• Aucun résultat trouvé

Integrated Grating-Image-Type Encoder

Dans le document OPTO-MECHATRONIC SYSTEMS HANDBOOK (Page 131-136)

Optical Sensors and Their Applications

4.4 Novel Applications to Metrological Sensing

4.4.3 Integrated Grating-Image-Type Encoder

Para tentar encontrar explicações para as dissemelhanças entre as proporções das etnias na população senegalesa e no universo dos alunos de Estudos Portugueses da Universidade Cheikh Anat Diop, comecemos por relacionar as etnias dos alunos com as suas regiões de nascimento, de modo a verificar uma eventual diferenciação de zonas dos habitats das etnias:

187 MBOW, Raymonde, e KANE, Ahmadou Fadel, «Peuplement et ethnies», in « Les Atlas de l’Afrique,

Quadro 6. Relação etnia / área de nascimento dos alunos Área Etnia Da- car Djour- bel Fa- tick Kao- lack Kol- da Lou- ga Saint Louis Tamba- counda Thiès Ziguin- chor Costa do Marfim Diola 4 1 5 61 Bainouk 6 Balanta 2 8 3 Crioula 2 Mancanhe 3 1 12 1 11 Manjacos 5 8 1 15 Papel 1 2 Wolof 17 5 1 5 4 5 3 6 1 Lébou 1 1 Sérère 7 4 15 1 15 Mandinga 2 1 9 3 2 Bambara 1 1 2 1 1 Sarakholé 1 2 2 Socé 1 Peul 3 2 2 4 3 1 1 2 1 Fula 4 1 2 Toucouleur 1 2 1 1 1

Verifica-se, no quadro 5, uma diferenciação zonal da origem das etnias188: a) Grupo subguineense (Ziguinchor, Kolda, Dacar)

- bainouks, diolas e papel: Ziguinchor; - balantas, mancanhes e manjacos: Kolda; - crioulos: Dacar;

b) Grupo sahelo-sudanês (Dacar, Thiès, Fatick) - wolofs: Dacar;

- lébous: Dacar e Djourbel; - sérères: Fatick e Thiès;

c) Grupo mande (Kolda, Ziguinchor, Dacar-Djoubel-Kaolack-Tamba-Thiés) - bambaras: Kaolack;

- mandingas: Kolda;

- sarakholés: Thiès e Ziguinchor; - socé: Djourbel;

d) Grupo halpular (Kolda, Saint-Louis, Dacar-Tambacounda) - fulas: Kolda ;

- peuls: Kolda;

- toucouleurs: Djourbel.

A diferenciação zonal apresenta, no entanto, variações significativas entre grupos étnicos: assim, o grupo subguineense regista a maior concentração (64,5%) de nascimentos na província mais citada, Ziguinchor, enquanto que os demais grupos têm uma muito maior dispersão: o grupo mande tem apenas 31% em Kolda, o grupo halpular, 25% em Kolda, e o grupo sahelo-sudanês tem 22,6% em Dacar.

O quadro 6 permite ainda constatar a grande variedade das etnias presentes em Dacar, atraídas pelas funções inerentes ao estatuto de capital, mas também em Kolda e em Ziguinchor, revelando as características de cruzamento étnico da região da Casamansa que foi posse de diversos impérios coloniais.

Para aprofundar esta análise, optámos por introduzir, também, as áreas de nascimento de pais e avós de alunos, interrelacionando-as entre si e com as etnias.

