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O primeiro padrão historiográfico estabelecido na Inglaterra entre 1660 e 1730 conceitua-se pela pesquisa acerca estudos medievais Anglo-saxões (WATKIN, 1980,

11 The Digital Cicognara Library está disponível em https://cicognara.org/ e é uma iniciativa internacional de tornar a Coleção Cicognara digital e de acesso aberto.

12 Traduzido para o inglês como History of Modern Architecture e publicado em 1971 pela MIT Press e para o português como História da Arquitetura Moderna publicado pela editora Perspectiva em 1976.

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p.49). Sir William Dugdale (1605 - 1686) e Roger Dodsworth (1585 - 1654) em sua obra Monasticon Anglicanum (3 vols., 1655-73) focaram na história monumental de monastérios e casas religiosas (religious houses) ingleses, o texto era composto basicamente por documentos e gráficos, mas sua importância era voltada às imagens gravadas, as quais tornaram-no o primeiro livro ilustrado sobre a história da arquitetura medieval. A primeira tentativa de estabelecer uma organização cronológica à história medieval inglesa surge com John Aubrey (1626 - 1697) com Chronologia

Architectonica (1670s), sendo um tipo de tratado manuscrito ilustrado

cronologicamente com desenhos contendo as características arquitetônicas dos edifícios datadas por meio de documentos e outras fontes.

A formação da disciplina de história da arte na Inglaterra tem a participação de George Vertue (1684 - 1756), pesquisador, gravador, e uma das figuras centrais que compunham a Society of Antiquaries, que contribuía com suas gravações e ilustrações valorizando a compilação documental e a interpretação do texto de autores acerca história da arte e de artistas ingleses13.

O florescimento da história da arquitetura relacionou-se com a ‘gradual reabilitação do Gótico’ (WATKIN, 1980, p. 50), autores como William Stukeley14 (1687- 1765), James Essex15 (1722-1784), Dr. John Milner (1752-1826) and James Cavanagh Murphy16 (1760-1814) contribuíram posteriormente com suas obras e ocorreu, principalmente na última década do século XVIII, uma grande reflexão histórica sobre a arquitetura Gótica.

Robert Willis (1800-1878) aparece no cenário de historiador de arquitetura inglês com sua apreciação e sensibilidade visual e científica pela classificação arquitetônica do Gótico, é possível notar essa sua característica literária em Remarks

on the Architecture of the Middle Ages, especially in Italy (Cambridge, 1835) e em The

13 A exemplo da obra de Horace Walpole Anecdotes of painting in England, with some account of the principal artists, and notes on other Arts. (4 vols. 1762-80) Disponível em: https://archive.org/details/anecdotespainti02walpgoog. Acesso em: 02, abril, 2018.

14 Itinerarium Curiosum. an Account of the Antiquities and Remarkable Curiosities in Mature or Art observed in Travels through Great Britain (1725)

15 A obra do autor não publicada History of Architecture, que eventualmente se transforma em History of Gothic Architecture in England (WATKIN, 1980, p. 54).

16 Plans, Elevations, Sections, and Views of the Church of Batalha in the Province of Estremadura in Portugal (1795)

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Architectural Nomenclature of the Middle Ages (Cambridge and London, 1844), onde

segundo Watkin (1980) há um distanciamento em seu texto de análises estilísticas e relações cultural-arquitetônica, pela opção autoral em manter dissociada história da arquitetura e religião.

No mesmo século XIX, na década de 1830, A. W. N. Pugin (1812-1852) ganha destaque como influenciador do pensamento arquitetônico com seu conhecimento de arquitetura medieval e a construção de uma teoria, contemporânea a seu tempo, da arquitetura que justificasse seu próprio processo projetivo. Entre seus livros Contrasts;

or, A Parallel Between the Noble Edifices of the Fourteenth and Fifteenth Centuries, and Similar Buildings of the Present Day; Showing the Present Decay of Taste

(Salisbury, 1836), The True Principles of Pointed or Christian Architecture (1841), The

Present State of Ecclesiastical Architecture in England (1843) and An Apology for the Revival of Christian Architecture (1843). As ideias de Pugin aparecem influenciando

John Ruskin (1819-1900) e seus The Seven Lamps of Architecture (1849), The

Stones of Venice (2 vols., 1851-3) e Lectures on Architecture and Art (Edinburgh,

1853) em um discurso poético na composição do texto na língua inglesa sobre teoria e história arquitetônicas expondo suas ‘convicções emocionais’ (WATKIN, 1980, p.75).

