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d’interdiction administrative et par une interdiction de déplacement ?

Dans le document Guide juridique (Page 151-157)

Colégio Estadual Humberto Mendes

A partir do contexto sociocultural, econômico e político traçado brevemente no capítulo anterior foi que se encaminhou o perfil da educação escolar em Palmeira dos Índios, ampliando-se gradativamente o processo de letramento: mesmo dando sequência à predominância das casas-escola, cresce no município o saber ler e escrever.

O município de Palmeira dos Índios nasce e se desenvolve mais precisamente a base de atividades agrícolas e pastoris – estando as primeiras centradas no algodão, cultura que exigia significativa mão-de-obra para se desenvolver, na qual estavam inseridos os menos favorecidos, a massa que iria compor em definitivo a população palmeirense. A comunidade rural, que estava intrinsecamente ligada à atividade primária, pouco desfrutava do que a cidade crescente oferecia, sendo apenas o logradouro para a compra dos alimentos e bens necessários para a sobrevivência ou, então, para diversão.

Por força dessa estrutura social é que vai se configurar a sociedade palmeirense que chegará aos anos de 1930. A essa altura, no que tange à diversão, eram as festas da padroeira, juninas e natalinas que atraiam a população de todos os cantos, sendo então os momentos de encontro na praça principal da cidade: rodas de conversa, passeio nos brinquedos do parque, como barco, roda- gigante e “estrivulim”49 eram os principais atrativos para a moçada, sendo a santa missa o momento de parada onde todos iam para o pátio da Matriz – hoje Catedral.

No mais, as festividades eram fragmentadas em seus espaços de acontecimento, na praça predominava a população de classe baixa, que se divertia com o que era oferecido pelo poder público municipal, enquanto os mais abonados financeiramente ocupava os salões do Aeroclube. Sobre a condição da maioria dos

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Termo que é sinônimo de “carrocel” e que é, na verdade, uma corruptela de “Tivoli”, nome de um parque de diversões famoso de Copenhagen (Dinamarca), que se tornou famoso no mundo inteiro desde os idos do Século XIX.

munícipes – sobretudo aqueles que viviam nos povoados e na zona rural – é emblemático o que conta o Sr. Zezé:

Meu pai comprou um par de sapatos, fui o primeiro a usar no povoado, todos me olhavam, mesmo o sapato sendo dois números maiores do que meu pé, pois já foi comprado de uma mulher da rua, que não deu mais para seu filho. Ia pra festa na rua (cidade), descalço, quando chegava no riacho, lavava os pés e calçava o sapato, na volta tirava o sapato botava no dedo, que era pra não gastar o solado e guardar para a festa do próximo ano.

Nessa fala tem-se a noção da estrutura socioeconômica da comunidade rural do município. Eles vinham para participar das manifestações culturais, como o pastoril, guerreiro, atividades do folclore alagoano que eram praticadas na cidade. Nessa estrutura econômica, é importante mencionar as mercearias, que comandavam o comércio, sendo Palmeira dos Índios o local de concentração econômica para sua circunvizinhança, pois era a porta de entrada para o Sertão alagoano, que era desprovido de tais mecanismos.

O meio de transporte era ainda predominantemente o lombo dos animais, pois a ferrovia tinha sua última estação em Quebrangulo. Para completar este trajeto, as pessoas e mercadorias contavam com o trabalho do Sr. João Bernardino, que teve papel fundamental, sobretudo no transporte de passageiros da estação de Quebrangulo para Palmeira dos Índios e vice-versa. Aqui já se contava com caminhões, ainda que pouco, sendo todas as estradas de rodagem com piso de terra.

