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INSTITUTIONNALISER LE PROGRAMME DE TRANSFORMATION – LE PROGRAMME DE TRANSFORMATION

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A humanização nos hospitais significa tudo quanto seja necessário para tornar a instituição adequada à pessoa humana e a salvaguardar os seus direitos. Uma série de fatores internos e ambientais na prestação de serviço de saúde, podem comprometer os resultados supostos (Amorim, 2005).

Amorim (2005, p. 11) defende que um “hospital humanizado é aquele que, na sua estrutura física, tecnológica, humana e administrativa valoriza e respeita a pessoa, colocando-se a serviço da mesma, garantindo-lhe um atendimento de elevada qualidade”. Um hospital n~o deve ser sinómino de luxo, mas deve significar a receção de pessoas de forma humanizada, acolhedora, num ambiente limpo, agradável, colorido, onde os profissionais de saúde tenham estímulo para demonstrar toda a sua competência (Barroso, 2009). A receção, por exemplo, tem um importante papel no acolhimento do utente, seja ele doente ou visitante, e pode ser o cartão de visita de uma entidade.

Quando se fala em humanização hospitalar, não se fica limitado à questão do atendimento mas também o investimento na melhoria das condições de trabalho dos profissionais da área. É alcançar benefícios para a saúde e qualidade de vida dos utilizadores, dos profissionais e da comunidade. “Os trabalhadores hospitalares n~o podem ser considerados meros «instrumentos» ou «recursos» na oferta de cuidados de saúde, mas sim atores estratégicos que podem, individual ou coletivamente, agir de modo a influenciar a construção de políticas de saúde (Hennington, 2008, citado por Sales, 2011, p. 7).

Humanização, segundo o Ministério da Saúde (2000), citado por Dias (2006, p. 342) “é garantir { palavra a sua dignidade ética.”

Para outro autor, a humanizaç~o “é a capacidade de sentir compaix~o, e essa compaixão distingue-nos das máquinas, é uma filosofia de ação solidária. É a presença! É a mão estendida! É o silência que comunica! É a lágrima enxugada! É o sorriso que apoia! É a dúvida desfeita! É a confiança restabalecida! É a informação que esclarece! É o conforto na despedida” (Amorim, 2005, p. 11).

Partilhando desta ideia, Almeida, Chaves e Brito (2009), citado por Salles (2011, p. 12) referem que o conceito de humanizaç~o é considerado “como um encontro de subjetividade sendo o sujeito a quest~o central.”

Charlie Chaplin, citado por Mezzomo (2000), afirmou que “mais que de m|quinas, necessitamos de humanidade. Mais só que de iteligência, necessitamos de afeiç~o” (Barroso, 2009, p. 8).

“A humanizaç~o resultante da implementaç~o na saúde n~o vai curar pessoas, mas torna o sofrimento mais toler|vel (…). É a humanização, através da hotelaria hospitalar que vai mudando e completando condutas e comportamentos, tornando o

hospital num espaço digno para os momentos difíceis dos pacientes” (Ghellere, 2001, citado por Barroso, 2009, p. 7).

O C.H.C.B. também tem como um dos seus princípios o “humanismo, tanto no relacionamento com os utentes, como com os colegas de trabalho” (Centro Hospitalar Cova da Beira, 2010).

Este centro hospitalar preocupa-se com os seus utentes, pela crescente melhoria dos seus serviços e pela preocupação em propor o projeto decorrente, de forma a melhorar a aparência e o conforto dos seus utilizadores.

Da mesma forma, preocupa-se com a opinião dos seus utentes em relação aos serviços prestados, disponibilizando questionários constantes nos balcões de informação dos diferentes setores das consultas externas, com o objetivo de obter a avaliação e o comentário do utente sobre a qualidade do serviço que recebeu nesse mesmo setor.

3.7.1 A importância das cores em ambientes hospitalares

A cor, um elemento fundamental e um poderoso atrativo, proporciona uma importante dimensão na comunicação visual e, quando bem usada, uma importante mensagem.

Diversos estudos científicos têm vindo a comprovar a influência das cores na sensibilidade e comportamento das pessoas. Não passaria pela cabeça de ninguém pintar de vermelho um quarto de hospital (Mateus Cromo, S.A., 1994).

As cores sentem-se: algumas dão a impressão de calor; outras são associadas a uma impressão de frescura, no entanto, os efeitos das cores sobre o nosso comportamento est| longe de se limitar a sensações de quente e frio. No livro “Tanta roupa e nada para vestir”, a autora defende que “as cores transmitem emoções e estados de espíritos. S~o vida!” (Guedes, 2010).

A cor possui uma força surpreendente, sem que exista a necessidade de juntar elementos instrutivos ou sentimentais. “Quer queiramos ou n~o, elas exercem uma influência sobre o nosso comportamento e sobre as nossas emoções, (…) portanto, instintivamente, reagimos {s cores” (Beresniak, 2000, p. 7).

A presença das cores também pode ser entendida como evolução das culturas, pois o homem utiliza-as no seu vestuário, na sua decoração de interiores, nos objetos que compra, etc. Desta forma, a cor influencia direta ou indiretamente o nosso dia-a- dia.

