2. Utilisation du gag dans le scénario comique
2.3. Le gag visuel comparé au gag verbal
Bianca (05 anos) reside com a avó materna (Angélica – 50 anos), a mãe (Jussara – 24 anos), o tio (Hélio – 29 anos) e uma prima (Paula- 12 anos), filha de Hélio. Bianca é fruto do relacionamento conturbado entre Jussara e Thiago (26 anos). Os pais mantiveram um relacionamento afetivo, escondido dos pais de Thiago, durante dois anos, pois os pais dele proibiam o namoro alegando que Jussara não tinha posses. Já a família de Jussara percebia que a jovem estava envolvida e apoiava tal relacionamento. Jussara e Thiago se conheceram no trabalho, pois Jussara prestava serviço no estabelecimento comercial dos pais de Thiago.
De acordo com Angélica, a família de Thiago desejava que o relacionamento dos jovens não continuasse e tinha comportamentos que favorecia o término da relação, até que os dois, mesmo se gostando, preferiram se separar, pois estavam em “uma situação difícil de conciliar”, e somente após o término da união Jussara descobriu que estava grávida. Com o fim do relacionamento, Thiago mudou de cidade com o intuito de trabalhar e “acabou conhecendo „Thais‟ (madrasta), com quem começou a namorar” e logo casou oficialmente.
Porém, ainda não sabia da gravidez de sua ex-namorada. Quando Jussara comunicou a gravidez, “era tarde demais”, ele já estava envolvido com a atual namorada.
Quando Bianca nasceu, Angélica, a avó materna, tomou para si a responsabilidade de criar a neta, como se fosse sua filha. Afirma que fez isso, pois acreditava que Jussara não cuidaria direito da criança por ser muito nova. Durante a construção do genograma, Angélica demonstrou ter consciência de que privou a filha de assumir o seu papel de mãe e alega que Jussara não cuida nem protege Bianca como filha, mas como irmã a quem ama muito. A criança sabe que sua mãe é Jussara, porém, quem exerce a função de cuidadora e protetora é a avó, conforme seu discurso: “eu é que cuido da minha pequena.” A avó foi responsável pela notificação da violência e realizou os procedimentos referentes ao cuidado e acompanhamento da criança nos órgãos de proteção e atendimento. Jussara não compareceu a nenhum dos atendimentos do Grupo Multifamiliar.
História do Abuso Sexual
Bianca foi encaminhada pela Central de Medidas Alternativas (CEMA) de uma cidade satélite de Brasília ao Centro de Formação em Psicologia Aplicada (CEFPA) para atendimento psicológico, pois, de acordo com o encaminhamento, a criança foi “vítima” de violência sexual perpetrada pelo pai e a madrasta. Bianca freqüentava a casa do pai e da madrasta quinzenalmente, e eventualmente apresentava alguns machucados e manchas no corpo. A avó, Angélica, relata que começou a registrar todas as alterações no corpo da criança através de fotografias, quando, no retorno de uma dessas visitas, Bianca chegou com “comportamento bem diferente, estava quieta, calada e triste”. A avó, então, começou a conversar com a neta e esta relatou que Tais, a esposa do seu pai, e o próprio pai, haviam colocado uma caneta em seu órgão genital e a haviam machucado. Angélica, desesperada, não hesitou em levar imediatamente a criança à delegacia para fazer a denúncia e também o exame de corpo de delito, quando foi comprovada a introdução de um objeto pontiagudo no órgão genital da criança.
A avó Angélica acredita que a madrasta fez tal ato em decorrência do ciúme que sente de Jussara, e a forma que encontrou para atingi-la foi agredindo a criança. Angélica relata que não consegue acreditar que Thiago teria coragem de cometer esse tipo de violência com a filha, pois ele sempre foi um pai muito cuidadoso. Apesar de a família materna ter certeza que o pai não fez nada contra a filha, ele foi indiciado por negligência, pois naquele dia ele estava responsável pelos cuidados da criança. A avó relata que o fato abalou sua família e as visitas à casa paterna foram suspensas por decisão judicial.
Genograma
História Transgeracional
Angélica é de uma família grande de onze filhos, sendo ela a sexta. Seus pais foram casados até o falecimento de seu pai. Durante o relato, Angélica demonstrou sentir saudades do tempo de infância, relatando acontecimentos que lhe traziam boas lembranças, como as brincadeiras de infância, e aqueles ruins, que envolviam sua relação com a mãe. Afirma que ela e a mãe nunca foram próximas, e que a mãe era muito fechada e distante. Seus irmãos, como forma de provocação, alegavam que Angélica era adotada, e ela, por diversas vezes, chegou a acreditar nesse discurso. Além disso, Angélica afirmou que não sentia por parte da mãe carinho e cuidado, e quem a protegia, dava carinho e cuidados eram seus irmãos: Rosa e Igor.
Angélica tinha uma relação amigável com seu pai, que é falecido, e afirma se recordar de acontecimentos marcantes somente após a infância. Ela conta que, por serem muito parecidos, a relação era saudável, e que saiam juntos para conversar, beber e fumar. Angélica afirma que em sua família há muitos segredos, e por esse motivo ela acha que a relação deles não é muito estável e próxima.
Angélica casou-se muito jovem com João, e tiveram três filhos, permanecendo casados por dez anos. Angélica alega que nunca viveu bem com o marido, e que depois da separação não o viu mais, sendo que ele também não teve contato com os filhos e não lhe auxiliou no que diz respeito aos seus cuidados e proteção. Relata que, com a separação, seu poder econômico diminuiu muito, e que, com isso, seus familiares se afastaram. Nesse momento, Angélica se emociona e comenta que sua família liga muito para bens materiais, o que ela recrimina, mas sente falta de estar próxima aos irmãos. Após a separação, Angélica cuidou sozinha dos filhos, exercendo papel de pai e mãe. Atualmente, ela é a responsável pelos cuidados da neta Bianca, e afirma que protege a neta com unhas e dentes.
Não foi possível identificar na família do pai de Bianca aspectos relacionados a essa pesquisa, pois ele não participou dos atendimentos, e a avó da criança, Angélica, não mencionou nenhum fato referente a temática da família de Thiago.
Dos sete encontros previstos, a avó Angélica e a criança, Bianca, compareceram a apenas dois, e em um desses atendimentos a prima de Bianca também participou. Nestes encontros, foram trabalhadas as temáticas: proteção e os aspectos transgeracionais por meio do genograma. Angélica, desde a entrevista de acolhimento, se colocou incomodada por ter que se deslocar de casa para participar dos atendimentos, pois dizia que trabalhava a semana toda, e que no dia do grupo (que ocorria aos sábados) era o único dia que podia descansar.