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Dans le document Description of Boundary Scan (Page 117-130)

Neste projeto não foi possível a criação de um novo modelo final para avaliação dos usuários. Apesar do Modelo B ter sido proposto com características sufi- cientes para ser colocado em avaliação, a ideia de produzir um novo modelo viria para corrigir algum aspectos que ainda precisaria de ajustes. Este modelo definitivo, assim como a verificação e validação efetiva do projeto, será deixado para um futuro próximo.

Apesar de não ter sido elaborado e avaliado um modelo final, como propõe a metodologia proposta por Munari (1998), foi possível produzir todos os desenhos técnicos das peças do brinquedo (Apêndice B), que serviram para construção das peças do Modelo B e servirão de documentação para a posterior execução do produto final.

O Projeto CRI

O que pode ser útil ao crescimento do indivíduo em formação que é a criança? Algo que lhe dê, através do jogo, informações que lhe possam servir quan- do for adulto. (Bruno Munari, 1998. p 234)

Segundo Munari (1998. p 236), “podemos ajudar a criar indivíduos cria- tivos e não repetitivos, indivíduos com uma mentalidade elástica e pronta a resolver todos os problemas que alguém pode ter na vida”. Para isso, é preciso munir a criança das informações necessárias para o desenvolvi- mento de suas capacidades criativas. Foi nesta direção que este projeto seguiu, a fim de elaborar um artefato que, respeitando as especificida- des do desenvolvimento infantil, trouxesse para universo da criança uma variedade de informações enquanto ela brinca. Um brinquedo, que seja prazeroso e divertido, sem deixar de lado sua importância para o futuro desta criança, que lhe sirva nas suas necessidades do presente e que lhe forneça substância para seu futuro. O nome CRI faz homenagem a crian- ça e criatividade, que são as chaves para todo esse trabalho. Sem estes dois elementos, não haveria motivo para criação do brinquedo.

Este projeto é, em essência, uma contribuição social do design para o desenvolvimento de indivíduos criativos — capacidade tão importante e valorizada na sociedade contemporânea e ferramenta essencial para o próprio design.

Durante a pesquisa bibliográfica sobre infância e sua relação com o brin- quedo, foi possível entender que o desenvolvimento da criatividade está ligado a um repertório amplo e apropriado de informações fornecidas durante a infância, pois é a partir desse repertório, que a criança irá cons- truir soluções para os futuros problemas que venham a enfrentar.

Diversos poderiam ter sidos os caminhos a serem trilhados a partir des- ta perspectiva de desenvolvimento da criatividade, mas uma experiência pessoal fez adicionar um elemento que balizou o andamento do projeto, que foi o contato com a Escola Ciranda. Por basear sua ação na pedagogia Waldorf e atender crianças em idade pré-escolar, trouxe consigo elemen-

tos importantes para o projeto, já que, conforme mencionado nas partes iniciais deste trabalho, o brinquedo faz parte do cotidiano da sala de aula, muitas vezes com uso livre e espontâneo.

Como principais características, ressaltadas pelo próprio Rudolf Steiner, fundador da pedagogia Waldorf, e descritas por Lanz (1990), o brinque- do ofertado para crianças em idade pré-escolar deveriam proporcionar a fantasia, algo manipulável pela criança para elaboração de algo único e pessoal, “deveriam ser tão simples que se prestassem à transformação imaginativa” (LANZ, 1990. p. 129).

A partir do levantamento bibliográfico foi possível listar uma série de atributos desejáveis ao brinquedo, que não atendem somente à pedagogia, mas como à toda a sociedade, que também tangenciam aspectos da sus- tentabilidade e que contribuam para a elaboração do repertório criativo infantil. Pode-se destacar como características deste brinquedo:

• Auxílio no treino das habilidades manuais e do equilíbrio: o brin- quedo deve permitir a criança o uso das mãos, permitindo intera- ção com todas as suas partes, com tamanhos e informações senso- riais diferentes;

• Possibilidade de ação imaginativa: não deve ser um brinquedo pronto, mas que permita a manipulação das suas partes promoven- do reinterpretação e rearranjos constantes.

• Durabilidade e robustez: deve ser durável, permitindo que a crian- ça brinque por longo período de tempo, sem que seu uso fique com- prometido pela quebra ou avaria das partes.

• Naturalidade dos materiais: o material utilizado deve ser de ori- gem prioritariamente natural, sem uso de compósitos sintéticos ou extraídos a partir de fontes não renováveis. Seu descarte deve ser simples e de fácil reintegração natural.

É imenso o universo dos brinquedos, e seriam diversas as possibilidades a serem exploradas, então, como forma de reduzir o escopo deste trabalho, foi feito um recorte espacial/funcional. O brinquedo fruto deste projeto é voltado para o brincar em ambiente fechado, como salas de aula, brinque- dotecas, dentro das casas ou apartamentos, nos quartos das crianças ou em qualquer outro espaço disponibilizado para brincar que não esteja ao ar livre, como jardins, parques e áreas de recreação.

Após esse recorte da pesquisa, foi possível perceber que, mercadologi- camente, existe uma lacuna. Com o andamento da metodologia que foi aplicada, identificou-se a necessidade de propor um novo artefato que agregasse a maior quantidade características desejáveis, pois no merca- do de lojas de brinquedos, sejam elas físicas ou on-line, não foi possível identificar um produto que viesse a atender de forma satisfatória aos re- quisitos deste projeto. Pareceu que muitos dos desejos básicos de pais e educadores em relação aos brinquedos não eram atendidos. Com a análise dos dados fornecidos pelo grupo focal, foi possível ampliar os aspectos desejáveis ao brinquedo para além das questões trazidas pela bibliografia, com uma carga sociocultural maior e ligados principalmente as questões de ciclo de uso.

Nas características desejáveis inicias do brinquedo, adicionou-se:

• Segurança para a faixa etária: peças de tamanho adequado e que não liberassem substâncias químicas;

• Ciclo de uso: deve ser ao máximo estendido; permitindo a criança brincar durante um maior período da faixa etária.

• Custo: melhor relação entre custo-benefício, não excedendo valo- res praticados no mercado atual

Ao adicionar esta nova lista de demandas, ao final da macroetapa explo- ratória e início da macroetapa criativa a lacuna anteriormente verificada ficou ainda mais evidente. Mas, felizmente, também foi possível elaborar propostas de soluções para as principais demandas levantadas, soluções estas que, por diversas vezes, atendiam a mais de um problema simulta- neamente. Por exemplo, na etapa de levantamento sobre materiais e tec- nologias, foi possível adotar proposta que alinhasse a pedagogia Waldorf, ao desejo dos pais, às demandas sustentáveis e a tecnologia disponível para criação do brinquedo, como foi o caso do uso de madeiras oriundas de reaproveitamento. Essas sobras de madeiras, que seriam descartadas, servem de elemento básico para criação das peças, que alinhadas com a técnica da marchetaria, proporcionam uma solução estética atrativa, du- rável, sustentável e de baixo custo.

Assim, as principais características formais do brinquedo, como as for- mas, furação, material e tamanhos das peças, trazem alguma proposta de solução para um ou mais aspectos desejáveis elencados durante as macro- etapas exploratória e criativa.

Dans le document Description of Boundary Scan (Page 117-130)

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