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Sous-groupes finis de SO(3) et polyèdres réguliers de dimension 3

Em Kindleberger (2005) é possível notar que o autor realiza uma análise com base nas visões de diversos autores do ramo da economia, à fim de estudar as causas que possivelmente poderiam explicar as origens da crise de 1929, bem como, o agravamento da grande depressão. Neste sentido, Kindleberger em concordância com Friedman e Schwartz, no que concerne ao fato da crise ter se originado nos Estados Unidos, defende que o sistema internacional no período que antecedeu a crise de 1929, já estava abalado em razão do regime monetário vigente à época, dito pelo padrão ouro. Fato este, que propiciou certa vulnerabilidade ao sistema econômico mundial naquele tempo, o que também teria contribuído em parte, para o declínio da economia em 1929. Além disto, o referido autor também atribui como um fator fundamental para explicar as condições que levaram a formação da crise, o severo problema de superprodução – principalmente no setor de trigo, açúcar, zinco, café e algodão – que assolou os Estados Unidos durante os anos vinte. (KINDLEBERGER, 2005). Nesta conjuntura, Heller (2009) relata que:

Para Kindleberger, a estabilidade do padrão-ouro do período anterior à I Guerra Mundial foi resultante da capacidade de liderança da Grã-Bretanha e do Banco da Inglaterra. Uma vez que esta capacidade de liderança foi abalada, o padrão-ouro deixou de funcionar como mecanismo de estabilização da economia internacional, facilitando os mecanismos de transmissão dos problemas econômicos, monetários, financeiros ou reais de um país para outro. (HELLER, 2009, P. 11).

Tal afirmação implica na chamada “tese de responsabilidade” desenvolvida por Kindleberger (2005). Isto é, o conceito refere-se a incapacidade de sustentação do sistema econômico por parte da Grã-Bretanha, que por sua vez, não apresentava mais as mesmas características de estabilidade do período anterior à primeira

guerra mundial. Desse modo, tal liderança por parte da Grã-Bretanha, deveria ser capaz de cumprir os objetivos como o fornecimento de empréstimos, e ainda possuir um caráter estável. Deveria estabelecer também, uma pauta de comércio internacional, possuir capacidades de coordenação das políticas macroeconômicas, manter a estabilidade das taxas de câmbio e por fim, atuar como um apoio em possíveis crises financeiras, servindo como emprestador de última instância. (KINDLEBERGER, 2005).

De fato, isto não ocorreu. A Grã-Bretanha já não era capaz de agir nesta direção devido aos problemas econômicos internos pelo qual o país passava já após a primeira guerra mundial. Desta maneira, conclui-se que de acordo com a visão de Kindleberger, que as origens da crise de 1929, podem ser explicadas principalmente pelos problemas originados em razão do padrão-ouro, conforme apresentado anteriormente. E juntamente, com um conjunto de fatores que contribuíram para o agravamento deste problema, como o episódio de superprodução e as baixas do mercado acionário em solo norte-americano naquele tempo. Sobre este último fator, o próprio presidente norte-americano daquela época, Herbert Hoover, apesar de defender que a crise de 1929 embora tenha decorrido em parte, por culpa do continente europeu, isto é, especialmente pela existência de cartéis e a ineficiência de atuação dos gestores e estadistas da Europa em lidar com os problemas econômicos que surgiram no pós-guerra, Hoover reconhecia também, que grande parte da responsabilidade pela crise poderia ser atribuída sim, à especulação do mercado acionário norte-americano.

3.7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As principais ideias discutidas no presente capítulo, referem-se a apresentação dos pensamentos e teorias dos autores tradicionais a respeito do entendimento da crise de 1929 e principalmente dos fatores que levaram ao seu desencadeamento. Além disto, cumpre-se o propósito deste capítulo, no que se refere a apresentação clara e objetiva das principais ideias de cada autor, possibilitando compreender de modo aprofundado que a crise de 1929 foi evidentemente desencadeada por uma confluência dos diversos fatores discutidos neste texto, a saber, as mudanças políticas, sociais e econômicas do pós primeira

guerra, as ineficiências das autoridades norte-americanas, o crescimento insustentável da economia estadunidense durante os anos vinte e entre outros.

Em outros termos, é possível inferir que apesar da singularidade das interpretações dos autores apresentados, existem pontos em comum entre eles, que possibilitam um relação de complementariedade entre as visões analisadas

Neste contexto, segue quadro demonstrativo dos autores tradicionais apresentados neste capítulo.

Quadro 1 – Quadro Demonstrativo dos Autores Tradicionais.

Autor Schumpeter Keynes Robbins Friedman Kindleberger

Data de Nascimento/Falecimento 1883-1950 1883-1946 1898-1984 1912-2006 1910 - 2003 Principais Conceitos Teoria das Causas Múltiplas A Insuficiência da Demanda Efeitva As Influências Descontínuas O Choque Monetário Mercado Acionário e Atividades Econômicas

Relação com a Crise de 1929 Principais Causas: Mudanças Econômicas e Técnológicas do Pós I Guerra Mundial Principais Causas: Paralisação do Aumento de Emprego e da Produtividade nos anos vinte

Principais Causas: Diversidade de fatores decorrentes do Pós I Guerra Mundial Principais Causas: Ineficiência das Autoridades Governamentais e Políticas Monetárias Principais Causas: Crash da Bolsa de Valores e Crescimento Insustentável dos anos vinte Fonte: Elaboração própria

O quadro acima demonstra suscintamente os principais conceitos desenvolvidos por cada autor. Como segue, é possível verificar a relação entre os pensamentos dos tradicionais com a ocorrência da crise de 1929. Conforme as informações apresentadas no quadro demonstrativo, este grupo de autores direcionam suas análises especialmente para a indentificação das causas responsáveis pelo desencadeamento da crise de 1929. Além disto, verifica-se que as causas explicadas pelos referidos autores, deram-se no contexto dito pela era de prosperidade econômica dos anos vinte (1923-1928), embora, Schumpeter por exemplo, sinalizasse que o surgimento das condições que contribuíram para a

formação da crise de 1929, deram seus primeiros sinais logo após a grande guerra em 1919. Por outro lado, a diversidade das interpretações acerca das razões que realmente levaram ao desencadeamento da crise de 1929, revelam a existência de uma complexidade de fatores responsáveis pela origem do problema. Excluindo deste modo, a possibilidade de adotar um consenso universal para explicar a referida crise. Em vista disto, torna-se essencial considerar a existência de uma análise multidisciplinar do assunto. Sob estas condições, defende-se que as interpretações apresentadas neste capítulo possuem caráter complementariedade, especificamente no que se referem as causas que deram origem a Crise de 1929.

4. INTERPRETAÇÕES MODERNAS DA GRANDE DEPRESSÃO