A chegada da ferrovia Great-Western, em 1933, porém, vai alavancar a economia da cidade, pois, passa a receber passageiros oriundos de outras localidades que necessitam de hospedagem, alimentação, aquisição de produtos, transformando-se, enfim, a dinâmica da antiga cidade pacata, com movimentações durante o dia e a noite, sobretudo graças à chegada e saída do trem. Neste momento o Sr. João Bernardino continua carregador de malas, bagagens, enquanto passa a acordar os passageiros que dormiam nas pensões, pois o trem chegava às 22h e partia às 03h da manhã, fazendo, assim, com que a cidade contasse com grande dinamicidade durante o período diurno e noturno. Como feito, para essa nova feição da cidade, cito Barros (2006, p.54), quando menciona que:

[...] por causa dos passageiros, havia a Feira do Bacurau, na antiga Praça da Sambra, onde se adquiriam frutas, pinhas, mangas, abacaxis, bananas, rapaduras. Uma atração para os passageiros, enquanto os maquinistas trocavam as máquinas, ‘as marias-fumaças’.

O trem teve forte influência na vida dos palmeirenses, na economia da cidade: ele foi instrumento de progresso, interligando Palmeira dos Índios a outros centros produtores e de consumo, garantia de sobrevivência e de desenvolvimento para a região. Os escritos de Barros (2006) ressaltam a importância da ferrovia para este núcleo urbano, como responsável pelo movimento da cidade, ampliação do comércio, introduziu hábitos, ampliação do convívio entre as pessoas de diferentes localidades, enfim, sua função social, econômica e política, inclusive no surgimento de novas áreas urbanas. Infelizmente sua decadência foi inevitável com a expansão das rodovias nos anos de 1970, nesta área do Estado50.

De qualquer forma, como a cultura é dinâmica, passando por transformações permeadas pelos valores, desta forma vale salientar que a influência trazida pela ferrovia nos anos de 1930 interferiu fortemente na feição da cidade. A trajetória carnavalesca, em Palmeira dos Índios, é um fato social que expressa essa dinâmica com bastante clareza. Tornando-se um forte atrativo para toda a região, pois era destaque não só no Estado, como também em outras unidades federativas, ali passam a sobressair os blocos e os bailes, animados por marchinhas, que abrilhantavam ainda mais o evento.

Para melhor retratar o fato, temos a fala do Sr. Davi, que assim descreve momentos carnavalescos da Palmeira dos Índios dos anos de 1930 e 1940:

O carnaval daqui era frevo, imitando o do Recife, bloco na rua [...] as prostitutas também faziam seu bloco, com balizas, todas fantasiadas, que era invejado pelas moças importantes da Palmeira, essas morriam de vontade de entrar [...] era muito bacana, no carnaval misturavam-se todos, depois iam para o clube, mas só a granfinagem [...].

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Segundo depoimento do Sr. Davi Muniz de Almeida, a decadência deveu-se, também, ao fator político de quando no governo do Major Luiz de Souza Cavalcante (1961-1966), em visita a Palmeira dos Índios, que no momento era representada, na Assembleia Estadual, pelos deputados Juca Sampaio, Silvar Gaia, José Carvalho, Robson Mendes e Remi Maia. Estes, indiferentes ao governador, não compareceram ao evento, sendo este, recebido por engraxates, pessoas simples, o povão, em suma. Diante do que foi considerado um desaforo, mandaria o Chefe do Executivo Estadual abrir uma estrada de Taquarana para Arapiraca, fazendo com que Palmeira dos Índios perdesse todo fluxo de entrada e saída do Litoral e da Zona da Mata para as cidades do Agreste e Sertão alagoano.

Em sua fala transbordaram os risos, lembrando momentos felizes da época de menino, enquanto, ao mesmo tempo sentia falta daqueles momentos, deixando transparecer isso em seu semblante. Ao fazer um paralelo entre os entrevistados da zona rural, estes não mencionam participação nestas festas, apenas nas festividades religiosas.

Em relatos de Ramos¹ (1967), vemos que o Brasil é um país carnavalesco, representando Palmeira dos Índios um pouco deste todo, já que nesta festa contavam-se com “momentos de risos nervosos, gargalhada estridente que durava três dias [...] cantigas, danças, saltos, piruetas [...]”: o carnaval era reflexo de muita alegria.

No entanto, o Reverendo Pároco, Padre Macedo, em seus sermões, durante muito tempo atacava a grande festa, até que um aliado considerável do vigário viesse a entrar na folia, a partir deste ingresso, ele percebeu que tinha perdido terreno, passando a admitir a festa pagã, limitando-se a condenar exageros, desde que se fosse pagar a penitência na Quarta Feira de Cinzas.

