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II) La répartition des risques financiers

Dans le document Le contrat de société en participation (Page 120-142)

Para viabilizar a vida em sociedade os homens, não obstante sejam eles próprios unidades biopsíquicas, se organizam de modo a constituir unidades maiores, em forma de grupos, comunidades, sociedades, sistemas que permitem a cooperação entre si.

Por cooperação se entende a união de esforços ou auxílio mútuo para a consecução de objetivos comuns e significa atuação, ação em comum, harmonizada, envolvendo desde o auxílio mútuo para a realização de simples tarefas, como a remoção de uma pilha de tijolos, até a união de esforços para jornadas mais complexas, em que se exige a especialização de todos e conseqüente divisão do trabalho, ou mesmo mediante a intervenção técnico- científica de terceiros, como no caso do seguro.

Especialistas distinguem entre cooperação direta, aquela que abrange todas as atividades que os envolvidos realizam juntos, e, indireta, quando os indivíduos cooperam realizando trabalhos diversos, não sendo autossuficientes; pelo contrário, são interdependentes.

Outro método de verificação da cooperação é aquele que divisa os interesses que a alimentam e que podem ser: a) comuns, os que tendem a unir os indivíduos e os conduzir à cooperação (e. g., partidos políticos, religiões, agremiações, etc.), e b) interesses que se interpenetram, os que se harmonizam, a exemplo do que se pode vislumbrar entre o capitalista, o empresário e o operário, em que o primeiro, animado pela captação de juros cada vez mais elevados, coopera fornecendo capital para investimentos na indústria ou no comércio; o segundo coopera assumindo a responsabilidade e os riscos da atividade em troca de elevada remuneração; enquanto que o terceiro, por sua

vez, detentor apenas de sua força de trabalho, coopera objetivando receber em troca um salário.

I.3.2. Competição

A luta pela existência significa, lato sensu, competição, e a ela estão compelidos todos os seres vivos. Mesmo as plantas se excluem umas às outras, num processo de competição pela umidade e luz, do qual resulta o sucesso das mais vigorosas, enquanto as outras, com menor capacidade de adaptação às mudanças ambientais, morrem e desaparecem do sistema. Quanto aos animais, inclusive o homem, estes se mantêm vivos porque destroem plantas e outros animais para sua subsistência, o que se conhece por competição ecológica.

Houve um tempo em que os deuses existiam, mas não as espécies mortais. Quando chegou o momento assinalado pelo destino para sua criação, os deuses formaram-nas nas entranhas da terra, com uma mistura de terra, de fogo e dos elementos associados ao fogo e à terra. Quando chegou a ocasião de trazê-las à luz, encarregaram Prometeu e Epimeteu de as prover de qualidades apropriadas. Mas Epimeteu pediu a Prometeu que lhe deixasse fazer sozinho a partilha. “Quando acabar, disse ele, tu virás examiná-la”. Satisfeito o pedido, procedeu à partilha, atribuindo a uns a força sem a velocidade, aos outros a velocidade sem a força; deu armas a estes, recusou-as àqueles, mas concedeu- lhes outros meios de conservação; aos que tinham pequena corpulência deu asas para fugirem ao refúgio subterrâneo; aos que tinham a vantagem da corpulência esta bastava para os conservar; e aplicou este processo de compensação a todos os animais. Estas medidas de precaução eram destinadas a evitar o desaparecimento das raças. Então, quando lhes havia fornecido os meios de escapar à mútua destruição, quis ajudá-los a suportar as estações de Zeus; para isso, lembrou-se de os revestir de pelos espessos e peles fortes, suficientes para os abrigar do frio, capazes também de os proteger do calor e destinados, finalmente a servir, durante o sono, de coberturas naturais, próprias de cada um deles; deu-lhes, além disso, sapatos de cornos ou peles calosas e desprovidas de sangue; em seguida deu-lhes alimentos variados, segundo as espécies; a uns, ervas do chão, a outros frutos das árvores, a outros raízes; a alguns deu outros animais a comer, mas limitou sua fecundidade e multiplicou a das vítimas, para assegurar a preservação da raça. Todavia, Epimeteu, pouco refletido, tinha esgotado as qualidades a distribuir, mas faltava-lhe ainda prover a espécie humana e não sabia como resolver o caso. Então Prometeu veio examinar a partilha; viu os animais bem providos de tudo, mas o homem nu,

