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Etat de l’art

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Chapitre I : Introduction à la photonique silicium

3. La photonique Si pour le moyen infra rouge

3.2 Etat de l’art

todos os setores que possuem dimensão simbólica podem ser associados às artes e à economia da cultura como um todo. Os termos indústrias criativas e economia criativa, por exemplo, possuem ampla abrangência, e compreendem setores que apesar de possuírem dimensão simbólica, não necessariamente fazem parte do setor cultural (FGV, 2015; MENGER, 2005; PORTA, 2006). Dessa forma, fatos como a tentativa de delimitação de quem é ou não um artista, tornam-se tarefas complexas e repletas de ambiguidades (WASSAIL; ALPER, 1985; JEFFRI; THROSBY, 1994; KARTTUNEN, 1998; THROSBY, 1996, 2001b; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009), pois cada sujeito que trabalhe em uma “indústria cultural” pode ser reconhecido como um artista (THROSBY, 2001).

Para Throsby (2001b), a organização dos setores criativos e culturais pode ser compreendida a partir de um modelo que categoriza suas atividades em três círculos concêntricos. No cerne do modelo encontram-se as artes criativas tradicionalmente conhecidas como: artes visuais; literatura; patrimônio cultural; música; dança; artesanato; artes performáticas; e práticas que envolvem o uso de tecnologia (arte multimídia). Já o círculo intermediário contempla atividades relacionadas a bens e serviços culturais e não culturais, como: revistas; jornais; rádio; cinema; e televisão. No círculo externo pode-se vislumbrar atividades cujos produtos podem ter conteúdo criativo ou cultural, mas que se expandem para áreas não culturais, como: arquitetura; publicidade; e turismo.

No modelo de Throsby (2001b), as artes são identificadas como lócus de origem de ideias criativas, e essas ideias irradiam para fora combinando-se a outros insumos possibilitando a produção de uma gama de produtos que transcendem ao setor cultural. O autor, ao elaborar tal modelo distingue as atividades desenvolvidas no círculo concêntrico interno dos demais círculos. Para Throsby, pode-se falar de força de trabalho artístico – referente ao círculo interno – como distinta de categorias mais amplas de trabalhadores da cultura. A figura a seguir ilustra a categorização dos setores criativos e culturais através do modelo desenvolvido por Throsby (2001b).

Figura 2 – Círculos Concêntricos da Organização dos Setores Criativos e Culturais

Fonte: Elaborado pela autora baseado em Throsby (2001b)

No entanto, definir quem é um artista, ou segundo Throsby (2001b), quem pertence ao círculo concêntrico interno, é uma tarefa árdua, independente da forma de arte ou país envolvido (KARTTUNEN, 1998; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009). Tal como o termo cultura, o termo artista é considerado polissêmico e de difícil definição e operacionalização em pesquisas (WASSAIL; ALPER, 1985; JEFFRI; THROSBY, 1994; KARTTUNEN, 1998; THROSBY, 1996, 2001b; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009). É corriqueiramente empregado de forma vaga, podendo ser utilizado para identificar a alguém que começou a pintar, dançar ou cantar, tanto como emprego, quanto como um hobby, ou ainda àqueles que são muito hábeis em alguma atividade (KARTTUNEN, 1998).

A originalidade do artista, também pode ser considerada, como um dos fatores que motiva a definição conceitual de sua profissão em

Arquitetura Publicidade Turismo Revistas Jornais Rádio Cinema Televisão Artes Visuais Literatura Patrimônio Cultural Música Dança Artesanto Artes Performáticas Artes Multimídia

termos muito abstratos. Não é simples definir, sujeitos singulares, cujas obras ou trabalhos não podem ser facilmente comparados com qualquer pessoa (KARTTUNEN, 1998).

Para Karttunen (1998), na maior parte das áreas profissionais, geralmente é simples definir quem pertence a um grupo ou profissão em particular. Inúmeras profissões, como medicina e direito, possuem registros profissionais e certificados de conclusão de curso. Há também nessas profissões, a prevalência de controle, especialmente dos conselhos profissionais, que podem intervir na atuação profissional em caso de má conduta. Nas artes, claramente ocorre o contrário. Todos são livres para se autodenominarem artistas, sem a presença formal de um grau de instrução ou qualquer manifestação oficialmente reconhecida de competências (KARTTUNEN, 1998), além disso, as artes correspondem mal à concepção tradicional de trabalho ou emprego remunerado (KARTTUNEN, 1998, THROSBY, 2001b; MENGER, 2002).

A questão do profissionalismo nas artes, desse modo, é especialmente delicada (KARTTUNEN, 1998, THROSBY, 2001), normalmente entende-se como amador àquela pessoa que exerce uma atividade pelo amor, sem qualquer interesse em seu potencial econômico para lhe proporcionar uma vida. Paradoxalmente, há quem atribua aos artistas profissionais ou verdadeiros, características correspondentes a alguém alheio ou indiferente aos motivos econômicos (KARTTUNEN, 1998).