Ramos¹ (1976) assim descreve o Carnaval palmeirense daqueles tempos:

Desfilam cordões, aproximam-se bandeiras em cumprimentos, e as cantigas do ano passado aperfeiçoaram-se. Abrem-se garrafas de cerveja. [...] duas charangas capricham nos sambas e nas marchas. A cidade não tem razão para se envergonhar. O largo ver-se enchendo. Na vizinhança crescem os rumores dum frevo honesto.

A festança reunia todas as famílias como também parentes e amigos de outras localidades, que vinham para se alegrar no carnaval da cidade, que contagiava a todos, nos frevos tocados por grandes orquestras de Alagoas e Pernambuco, diferentemente de hoje, quando se destaca o grande palco do consumismo acirrado, onde o capitalismo determina a folia.

Além do carnaval, Palmeira dos Índios apresentava um intenso movimento cultural, como vaquejadas, cavalhadas, pastoris, guerreiros, procissões religiosas, romarias para o cruzeiro durante a Semana Santa, leilões e os inesquecíveis forrós, existes não somente na época junina, mas durante o ano inteiro, principalmente na área rural, pois a necessidade de sociabilidade conduzia todos a se divertir, com os forrós em diferentes casas, nos finais de semana.

Neste momento de alegria constante na área rural, dentro dos traços culturais de um povo, é relatada pelos entrevistados uma forma de diversão e ajuda mútua: a tapagem de casa, comum nos sítios, para construir a casa de alguém: durante o dia os vizinhos se reuniam para fechar as paredes com o barro e à noite promovia-se o grande samba para formar o piso. Nesta ocasião o conhecimento popular se extravasava com as modas tiradas por cantadores, envolvendo a “intelectualidade” do homem da roça, considerado por muitos, selvagem, mas que ali expunha um traço nato, onde muitas vezes o letrado não consegue desenvolver tal habilidade.

É nesse clima, com a ampliação da demanda e o “compromisso” do poder público com a sociedade que surge das políticas produzidas pelo movimento político de 1930, que se inaugura em Palmeira dos Índios, em 1932, o Grupo Escolar Almeida Cavalcante51, primeira instituição pública estadual de ensino sediada na cidade, segundo os moldes da escola moderna, ao menos em sua estrutura organizacional inicial. Ela surge como os demais grupos escolares de Alagoas, primeiro no papel, nos decretos, procurando-se depois uma casa para efetivar a escola.

Desta forma o grupo escolar passou a funcionar inicialmente no interior do prédio da Prefeitura Municipal, cedido pelo então prefeito á época, Pedro Soares da Mota52. Teve como primeiro diretor o professor Orlando da Costa e as quatro mulheres, professoras, com menciona Ramos¹ na citação abaixo, eram Lourdes Barreto, Antonieta Lemos, Deolinda Araújo e Lili Torquato.

Em texto de Graciliano Ramos, sobre a escola alagoana, quando foi ele Diretor da Instrução Pública Estadual, em 1935, encontra-se descrito, ao modo bem próprio do autor, a estrutura do grupo Almeida Cavalcante:

Em Palmeira dos Índios, havia um desses, pessimamente instalado no prédio da prefeitura. Mobília nenhuma. Cada aluno levava sua cadeira, cada professor adquiria uma banca. Quatro mulheres e 152 crianças trabalhavam ali em 1933. Provido de bom material, esse estabelecimento tem hoje oito professores e 374 alunos. Dentro de dois meses será inaugurado o excelente edifício que para ele se está construindo. (RAMOS, apud VERÇOSA, p.61)

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O grupo escolar recebeu este nome em homenagem ao General do Exercito Brasileiro Manoel Almeida Cavalcanti, parente de Francisco Cavalcante, prefeito de Palmeira dos Índios em 1937. Os Almeida Cavalcanti residiam no sobrado, ainda existente, na Praça da Independência. (Arquivo da Escola Estadual Almeida Cavalcante).