descalço, sem cobertura nem armas, e aproximava-se o dia fixado em que ele devia sair do seio da terra para a luz. Então, Prometeu, não sabendo que inventar para dar ao homem um meio de conservação, roubou a Hefaisto e a Atenéia o conhecimento das artes com o fogo, pois sem o fogo o conhecimento das artes é impossível e inútil, e presenteou com isto o homem. O homem ficou assim com a ciência para conservar a vida, mas faltava-lhe a ciência política; esta, possuía-a Zeus, e Prometeu já não tinha tempo de entrar na acrópole que Zeus habita e onde velam, aliás, temíveis guardas. Introduziu-se, pois, furtivamente na oficina comum em que Atenéia e Hefaisto cultivavam o seu amor às artes, furtou ao Deus a sua arte de manejar o fogo e à Deusa a arte que lhe é própria, e ofereceu tudo ao homem, tornando-o apto a procurar recursos para viver. Diz-se que Prometeu foi depois punido pelo roubo que tinha cometido, por culpa de Epimeteu.280

Demais dessa competição ecológica, em que o homem se vê envolvido para a mantença de sua existência física, outro tipo de competição anima a vida humana e se trata da competição pela sobrevivência social, na qual se insere a busca da sobrevivência pelos bens, por melhores ocupações, seara em que o homem conhece – embora nem sempre de modo consciente - a competição econômica, política e a social. Trata-se de uma disputa, em geral inconsciente, como frisamos antes, impessoal e contínua, que se manifesta, de regra, quando os recursos de interesse são insuficientes para a satisfação de todos. Nesse campo de interesses podemos inserir, a título exemplificativo, alimentação, moradia, trabalho, posições sociais, luxo, fama, poder, etc., valores que se encontram povoando o desejo de grande parte dos indivíduos socializados e que, num mundo de recursos inflexivelmente escassos, podem ser considerados insaciáveis.

A competição é responsável pela divisão do trabalho, pela ordem econômica, além de produzir a distribuição dos indivíduos e classes pelo espaço social. Cada trabalhador procura emprego segundo a ocupação que entende ser melhor para si ou a mais realizável dentro das possibilidades sociais. Portanto, a divisão do trabalho decorre da diferença de capacidade, conhecimentos e

habilidades entre os homens, razão porque os mesmos distribuem-se em funções diferentes, marcando assim a divisão do trabalho e, também, uma forma de cooperação.

A ordem econômica responde assim à necessidade coletiva de sobrevivência e hoje, em nível global em virtude da facilidade de comunicação em todos os quadrantes da civilização, consiste na formação de uma rede mundial de produção e troca de bens, compensando-se, desse modo, pelo comércio internacional, as carências localizadas.

Por fim, acerca da distribuição espacial dos indivíduos e dos grupos, basta observar a concentração de massa humana em determinadas regiões do “mapa mundi”, em contraste com verdadeiros desertos humanos em certas localidades, o que se explica pelo fato de os seres identificarem e buscarem o seu habitat, onde podem melhor desenvolver suas potencialidades. É assim também com os animais e plantas, que cuidam de identificar o habitat de acordo com as melhores condições biológicas, ao passo que o homem, além dessas, busca ainda respostas de cunho social, como, por exemplo, oferta de emprego, melhor renda per capta e segurança.

I.4. Os conflitos sociais e modos de superação

A exemplo da competição, como vimos acima, que em verdade é um processo inconsciente, impessoal e contínuo, visando a conquista de coisas concretas, o conflito também pode ser visto como luta, mas que, no entanto, muito diferente daquele, se trata de um processo consciente, pessoal, intermitente e emocional, implicando, ainda, o uso da violência. Os agentes em conflito, afora a plena consciência das divergências, alimentam rivalidade, antipatias, tudo com forte teor emocional, objetivando a manutenção ou mesmo mudança do status social vigente. Inclinam-se a ignorar as qualidades e a destacar os defeitos uns dos outros, emitindo juízos parciais e subjetivos.

Os conflitos sociais resultam em status social e ordem política. Como os

status sociais nas sociedades altamente complexas são múltiplos e instáveis por

natureza, crescem os estímulos e acirram-se as disputas. No plano político, entendemos o domínio exercido pelos indivíduos ou grupos mais poderosos sobre outros mais fracos.

Os estudiosos enumeram, não de modo exaustivo, os conflitos das gerações, dos sexos, de raças, entre o campo e a cidade, de classes, os econômicos, os religiosos e os internacionais. Costumam, mais, indicar como fatores resultantes dos conflitos: a) o alívio de tensões, na medida em que a eclosão permite liberar a tensão represada na fase que o precede; b) o aumento a eficiência pessoal, posto que, em situação de conflito, despendemos esforços maiores para a consecução de nossas metas, o que não ocorre em situação de segurança; c) por fim, o pensamento é estimulado em circunstâncias problemáticas, pois desafiam nosso poder criativo para soluções.

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