Outro autor determinante na construção da historiografia arquitetônica inglesa foi James Fergusson (1808-1886) com a obra A History of Architecture (3 vols., 1865- 7), a revisão e ampliação de suas obras anteriores Illustrated Handbook of

Architecture (2 vols., 1855) e History of the Modern Styles of Architecture (1862). Tanto

seu texto quanto as ilustrações demonstram o resultado das pesquisas realizadas por Fergusson na variedade de períodos e de países (tais quais arquitetura da Índia e China), e na facilidade de conexão e leitura com seus leitores, tornando-se, em curto período após seu lançamento, de grande apreço popular e com reedições em 1873 e em 1891-3.

Seu sucesso, segundo Allsopp (1970, p. 66-67), foi devido a sua obra ser voltada exatamente à narração sobre a história universal da arquitetura, com um pensamento histórico a frente dos autores de sua época. Outro fator determinante foi acerca da construção de argumentos a partir da própria experiência de Fergusson, nesse esforço de compreender a arquitetura como global, em um continuum de 5000

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anos onde ‘unidades essenciais’ ocorrem e permeiam exemplos apresentados em suas obras. Muitos desses exemplos eram descobertas arquitetônicas recentes e pela primeira vez publicadas e ilustradas ao leitor, sendo recebidas com o mesmo impacto quanto notícias. O destaque final era a própria personalidade de Fergusson com seu ‘dom notável para isolar o relevante’, como quando dedica um capítulo completo à arquitetura cristã armênia, antes mesmo do reconhecimento dentro do juízo arquitetônico.

Entre as últimas personalidades de historiadores da arquitetura que apareceram no final do século XIX, o primeiro foi Sir Banister Fletcher (1866-1953), que junto a seu pai, produziu A History of Architecture on the Comparative Method for

the Student, Craftsman, and Amateur (1896). A influência de Fergusson se faz

presente à forma de abordagem narrativa e a escala de abrangência arquitetônica.

The first edition of Banister Fletcher in 1896 is a comparatively modest affair of some 300 pages and 115 plates, but it had already grown by the ninth edition of 1931 to 1000 pages and 4000 illustrations. The characteristic line illustrations, which have the depressing effect of making all buildings look more or less alike (exactly as Durand had already done), made their first appearance in the fourth edition of 1901 (WATKIN, 1980, p.86).

Segundo Allsopp (1970, p.67) além da semelhança entre as ilustrações de edifícios - entre dimensões, proporções e idades - as características geográficas, étnicas e históricas citadas também eram apresentadas de maneira uniforme, semelhante a tabloides, a correção a esse fato só ocorre em edições posteriores pelo uso de fotografias. Na Inglaterra essa obra era referência para uma série de gerações de candidatos de exames de arquitetura e se expandiram para fora da disciplina, sendo o ‘único livro sobre arquitetura que poderia ser encontrado em todas as bibliotecas públicas’.

A segunda personalidade foi W. R. Lethaby (1857-1931), arquiteto e historiador de arquitetura - descrito como excêntrico por alguns autores - e representante do movimento Arts and Crafts. Foi influenciado pela produção literária de Ruskin e Morris e a produção arquitetônica do Domestic Revival de uma série de arquitetos ingleses do final do século XIX, abrindo novos caminhos para livros e artigos de periódicos no início do século XX. A ênfase histórica de suas publicações associava a arquitetura doméstica à investigações da tradição vernacular inglesa. Entre suas

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obras, Architecture, Mysticism and Myth (1891-1892) o expunha como o primeiro autor no reconhecimento dos papéis da cosmologia, da religião e da mágica das culturas mundiais da Antiguidade; enquanto em The Church of Santa Sofia, Constantinople, a

Study of Byzantine Building (Londres e Nova Iorque, 1894), Lethaby explorava um

novo território para associar simbolismo e a construção manual do edifício dentro da arquitetura bizantina.

Sua narração histórica aliada a imaginação romântica e ao seu conhecimento arquitetônico (WATKIN, 1980, p.91) possibilitaram o mesmo autor a explorar a realidade medieval em suas obras Mediaeval Art, from the Peace of the Church to the

Eve of the Renaissance, 312-1350 (1904) onde discute a relação entre arte oriental e

ocidental; e em Westminster Abbey and the King's Craftsmen: a Study of Mediaeval

Building (1906) onde defende a arte como expressão dos pensamentos humanos a

partir de seus trabalhos manuais, e o próprio caminho percorrido pela arte deixa uma série de documentos para a história da civilização, tal como o título sugere a Abadia de Westminster.