O estudo da região de nascimento de pais e avós fornece indicações sobre origens étnicas, mobilidade das famílias dos estudantes e pode fornecer pistas, de natureza geográfica e cultural, sobre a motivação dos alunos para frequentarem os cursos de Português na UCAD:

Quadro 7 – Relação etnia / região de nascimento dos pais

Depart.189 Etnia Dkr Djb Ftk Klk Kld Lga St.L Tmb Ths Zgr Estrangeiro190 Diola 1 8 1 128 GB(3) Bainouk 12 Balanta 18 5 GB(2) Crioulo GB(3) Mancanhe 15 25 GB(16) Manjaco 1 16 34 GB(7) Papel 3 GB(3) Wolof 19 13 6 11 10 14 3 13 4 Lébou 3 1 Sérère 2 4 45 31 Mandinga 2 15 1 4 6 GB(3), MAU(1) Bambara 1 1 4 1 3 MALI(1) Sarakholé 3 1 2 2 2 Socé 2 Peul 4 2 3 9 1 13 1 3 CV(1) Fula 6 2 2 GB(2), GC(2) Toucouleur 1 5 1 1 1 1

189 Legenda: Dkr – Dacar; Djb – Djourbel; Ftk – Fatick; Klk – Kaolack; Kld – Kolda; Lga – Louga; St.L

– Saint-Louis; Tmb – Tambacounda; Ths – Thiès; Zgr – Ziguinchor;

190 Legenda: CV – Cabo Verde; GB – Guiné-Bissau; MAU – Mauritânia; GC – República da Guiné

No que respeita à região de origem dos pais dos alunos, mantêm-se no essencial as características assinaladas para os estudantes, mas com particularidades:

a) Grupo subguineense (Ziguinchor, Kolda, Dacar-Kaolack-Thiès) - bainouks, diolas, mancanhes, manjacos e papel: Ziguinchor; - balantas: Kolda;

- crioulos: Guiné-Bissau;

b) Grupo sahelo-sudanês (Fatick, Thiès, Dakar) - lébous, wolofs: Dacar;

- sérères: Fatick;

c) Grupo mande (Kolda, Ziguinchor, Tambacounda) - bambaras: Kaolack;

- mandingas: Kolda; - sarakholés: Dacar; - socés: Djourbel;

d) Grupo halpular (Kolda-Saint-Louis, Djourbel) - fulas: Kolda;

- peuls: Saint-Louis; - toucouleurs: Djourbel.

Comparando a concentração dos nascimentos de cada grupo étnico no departamento citado mais vezes, temos que esta é de: 68,8% em Ziguinchor, para o grupo subguineense; 28,5% em Fatick, para o grupo sahelo-sudanês; 27,3% em Kolda, para o grupo mande; e 26,2% em Kolda ou Saint-Louis, para o grupo halpular.

Assim, a concentração nos primeiros departamentos de nascimento dos pais era, nos casos sahelo-sudanês e halpular, maior do que no caso dos filhos e, no caso mande, inferior em 3,7%. Contudo, as diferenças não são muito significativas, destacando-se sobretudo o grupo subguineense, que apresenta, para ambas as gerações, valores superiores a 65% (arredondando à unidade) e os outros grupos que, na geração dos pais, têm valores compreendidos entre os 26 e os 28% e, na geração dos filhos, entre 23% (sahelo-sudanês) e 31% (mande).

Em detalhe, podemos observar que os pais bainouks provêm exlusivamente da província de Ziguinchor, onde nasceram, também, 91% dos pais diolas.

Por sua vez, a percentagem de pais wolofs nascidos em Dacar era menor que a dos filhos (20% em vez de 37%), visualizando-se claramente a grande disseminação no território da etnia, sobretudo a Norte do rio Gambia.

Quanto aos pais sérères, 93% nasceram nas regiões de Thiès e de Fatick mas esta província destaca-se (55% contra 38%), ao contrário do equilíbrio que se verifica nos filhos (36% para ambos os departamentos).

Ao contrário dos filhos, é na região de Ziguinchor que nasceram mais pais manjacos (59%) e não em Kolda.

Também no caso dos peuls, a região principal de nascimento dos pais é Saint- Louis e não Kolda, embora esta tivesse um forte efectivo; parece notar-se, em todo o caso, um movimento geracional no sentido Norte-Sul.

Por último, uma parte significativa (7,4%) dos pais nasceu noutros países e, em particular, na Guiné-Bissau (6,6%), onde nasceram 100% dos crioulos e 50% dos papel.

