceitação pelos pares;

• Possuir qualificações educacionais adequadas e/ou ter um conjunto suficiente de experiência em atividades artísticas ao invés de treinamento formal;

• Gastar uma quantidade mínima de tempo no trabalho criativo durante um período determinado;

• Pertencer a um organismo de certificação;

• Ganhar certo nível de rendimentos advindo do trabalho artístico.

Desse modo, para a delimitação dos artistas abrangidos por este estudo, foi necessária a satisfação de pelo menos dois dos pressupostos sugeridos por Throsby (2001b). Diante do objetivo de selecionar a base de participantes de artistas para este estudo, buscou-se localizar contatos de artistas, na internet, comunidades, sites, instituições, organizações, conforme os pressupostos anteriormente descritos. Após o estabelecimento de uma lista de potenciais participantes, realizou-se contato para verificar a existência de interesse para participar deste estudo. Entre os potenciais participantes, vinte quatro artistas afirmaram possuir interesse em participar do estudo. Dentre os quais, quatro foram convidados a participar de entrevistas individuais semiestruturadas em profundidade, após aplicação do questionário e da realização de uma entrevista semiestruturada, a respeito de sua história e trajetória profissional, para verificação do cumprimento dos critérios anteriormente estabelecidos.

Destaca-se que anteriormente à qualificação, pretendíamos abranger um número maior de artistas e realizar uma entrevista semiestruturada com cada um deles. Após sugestões na qualificação deste projeto, resolvemos diminuir o número de artistas participantes da pesquisa, e realizarmos entrevistas semiestruturadas em profundidade e observação de sua rotina de trabalho.Assim, fizeram parte desta pesquisa quatro artistas atuantes na região da grande Florianópolis, sendo uma mulher e três homens, que pertencem a distintas áreas da esfera artística. Dentre eles, um possuía escolaridade de segundo grau completo, uma estava com a graduação em andamento, e os outros dois, curso superior completo. À época da pesquisa, setembro a dezembro de 2016, um deles era solteiro, uma morava na casa dos pais com o namorado e os outros dois eram casados. No que diz respeito à faixa etária, o primeiro tinha 31 anos, a segunda, 25 anos, o terceiro, 29 anos, e o quarto, 49 anos.

No que tange ao tempo de experiência na esfera artística, o primeiro trabalhava na área há aproximadamente, 5 anos, a segunda possuía 20 anos de experiência como dançarina e quatro anos como professora de dança, o terceiro possuía cerca de 20 anos de experiência na música e 10 anos trabalhando como músico, e o quarto estava com aproximadamente 30 anos de trabalho artístico. Para preservar, a identidade dos participantes, seus nomes foram substituídos, neste estudo, por: Luiz, Equilibrista, Fernando e Ricardo.

4.3 INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DE COLETAS DE

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