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Interaction coulombienne directe, d’´echange et ´echange ef-

4.2 Mod´elisation de la structure fine

4.2.4 Interaction coulombienne directe, d’´echange et ´echange ef-

Chaganti e Damanpour (1991) classificaram os investidores institucionais nos seguintes tipos: os fundos de pensão, os fundos mútuos, os bancos, as companhias de seguros e as firmas privadas. Em estudo promovido por Johnson e Greening (1999), com dados extraídos do Compact Disclosure, os investidores institucionais foram classificados em i) fundos de pensão, ii) fundos de investimentos, e iii) fundações, universidades e igrejas, que foram excluídas da base de dados em face de sua baixa atividade no papel de investidor.

Johnson e Greening (1999) testaram o comportamento de RSE sob as dimensões de Pessoas e Qualidade do produto, que serão explicadas em seguida, em relação aos tipos de investidores institucionais e em relação à governança corporativa. Na dimensão Pessoas estão incluídas mulheres, minorias, comunidade e empregados, e a dimensão Qualidade do produto

se refere ao ambiente e à qualidade do produto. A análise das relações testadas apresentou uma relação positiva com as práticas de RSE quando se trata dos fundos de pensão, porém os fundos mútuos e fundos de investimentos não apresentaram uma relação direta com RSE.

Os autores reforçaram o conceito de que os fundos de pensão, dentre os investidores institucionais, são os mais propensos a considerarem em suas estratégias de investimento as questões sociais, ao apontarem os resultados de sua pesquisa que identificou que 91% dos investidores institucionais que se envolvem com RSE são fundos de pensão.

Como contraponto, Dam e Scholtens (2012) não identificaram uma significante associação positiva na relação entre os investidores institucionais e bancos com empresas envolvidas em RSE. Importante é ressaltar que, dentre os investidores institucionais, cada proprietário tem seus próprios objetivos, conforme citação de Thomsen e Pedersen (2000, p. 690) “The point is that the corporate strategy needs to fit the objectives of the dominant owner”, os fundos de pensão apresentam características diferentes dos demais investidores institucionais, principalmente em relação ao prazo dos investimentos.

Conforme posicionamento apresentado por Clark e Hebb (2004), os fundos de pensão são agregações de diversos investidores individuais que esperam poder gozar dos benefícios proporcionados por seus aportes financeiros ao fundo, no período pós-laboral. Essa força delegada pelos participantes ao fundo de pensão tem sido fator fundamental para que envolvam as empresas e participem ativamente das tomadas de decisões. Os autores relatam que com o objetivo de garantir a sustentabilidade das empresas investidas, em face da responsabilidade de longo prazo com os participantes, os fundos de pensão estão cada vez mais desafiadores com relação aos gestores das empresas nas quais investem.

Clark e Hebb (2004) cunham um termo que irá traduzir a forma de atuação dos fundos de pensão nas empresas, o “engajamento corporativo”, que se traduz em elevação dos níveis de padrões das empresas, em especial com relação à transparência, aos padrões sociais e ambientais.

A elevação dos padrões se torna cada vez mais importante em face da mudança espacial dos mercados financeiros e da alteração dos atores dominantes do cenário, que irá se constituir no quinto estágio do capitalismo. Clark e Hebb (2004) destacam a participação dos investidores institucionais nesse quinto estágio, mais especificamente os fundos de pensão,

que desempenham o papel de agregador dos interesses dos acionistas em um sistema disperso, que ainda não se configura no Brasil.

O interesse dos fundos de pensão é no desenvolvimento social, ambiental e ético ou na necessidade de proteger seus investimentos de longo prazo? – A missão do fundo de pensão ajuda a responder a esta questão, qual seja, o compromisso de pagamento de benefícios por um longo prazo aos participantes que fizeram suas contribuições ao longo de sua vida laboral.

Conforme Clark e Hebb (2004), muitos dos participantes dos fundos de pensão entendem que RSE proporciona redução do risco, agrega valor às ações, servindo desta forma aos objetivos finais dos fundos de pensão. Ou seja, segundo a conclusão apresentada pelos autores, os fundos de pensão não adotam RSE com o objetivo de oferecer resposta às exigências da sociedade.

Os fundos de pensão percebem que os investimentos responsáveis, com observância de critérios não financeiros, como padrões sociais, ambientais e éticos minimizam os riscos futuros, alinhados com a abordagem estratégica que se caracteriza pela preocupação com as questões que podem causar danos à imagem da empresa, conforme Clark e Hebb (2004).

Fontes Filho entende que o modelo de governança implantado nas empresas poderá ser um fato gerador de organizações que percebam “a questões sociais, tais como o desemprego, agressão ambiental, ações sociais danosas e exposições negativas na mídia, principalmente se relacionadas a empresas onde o fundo de pensão tenha posição de controle.” (2006, p. 35)

Turban e Greening (1997) ressaltam que, em face da característica de longo prazo, os investidores institucionais, em especial os fundos de pensão, podem perceber os benefícios que ações de RSE proporcionam e serem mais sensíveis às questões ambientais, aos problemas da comunidade em que estão inseridos e dedicar maior preocupação às pessoas que são empregadas nas empresas.