Aprofundemos ainda mais a perspectiva de análise, observando, no quadro 7, os departamentos de nascimento dos avós, sempre em função da etnia:

Quadro 8 – Relação etnia / região de nascimento dos avós191 Depart. Etnia Dkr Djb Ftk Klk Kld Lga St.L Tmb Ths Zgr Estrangeiro192 Diola 9 228 GB(10), MALI(3), MAU(1) Bainouk 18 GB(4) Balanta 26 7 GB(12) Crioulo GB(10), PT(1) Mancanhe 9 29 GB(36), CV(2) Manjaco 1 16 34 GB(50) Papel 4 GB(4) Wolof 28 11 4 13 38 29 3 19 6 Lébou 6 2 Sérère 4 8 87 2 1 51 Mandinga 2 23 1 8 10 GB(12), GAM(2), GC(1), MALI(1), MAU(1) Bambara 6 2 1 1 MALI(10) Sarakholé 4 2 4 6 Socé 4 Peul 1 3 9 6 7 24 2 4 GC(4), GBO(1), MALI(1) Fula 6 8 GB(6), GC(4) Toucouleur 2 2 3 8 4 1CV

191 Legenda idêntica à do quadro 6, acrescida de: GAM – Gâmbia; GBO – Gabão; PT - Portugal 192 Legenda: CV – Cabo Verde; GB – Guiné-Bissau; MAU – Mauritânia; GC – República da Guiné

O Quadro 8 ajuda a apreender melhor a mobilidade intergeracional das etnias. Vejamos, antes de mais, um resumo dos dados relativos aos grupos e às etnias:

a) Grupo subguineense (Ziguinchor, Kolda, Guiné-Bissau) - bainouks, diolas, mancanhes, manjacos: Ziguinchor; - balantas: Kolda;

- crioulos: Guiné-Bissau;

- papel: Ziguinchor e Guiné-Bissau; b) Grupo sahelo-sudanês (Fatick, Thiès, Louga)

- lébous: Dacar; - sérères: Fatick; - wolofs: Louga;

c) Grupo mande (Kolda, Tambacounda, Guiné-Bissau) - bambaras: Mali;

- mandingas: Kolda;

- sarakholés: Tambacounda; - socés: Djourbel;

d) Grupo halpular (Saint-Louis, Kolda, Kaolack) - fulas: Saint-Louis ;

- peuls: Saint-Louis; - toucouleurs: Thiès

Em matéria de concentração dos nascimentos nos departamentos mais citados, regista-se pouca diferença em relação ao que foi referido para os estudantes e seus pais: o grupo subguineense é o que apresenta menor dispersão, com 62,3% dos nascimentos em Ziguinchor; os demais grupos situam-se num curto intervalo: 33% dos halpulars nasceram em Saint-Louis; 29,2% dos sahelo-sudaneses nasceram em Fatick; e 22,8% dos mandes nasceram em Kolda.

Analisando os resultados obtidos para os grupos étnicos nas três gerações, detectamos alguns padrões estáveis:

- o grupo subguineense tem sempre, no departamento de Ziguinchor, o seu foco de nascimentos, com elevadas concentrações: (de avós para netos) 62,3%, 68,8%, 64,5%;

- Kolda é sempre o departamento com mais nascimentos do grupo mande, e a tendência parece ser a de uma crescente concentração: 23%, 27%, 31%;

- o grupo sahelo-sudanês apresenta uma cada vez mais baixa concentração (29%, 28,5% e 23%);

- o grupo halpular apresenta também uma tendência para reduzir a concentração (33%, 26%, 25%) e uma aparente tendência migratória de Norte para Sul. Acerca deste grupo valerá a pena relembrar que são, na origem, pastores, pelo que a desertificação progressiva do Sahel poderá ter influenciado parcialmente esta tendência migratória.

Será também pertinente assinalar que os departamentos citados são bastante diferentes entre si, em termos de extensão, pelo que a “concentração” na maior província, a de Tambacounda, com os seus 59602km² (ou na de Saint-Louis, também muito vasta e, sobretudo, muito extensa) não é comparável à concentração efectiva nos 550km² do departamento de Dacar.

