I - AU SERVICE DE LA POPULATION
2) Des interventions théoriques : les conférences et les cours
No quadro dos nossos objectivos, apresentamos o processo de construção e adaptação dos instrumentos utilizados na investigação
Devido à impossibilidade de utilizar instrumentos previamente elaborados que servissem os objectivos da nossa investigação, decidimo-nos pela sua construção e adaptação para recolher dados junto dos gestores das organizações que aderiram ao estudo.
Tivemos como preocupação a definição clara das variáveis que pretendíamos medir, o que constitui condição essencial para promover a unidade conceptual do questionário. Considerámos, para efeitos da recolha de dados a selecção da população alvo, o contexto e as condições de aplicação.
Após a pesquisa bibliográfica relacionada com os constructos a medir, preocupámo-nos em construir instrumentos de avaliação que tivessem por referência modelos pré-existentes que nos servissem de orientação, tanto na definição das categorias, como na descrição do conteúdo dos itens.
Foram efectuados estudos ao nível das suas qualidades psicométricas, procedimentos através dos quais se procurou garantir a sua adequação à investigação em questão, isto é, a sua utilização com um grau de confiança aceitável.
Na construção dos questionários foram respeitadas as etapas sugeridas por Hill e Hill (2000), designadamente:
• realização de entrevistas;
• elaboração de uma versão prévia do questionário;
• verificação da sua adequação numa amostra de gestores pertencente à população do estudo (pré-teste).
A revisão da literatura efectuada foi ainda essencial nesta fase do nosso trabalho, na medida em que constituiu um elemento orientador fundamental do conteúdo do questionário, cujo processo de construção está estruturado no Quadro 5.1.
Quadro 5.1 – Processo de construção do Questionário
Etapas Acções
Etapa 1
Elaboração do guião Realização das entrevistas Análise de conteúdo
Etapa 2: Versão prévia do questionário Revisão por dois investigadores Etapa 3: Realização do pré-teste
Questionário Final
Optámos por referir previamente um conjunto de informações de carácter geral, relativo às entrevistas exploratórias realizadas e à técnica utilizada no tratamento dos dados que através dela foram recolhidos. Vamos limitar-nos à apresentação dos resultados obtidos na análise de conteúdo respeitante aos temas da entrevista efectuada aos gestores, aquando da explicitação da etapa 1 do processo de construção e validação do Questionário (ver Quadro 5.1).
Considerámos três tipos de validação do Questionário: de conteúdo, de constructo e de critério. A validade de conteúdo reporta-se à representatividade e adequação dos itens de um questionário face à variável que pretende medir, bem como à adequação desses mesmos itens à população a que se destinam, em termos de clareza e compreensibilidade. A validade de constructo procura avaliar o grau em que os resultados obtidos com um instrumento são reveladores dos constructos teóricos que lhe estão subjacentes. A validade de critério (não avaliada), centra-se na comparação dos resultados obtidos com um determinado instrumento com critérios externos considerados medidas independentes do que o instrumento procura medir (Nunnaly, 1978; Fink e Kosecoff, 1985; Hill e Hill, 2000).
A noção de constructo, de acordo com Kerlinger (1986) é equivalente à de conceito distinguindo-se deste último em virtude de possuir um sentido adicional, dado ter sido deliberada e conscientemente criado ou adoptado para uma determinada finalidade científica. Uma vez que os constructos são equivalentes a conceitos, constituindo variáveis hipotéticas, eles são também interpretáveis enquanto variáveis latentes, aleatórias e, potencialmente livres
de erro (Bollen, 1989). Para medirmos um constructo, dado que este não pode ser directamente observável, pois constitui uma variável hipotética, é fundamental defini-lo em termos operacionais. Esta definição supõe a possibilidade de especificação das actividades necessárias à sua medição (Kerlinger, 1986).
De um modo geral, são conhecidos dois grupos de definições operacionais: as baseadas em medidas e as de natureza experimental. No trabalho que desenvolvemos utilizamos as que pertencem ao 1º grupo.
Iniciou-se a revisão do guião com um pré teste junto de três gestores das organizações objecto de estudo, escolhidas aleatoriamente, a fim de testar a compreensão das questões constantes do guião por parte dos entrevistados. Efectuadas as respectivas correcções e ajustamentos, seguiu-se a fase das entrevistas a gestores de instituições sedeadas em Setúbal, que fazem parte da amostra de trinta e duas Instituições envolvidas no estudo. Foram realizadas cinco entrevistas, de carácter exploratório, junto de gestores das instituições (2- Instituições Particulares de Solidariedade Social, 1- Estatal e 2- Privado, de modo a abranger os tipos de oferta existentes), com o duplo objectivo de perceber qual o grau de familiaridade relativamente aos temas centrais da presente investigação e de recolher informação potencialmente relevante para a elaboração dos itens do questionário, nomeadamente ao nível da sua adequação ao sector a estudar. Estas entrevistas tiveram um carácter semi-estruturado, assente num guião que elaborámos, que compreendia questões abertas relativas aos temas centrais da presente investigação (ver Anexo 1). Optámos pela modalidade semi-estruturada da entrevista, pelo facto de esta se adequar aos objectivos deste estudo, designadamente no que concerne à possibilidade que oferece de serem apresentados os mesmos tópicos aos diferentes entrevistados, permitindo-nos aceder a dados potencialmente comparáveis.
A técnica utilizada para o tratamento da informação recolhida foi a análise de conteúdo, tendo sido efectuada uma análise temática que se baseia nas propostas de Festinger e Katz (1974), Bardin (1979) e Bogdan e Biklen (1994). A aplicação das regras em questão, podem expressar-se da seguinte forma:
a. Leitura integral de todas as entrevistas com o duplo objectivo de, por um lado, captar o seu sentido global e, por outro, a especificidade de cada entrevista em particular;
b. Definição das unidades de análise: unidade de registo (U.R. – foi considerada como unidade de significação a codificar o mais pequeno segmento de texto, pelo que a proposição coincide aqui, com a unidade de registo), unidade de contexto (considerámos cada uma das entrevistas efectuadas, na sua globalidade, como a unidade de contexto que melhor auxiliaria a clarificar a unidade de registo, por exemplo, podermos saber quantos sujeitos referiram determinado aspecto), unidade de enumeração (U.E. – coincide com a unidade de contexto, ou seja, corresponde à entrevista);
c. Definição de categorias e subcategorias: o processo de categorização foi efectuado tendo por base as analogias de significado das unidades de registo. Assim sendo, o sistema de categorias é o produto final da progressiva classificação analógica das unidades de registo, pelo que a sua designação conceptual definitiva ocorreu somente no final deste procedimento;
d. Teste de validade do sistema de categorização: no sentido de garantir o rigor do processo, submetemos à apreciação de um investigador social a análise de conteúdo efectuada, desde o processo de codificação até à definição de categorias.