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No âmbito da questão “Como ensina os valores na sua sala de aula?” foram identificadas 7 categorias: Diálogo, Reflexão, Ensino de regras e comportamentos, Atitudes do Professor, Metodologia, Actividades e Benefícios sociais.

A análise do Quadro 20 permite verificar que as três categorias que se destacam com maior número de verbalizações são a relativa à explicitação de Actividades (N=21; 33,3%) desenvolvidas pelos professores no âmbito dos valores, a categoria referente à Metodologia (N=14; 21,3%) adoptada no desenvolvimento

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dessas mesmas actividades e ao Diálogo (N=12; 18,2%) enquanto estratégia privilegiada de educação para os valores. Neste sentido, os professores referem-se ao desenvolvimento de valores na sala de aula essencialmente a partir do diálogo, enquanto estratégia privilegiada para a sua aquisição, e também a partir de uma metodologia específica que contemple a realização de actividades em grupo, orientadas para a interiorização dos valores e recorrendo às vivências do quotidiano das crianças. As actividades apontadas pelos professores envolveram dramatizações, dança, histórias, notícias, filmes, desenhos e fichas de Formação Cívica.

Quadro 20

Ensino de valores na sala de aula: Categorias, Sub-categorias, Exemplos, Frequências e Percentagens

CATEGORIA SUB-CATEGORIA EXEMPLOS N %

1. Diálogo

1.1. Em geral

“Recorro frequentemente ao diálogo” (Suj. 1)

“Discutindo e analisando as diversas situações” (Suj. 2); (Suj. 5); (Suj. 8); (Suj. 10); (Suj. 11); (Suj. 17); (Suj. 18)

“Através de debates” (Suj. 3) “…pela discussão” (Suj. 4)

10 15,2

1.2. Clarificação de valores

“Converso sobre o que entendem por valores e em particular por cada um deles. Levo os alunos a descobrir em conjunto os valores mais significativos para cada um deles e como podem aplicá-los na escola, na família e na comunidade” (Suj. 16)

1 1,5

1.3. Confronto de

pontos de vista “…pelo confronto de ideias” (Suj. 4) 1 1,5

2. Reflexão

“Através da promoção da reflexão das atitudes tomadas pelos alunos (…) à consciencialização dos seus actos” (Suj. 1); (Suj. 16); (Suj. 17)

“Descoberta da moral [de uma história que foi lida ou de um filme]” (Suj. 7); (Suj. 8) 5 7,5 3. Ensino de regras e comporta- mentos 3.1. Em geral

“Aprendem cumprindo as regras estabelecidas” (Suj. 16); (Suj. 17) “…de modo a favorecer atitudes correctas e aceitáveis” (Suj. 2)

3 4,6

3.2. Reforços positivos

“Aproveito todas as oportunidades para

valorizar os alunos” (Suj. 18) 1 1,5 3.3. Modificação de

comportamento

“Recorro frequentemente ao reconhecimento da sua culpa e da necessidade de pedir desculpa” (Suj. 1) “Corrigindo atitudes impensadas ou erradas” (Suj. 2)

2 3,0

3.4. Responsabiliza- ção

“Cada aluno tem uma responsabilidade a executar durante uma semana para o bom funcionamento da sala de aula” (Suj. 17)

1 1,5

3.5. Modelos de comportamento

“As crianças também aprendem com os exemplos comportamentais dos professores e da comunidade escolar” (Suj. 16); (Suj. 4); (Suj. 19)

3 4,6

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Professor todos são iguais, todos são importantes” (Suj. 1)

4.2. Aceitação “…na base da aceitação de uns para

com os outros” (Suj. 18) 1 1,5 4.3. Amizade “… na base da amizade” (Suj. 18) 1 1,5

5. Metodologia

5.1. Construção grupal

“[debates] entre grupos” (Suj. 3)

“…no 4.º ano já são os alunos a transmitir aos outros os valores que adquiriram” (Suj. 6)

“Levo os alunos a descobrir em conjunto os valores” (Suj. 16)

3 4,6

5.2. Vivências quotidianas

“A partir de vivências dos alunos (…) de situações ocorridas na sala ou no recreio” (Suj. 8); (Suj. 2); (Suj. 9); (Suj. 11); (Suj. 17); (Suj. 20)

“Os valores estão implícitos no nosso quotidiano, e também no dos alunos” (Suj. 6)

