• Aucun résultat trouvé

Gestion et construction de r´ egions logiques

3.3 Un objet pour les corps g´ eologiques d´ eformables

3.3.2 Gestion et construction de r´ egions logiques

Luedemann (2002) destaca a apropriação de novos conteúdos literários, também, como promotora de transformações no modo pelo qual Makarenko observava e se apropriava de elementos específicos da realidade social. Contudo, a autora não deixa de salientar que o movimento de transformação da leitura crítica da realidade estava em processo, desde tempos anteriores, bem como, não prescinde de marcar a chegada dos textos de Gorki como conteúdo que acumula em si, elementos de um decisivo “apelo popular”, em favor da luta pela “emancipação política e pelo

fim da exploração” do povo. Luedemann (2002, p.55-57) afirma que os “heróis” de Gorki eram:

[...] os miseráveis, trabalhadores desempregados, moradores de rua, operários, cheios de vida e coragem. Em sua adolescência, Anton abandonou o sentimento de impotência dos personagens pequeno-burgueses de Tchekhov e abraçou o novo mundo pintado com cores fortes por Gorki. Ele podia ver claramente esse mundo iluminado em cada um de seus livros. Era o meio do caminho entre o anarquista Tolstoi e o comunista Lenin. De Luedemann (2002), como relevante, destaca-se a avaliação que Makarenko objetiva sobre a utopia de Tolstoi, tornando manifesto o limite da crítica utópica tolstoiana. Pois, ainda que, na objetivação tolstoiana, encontrem-se os elementos da luta contra a “opressão do velho regime e a desordem da nova ordem capitalista [...]”, não há, porém, como se depreender dela – da crítica tolstoiana – a oposição à propriedade privada e à proposição da idéia da liberdade somente individual, ou seja, não há fomento à produção coletiva da vida.

Apesar da concepção de escola proposta por Tolstoi defender a socialização da cultura, a “vida escolar”, nessa perspectiva, não tomava corpo coletivo. Os “pequenos camponeses” saiam da “manada” para o desarticulado isolamento individualista. Luedemann (2002, p.57) afirma que a idéia de coletivo, chamada por Tolstoi de “manada”, havia sido destruída pela proposição de sua escola nova. Com isso, foi instituída a ideia de indivíduo e de liberdade individual. Na escola nova de Tolstoi, “os pequenos camponeses liam livros, escreviam e desenhavam à vontade, sem separação de sexo e de idade, mas isolados entre si.”.

Com a finalidade de, ainda, registrar as condições em que se deram as transformações nas observações e nas sínteses de Makarenko, sobre suas circunstâncias histórico-sociais, Luedemann (2002, 57-58) destaca que:

Enquanto outros estudantes de origem pequeno-burguesa, decepcionados com o tolstoianismo, e com o marxismo, procuravam se aproximar do meio operário, Anton percebeu que a sua descoberta do marxismo havia se dado pelo caminho inverso: da realidade operária, para as idéias marxistas. A verdade das idéias estava expressa na realidade que ele já conhecia.

Destaca-se que, ao afirmar que a “verdade das idéias [marxistas] estava expressa na realidade que ele [Makarenko] já conhecia”, Luedemann objetiva um conteúdo que traduz a situação histórico-social como raiz primário-ontológica da produção de síntese, por Makarenko. Mas, ressalte-se que, a tomada da concreta realidade social, na perspectiva sócio-histórica, não se dá de modo a considerá-la como ponto de zero, mas, sim, como uma circunstância, já mediada pelo efetivo

retorno de conteúdos genéricos, acumulados pelas gerações precedentes, no decurso da história de desenvolvimento da humanidade. Neste caso, Makarenko realiza o

retorno à sua particularidade, com auxílio de conteúdos teórico-filosóficos do materialismo histórico dialético.

Neste item, reitera-se, com o auxílio de Marx (1978, p.116), que o concreto se torna propriedade do pensamento, como síntese multideterminada, “como resultado, não como ponto de partida [isto é, de origem], ainda que seja o ponto de partida efetivo e, portanto, o ponto de partida também da intuição e da representação.” [acréscimos entre colchetes e, em itálico, meus].

Do excerto apresentado, a seguir, destaca-se um elemento que pode ter se constituído como determinante da influência de Gorki, na atuação de Makarenko como educador, pois,

Como no projeto iluminista, Anton via no artista, no escritor, uma nova força criadora de importância vital para a nova educação. Além disso, Gorki era um intelectual de novo tipo, diferente da intelligentsia russa, de ex-aristocratas e pequeno- burgueses cheios de culpa e angústia. Era um intelectual que retratou com fidelidade a realidade do jovem proletariado, dos rebeldes camponeses expulsos de suas terras, os sem-teto, os sem pátria, que atravessavam terras desconhecidas, subiam e desciam rios, andavam por avenidas de grandes cidades em busca de trabalho. Um intelectual do novo tipo porque era um como eles, igual a eles, um homem igual aos que soube tão bem retratar.

Mediante as considerações do excerto anterior, ressalta-se que, de modo algum, se defende, nesta pesquisa, qualquer tipo de abandono da luta pela apropriação do lastro humano-genérico, conhecido como clássico, tão somente porque tenha sido produzido pela aristocracia ou pela burguesia. Sobretudo, não se defende que, por meio daquele que foi chamado de romantismo ativo de Gorki, tenha

sido obtida, o que se poderia denominar como sendo uma “mais verdadeira” ou, “mais pura” objetivação das circunstâncias histórico-sociais. Antes, nesta pesquisa, em consonância com Lukács, a ênfase é dirigida à “Vitória do Realismo”. E, mais ainda, considerado o campo científico, a defesa pelo realismo serve à afirmação da prioridade ontológica como raiz de qualquer desdobramento teórico-metodológico que se pretenda histórico-dialético. Posto isto, reitera-se, oportunamente, Lukács (1971-1980, 1999, p. 167) em sua afirmação de que, “na arte ou, para a arte não há, uma tal possibilidade de manipulação absoluta, [pois, pela] gênese da mimese a 'vitória do realismo' perde qualquer nuança irracionalista: nela irrompe justamente a verdade da história”. [Acréscimos entre colchetes e, em itálico, meus].

Ainda neste item, ressalva-se que, mesmo tendo propriedade das implicações da propaganda político-partidária do real-socialismo, objetivada na obra de Gorki, não se furta ao destaque da contribuição de sua narrativa ao processo de desenvolvimento histórico-social de A. S. Makarenko.