Esse mesmo posicionamento é visto em Johnson e Greening (1999), que ressaltam que, dentre os investidores institucionais, os fundos de pensão não sofrem as pressões por resultados no curto prazo; diante desse fato, os gestores dos fundos de pensão têm como horizonte de tempo o longo prazo.

Graves e Waddock (1994) reforçam a questão relativa ao horizonte de tempo dos resultados que os investidores institucionais são submetidos e que são compatíveis com o tempo necessário para colher os benefícios das estratégias de RSE nas empresas investidas.

A orientação de longo prazo característica dos investimentos dos fundos de pensão fortalece as relações com as empresas investidas, tendo em vista que mantém as ações por décadas, conforme Gilson e Kraakman (1991). Essa relação de longo prazo é positivamente associada com as ações de RSE, em concordância com os resultados apurados por Hill e Snell. (1988).

O objetivo dos investidores é obter o maior retorno possível com o menor risco, e as estratégias de RSE podem ser vistas pelos investidores como uma ação mitigadora de riscos para as organizações. Segundo Graves e Waddock (1994), se um investidor tiver que optar por um investimento em empresas similares a escolha deverá recair sobre aquela que apresenta maior responsabilidade social, visto que este posicionamento confere às empresas menores riscos. Essa perspectiva dos investidores é um fator de incentivo aos gestores para investir em ações de RSE.

Para Teoh e Shiu (1990) os investidores institucionais não costumam tomar suas decisões de investimentos baseadas em informações de RSE encontradas em relatórios convencionais, como relatórios anuais, mas quando as informações são quantificadas e focadas em assuntos específicos e obtidas através de partes desinteressadas, os investidores observam tais estratégias de RSE.

Além disso, Heiner (1983) sugere que os investidores institucionais são mais hábeis que os investidores individuais para assimilar e agir sobre informações a respeito das práticas de RSE das companhias e possuem limitações para mudarem de investimentos, em razão dos valores investidos nas empresas, pois uma mudança poderia afetar negativamente os preços das ações.

Vivó e Franch (2009) ressaltam que é crescente a integração entre os processos de investimentos em que são considerados aspectos sociais, ambientais e éticos associados a análises financeiras, gerando um tipo de investimento dinâmico e inovador.

Os investidores institucionais, em especial os fundos de pensão, têm sido elementos- chave no desenvolvimento de ações de investimentos responsáveis, inspirados pelo tripé social, ambiental e ético na Europa. A intensidade do ativismo dos fundos de pensão com relação aos investimentos responsáveis foi influenciada pela regulamentação promovida pelos governos dos países europeus que favoreceram os investimentos responsáveis, conforme Vivó e Franch (2009) e Lewis e Juravle (2010).

Não obstante a vocação que os fundos de pensão têm para a adoção de critérios sociais, ambientais e éticos nos investimentos responsáveis, Vivó e Franch (2009), observaram que na Espanha os fundos não estão preparados para a inclusão de tais critérios em seus investimentos, inclusive os gestores dos fundos não parecem sensibilizados e dispostos a superarem as dificuldades de mudar a suas políticas de investimentos, com a inclusão dos critérios de investimentos responsáveis.

Os fundos de pensão podem influenciar a mudança de comportamento organizacional, usando sua influência e sua capacidade de investimento para elevar os padrões de transparência e prestação de contas, elevando, também, padrões sociais e ambientais, conforme afirmam Clark e Hebb (2004).

Em razão de sua capacidade de investimentos e a vocação, citada pelas autoras anteriormente, para investimentos responsáveis, os fundos de pensão buscam investir em empresas em formação. Cumming e Johan (2007) identificaram forte interesse dos investidores institucionais da Holanda por investimentos em fundos private equity com foco em responsabilidade social. Os autores observaram ainda que instituições nas quais as decisões de investimentos estão centralizadas nas mãos de um executivo principal apresentaram mais propensão a este tipo de investimento.

Os investimentos em fundos private equity têm crescido no Brasil, conforme afirma Ricardo Mizukawa, diretor superintendente da Bradesco Asset Management:

a indústria de fundos do Brasil já é a sexta maior do mundo, com R$ 2 trilhões, e vem registrando crescimento médio de 20% ao ano. Grande parte dos investidores são os fundos de pensão. Apesar disso, a penetração do private equity ainda é baixa se comparada a outros países, havendo, portanto, muito espaço para crescer. (ADMINISTRADORES.COM, 2012)

Sandberg (2011) traz para discussão se os investidores institucionais estão habilitados legalmente para a adoção de estratégias de investimentos socialmente responsáveis, tendo em vista que devem cumprir apenas com o dever fiduciário que lhes compete. O autor entende que, se a parte relativa aos investimentos socialmente responsáveis se tornar importante para a responsabilidade social corporativa, as normas legais deveriam ser revistas.

Independente da questão de ordem legal, Juravle e Lewis (2010) alertam que os investidores institucionais necessitam superar três obstáculos para o investimento sustentável, quais sejam: i) o comportamento individual e descrenças na sustentabilidade de longo prazo; ii) estruturas organizacionais, processos e culturas antipáticos às propostas de sustentabilidade; e iii) impedimentos organizacionais, como pressões regulatórias e ineficiências do mercado financeiro.