A reação histórica quanto a temática apresentada por Lethaby, desenvolve-se no início do século XX, com uma nova abordagem à interpretação arquitetônica ‘anti- vernacular, anti-sentimental, anti-associacional’ e preocupa-se ‘em restabelecer a arquitetura como uma Fine Art com leis independentes’ enfatizando ‘o classicismo como uma linguagem permanente que transcende as fronteiras nacionais’ (WATKIN, 1980, p.115). Os livros determinantes nessa mudança são publicados em 1914, um por Geoffrey Scott (1883-1929) The Architecture of Humanism, e outro por Albert Richardson (1880-1964) Monumental Classic Architecture in Great Britain and Ireland

during the 18th and 19th centuries17.

Depois do fim da Primeira Grande Guerra Mundial, o pensamento histórico girava em torno do registro e na preservação do patrimônio arquitetônico inglês frente à formação de uma ‘nova economia e pressões sociais’ (WATKIN, 1980, p. 123). A partir desse momento temos a reabilitação de algumas temáticas como o classicismo e o neoclassicismo como no trabalho do arquiteto Arthur Bolton (1865-1945) que

17 Disponível em https://archive.org/details/monumentalclassi00rich Acesso em: 11 abril 2018. Monumental Classic: Architecture in Great Britain and Ireland foi reeditado no ano de 1982 pela editora W W Norton & Co Inc.

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publica Robert Adam and his Brothers: their Lives, Work and Influence on English

Architecture (1915) e The Architecture of Robert and James Adam (2 vols., 1922).

O período pós-Segunda Grande Guerra Mundial também foi determinante na concepção historiográfica arquitetônica, onde a palavra ‘reconstrução’ soava com diferentes interpretações autorais. A reação a favor da preservação da tradição inglesa em termos da história arquitetônica conduziu uma série de publicações18 que celebravam a ‘conquista inglesa, do patrimônio nacional e do modo de vida, que estava implicitamente ligado ao esforço de guerra’ (WATKIN, 1980, p.136). A temática também aparece no título de The Bombed Buildings of Britain (1942) de Sir John Summerson (1904-1992) com colaboração de J. M. Richards (1907-1992).

Em 1950, o arquiteto e historiador inglês John Harvey (1911-1997) publica a primeira pesquisa na língua inglesa sobre arquitetura Gótica em toda a Europa em seu The Gothic World 1100-1600, a Survey of Architecture and Art, com suas raízes narrativas dentro de uma perspectiva histórica cultural. O conjunto de suas primeiras obras

(...) were written against the background of the war with its barbarisms, privations and emphasis on national endeavour. His approach is thus coloured by an understandable reaction against the realities of life in the mid-1940s in favour of an escape to a sun-lit Gothic past, and by an equally understandable reaction against the bleakness of modern architecture (...) (WATKIN, 1980, p.142-1243).

Outra consequência das Grandes Guerras foi a notável e decisiva chegada à Inglaterra da disciplina e carreira acadêmica voltada à história da arte e a permanência dos historiadores de arte germânicos e austríacos na Inglaterra, estabelecendo um novo panorama historiográfico a partir de 1932 com a fundação do Courtauld Institute

of Art e em 1933 pela vinda da Biblioteca de Warburg com os autores historiadores

Fritz Saxl (1890-1948), Rudolf Wittkower (1901-1971) e Nikolaus Pevsner (1902-1983) e em 1936 de Ernst H. J. Gombrich (1909-2001).

18 Tais quais English Cities and Small Towns, por John Betjeman; English Villages, por Edmund Blunden, English Country Houses, por Vita Sackville-West e British Romantic Artists, por John Piper.

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Rudolf Wittkower ingressou como historiador de arquitetura desde o começo de sua carreira de historiador e sua obra, escrita em parceria com Saxl, British Art and

the Mediterranean (Oxford, 1948) pode ser considerado, segundo Watkin (1980,

p.151-152), um ponto marcante da conquista da história da arte no século XX na Inglaterra ao justificar o método característico do Instituto Warburg no estudo cultural e iconográfico da migração de símbolos clássicos.