Por último, assinale-se também uma nítida imigração, para o Senegal, de muitas das famílias dos alunos mas que, também nesta matéria, a situação é bastante distinta entre os grupos étnicos.

Assim, o peso dos nascimentos no estrangeiro passa, no total, de 17,1% nos avós, para apenas um nascimento nos alunos. Ou seja, o fenómeno imigratório parece, para estas famílias consolidado, ainda que fosse interessante, noutro âmbito, avaliar o impacto da emigração, para fora do Senegal e do próprio continente africano, cuja pulsão existe entre os alunos, como veremos adiante.

Mas, como dissemos, notam-se grandes diferenças entre grupos étnicos, no que respeita à imigração:

Assim, podemos considerar que o grupo que parece ter origens mais antigas no território do Senegal, de acordo com os dados colhidos no inquérito, é o sahelo-sudanês, constituído, recordamos, por wolofs, sérères e lébous. O facto de nenhum avó, nem nenhum aluno destas etnias ter nascido fora do Senegal revela bem o seu enraizamento no país, conforme tivemos já a ocasião de assinalar, e, também, uma menor miscigenação, provavelmente devido ao facto de os seus “terroirs” não serem contíguos ás fronteiras do país. No que respeita aos nascimentos dos pais, apenas três ocorreram no estrangeiro (1,7%).

No grupo halpular, 16% dos avós nasceram no estrangeiro, valor que desce para 8,2% nos pais e 3,1% entre os alunos deste conjunto étnico.

O peso dos avós do grupo mande nascidos no estrangeiro é bastante relevante: 26,7%. Esse valor desce para 9,1% nos pais e para zero nos alunos.

Por último, o grupo subguineense tinha uma percentagem de avós nascidos no estrangeiro inferior à dos mandes - mas, ainda assim, elevada (25,9%) -; contudo, é nos pais subguineenses que há mais nascimentos no estrangeiro (11,3%), o que poderá indiciar laços fortes com povos da Guiné-Bissau (designadamente, os flups) que, por motivos diversos – instabilidade político-militar e pobreza crónicas – continuam a emigrar daquele país para o Senegal.

Em pormenor, os avós diolas nascem predominantemente na Casamansa (90,8% em Ziguinchor, valor idêntico ao dos filhos, e 3,6% em Kolda) mas também no estrangeiro (4% na Guiné-Bissau, 1,2% no Mali e 0,4% na Mauritânia).

As áreas de nascimento dos avós bainouks evidenciam uma diferença relativa às dos filhos e netos, a favor da Guiné-Bissau (18,2%).

Os wolofs não são essencialmente originários da região do Cabo Verde, mas sim de uma faixa contígua ao litoral a Norte desta (o Jalofo), como se evidencia pelo facto de Louga ser a região onde nasceram mais avós (25%) daquela etnia, seguida de Saint- Louis (19,2%) e de Dacar (18,5%).

Em certas etnias, é maior a frequência de avós nascidos no estrangeiro do que em qualquer região do Senegal: os papel (100% na Guiné-Bissau), os crioulos (91% na Guiné-Bissau), os bambaras (50% no Mali), os mancanhes (47,4% na Guiné-Bissau) e os manjacos (49,5% na Guiné-Bissau).

Nos pais séréres, Fatick continua a predominar (56,9%), embora com uma forte presença em Thiès (33,3%).

Demonstra-se, também, o carácter itinerante dos peuls, com um notório equilíbrio da sua disseminação pelo Senegal (excepto em território sérère) e pelos países a Leste e Sudeste do Senegal. Contudo, no caso dos peuls propriamente ditos, destaca- se a região de Saint-Louis (38,7%) que inclui toda a margem esquerda do rio Senegal a jusante do município de Bakel, ou seja, uma grande parte do Fouta Toro.

Observemos dois mapas de fluxos, entre os países e regiões de nascimento dos avós e dos pais, e destes para os seus filhos.

Dans le document OPTO-MECHATRONIC SYSTEMS HANDBOOK (Page 131-136)