Salienta-se complexidade da determinação do significado do termo artista e da compreensão do profissionalismo nas artes não se limita ao nível conceitual, mas compreende também a operacionalização de seus homólogos a nível empírico (KARTTUNEN, 1998, THROSBY, 2001b). Inúmeros pesquisadores que têm se dedicado ao estudo de artistas, consideraram a definição da população estudada, complexa, requisitando tratamento extensivo (WASSAIL; ALPER, 1985; JEFFRI; THROSBY, 1994; KARTTUNEN, 1998; THROSBY, 1996, 2001b; MENGER, 2002; BENDASSOLI, 2009).

Wassail e Alper (1985) realizaram em 1981 um estudo com 3000 artistas de todas as gamas de ocupações consideradas artísticas da Nova Inglaterra, por um questionário enviado via e-mail. A amostra inclui todos respondentes que relataram ter realizado algum trabalho artístico durante o ano de realização da pesquisa. Os autores analisaram cinco variáveis binárias, sendo elas:

• Geração de renda proveniente da atividade artística superior às despesas incorridas por ela;

• Filiação em sindicatos de artistas;

• Sem empreendimentos, mas com trabalhos artísticos; • Indicador de trabalho artístico como ocupação principal. No estudo desenvolvido por Wassail e Alper (1985), apesar de 80% dos respondentes terem recebido algum tipo de renda a partir da arte no último ano, apenas 47% tinham recebido renda a partir da arte que ultrapassara as despesas incorridas por ela. Os autores ainda referem que embora 74% da amostra tenha afirmado serem artistas enquanto ocupação principal, apenas 24% atuava exclusivamente como artistas. Em relação a filiações sindicais, 58% dos respondentes afirmaram ser sindicalizados.

Wassail e Alper (1985), após obterem o resultado de seu estudo, chamam atenção para o fato de que pesquisas como a do Censo dos Estados Unidos, – que determinam quem pode ser considerado artista a partir de critérios como a execução de atividade artística na semana anterior à pesquisa – deixam à margem sujeitos com carreira e informações relevantes.

Jeffri e Throsby (1994), em uma pesquisa empírica com artistas em artes visuais na Austrália e nos Estados Unidos desenvolveram três pressupostos para identificação do artista profissional.

• Mercado (ganhar a vida a partir da prática da arte); • Formação (treinamento em arte);

• Pares (reconhecimento por parte de artistas já reconhecidos profissionalmente).

Na pesquisa desenvolvida pelos autores, a maior parte dos participantes que se descreveram como artistas possuíam algum tipo de formação em artes. A maior parte deles também havia passado mais da metade de seu tempo em atividades relacionadas às artes, mas apenas a minoria dedicava-se exclusivamente a tais atividades. Em relação ao reconhecimento de pares, a maioria dos artistas autodeclarados artistas atingiram tal quesito. Assim, Jeffri e Throsby (1994) concluíram que apesar do fato de que a maior parte dos artistas em artes visuais na Austrália e nos Estados Unidos pudesse ser considerada como artista profissional por formação e/ou reconhecimento dos pares, apenas uma minoria satisfaria a definição baseada em critérios associados ao ganhar a vida a partir da arte.

Throsby (2001b) elucida que o profissionalismo nas artes subsiste a um conjunto complexo de atributos, em que nenhum deles por si só pode ser condição suficiente para considerar a alguém um artista, e que nem todos são condições necessárias. Dessa forma, o autor sugere que o delineamento de um grupo de artistas profissionais deve depender da aplicação de um conjunto de critérios que podem exigir que o sujeito satisfaça um ou mais dos seguintes pressupostos:

• Demonstrar evidência de aceitação pelos pares;

• Possuir qualificações educacionais adequadas e/ou ter um conjunto suficiente de experiência em atividades artísticas ao invés de treinamento formal;

• Gastar uma quantidade mínima de tempo no trabalho criativo durante um período determinado;

• Pertencer a algum tipo de organização formal relacionado às artes;

• Ganhar certo nível de rendimentos advindo do trabalho artístico.

Throsby (2001b) salienta que a aplicação dos critérios anteriormente descritos é árdua, mas se faz necessária, visto que a utilização apenas de critérios financeiros para a distinção entre o artista profissional e o amador, é inadequada. Há que se considerar que artistas profissionais recebem pouca ou nenhuma remuneração em alguns períodos significativos (JEFFRI; THROSBY, 1994; THROSBY, 2001b), e muitos deles acabam desenvolvendo alguma atividade não artística, conforme demonstrado por Wassal e Alper (1985). Não há como considerar que exista uma maneira neutra para definição do artista, a definição acaba sendo na maior parte das vezes, uma questão relativa e política. No entanto, é possível o desenvolvimento de uma abordagem reflexiva que proporcione uma base sensível ao contexto vivido, para a construção de uma definição e operacionalização ideal do artista em pesquisas empíricas.

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