Em Architectural Principles in the Age of Humanism (194919) Wittkower defende o valor da tradição advinda da escola de Warburg da análise, literária ou intelectual, do significado dos símbolos. Pelt e Westfall (1991) apresentam sua obra como uma história clássica da história da arquitetura, escrita durante a Segunda Grande Guerra Mundial no qual discutia as ‘ordens’ e os ensinamentos que haviam guiado a práxis da arquitetura durante o Renascimento, sistematizando o conhecimento normativo. Essa obra, de acordo com Watkin (1980), é também um pequeno marco na história moderna da arte como o início da Oxford History of English Art, primeira iniciativa com a intenção de cobrir toda a história artística da Inglaterra, desde suas origens celta- saxã até século XX, em uma série de 11 volumes escrita por diferentes autores acadêmicos e editada pelo historiador T. S. R. Boase (1898-1974).

A figura de Nikolaus Pevsner (1902-1983) reaparece no cenário historiográfico, agora na Inglaterra pós-guerra, seguindo a promoção da arquitetura e do movimento moderno junto ao também arquiteto refugiado alemão Walter Gropius (1883-1969), onde o termo ‘moderno’ era associado à interpretação da Bauhaus. Suas publicações Pioneers of the Modern Movement from William Morris to Walter Gropius (1936) e An Enquiry into Industrial Art in England (Cambridge, 1937) estabeleciam novas maneiras associativas entre arte e arquitetura.

Em An Outline of European Architecture (1943) Pevsner estabelece uma nova interpretação da arquitetura como espaço, perspectiva já tradicionalmente alemã, através de uma narrativa viva, de forma que criou grande popularidade entre seus leitores: ganhou 4 reedições em um período de 10 anos, tomou o lugar do livro de Fletcher como o mais popular entre as faculdades de arquitetura em história

19 O texto surge pela primeira vez no ano de 1949 como o volume 19 da série Studies of the Warburg Institute.

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arquitetônica e proporcionou audiência ao editor Sir Allen Lane da Penguin Books (fundada em 1935) fundamental para a criação da posterior série History of World Art (Pelican serie, 1953) e Buildings of England (46 volumes, 1951-74). Esse segundo conjunto de obras tornou-se fundamental para guiar os visitantes da arquitetura dos condados ingleses, elevando o status de Pevsner como o de referência também junto ao juízo de uma população de não arquitetos. O apelo dessa série de livros era seu formato de bolso, seu baixo valor aquisitivo (comparado na época com um maço de cigarros), e seus locais de venda (livrarias, estações ferroviárias, e no comércio em geral).

Na década de 1950 outro destaque foi o dicionarista e historiador arquiteto britânico Howard Colvin (1919-2007) com seu Biographical Dictionary of English

Architects, 1660-1840 (1954) no qual constituiu um corpo de conhecimento sobre a

arquitetura inglesa baseado sumariamente em profundas pesquisas em arquivos, registros e documentos de todos os tipos e uma grande gama de locais e estabelecimentos, não havia abertura para especulações em sua narrativa. Sua obra abre caminhos para outros autores e uma nova geração de historiadores de arquitetura, tais quais John Harvey em 1954 em lançar seu English Mediaeval

Architects, a Biographical Dictionary down to 1550 seguindo a mesma abordagem de

pesquisa realizada por Colvin aplicada no campo da arquitetura pós-medieval. Enquanto o historiador de arquitetura e curador John Harris (1931-) aplicou o conhecimento da documentação na descoberta e identificação de desenhos arquitetônicos.

Outro aspecto importante desse período desenvolve-se junto aos estudos acadêmicos do historiador da arte francês Louis Hautecoeur20 (1884-1973), do historiador inglês John Summerson21 (1904-1994) e do historiador arquitetônico americano Henry-Russell Hitchcock22 (1903-1987) que narram, de um ponto de vista europeu e americano, o desenvolvimento do Neoclassicismo.

20 Seus estudos do período de 1750-1812 aparecem nos volumes IV e V (1952-3) da obra Histoire de l’architecture classique en France.

21 Seu estudo aparece na 5a. parte de sua obra Architecture in Britain 1530-1830 (1953) sob o título de Neo-Classicism and the Picturesque: 1750-1830.

22 Em sua obra Architecture: 19th and 20th centuries (1958) descreve o Neoclassicismo europeu sob o título de Romantic Classicism.

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