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Initialization and Control

Dans le document RT–11 System Macro Library Manual (Page 28-31)

1.4 Using Programmed Requests

1.4.1 Initialization and Control

É sabido que o homem possui inúmeras características, fisícas ou biológicas, porém durante muito tempo essas características foram essenciais na classificação social de raças.

Como já mencionado anteriormente os grupos inicialmente foram classificados como dominantes/superiores(europeus) e sucessivamente dominados/inferiores (os não-europeus), posteriormente foram classificados de acordo com suas características fenotípicas como por exemplo a cor da pele (definida como marca “racial”), a cor e formato dos olhos, o cabelo, atribuindo assim aos europeus a classificação de raça branca ,os dominantes, e a todos os não – europeus a definição de “raças de cor” . (MUNANGA, 2009, p.107)

Esta classificação da raça branca ser a mais inteligente, a mais bonita, a mais intelectual tem perpassado por séculos, e devido a isto outras populações sofrem com as ações de racismo praticadas tanto no mundo real quanto no virtual.

A respeito do que estamos falando, podemos conferir nos discursos a seguir.

Figura 7: Manifestações racistas na Rede

Fonte: Reprodução facebook

Os discursos reproduzidos neste post apresentam teor racista especificamente contra a pessoa negra. Se observarmos bem o conteúdo apresentado “...não sabia que negro podia ser

médico, quem se arriscaria em uma consulta???”, facilmente identificamos nesta fala a não aceitação do negro numa profissão que é almejada e exercida pela dita classe dominante. Percebemos também a relação intelectual feita de quem estaria apto a exercer a profissão quanto ao nível de capacidade da pessoa negra que é categorizado nas entrelinhas como sendo alguém inapto para exercer a referida profissão.

Nesta outra fala “Odeio pretos e pardos falando muito alto e comendo de tudo por muito tempo, em bandos, nos hotéis três estrelas de orla de praia! ... Alguém consegue comer carne de sol com cuscuz logo cedo lotando o prato....” a expressão “bando”( grifo nosso ) utilizada aqui faz uma categorização de animalização do homem como se este fosse um animal. Outro ponto observado nesta fala é quando o internauta se refere ao prato típico de uma região (Nordeste do Brasil) , percebemos a opressão à cultura gastronômica de uma região em que o racismo aparece de forma subliminar. A partir da fala exposta constata-se o racismo relacionado à cor de pele, à cultura gastronômica e à população de uma região específica do Brasil, intersecionlizando-se vários preconceitos em uma só postagem. Esta postagem também vem a responder alguns dos questionamentos feitos anteriormente quanto as pessoas responsáveis por estas publicações sentirem-se superiores a outras, tendo em vista o sentimento de superioridade dentro das narrativas bem como a hierarquia predominante sobre os afrodescendentes.

O racismo presente na cor caracteriza a pessoa negra como sendo inferior ao outro não apenas por julgar este menos inteligente, menos apto para ocupar determinado cargo ou função e sim por apresentar uma tonalidade de pele diferente. Por causa desta tonalidade de pele estas pessoas são tratadas como ignorantes, incapazes, pessoas preguiçosas, dentre outras atribuições que intensificam ainda mais o racismo sofrido por estes povos.

Essa classificação da raça por parte da cor foi critério essencial para tal classificação, como nos afirma Quijano.

No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor de água entre as chamadas raças. Por isso, a espécie humana ficou dividida em três raças estanques que resistem até hoje no imaginário coletivo e na terminologia científica: raça branca, negra e amarela.(QUIJANO, 2000, p. 19).

Para o sociológo Anibal Quijano, a questão da cor seria uma “invenção eurocêntrica enquanto referência “natural ”ou biológica de raça.”(QUIJANO, 2009, p.113).

Fica notório a partir das narrativas o quanto a questão da classificação da cor se faz presente ainda no século XXI, a intensidade como estes discursos são naturalizados no nosso convívio social e o quanto as pessoas associam a classificação hierárquica a questão biológica como podemos ver na fala do internauta: “Entendam DNA e entenda prquê as RAÇAS são diferentes . Esqueça o porco engravatado “político” que criou o bordão “todos somo siguais”

ninguém é igual a ninguém. As raças são diferentes, porquê o grupo egnético17 de cada RAÇA é diferente, cabe a cada um respeitar o jeito de ser de todos!” observamos a presença da teoria da racialização.

Teoria esta marcada pela classificação da sociedade partindo de suas características fenotípicas, denominadas como características raciais. Esta relação de classificação está totalmente ligada a questão de poder e dominação algo muito presente e forte desde a colonização dos povos.

Isto vem a reafirmar a fala de Quijano.

Podemos observar que o conceito de raça, tal como o empregamos hoje, nada tem de biológico. É um conceito carregado de ideologia, pois, assim como todas as ideologias, esconde uma coisa não-proclamada: a relação de poder e de dominação.[...]. É a partir dessas raças fictícias ou “raças sociais” que se reproduzem e se mantêm os racismos populares.(QUIJANO, 2000, p. 22)

Os comentários apresentados enfantizam a pessoa negra como sendo algo que permanece inferior a outros povos, características presentes nos discursos que reproduzem relações fortes de poder sobre uma população e sua cultura.

Embora numa proporção bem menor podemos visualizar comentários de pessoas que não aceitam a intolerância e racismo praticado contra estes. É sabido que o racismo praticado não é nenhuma novidade nem tão pouco algo que por ventura tenha surgido com a internet, como já mencionamos em capítulos anteriores.

Contudo é de tamanha relevância ressaltar que a rede social fornece a seus usuários maior facilidade de comunicação o que contribui na ampliação e alcance do que é postado na rede.

A exemplo disto são os comentários e postagens apresentados aqui, que até certo tempo eram restritos a um número mínimo de pessoas, o contrário do que tem acontecido nos últimos anos .

O que é possível “ver” como um ponto positivo, pois se o alcance ao público torna- se maior, pode-se então considerar maiores as chances de combater as ações por meio de denúncias.

É notório nos discursos apresentados o quanto ainda está enraizado e naturalizado o racismo contra os afro-descedentes na mente das pessoas. Prova disto é a opressão racial sofrida

17 Palavra transcrita tal e qual o autor escreveu em postagem reproduzida no facebook, a grafia utilizada na escrita

por estes fora do mundo virtual, em que milhares de pessoas negras são violentadas e até mesmo assassinadas todos os dias.

A seguir trazemos outra categoria de análise.

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