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O então prefeito era pecuarista no município e ficou no cargo de 02 de novembro de 1930 – após a renuncia de seu antecessor, Graciliano Ramos – até 02 de fevereiro de 1933 (TORRES¹, 2003).

É neste período que surge a primeira professora diplomada em Magistério pela Escola Normal de Maceió, Ananete Lima de Macedo, ex-aluna do Externato Santa Terezinha do Menino Jesus, mencionada anteriormente de forma breve. Tendo sido nomeada para lecionar na Escola Isolada de Santana do Ipanema, após três anos, conseguiu sua transferência para Palmeira dos Índios, onde foi ser diretora e professora no Grupo Escolar Almeida Cavalcante que, segundo diz Ramos¹, começa com uma estrutura precária, o que é confirmado pela fala de Lourdes Macedo53:

Tudo era muito rústico, cada criança levava seu caixote para sentar, enquanto preparavam a chegada das carteiras, depois começou a construção do grupo escolar, a comunidade ajudou, aí se passaram para o prédio, nessa época já tinha mais professoras se formando, antes ela era professora e diretora ao mesmo tempo.

A contribuição da Professora Ananete Macedo para a escolarização da

sociedade palmeirense foi fundamental, por isso merece destaque sua trajetória neste cenário. Além de professora e diretora, também foi a primeira mulher a ser vereadora em 1935, quebrando os tabus de até então, mostrando que as mulheres também eram capazes de participar da vida política do município. Com toda sua vida marcada pela educação, exerceu o magistério por cinquenta anos, trabalhando nas mais renomadas escolas do município, dentre elas o Colégio Pio XII. Mesmo após sua aposentadoria, não se entregou à ociosidade, passando a ministrar aulas particulares em sua própria residência.

É desse período, também, o Educandário Sete de Setembro, que oferecia o ensino infantil, primário, secundário, supletivo e complementar, da professora Rosa Eulália Pimentel ou Rosinha Pimentel54, como esta era conhecida por todos. Faz-se necessário, nesta passagem, um olhar especial para o prédio desta escola:

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Entrevista concedida pela Sra. Lourdes Macedo, conhecida como Lurdinha, filha da primeira professora diplomada em Palmeira dos índios, a Sra. Ananete Macedo, no dia 01/12/2009, em sua residência, em Maceió.

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Rosinha Pimentel ministrou aula no Colégio Sete de Setembro, do qual era dona. Nasceu em 06 de fevereiro 1888, fez o curso Normal na Escola de Trabalhadoras Cristãs – Colégio Americano Batista – em Recife. Em 1936 já era dona do Educandário Sete de Setembro, sediado na Rua Major Cícero de Góes Monteiro e, em 1944, mudou-se para o prédio próprio, na Praça da Independência(VIANA, 2008).

Figura 3 - Prédio do Educandário Sete de Setembro-1944 Fonte: Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Arte

Para mais pormenores da história desta escola, contribuiu o depoimento do Pastor Israel55, quando falou da professora Rosinha e da própria escola. Segundo ele, professora Rosa Eulália Pimentel tinha a seguinte postura:

deixou-se dominar sempre por um santo ciúme de seu Educandário à ponto de não confiar a nenhuma outra Professora, o ensino do Jardim da Infância e do Admissão ao Ginásio. Ela sempre dizia que queria ensinar as primeiras e a últimas letras de sua Escola. Dizia ela que quando a criança aprendia a ler e escrever erradamente, continuava fazendo errado até o final da vida. Até a posição de pegar no lápis para escrever e o modo como escrevia as letras tinha que ser corretamente.

Segundo o depoente, tinha-se aí uma professora, eximia alfabetizadora, procurada pela sociedade palmeirense, sendo ela sempre relevante para a educação alagoana56, bem como para a comunidade palmeirense. As famílias de projeção na cidade tiveram seus filhos matriculados no Educandário Sete de Setembro e jamais vieram a ter decepções, como relata o Pastor Israel.

