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2.6 Résultats et discussions

2.6.3 Et la Géostatistique dans tout ça ?

O obeso mórbido geralmente tem um longo historial de tentativas de redução de peso, consistindo na maior parte dos casos através de tratamentos, utilizando-se uma dieta e uso de fármacos (Travado, Pires & Martins, 2004). Também existem aqueles que por iniciativa própria, utilizam dietas inadequadas e até mesmo, o uso de fármacos sem prescrição médica (Cavalcante, 2009). Apesar destes regimes terapêuticos proporcionarem uma redução de peso numa fase inicial, estes não são habitualmente satisfatórios, na medida que após a sua finalização a grande maioria dos pacientes obesos recupera em pouco tempo o peso perdido chegando a níveis ainda mais altos que os anteriores (Garner & Wooley, 1991). Este tipo de insucesso no tratamento desta patologia deve-se em grande parte ao seu carácter unimodal, em que se privilegia uma intervenção biológica, bioquímica e prescritiva, característica do modelo biomédico, em detrimento dos aspectos psicossociais do indivíduo no seu processo de doença e tratamento (Reis, 1998; Travado et al., 2004).

Qualquer tentativa de tratamento da obesidade que se pretenda eficaz deve ser perspectivada a longo prazo, de modo a que se possam observar os seus efeitos (Cavalcante, 2009). Em virtude do aumento do número de obesos e do carácter crónico dessa patologia, a procura pelo seu tratamento aumentou bastante nos últimos tempos (Travado et al., 2004). A intervenção na obesidade deve ter uma abordagem psicoterapêutica que contemple as

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dimensões biopsicossociais do indivíduo através de uma equipa multidisciplinar e integrada deve ser privilegiada de modo a assegurar o êxito do tratamento desta patologia e a sua manutenção a longo prazo, contribuindo para a melhoria de saúde, qualidade de vida, bem- estar e satisfação dos que dela padecem (Travado et al., 2004). A prevenção e o controlo do excesso de peso e da obesidade obtêm-se através da mudança de estilos de vida, com base em três pilares, em programas alimentares, incremento da actividade física e desportiva, programas educativos (DGS, 2007). Estas são as medidas mais importantes em qualquer programa de perda de peso e devem ser as primeiras a ser adoptadas (Travado et al., 2004).

Actualmente a cirurgia bariática constitui uma importante opção terapêutica para a obesidade, e é considerada a forma mais eficaz de a controlar a longo prazo, assim como as comorbilidades associadas (Delin & Anderson, 1999). No entanto a existência da cirurgia leva a que muitos pacientes a encarem como a solução mágica, depositando no cirurgião e na cirurgia todas as esperanças e expectativas. Esta crença poderá colocar em risco o êxito do tratamento, pela consequente desresponsabilização que ela poderá implicar por parte do paciente neste processo. A isto acresce a tendência dos pacientes obesos desejarem ser participantes passivos no seu tratamento (Randolph, 1986; Travado et al., 2004). O objectivo geral do tratamento consiste na redução do peso corporal suficiente para que este deixe de representar um risco para a saúde. Este objectivo apesar de muitas das vezes estar longe dos desejos de muitos doentes, é o que responde às necessidades reais do organismo e que se baseia em expectativas realistas, tendo, portanto, maior probabilidade de sucesso (Vaz, 2008). A cirurgia tem como objectivo primordial a saúde física e clínica, e não necessariamente a saúde emocional. Gleiser e Candemil (2006, cit in cavalcante, 2009) confirmam a posição de que a cirurgia não cura os sintomas psíquicos da obesidade, tampouco a questão estética. Contudo, o paciente esclarecido e preparado antes da cirurgia tende a apresentar expectativas realistas e recursos psíquicos adaptativos, principalmente se mantiver o acompanhamento e as recomendações preconizadas pela equipa, pode ter sucesso na manutenção da perda de peso.

Têm sido sugeridos por alguns autores critérios de natureza psicológica para a selecção de candidatos a cirurgia, que a contra-indicam ou que os remetem para tratamento prévio. Como contra-indicações ou até mesmo critérios de exclusão tem sido referido as seguintes condições clínicas: perturbações alimentares do tipo compulsivas, bulimia nervosa, as psicoses, estados maníacos, perturbações da personalidade, perturbações ansiosas e depressivas, ideação e intenção suicida (Segal & Fandino, 2002). Verifica-se que não existe consenso entre os autores relativamente à rigidez dos critérios, sendo que alguns autores consideram alguns parâmetros como contra-indicação absoluta para a cirurgia, por outro lado,

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outros definem níveis de contra-indicação e indicam linhas orientadoras para o adequado tratamento de determinadas perturbações psicológicas antes da realização da cirurgia (Travado et al., 2004). Ainda assim, observa-se um crescente abandono de critérios psicológicos na selecção de candidatos a estes procedimentos, provavelmente devido à ausência de instrumentos que permitam adequada avaliação prognóstica (Segal & Fandino, 2002). Vários clínicos referem que as alterações do foro comportamental não são, por si só, impeditivas da realização do tratamento, mas deverão ser consideradas nas opções a serem tomadas, face ao processo de cura (Glinski, Wetzler & Goodman, 2001), sendo que, em alguns estudos o grau de psicopatologia é sugerido como constituindo o “elemento-chave” para o desenvolvimento, quer de complicações médicas quer de psicológicas, na fase pós- cirurgia (Cavalcante, 2009).