“No dia-a-dia com os nossos alunos através de casos práticos” (Suj. 13) “Procuro pôr em prática os valores” (Suj. 18)

“Através da promoção diária” (Suj. 1)

10 15,2

5.3. Documental

“Recorrendo a recomendações escritas, conclusões que vão sendo registadas” (Suj. 7)

1 1,5

6. Actividades

6.1. Lúdicas

“Recorrendo a actividades variadas como dramatização, dança” (Suj. 7); (Suj. 3); (Suj. 5)

“Jogos lúdicos como [exemplos da vida real]” (Suj. 17)

“Através de actividades didácticas e pedagógicas, tendo em conta o aspecto lúdico” (Suj. 10)

“Através de um jogo de hierarquia de valores” (Suj. 15)

6 9,1

6.2. Histórias

“Também promovo a leitura de pequenas histórias com respectiva exploração oral e abordagem do tema” (Suj. 9); (Suj. 8); (Suj. 7); (Suj. 10); (Suj. 13); (Suj. 14); (Suj. 17)

7 10,6

6.3. Notícias

“…uma notícia no jornal, na televisão é ponto de partida para que os valores estejam presentes” (Suj. 11)

1 1,5

6.4. Filmes “Descoberta da moral de um filme” (Suj. 7) 1 1,5 6.5. Desenhos “Desenhando” (Suj. 3); (Suj. 5); (Suj. 7) 3 4,6 6.6. Questionários “Aprendem através de questionários” (Suj. 16) 1 1,5 6.7. Educação

Cívica

“Os valores ensinados na sala de aula são maioritariamente dados e referenciados nas aulas de Educação Cívica” (Suj. 12)

“…desenvolvendo fichas no âmbito da formação cívica” (Suj.10)

2 3,0

7. Benefícios

sociais “…de modo a evitar conflitos” (Suj. 2) 1 1,5 TOTAL 66 100 A análise das sub-categorias apresenta concordância com o que foi referido anteriormente. De facto, os professores enfatizam uma vertente comunicativa expressa em termos da implementação de debates, discussões e análise das mais

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variadas situações, que se reflicta num diálogo transversal à relação entre professores e alunos (Diálogo em geral, N=10; 15,5%) e que aproveite situações práticas do dia-a- dia das crianças que materializem as suas vivências (Vivências quotidianas, N=10; 15,5%), o que aponta para a natureza eminentemente vivencial dos valores. No que diz respeito à actividade mais desenvolvida, os professores destacam a leitura e exploração de histórias por relação com os valores (Histórias, N=7; 10,8%).

Em síntese, os valores são ensinados por via do diálogo, orientado para a clarificação de valores e para o confronto de ideias divergentes, bem como por uma metodologia sistemática diária que vise a exploração, vivência e aplicação prática dos valores. De acordo com Lodi (2004, p. 14), a criação destes espaços de diálogo permite “pensar, opinar, escutar pontos de vista diferentes, comparar as posturas expressadas, buscar argumentos e posições melhores; assim como acordar normas, soluções e projectos de acção. Nesse processo de diálogo, provavelmente conseguirão analisar os factos com que se preocupam e acordar soluções (…) Finalmente, o diálogo é também uma ferramenta de compromisso. Dito de maneira rápida, aquilo a respeito do que se fala é mais fácil de aceitar, de ver claramente e, acima de tudo, de se comprometer para cumprir. O diálogo colectivo cria o sentimento de responsabilidade”.

Tal como os resultados encontrados para a questão relativa a “Como é que acha que as crianças aprendem os valores?”, também aqui foi reforçada a implementação de uma educação para os valores vinculada ao quotidiano das crianças e às suas experiências, no sentido do que preconiza Afonso (2007), ao ter em conta os interesses dos alunos e o seu quotidiano escolar e social. Por tudo isto, é possível concluir que a adesão das crianças aos valores e às regras que o professor pretende transmitir não pode ser imposta do exterior, pois é preciso que cada uma delas os “construa por si (e em si), de forma racional, reflectida e crítica, começando pelos valores da liberdade, do respeito, da igualdade, da justiça da democracia, dos direitos humanos, etc. – de modo a torná-los significativos e presentes nas escolhas e acções quotidianas” (Afonso, 2007, p. 21). E essa construção passa, precisamente e sobretudo, pela análise e discussão de situações concretas.