Datada de 1940, foi uma escola particular que ocupou lugar de destaque na cidade, no Estado e fora dos limites de Alagoas pelo seu jeito de fazer aprender. Sempre teve reconhecido seu trabalho em qualquer lugar em que seus alunos se submetessem a exames. Não somente zelava pelo ensinar a ler e escreve, contar, mas também educar – com educação e ensino andando juntos. A metodologia,

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Entrevista online, realizada no dia 25/10/2010, com o Pastor Israel Pinto Pimentel,sobrinho e ex- aluno da professora Rosinha Pimentel.

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Anos após seu exímio trabalho educacional a Professora Rosinha Pimentel (in memoriam) foi homenageada pelo Conselho Estadual de Educação de Alagoas através da Comenda do Mérito

Educativo Alagoano, pelos relevantes serviços prestados à causa da educação em Alagoas, em 17

porém, primava pela velha rigidez dos tempos passados, ainda que já se estivesse nos anos de 1940 e a pedagogia mais avança no mundo já fosse fundamentada nos cânones da psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, via Escola Nova ou Jean Piaget. Segundo depoimento de um de um ex-aluno, o Sr. Aberaldo Alves de Carvalho57:

Tinha ordem, todos obedeciam e aprendiam, os castigos eram severos, o uso da palmatória, uma régua bem grande e puxões de orelha, quem não cumprisse as ordens era punido, porém nenhuma família repreendia ou discutia com a professora, ela tinha autonomia para exercer a função e era muito respeitada por toda sociedade palmeirense.

O fato é que ainda hoje, em pleno século XXI, os ensinamentos da Dona Rosinha são referendados como troféu por seus ex-alunos. Segundo alguns deles, ela não tinha a escola apenas como lugar de ensinar a ler e escrever: era espaço onde se aprendia também as boas maneiras. Os modos de se comportar diante de autoridades, de sentar à mesa, usar os talheres, ter postura. Isso era, segundo eles, preocupar-se com a formação integral do aluno, “que era para não passar vergonha em determinadas situações”. Quanto à aprendizagem, seus alunos se destacavam nas escolas da capital ou em Recife, que eram os lugares onde eles continuavam os estudos.

Abonando estes fatos relatados acima, transcrevo, a seguir, um trecho do depoimento do Sr. Aberaldo Alves de Carvalho:

[...] fui a Recife para fazer uma seleção para a Marinha, apesar de não querer nem meu pai, mesmo assim fui, a prova era escrita, composta por vinte questões, incluindo Português, Matemática, Historia e Geografia. O instrutor copiou as questões no quadro- negro e à medida que ele terminava a questão, eu terminava a resposta. Na vigésima questão terminei junto com ele, o instrutor sentou para esperar que a turma fizesse dentro do prazo determinado, quando me levantei e fui até o birô, ele me manda responder a prova, e digo que quero entregar. Ele arregala os olhos, pega minha prova, olha de cima a baixo e pergunta de onde sou, sou de Palmeira dos Índios/AL, e ele me pergunta se fui aluno de dona Rosinha? Sim.

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Entrevista concedida pelo Sr. Aberaldo Alves de Carvalho, no dia 20/10/2009, em sua residência em Palmeira dos Índios.

Este depoimento mostra a eficácia e dedicação da tão renomada professora,

que teve grande parcela de contribuição para o ensino em Palmeira dos Índios num período em que o letramento era privilégio de um grupo.

Assim foi pautado o trajeto dos primeiros passos da educação escolar em Palmeira dos Índios, com suas dificuldades na área pública e no crescimento das escolas particulares, ambas contribuíram para este contexto histórico no município. Na década de 1940, em Palmeira dos Índios: é possível dizer que a instituição escolar já era tida como essencial, sendo imensa a relevância dada pelas famílias neste cenário de aprendizagem. Infelizmente este êxito, como em todo o Brasil, continuava sem atingir a todos os jovens daquela sociedade, pois a mão-de-obra continuava sem letramento. Como enfatiza Vieira (1995, p. 8), “a dominação permeia o conjunto da vida social, a resistência está ai igualmente presente, não apenas de forma organizada, mas também sob formas ‘surdas’, ‘implícitas’”.

De qualquer modo, os dados referentes ao contexto escolar brasileiro, nos anos de 1930, dão conta do seguinte panorama:

Dans le document Guide juridique (Page 151-157)