Em relação aos indivíduos já submetidos à cirurgia, apesar de também não haver unanimidade, um ponto que tem merecido atenção especial na área psicológica diz respeito ao ganho de peso, após a cirurgia bariátrica, já que se tem observado que, num espaço de tempo de cinco a nove anos após a cirurgia, os indivíduos tendem a apresentar um retorno ao patamar de obesidade, até mesmo obesidade mórbida (Silva, 2005b). A maioria dos estudos indicam uma melhora no quadro emocional, principalmente nos primeiros meses, que se prolonga até dois anos (Dymek, Grange, Neven, & Alverdy, 2002; Malone & Mayer-Alger, 2004; Mello, 2001), principalmente em mulheres, indivíduos jovens e naqueles com um maior excesso de peso (Dixon, Dixon, & O’ Brien, 2003). Constata-se que existe uma melhoria da psicopatologia e possivelmente da doença psiquiátrica de base prévia à cirurgia, independentemente da técnica usada (Dixon & O’ Brien, 2002) e da quantidade de peso perdido (Dixon & O’ Brien, 2002; Diniz, Sander, & Almeida, 2003). Segundo Dymek e colaboradores (2002) que avaliaram a qualidade de vida (incluindo a depressão), indicaram que antes da cirurgia os pacientes apresentaram um nível leve de depressão e após o procedimento cirúrgico, os scores caíram para depressão mínima.

Alguns autores, como por exemplo, Franques e Ascencio (2006) e Cavalcante (2009), apontam que os obesos propostos para a cirurgia bariátrica não apresentam valores elevados de depressão antes da cirurgia, no entanto referem que os valores de depressão baixaram após a cirurgia. Segundo, Markowitz, Friedman e Arent (2008) estes efeitos positivos da cirurgia não parecem estar apenas directamente relacionados com a perda de peso, outros factores podem assumir um papel activo, nomeadamente, o apoio social, gestão de stress, evitamento do erro cognitivo tudo ou nada e o exercício físico.

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Pesquisas relatam as consequências psicológicas após a cirurgia bariátrica, dividindo- as entre positivas e negativas. Entre as positivas, destacam-se o aumento da auto-estima, diminuição da avaliação negativa sobre a imagem corporal, melhoramento no comportamento alimentar e melhoria da qualidade de vida. Entre as negativas destacam-se a crise de identidade, demanda por novos relacionamentos, familiar ou conjugal, um esforço para aceitar a mudança do corpo, necessidade de reaprender a se alimentar, estabilidade na perda de peso, dificuldade em assumir um olhar “normal” sobre o corpo, e o permanente monitorização da alimentação. (Psychological considerations, 2006 cit in Cavalcante, 2009).

Em suma a obesidade é uma doença crónica, que resulta do armazenamento excessivo de gordura, que evolui ao longo dos anos, frequentemente está associada com doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, DM2, metabólicas, músculo-esqueléticas e respiratórias (Segal et al., 2002;Vaz, 2008). Os dados sugerem que nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento a prevalência da obesidade tem uma tendência a aumentar, em Portugal mais de 50 % da população adulta sofre de excesso de peso e 14% desta é obesa (ONAFD, 2011). Apresenta uma etiologia multi-factorial na sua origem, esta doença envolve interacções complexas entre diversos factores, entre os mais determinantes, encontra-se o padrão alimentar e a inactividade física, que contribuem de forma considerável para o aumento da adiposa e o desenvolvimento da obesidade (Tomaz, 2008). Também tem sido referido que um baixo rendimento e uma baixa escolaridade estão ligadas a maiores prevalências de obesidade (Drewnowski, 2009). Além disso, a obesidade nas mulheres é geralmente associada a um baixo rendimento e grau de escolaridade, enquanto esta associação é menos consistente nos homens (Drewnowski, 2009). São diversas as investigações que sugerem que existe uma relação directa entre morbilidade psicológica e o excesso de peso, embora os factores responsáveis por esta relação não estejam claros. Na actualidade a obesidade constitui um dos mais importantes problemas de saúde pública, acarretando prejuízos para a saúde física e mental. Frequentemente a obesidade encontra-se associada a morbilidade psicológica, necessitando de uma melhor compreensão, no qual irá merecer a nossa maior atenção no próximo capítulo.

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