Quando utilizada de forma adequada, torna-se uma importante ferramenta para o equilíbrio de ambientes e pessoas, proporcionando bem-estar, preservando a saúde e facilitando a comunicação entre as pessoas. A sua influência sobre a saúde também existe (Beck, Filho, Lisboa, & Lisboa, 2007). Temos o caso dos ambientes hospitalares

que têm forte possibilidade de se tornarem esteticamente mais agradáveis, e assim mais confortáveis e acolhedores, através da aplicação de cores adequadas na sua envolvência total, podendo esta teoria ser aplicada ao vestuário profissional.

O hospital é um local que acolhe pessoas que precisam de tratamento ou de um diagnóstico, mas que também recebe os acompanhantes e visitantes. É um espaço que recebe profissionais da saúde e outros funcionários que trabalham a favor do funcionamento da instituição hospitalar (Beck, Filho, Lisboa, & Lisboa, 2007). Assim, Hoga (1998), cit. por Beck, Filho, Lisboa, & Lisboa (2007, p.6) defende que “O ambiente de trabalho deve favorecer a retoma do equilíbrio físico e emocional de um paciente, bem como apresentar uma imagem que venha ao encontro da prestação de uma assistência de qualidade pelos profissionais.”

Vejamos o que transmitem algumas das cores mais usadas em vestuário: “O amarelo can|rio e o verde |cido s~o energia pura e eletrizante. O branco transmite sempre frescura, paz, luz e uma mente iluminada. O bege, o castanho e os tons secos trazem estabilidade e harmonia, a melancolia própria de cenários campestres no fim do dia. O azul celeste faz-nos pensar em céus limpos, tranquilidade e muita calma. Os encarnados são vivos, apaixonados e acelerados, como o sangue em fortes bombadas. O roxo, a púrpura e o verde-escuro são intensos e misteriosos enquanto que os laranjas, rosas e turquesas são alegres, fortes e marcantes. Os cinzas podem ser acolhedores ou frios e o azul-escuro pode ser gelado. Os «nus», cor de pêssego, rosa velho e malva são leves, subtis e discretos. O rosa claro emana ternura e os tons pastel s~o deliciosamente frescos” (Guedes, 2010, p. 107).

Transferido estas ideias para vestuário profissional, as mesmas não serão aplicáveis na íntegra, isso porque depende muito da imagem que se quer conferir de um colaborador em }mbito hospitalar. Por exemplo, “o preto transmite eleg}ncia, é absorvente e proporciona uma cobertura neutra a quem procura resguardo” (Guedes, 2010, p. 107). Talvez estas sejam características relevantes para o fardamento, mas será que o preto em ambiente hospitalar não simboliza aspetos menos positivos como a tristeza e a morte? Isso porque a cor está diretamente associada a outros conhecimentos: culturais, simbólicos, político, religiosos, éticos, biológicos, geogr|ficos, psicológicos, místicos, cosmológicos, etc. “As interpretações podem variar (…), o preto, por exemplo, recebe diversos significados consoante as |reas culturais (…)” (Chevalier & Gheerbrant, 2010, p. 220).

Lurie (1997), cit. Por Simili, Camacho, & Ponte (2010), discorre que “o marrom bem claro – castanho ou bege – é a mais neutra das cores, a menos comunicativa. […] As pessoas que preferem esconder as suas emoções, ou devem fazê-lo por razões profissionais, frequentemente usam trajes inteiramente castanhos ou beges, às vezes com um acréscimo do cinza convencional.”

Em termos históricos, “foi no início do século XX que o branco foi adotado como a cor das respons|veis pelo cuidado da saúde (…), quanto { indument|ria, as enfermeiras usavam um vestido que, seguindo a tendência das cores empregues pela

enfermagem desde a década de 1920, era provavelmente branco” (Chevalier & Gheerbrant, 2010, p. 220).

Algumas destas afirmações sobre as cores estão atestadas em bibliografia específica e pode-se ler:

“A partir do momento em que impressiona a visão, a cor exerce uma influência sobre o nosso estado de alma (…). Certas cores excitam o corpo, outras acalmam-no. (…) A curto prazo, o vermelho estimula o espírito, mas fatiga-o se for utilizado durante muito tempo. (…) O cor-de-laranja proporciona uma sensação de bem-estar. Um estado depressivo, num ambiente cor-de-laranja, tem tendência para diminuir. Efetivamente, o cor- de-laranja favorece o otimismo e a boa relação corpo-espírito. O amarelo estimula o intelecto. O verde acalma o nervosismo, “regenera” física e mentalmente. O azul favorece a meditaç~o e a intuiç~o. “Abre” a mente e torna-a recetiva { compreens~o. O violeta acalma a irritaç~o e a angústia. (…) A utilização do vestuário, como meio para melhorar a saúde física e mental, é um fator importante de equilíbrio. (…) O vestu|rio vermelho estimula a combatividade, o amarelo fortifica os nervos e o cérebro, o verde ou o cinzento favorece o equilíbrio mental, o azul e o violeta ajudam a recetividade. É aconselhado mudar muitas vezes de cor, porque a utilização exagerada de uma única cor é perigosa” (Beresniak, 2000, pp. 89-94).

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